por Natacha Cortêz
Tpm #136

Ouvimos seis mulheres, de diferentes áreas profissionais, para saber como lidam com dinheiro

 
Tpm ouviu seis mulheres, de diferentes áreas profissionais, para saber como lidam com dinheiro, ese componente fundamental da independência e da liberdade que queremos ter

Quanto você ganha? Quanto pretende acumular na vida? E onde você coloca seu dinheiro?

As perguntas que parecem incontornáveis quando o assunto é vida financeira não fazem sentido para a paulistana Paula Dib, a moça da capa desta edição da Tpm. Uma das dez homenageadas deste ano do Prêmio Trip Transformadores – iniciativa da revista Trip –, Paula há muito tempo entendeu que dinheiro não seria sua principal motivação nesta existência: para ela, que se formou em desenho industrial e trabalha como articuladora social, atuando em comunidades carentes Brasil afora (os detalhes de sua trajetória estão na pág. ao lado), há perguntas mais pertinentes a fazer hoje em dia quando o assunto é como ganhar dinheiro ou, de modo mais prático, como lidar com ele. Uma delas: do que você precisa? Outra: onde você coloca sua energia?

Além dela, outras cinco mulheres falam nas próximas páginas sobre esse assunto. Os perfis são diversos, mas há entre todas elas um ponto em comum: a vida financeira confortável, dentro do que cada uma desejou e batalhou para conseguir. Andrea Alvares, executiva da Pepsi, conta como o alerta do pai, ainda na infância – o de que, enquanto se é dependente financeiramente de alguém, é impossível ter voz ativa –, moldou seu desejo de liberdade, que passa necessariamente por ser dona do próprio dinheiro. Naiara Duarte, que hoje fatura até três vezes mais do que o marido vendendo produtos da Natura em sua cidade, no interior paulista, fala da experiência de organizar a vida (e as contas) como autônoma. Vanessa Rozan, maquiadora que abriu a própria empresa, relata os sacrifícios necessários para quem quer empreender e ressalta, como Andrea, o quanto a educação financeira que teve em casa, ainda na infância e na adolescência, foi fundamental. Lia Camargo, blogueira que foi uma das primeiras a ganhar dinheiro com parcerias com marcas patrocinadoras de seus conteúdos, conta como é ter o namorado como funcionário e quais sonhos realizou até agora com o que ganhou. E Alessandra França, jovem criadora do Banco Pérola, que ajuda empreendedores como ela a prosperar por meio de microcrédito, mostra o equilíbrio (nem sempre fácil) entre a vocação de ajudar e a manutenção da própria saúde financeira.

Jeito feminino?

É fato: na última década, o poder econômico das mulheres brasileiras cresceu – não só pela participação no mercado de trabalho (em que, no entanto, os salários delas ainda costumam ser mais baixos do que os deles), mas em grande parte pela aposta em negócios próprios. De acordo com o estudo “As mulheres empreendedoras no Brasil”, realizado pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e divulgado este ano, a taxa de empreendedorismo entre mulheres aumentou cerca de 21% na última década, mais que o dobro do crescimento entre os homens no mesmo período. A pesquisa revela também que, diferentemente de alguns anos atrás, as mulheres não mais empreendem para complementar a renda da família: elas abrem empresas por motivação, identificando demanda de mercado e estudando as melhores possibilidades, o que gera empresárias de sucesso sólido. A porcentagem de empreendedoras com esse perfil hoje é de 65%. Há dez anos, era de de 39%.

O número de negócios comandados por mulheres e em atividade há mais de cinco anos também aumentou, de 48% para 54%. Mas, na avaliação do gerente de desenvolvimento e inovação do Sebrae-SP, Renato Fonseca, é perigoso tentar determinar o que seria o “jeito feminino” de fazer negócios ou administrar o dinheiro. “Não há base científica para falar que homem é mais isso ou mulher é mais aquilo nesse assunto”, diz ele. “Porém, há características femininas que facilitam a vivência nas empresas, por exemplo.”

Também em busca de descobertas nessa seara – as diferenças entre os gêneros nas questões financeiras –, a Visa encomendou à GfK Roper uma pesquisa que ouviu 25 mil pessoas em 27 países, em 2012. Intitulado “Barômetro internacional de educação financeira da mulher”, o estudo mostrou que na maioria dos países as mulheres poupam menos do que os homens. A única exceção é a Austrália, onde o sexo feminino supera o masculino na hora de guardar dinheiro (no Brasil, entre os que não poupam, 51% são mulheres, contra 41% dos homens).

A mudança passa por ter mais informação. Depois de cobrir o mercado financeiro por quatro anos, a jornalista Carol Ruhman notou que grande parte da audiência dos sites de economia era composta de homens. Criou então o Finanças femininas, site dirigido a mulheres em busca de ajuda para lidar com o próprio dinheiro, investir, aplicar e empreender. Certas questões, claro, são universais: todo mundo, seja homem ou mulher, lida com cartão de crédito e tem que decidir, por exemplo, se deixa o dinheiro na poupança ou escolhe uma aplicação. “Mas, ainda assim, a audiência dos sites tradicionais para esses assuntos é composta de 80% de homens. Alguma coisa nesses sites faz com que as mulheres não se interessem ou não vejam que a informação serve a elas”, diz Carol.

Segundo dados da Sophia Mind, empresa voltada a pesquisa e inteligência de marketing feminino, existem, sim, características que diferem homens e mulheres na hora de pensar sobre investimentos. A mulher tende a ser mais conservadora, fazer menos apostas e visar o bem-estar dos familiares, além de ser mais curiosa e ter mais dificuldade em lidar com números. Por outro lado, “ela toma os riscos de maneira mais consciente e isso gera uma probabilidade de sucesso maior que a do homem”, aposta Eduardo Ferreira, superintendente do Itaú Microcrédito. Um modelo de conversa voltado para a mulher também tende a ser diferente. Vendo oportunidade de negócio e investindo no site próprio, Carol passou a incentivar também outras mulheres a pensar sobre o dinheiro que ganham e as melhores maneiras de aproveitá-lo. “Hoje vemos meninas jovens bombando nas carreiras, abrindo novos negócios ou conseguindo cargos mais altos. Muitas vezes elas têm uma renda bacana e não sabem o que fazer direito.”

A procura por informação tem aumentado não só na internet: no ano passado, 45% da consultoria dada pelo Sebrae a empresários foi destinada a mulheres. O próprio Banco Pérola, criado por Alessandra França, tem 65% dos clientes do sexo feminino. Para Ferreira, do Itaú, uma diferença significativa nesse cenário está no modo como as novas gerações encaram o tema. Aconselhadas pela mãe ou pela avó, as jovens já tendem a buscar independência financeira mais rapidamente. “Muitas mulheres sofreram o dilema entre trabalhar fora ou ser dona de casa. Provavelmente, a próxima geração, que já não vai ter a mãe em casa o tempo todo, não sofrerá esse conflito psicológico”, acredita. E assim vamos evoluindo.

*Colaborou Gabriela Sá Pessoa

Vai lá: Finanças Femininas http://financasfemininas.com.br

 

Paula Dib, designer e articuladora social: Dinheiro para mover - e não para ter*

Alguns encontros casuais mudam para sempre nossas vidas. Foi assim com a designer Paula Dib: ainda muito pequena, ela estava às vésperas de entrar em uma cirurgia para a colocação de uma prótese no antebraço esquerdo, o braço que faltou quando ela nasceu. Poucas horas antes da operação, seus pais conheceram um ortopedista que quis saber por que a criança passaria por cirurgia tão complicada: “É por ela ou por vocês?”. A pergunta mudou tudo. “Eles entenderam que estavam fazendo aquilo por eles, não por mim”, conta Paula, que neste ano é uma das homenageadas do Prêmio Trip Transformadores, da nossa revista-irmã.

A operação foi cancelada e Paula foi matriculada numa escola humanista, em que aprendeu que a deficiência está em um mundo que não consegue se adaptar às diferenças. No final da adolescência, foi estudar desenho industrial e decidiu que o usaria para criar peças que tivessem significado social. Em 2002, montou sua empresa, a Trans.Forma, que faz projetos em comunidades carentes e ajuda a população local a criar e comercializar produtos com as matérias-primas que tem. O trabalho, premiado, fez com que Paula, hoje com 36 anos, fosse capaz de se sustentar financeiramente. Mas antes de entrar em um projeto ela não pensa ‘quanto vou ganhar com isso?’. “Dinheiro é uma preocupação para todo mundo, claro. Mas acho que a pergunta é ‘do que você precisa?’.” Paula não vê o dinheiro como uma energia capaz de gerar o “ter”, mas como uma energia capaz de movimentar coisas. “A pergunta se­ria: ‘onde você coloca sua energia?’, e não ‘onde você coloca o seu dinheiro?’.”

Embora entenda-se como levemente caótica quando o assunto é organi­za­­­­ção, ela mesma cuida das finan­ças, com ajuda de uma contadora – e do companheiro, o escritor Antonio Lino. “Administramos a casa juntos. Desde o dinheiro que entra, até o que sai, passando pelo supermercado e pela cozinha.” Em nome da mobilidade, Paula nunca trabalhou como contratada em regime CLT. Como empresária, decidiu trabalhar com projetos e com grupos que também privilegiem essa liberdade. “Desse jeito não acumulo pessoas, mas as experiências que elas trazem.” Se apostasse em um modelo mais convencional, talvez pudesse estar maior – e mais rica. Mas ser bem-sucedida, para ela, é outra coisa: “É ser capaz de promover mudanças positivas. Ser capaz de conduzir uma transformação”.

* Por Milly Lacombe

 

Vanessa Rozan, maquiadora e empresária: "Investimento exige sacrifício. E resultado leva tempo"

maquiadora Vanessa Ro­zan, 33 anos, nunca teve o dinheiro como motivação principal. “Não queria ficar rica, queria fazer algo que me permitisse trabalhar em qualquer lugar do mundo”, diz ela, que se formou em comunicação social e passou quatro anos trabalhando na publicidade do Itaú Seguros. Isso até o corpo reclamar. “Ele começou a me dizer que aquele emprego não era pra mim. Tive dores, enxaqueca, problema na tireoide. Saí e fui empacotar presentes na loja da M.A.C.” As amigas publicitárias perguntavam: “Você vai mesmo trabalhar como vendedora de shopping?”. Sem dar ouvidos, Vanessa ficou seis anos na M.A.C e se tornou maquiadora sênior da marca no país.

Hoje ela é mais do que isso: além de participar do programa Esquadrão da moda, no SBT, de fazer uma coluna de beleza em uma revista mensal e de ter conquistado um contrato de dois anos com a marca Maybelline, Vanessa abriu o Liceu de Maquiagem, salão e escola de maquiagem do qual é sócia majoritária.

Ela abriu a empresa sozinha. Antes de ter sócios, cortou todas as despesas que podia. “Vendi o carro e o apartamento, cancelei a NET, fui morar perto do trabalho pra poder ir andando até ele. Investi tudo ali e comecei do zero. Sabia que a partir de então ninguém, a não ser eu mesma, pagaria meu salário.” Mesmo com o investimento corajoso no próprio negócio, hoje sua maior fonte de renda é o contrato com a Maybelline. “Estou no processo de colher os investimentos do Liceu. Se engana quem pensa que vai abrir uma empresa hoje e amanhã vai estar milionário.”

Veio de família o aprendizado que a tornou cuidadosa com dinheiro. “Meu pai me colocou pra trabalhar aos 14 anos. Em nenhum momento ele pensou ‘estou lidando com uma menina’, eu e meu irmão fomos tratados da mesma forma.” A educação 
financeira começou aí, e desde o primeiro emprego ela paga suas contas. “Cresci ouvindo minha mãe dizer: ‘Tenha seu próprio dinheiro, tenha sua própria vida, não dependa de homem’. E previdência privada, ela sempre insistiu nisso.”

Para Vanessa, existe um jeito feminino de lidar com dinheiro. “A mulher não coloca tudo a perder, ela arrisca com cautela. É mais conservadora porque pensa no todo, enquanto o cara pensa só nele.”

Lia Camargo, blogueira: "Dinheiro é para realizar sonhos"

Quando, ainda pré-adolescente, Lia Camargo, 29 anos, começou a mexer em sites e decifrar códigos html, nem imaginava que o interesse viraria profissão e empreendedorismo. Em janeiro de 2000, ela fazia as primeiras postagens de um blog pessoal que acabaria a levando a uma categoria pouco compreendida, mas muito rentável entre as carreiras hoje: a de blogueira profissional. A página Just Lia, que a validou nessa área, foi uma das primeiras do Brasil e é uma das mais bem pagas.

Lia prefere ser chamada de “influenciadora”. “Faz mais sentido”, explica. Para marcas como Nike, Rexona, entre outras, também faz: elas já pagaram a ela alguns milhares de reais em troca de textos ou de postagens do tipo “look do dia”.

A prática já gerou controvérsia – nem todos os blogs deixam claro quando as postagens são patrocinadas. Mas Lia defende que se separe o joio do trigo: “É uma profissão séria”. E dá dinheiro: a paulistana contabiliza uma média de R$ 35 mil ao mês, líquidos. Os cachês variam de acordo com a duração ou complexidade do trabalho – que hoje pode ser a participação dela como modelo-viva de uma vitrine de loja, uma viagem internacional de alguns dias ou simplesmente os 140 caracteres de um tweet, que vale R$ 700. “Uma ação maior começa em torno dos R$ 3.500”, entrega.

“Dinheiro serve pra realizar meus sonhos e os sonhos de quem amo”, justifica. Entre suas primeiras grandes compras estão realizações pessoais, como um carro e a festa do próprio casamento, mas também uma viagem para a Disney com seus pais, que a faz marejar os olhos quando lembra. Um dos passos mais curiosos foi ter contratado o namorado, quatro meses atrás, para cuidar da área comercial, em troca de 20% do faturamento dela. “É bem mais do que ele ganhava no emprego antigo”, garante ela, que emprega 12 pessoas, entre colaboradores de texto, designers e programadores.

Alessandra França, empreendedora social: "Dinheiro é ferramenta, e não fim"

Filha de pai caminhoneiro e mãe costureira, Alessandra França, 27 anos, aprendeu desde cedo a economizar e fazer muito com pouco. Na adolescência, ganhou uma bolsa de estudos para cursar em um colégio particular por meio do Projeto Pérola, uma associação social que aposta no desenvolvimento educacional de jovens do interior de São Paulo. Trabalhou na instituição por sete anos, do estágio à diretoria, e foi lá que se inspirou para criar o Banco Pérola, instituição financeira que tem o objetivo de emprestar dinheiro a quem mais precisa: jovens empreendedores que não conseguem crédito em outros bancos.

Contato humano, olho no olho e confiança fazem parte do negócio. Nome sujo na praça não é empecilho para quem quer apoio do banco. “Muitos jovens querem empreender, têm vontade e capacidade, mas falta recurso. O empreendedor é um ser solitário, achar apoio é difícil”, diz. Inspirada no prêmio Nobel Muhammad Yunus, criador de uma rede de microcrédito em Bangladesh, Alessandra ajudou a melhorar a vida de centenas de pequenos empreendedores no interior paulista, onde mora – e também de sua família. “Pra mim, dinheiro é ferramenta, não o fim”, diz.

Apesar de nunca ter ficado no vermelho, Alessandra foi aprendendo ao longo da vida a se organizar financeiramente, poupar e investir. Hoje repassa o conhecimento por meio da consultoria que o Pérola presta aos beneficiados. “Não existe fórmula mágica, um negócio que vai te deixar rico da noite pro dia. O dinheiro é perene, se cuidar direito, ele volta sólido”, acredita. O pensamento se reflete na própria casa, onde organiza e divide as contas com o marido. “Quando a gente casou, ele já sabia que eu era independente. A nossa relação com isso é transparente”, diz.

Ser mulher em um mercado quase dominado por homens foi um desafio. “Não tenho dúvida de que o mercado financeiro é masculinizado. Coração e emoção são quase uma ofensa. As pessoas confundem feminilidade com fragilidade.” Mas os números vão garantindo o futuro do negócio. A taxa de inadimplência do Banco Pérola, que varia de 2% a 3%, é hoje bem menor que as das instituições tradicionais, em torno de 7%.

Andrea Alvares, executiva: "É mais uma questão de independência do que posse"

Se fosse seguir o sonho de adolescência, a goiana Andrea Alvares, 41 anos, estaria entre um plié e outro: quando tinha 17 anos, estava prestes a ingressar na Royal Academy of Dance, em Londres, com uma bolsa de estudos, mas por causa de uma tendinite não conseguiu fazer os exames de admissão. O plano B foi estudar administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Hoje, como diretora-geral do negócio de snacks da PepsiCo Brasil, ela está à frente de um mercado que movimenta R$ 12 bilhões por ano no país.

Trocar a dança pelas planilhas foi só o primeiro grande desafio profissional de Andrea. Em 2006, por exemplo, ela se viu diante da chance de ser a principal executiva de marketing de bebidas da empresa para a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. Se mudou para Buenos Aires com os dois filhos, enquanto o marido os visitava nos fins de semana. O esquema durou dois anos – e lá, aos 35, ela ainda ficou grávida do terceiro filho. “Percebi que tinha muito mais jogo de cintura do que imaginava”, diz.

Em março de 2013, Andrea assumiu o cargo que tem hoje, mas a imensa responsabilidade nunca lhe deu medo. “Fui criada para ser qualquer coisa que quisesse na vida, desde que me dedicasse”, diz. Foi ainda na infância que ela ouviu do pai: “O dia em que você for dona do seu nariz e conseguir pagar suas contas, você pode dar opinião. Até lá, quem manda nesta casa sou eu”. Andrea entendeu o recado e hoje tem a autonomia que quer.

Ela prefere não falar dos números de sua conta bancária nem dizer de patrimônio, mas garante que o dinheiro trouxe liberdade. “E é por isso que ele vale a pena. É muito mais uma questão de independência do que de posse.” Andrea acredita que a brasileira está bem preparada pra empreender, mas precisa se livrar de algumas culpas. E enfrentar desafios. “A sociedade está preparada pra que as mulheres ganhem mais que os homens? Não, não está. E esse é um dos desafios que temos daqui pra frente.”

 

Naiara Duarte, vendedora: "É bom não depender de marido"

 
Aos 18 anos e com um filho recém-nascido, Naiara Duarte queria “tirar um troco” para ajudar nas despesas da casa. Foi quando uma amiga sugeriu que ela começasse a vender produtos da Natura em São José do Rio Preto, sua região. “Desde os 11 anos gostava de vendas. Já tinha vendido lingerie na escola, tinha feito bijuteria. Não ia ser difícil vender maquiagem e cosméticos”, diz.

Hoje, aos 29 e mãe de dois meninos, Naiara está no segundo casamento, e segue como consultora Natura. “Comecei devagarinho e hoje comercializo pronta-entrega: tenho estoque em casa.” A cada dia ela seleciona um bairro pra visitar. E, se um cliente liga, vai até ele mesmo se estiver fora de sua rota. “Escuto o cliente, explico o produto, faço atendimento pós-venda”. Em sua lista, há mais de 300 clientes, e pelo menos cem deles são fiéis.

Com as vendas, Naiara paga todas as suas contas, a prestação do carro, as despesas com os filhos. “Também comprei a casa onde moro e a decorei com o dinheiro que ganho como consultora.” Em média, fatura R$ 6 mil mensais, bem mais que o atual marido. O triplo, para ser precisa – o que, segundo ela, não gera desentendimento entre o casal. “Não gosto de depender de marido, não peço pra ele comprar roupa pra mim. Não gostaria de ter alguém mandando em mim.”

Como em alguns meses as vendas são mais baixas, ela se controla. Sabe de cada centavo que precisa pagar, e de cada centavo que tem pra investir. E confessa: o limite alto nos cartões de crédito – 10, 12 mil – a ajuda a planejar as finanças. Outra segurança são os planos de capitalização nos quais investe. Ela conta que o segredo pra não ter medo do futuro é “plantar hoje e colher amanhã, com cautela”. O sonho agora é ser gerente de relacionamento da Natura, o que significa administrar um setor maior na cadeia de vendedoras da empresa. E acredita que é só uma questão de tempo para realizar isso. “Já faço tudo sozinha e me orgulho disso. Sou minha própria chefe desde que me lembro.”

 


Negócio próprio

Para quem pensa em empreender, Karine Drumond, do site Negócio de Mulher, escreve sobre como transformar paixão em negócio

Encontrar um modelo que combine paixão com rentabilidade é um dos maiores desafios de quem resolve ter um negócio. Nem toda paixão leva a um modelo sustentável. Por isso é importante encontrar a convergência em que se possa unir paixão, habilidade e oportunidade. É preciso ousadia, algum nível de risco e muitas doses de paciência.

Autoconhecimento é o primeiro passo: é essencial descobrir quais são seus interesses, suas paixões. O que a motiva na atividade profissional? Qual seu sonho? Em que você acredita? E o que você faz bem?

Cinco perguntas pra ajudar a descobrir:

1. Se você só pudesse fazer uma coisa pro resto da sua vida, o que seria?

2. Se pudesse combinar todos os seus talentos em uma coisa única, o que seria?

3. Qual sua revista ou programa de TV favoritos? (Normalmente sua paixão é encontrada nas suas atividades de lazer.)

4. Sobre que assunto você não consegue parar de falar? (Esse assunto é certamente uma paixão.)

5. Que atividades você faz com fluidez, com naturalidade e nem vê o tempo passar?

Disso tudo, pense:

1. O que interessa aos outros?

2. Pelo que as pessoas lhe pagariam?

3. O que as pessoas estão buscando e ainda não encontraram – ou não encontraram da maneira como gostariam? Como você poderia oferecer de forma única e especial?

Nem sempre as coisas andam como o planejado, claro. É preciso se preparar para os períodos difíceis, respeitar o tempo de as coisas acontecerem, dominar a ansiedade. E ter uma rede de apoio: ninguém dá conta de fazer tudo sozinho. Quem quer empreender em um negócio ou na carreira precisa descobrir quem vai ajudar na transição e estabelecer as parcerias certas.

Vai lá: Negócio de Mulher www.negociodemulher.com.br

 

 

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