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Série aborda o amor sem amarras

por Ana Luisa Abdalla

Com estreia para o dia 5 de agosto, série ”Amores Livres” conta a história de diferentes relacionamentos poliafetivos

"João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém". Se o poema de Carlos Drummond de Andrade fosse nos dias atuais, João, Teresa, Raimundo, Maria e Joaquim poderiam entrar em um relacionamento de amor livre - se todo mundo se amasse de volta, e, quem sabe, até Lili encontraria aí seu lugar.

Assim, em busca da felicidade que não se encaixava em uma relação monogâmica, algumas pessoas encontraram na poligamia uma possibilidade para um amor sem amarras e sem culpa. Personagens que passaram por essa experiência na vida real são os protagonistas da nova série documental da GNT, Amores Livres, que estreia no dia 5 de agosto, com 10 episódios.

A série foi gravada de dezembro do ano passado a junho deste ano e vai contar 16 histórias sobre diferentes relações não monogâmicas em diversos lugares do Brasil - Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte. Tem até um trio de Buenos Aires, na Argentina, composto por dois homens e uma mulher, casados há anos. 

Como não existe uma regra, ou um padrão único de como conduzir um relacionamento livre, cada episódio é muito singular. Essa foi, para o diretor João Jardim, uma das características mais especiais de "Amores Livres": "Entramos em contato com muitas histórias totalmente diferentes. Cada um encontrou seu próprio modo de levar seus relacionamentos". 

Em entrevista à Tpm, Jardim, que, entre outros projetos, dirigiu o indicado ao Óscar Lixo Extraordinário, falou sobre a influência da internet nesses novos modelos de relacionamento, a percepção de um protagonismo feminino e do que espera da receptividade do público: 

De onde veio a ideia pra fazer Amores LivresFoi uma proposta do próprio GNT. Há muita curiosidade sobre o tema, é algo novo, então há essa necessidade de responder esses questionamentos.

Tem um propósito informativo, então? Sim. O próprio projeto da série foi mudando conforme gravamos. Porque a princípio a ideia era mostrar algo mais comportamental sobre o funcionamento desses relacionamentos, mas a gente sentiu que precisava explicar e esclarecer alguns termos antes. O segundo episódio, "Redes de Relações Livres" cumpre bem esse propósito. 

Onde encontrou os personagens para compor a série? Foi um trabalho de muita pesquisa. Uma das nossas maiores fontes foram as redes sociais. É interessante como as redes estão agindo nesse propósito. Com o Facebook, por exemplo, as pessoas conseguiram se organizar e descobrir que não estão sozinhas nas suas vontades. O tema começa a ser mais falado, mais conhecido. Uma das fontes que usamos também foi a matéria da revista Tpm sobre Casamento Freestyle.  

Uma das fontes que usamos também foi a matéria da revista Tpm sobre Casamento Freestyle.  

 

Cada episódio vai mostrar algum casal, ou grupo diferente? Sim, em cada episódio tem uma ou duas histórias sobre diferentes relações não monogâmicas consensuais. O interessante que fomos percebendo é como o protagonismo feminino está presente nessas relações. Porque sempre existiu homens em relacionamentos poligâmicos, mas para mulher isso é novo. Em quase todos os episódios se percebe isso, esse encontro da mulher com essa possibilidade. Outra coisa também que chamou a atenção foi a questão da bissexualidade. Por muito tempo diziam que os bissexuais eram, na verdade, homossexuais que não tinham coragem de assumir, mas na série fica muito claro que não é nada disso. Mostra personagens que tem vontade e gostam de se relacionar tanto com homem, como com mulher. 

Com um tema tão novo, há uma tensão acerca a receptividade do público? Estamos muito curiosos sobre como a série vai ser recebida, com certeza. Já tivemos algumas respostas positivas nas nossas redes sociais, mas fica um receio de uma repercussão negativa principalmente aos personagens, que aceitaram estar ali e se expor, contar suas histórias.  

Já tem planos pra uma segunda temporada? Ainda não temos, mas é um assunto que, com certeza, renderia. Pra mim, duas coisas ficaram muito claras durante a produção do projeto: Com a tecnologia, as pessoas começam a perceber que existem outras possibilidades, aprender a conhecer e lidar com coisas novas, a se juntar e se organizar melhor. Outra coisa é que sempre existiram pessoas que não conseguiam lidar com um relacionamento monogâmico. Isso sempre existiu, mas, agora, essas pessoas encontraram uma saída. O amor livre pode ser um caminho para algumas pessoas de poderem se relacionar e ser feliz sem culpa.  

Assista ao teaser exclusivo do programa:

Vai lá: Canal GNT, a partir do dia 05 de agosto às quartas-feiras, 22h30.

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