por Ariane Abdallah
Tpm #98

Nesta Tpm, que ajudou a editar, ela apresenta os amigos e desconstrói preconceitos

Meio baiana, meio pernambucana e um pouco paulistana, a cantora Karina Buhr lançou o primeiro disco solo em janeiro. Nesta Tpm, que ajudou a editar, ela apresenta os amigos e desconstrói preconceitos

Esta edição da Tpm tem sotaque pernambucano. Mas nem por isso vamos dizer que ela está com uma pegada "regional" - até porque esse conceito depende de onde está quem fala. Karina Buhr, a cantora de 35 anos que nasceu em Salvador, mas foi criada em Recife, e nos ajudou a dar a cara desta edição da revista, chegou exatamente com essa reflexão na cabeça ao primeiro encontro com nossa equipe. "Já ouvi de tanta gente o comentário: ‘Ela mantém o sotaque', como se isso fosse algo que eu me esforçasse para fazer, e não uma coisa natural", conta, rindo. Com o mesmo humor, preocupada em não transformar a observação numa luta de classe nem arrumar encrenca com os paulistanos, Karina escolheu o tema para discorrer no texto que assina no Bazar.

A verdade é que a cantora anda à vontade pelas ruas de São Paulo, onde vive há seis anos. Vai caminhando do apartamento que divide com o namorado até a padoca onde marcamos a reunião. Às 11 da manhã, de cabelo molhado, ela pede apenas uma água e repete várias vezes a expressão "massa" durante a conversa. Minutos depois, saca da bolsa sua agendinha pink e faz uma lista de tarefas para os próximos dias: passar os contatos da irmã, fotógrafa, Priscilla, do namorado - Duda Vieira, que também é seu produtor - e de dois amigos músicos pernambucanos: um da banda Eddie e outro do Mundo Livre S/A, que fazem parte da seção Amiga-do-Amigo . Também promete mandar pra gente as ilustrações de sua autoria que estão em seus caderninhos e na capa de seu primeiro disco solo (Eu Menti pra Você, lançado este ano) e pergunta o prazo para resenhar o novo livro de seu amigo e conterrâneo, o escritor Xico Sá.

Karina para todos
Alguns dias depois, Karina baixou aqui na editora. "Posso ir aí?", perguntou num e-mail às nove da manhã. Tinha passado grande parte da noite anterior escrevendo seu texto, e agora ajudava a escolher fotos sentada num computador da Redação. Alguns funcionários da Trip já a conheciam, afinal, há um mês, Karina é também autora de um blog no site da Tpm.

Mas, muito antes de se aventurar no mundo das letrinhas, ela já era artista - a contragosto do pai, juiz, que queria que fosse advogada. Fez parte das bandas Comadre Fulozinha, Eddie, Mestre Ambrósio, Estrela Brilhante, Mundo Livre S/A e trabalhou como atriz durante cinco anos, no Teatro Oficina, comandado por Zé Celso Martinez. Com o grupo, fez Bacantes e Os Sertões. Também participou da trilha do filme A Máquina (dirigido por João Falcão), em que cantou, tocou e compôs em parceria com DJ Dolores, diretor musical do longa, e em Deus É Brasileiro (dirigido por Cacá Diegues) é responsável, com a Comadre Fulozinha, pela gravação da música "Ô Papai".

Apesar da longa estrada, só agora o nome da cantora começa a ser ouvido nas rádios e a ganhar significado para o grande público. A seguir, conheça um pouco mais da pernambuquice universal de Karina Buhr.

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