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por Redação

Publicação digital AzMina, que entra no ar dia 1º, promete conteúdo para mulheres cansadas de manuais, receitas e aquelas 45 dicas de não sei o quê

Nana Queiroz cresceu em Pirituba, na periferia de São Paulo. Desde cedo ela tinha vontade de ser repórter, mas quando pegava uma revista teen nas mãos, sentia que aquilo não tinha nada a ver com ela. Eram páginas e páginas com peças de roupa de R$ 500, meninas magérrimas, de pele branca e muita maquiagem no rosto. "Isso fazia eu me sentir excluída. Como se tivesse menos direito de desfrutar da feminilidade por não poder pagar caro", recorda Nana. Foi ali, ainda na década de 90, que nasceu o desejo de fazer uma publicação que conversasse com todas as brasileiras, desejo esse que a jornalista, atualmente com 29 anos, vai concretizar semana que vem, com o lançamento da revista on-line AzMina. A publicação mensal reproduzirá o capricho de uma revista impressa, e tudo de graça, em formato digital, acessível via smartphone, tablet ou computador.

O site, que entra no ar dia 1º e foi financiado por crowdfunding, vai oferecer conteúdo para as mulheres cujos manuais de sexo, moda e beleza, dataram. Os quadrinhos terão espaço garantido e pra começar estarão lá o Garota Siririca, de Gabi Lovelove6 e o Menina Não Pode, de Libu. A seção Butina será exclusiva para escritoras lésbicas. Para Nana, também idealizadora da campanha #NãoMereçoSerEstuprada e autora do livro "Presos que menstruam", fazer uma revista do caralho não basta. AzMina quer ser uma revista da buceta.

"As brasileiras não querem só ler sobre dieta. Elas têm gostos diversos, então querem ser tratadas com diversidade. Desejam conteúdos profundos e críticos", define a jornalista, que pensou em batizar a revista de Biscate. "Fizemos alguns testes, e o nome não teve boa aceitação. Não queríamos que a revista falasse só para convertidas ao feminismo, mas para todas que não querem ser menosprezadas". Na capa da primeira edição, por exemplo, uma reportagem sobre as fábricas da China que exportam para confecções de roupas brasileiras. Incômodo e informativo.

O "saiba como fazer" ou aquelas "45 dicas para..." ficarão de fora das manchetes. As criadoras da revista tem certeza de que as mulheres querem e podem mais do que isso."Esse discurso de que liberdade sexual é saber chupar o cara do jeito certo é balela. Na verdade, é só mais um jeito de aprisionar as minas", diz a subeditora Helena Bertho, de 27 anos. "Agente não quer é cagar regra".

Beleza e moda estarão presentes, mas sem modelos esquálidas com padrões fictícios e looks que não cabem no bolso. "É importante para nós reconstruir o conceito de beleza brasileiro, que ainda celebra o padrão europeu. Escolhemos meninas que refletem a mulher que está nas ruas", explica a diretora de arte Larissa Ribeiro, de 32 anos. E vai ter Photoshop? "Não! Nada de esconder estria, celulite, nem espinha!", garante Larissa.

Na diversidade de colaboradoras estão Lola Aronovich, que leciona na Universidade Federal do Ceará e edita o blog feminista Escreva Lola Escreva, e a travesti sucesso no YouTube, Luísa Marilac. Para a coluna de estreia, ela entrevistou mães de transexuais. "Falei com a mãe de uma menina que tomou sete tiros na barriga. Não segurei a emoção e choramos juntas", lembra Luísa, que deixou a mansão na Espanha e os "bons drink" para trás e, hoje, mora em Guarulhos. Luísa garante que estamos todas no mesmo barco, "independentemente do pedaço de picanha entre as pernas", diz.

Vai lá: www.facebook.com/revistaazmina

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