por Gabriela Borges

Importantes prêmios de quadrinhos pelo mundo, como o francês Angoulême e o brasileiro HQMIX, insistem em deixar as mulheres de fora. Mas as quadrinistas estão aí e produzindo muito

Ano passado falamos sobre a falta de mulheres entre os finalistas do Troféu HQMIX, a principal premiação brasileira de histórias em quadrinhos. A polêmica foi tanta que houve carta de repúdio, pedido de desculpas e discursos de protesto. Aí, 2016 mal começou e o Grande Prêmio de Angoulême, uma das principais premiações de quadrinhos do mundo que acontece no fim do mês, divulgou sua lista de indicados: eis que, entre os 30 nomes, não há nenhuma mulher. 

O coletivo de quadrinistas Women in Comics Collective Against Sexism publicou um manifesto lembrando que, nas 43 edições do prêmio, apenas Florence Cestac recebeu esta distinção. Claire Brétecher, um dos maiores nomes da Nona Arte, nunca recebeu o prêmio.

O texto exige reconhecimento da existência e do valor das autoras, lembrando que a falta de mulheres homenageadas e a invisibilidade desencoraja o surgimento de novas artistas. "Se autoras e autores selecionam um trio dentre os indicados ao Festival, essa lista tem que necessariamente representar o cenário dos quadrinhos hoje em dia. As autoras também são referências desse campo da literatura". Alguns dos mais importantes quadrinistas do mundo, como Milo Manara, Riad Sattouf, ex-Charlie Hebdo, Chris Ware, Joann Sfar, Pierre Christin e Etienne Davodeau, aderiram ao boicote organizado pelo grupo BD Égalité, que luta pela igualdade de gênero nas HQs, e pediram que seus nomes fossem retirados da lista de indicados. 

A verdade é que a discussão sobre o espaço que as mulheres têm no mercado de HQs não é nova e nem deve acabar tão cedo. Para quem não conhece as quadrinistas brasileiras e ainda acha que quadrinhos é coisa de menino, aqui vai uma lista com alguns dos melhores livros de HQ lançados em 2015. 

 
 

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