por Nathalia Zaccaro

MC Soffia, Maeve Jinkings, Luisa Arraes e outras filhas trocam dicas de livros com suas mães

Ser mãe é treta. E é lindo também. A missão de transformar um filhotinho de homo sapiens em uma pessoa legal é das mais desafiadoras que existem. Mas ninguém precisa fazer isso sozinha. “Sempre apresentei literatura negra para a minha filha e acho que isso impactou muito na autoestima dela”, conta Kamilah Pimentel, mãe da rapper MC Soffia, que aos 13 anos esbanja consciência social e amor próprio.

Amor materno é insubstituível. E uma boa leitura também. Convidamos mães e filhas para trocarem dicas de livros inspiradores no nosso dia das mães literário.

MC Soffia e Kamilah Pimentel 

Soffia indica Até as princesas soltam pum, de Ilan Brenman
“Quando eu era bem pequenininha minha mãe lia pra mim “Menina bonita do laço de fita”, da Ana Maria Machado. Eu amava a protagonista, que é pretinha como eu. Indico o último que eu li e me diverti muito. É sobre princesas que soltam pum! Minha mãe vai adorar”   

Kamilah indica Eu sou Malala, de Malala Yousafzai e Christina Lamb
“Esse livro conta a história de uma garota que tem quase a mesma idade da Soffia e foi revolucionária. Com coragem e lucidez ela lutou pela educação dos jovens de seu país e se transformou em um símbolo de luta. Acho que será uma leitura inspiradora para minha pequena”

Zabelê e Baby do Brasil, cantoras

Zabelê indica Freud e o inconsciente, de Luiz Alfredo Garcia-Roza
“Minha mãe sempre me indicou vários livros . O primeiro que me lembro é o “O pequeno príncipe”, do  Antoine de Saint-Exupéry.  Isso me fez ter cada vez mais interesse pela cultura e pela arte. Sou muito sortuda e eternamente agradecida por ter tido essa criação com tanta informação cultural!  Indico pra ela um título sobre um dos meus assuntos favoritos: psicologia”

Baby do Brasil indica A Batalha final, de Rick Joiner
“Zabelê desde pequena é uma menina super conectada, curiosa e independente. Ela é aquela pessoa da família que adora um papo cabeça! O livro que indiquei fala sobre a batalha entre a luz e as trevas”

Luisa Arraes e Virginia Cavendish, atrizes

Luisa indica “Grande Sertão Veredas",  de Guimarães Rosa
“Certa vez nós duas estávamos conversando sobre a imprevisibilidade da vida e minha mãe disse: 'é como em O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Márquez, aqueles dois se encontrando velhinhos no mar, ninguém imaginava aquilo...'. Não lembro suas palavras exatas, mas a forma entusiasmada como ela descreveu a cena me deu vontade de ler correndo para entender que sensação era essa da qual ela estava falando. Minha dica de leitura para ela é um clássico de Guimarães Rosa”

Virginia indica Ou isto ou aquilo, da Cecília Meireles
“Passei muitos anos da minha vida lendo Em busca do tempo perdido, de Proust. Luisa acompanhava a leitura desde muito pequena. Quando acabei todos ela devia ter uns 16 anos e não entendia como eu podia ficar tanto tempo lendo o mesmo livro, a mesma história. Depois de adulta não só entendeu como me deu de aniversário uma edição linda dos primeiros textos dele para o Le Fígaro. Para ela indico um livro que foi importante na minha infância, de Cecília Meireles”

Maeve Jinkings, atriz, e Leila Jinkings

Maeve indica A mulher desiludida, de Simone de Beauvoir
“Li recentemente esse livro e me tocou muito a forma como retrata o processo de envelhecimento, relação com filhos, solidão e desamor na perspectiva de uma mulher moderna. Nesse processo coletivo de se perguntar o que significa ser mulher nos dias de hoje, por sermos muito amigas, minha mãe e eu trocamos muitas impressões. Os livros sempre fizeram parte de nossa relação porque meu avô materno era livreiro, em casa tínhamos horário de leitura. Minha transgressão preferida na infância era brincar de pula-pula nas pilhas de livros do deposito da Livraria Jinkings, em Belém do Pará”

Leila indica Helena Solberg: do Cinema Novo ao Documentário Contemporâneo, de Mariana Ribeiro da Silva Tavares
“Para sugerir um livro para Maevinha, pensei na Helena Solberg porque é uma cineasta brasileira do Cinema Novo com filmografia singular. De alma política e feminista. Faz parte de dois grandes objetos de pesquisa de Maeve: cinema e mulher”

Renata Vanzetto, chef de cozinha, e Silvia Camargo

Renata indica Histórias para alimentar a alma, do Reverendo Aldo Quintão
“Acho que esse livro tem tudo a ver com ela. Fala sobre histórias de amor e fé como forma de superação em momentos difíceis. É lindo e muito tocante. Ele oferece muita reflexão e, como sei que ela gosta do tema, acredito que irá curtir bastante!”

Silvia indica Princesa, do Jean P. Sasson
“Esse livro fala sobre a vida das muçulmanas, seus anseios por liberdade perante uma sociedade cruel com as mulheres. Foi um livro que me fez valorizar a vida e me solidarizar com as mulheres árabes”

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