Fissurada por fadas, tem, curiosamente, um lado “Aline”, pois mora com dois amigos, que ela garante serem como irmãos. Com espontaneidade, diz que encara sexo como uma “necessidade do corpo”, e que está “superaberta”, sem namorado há dois anos.
Como você se tornou modelo?
Eu sou de Itupeva, no interior de São Paulo, a 40 minutos daqui, e lá eu fazia desfiles para o shopping, para a loja da tia, para isso, para aquilo. Daí eu entrei numa agência, e vim para São Paulo com 19 anos, morar num apartamento de modelos. Foi uma loucura. Eu tinha meu quarto, minha mãe, meu pai e, de repente, estava num apartamento com nove meninas, umas bacanas, outras nem tanto. Mas eu cresci muito. E eu era a mais velha da turma. Tinha meninas de 16, 17. Meio que acabava cuidando das outras, porque eu era a única que não bebia, se saía para a balada eu que trazia todo mundo embora. Sempre fui meio mãe.
E atriz?
Foi numa época que eu parei de modelar, não queria mais ser modelo. Fiquei quase três anos parada. Comecei a fazer um curso de cinema, da Fátima Toledo. Durava um mês, mas fiquei um ano e meio. Foi lá que eu falei: “Quero ser atriz”. Eu estava com 23, acho. Quando saí de lá comecei a fazer um monte de curso de cinema, de TV, peguei uma peça que ficou um ano em cartaz.
Qual peça?
Chamava O pseudônimo de Deus, texto de um amigo meu. Foi uma experiência muito louca porque eu nunca tinha feito teatro. Foi um processo difícil, meu avô estava doente, eu falava: “Vou desistir, vou desistir”. Foi um processo de um ano. Depois a gente foi para o Satyros. Muito difícil também, porque ali só vai o pessoal que conhece teatro, diretores, atores, a galera das antigas. Um dos meus projetos é fazer uma peça para crianças, apresentar nos CEUs, para a criançada carente.
E como é morar com dois homens?
Sempre teve muito respeito, me dou muito com eles. A gente faz umas festinhas em casa, jantar, de quinze em quinze dias, virou uma data. A última que eu fiz foi em abril, no meu aniversário. Olhei, tinha 100 pessoas na minha casa e eu só conhecia vinte! Gosto muito de dançar, sempre gostei de balada. Gosto muito de forró, mas eu tenho que estar bem, disposta: “Hoje estou a fim”. Pego, vou, danço a noite inteira e vou embora feliz.
Tem algum cuidado especial com seu corpo?
Não tenho. Fiz pilates durante um tempo, quatro meses seguidos duas vezes por semana e comecei a fazer aula de balé também, duas vezes por semana. Como o horário da aula é no horário de almoço, é muito complicado, já tem uns dois meses que eu não faço nada. Nunca fui de malhar. Estava me fazendo muito bem. Preciso voltar. Só que horário é uma coisa de louco. Não faço nada.
Então é genético?
Total, minha mãe tem cinturinha fininha. Puxei a minha vó Nega, ela é seca, magrinha, magrinha. No lado do meu pai, são gordinhos, meu irmão é gordo e sempre foi assim desde pequeno, eu magrinha, ele gordinho.
Como foi posar meio sem roupa?
Foi incrível. Acho que saí melhor do que eu pensava, nunca tinha feito, nem para book. Foi um desafio e foi merecedor, eu curti fazer. Eu conhecia a Nati (a fotógrafa), a produtora é minha amiga, que era modelo, a gente morou juntas já, a Isa. Então, fiquei bem à vontade, totalmente relaxada. Tomara que isso tenha passado para as fotos. O dia foi lindo, enquanto esperava para tirar foto ficava tomando um solzinho.
Você se sentiu sensual, desejada?
É, você se sente assim. Como eu trabalho com isso, a gente está sempre encanada. Até falei para a Nati: “Poxa, se eu soubesse eu tinha me segurado, tinha parado de comer umas besteiras, tinha ido na academia, tinha feito um treininho”. Tem que ser assim, Sou muito simples, não ia combinar comigo. Eu sou toda natural, nunca fiz lipo, meu peito não é de silicone, nunca fiz nada. Mas se eu não tivesse peito, colocaria silicone. A mulher tem que se sentir feliz.
Você disse que não tem namorado. Gosta de ficar sozinha?
Nunca fui de namorar. Namorei no interior, quando tinha 17 anos, daí vim para cá. Terminei um namoro tem dois anos. A gente ficou junto quase três. Foi muito bom. Mas eu estou numa fase em que quero viajar, estudar um tempo fora. Não sei. Tudo pode acontecer. Estou superaberta. Mas tá difícil, os caras não acreditam que você pode ficar com eles.
Homem tem medo de mulher bonita?
Eu acho que tem, ainda mais na minha profissão. Sou atriz, modelo, são pouco os que encaram. A maioria fica com a pulga atrás da orelha: “Ela tá fazendo um ensaio sensual”, sabe?. É a profissão, não assiste, então! Meu ex-namorado é ator também, a gente ia para os testes e perguntavam: “Vocês topam beijar? E se for outros, topam também?”. “Topo”. Mas a gente falava, “não vou ver”.
Sexo tem que ser com amor?
São duas coisas diferentes. Aprendi isso com um professor meu de cinema. Sexo é uma necessidade que a gente tem, é como beber água, comer, acordar, dormir. Quando o tesão está ali acaba rolando. É necessidade mesmo, do corpo.
Quando não está namorando, acontece de você acordar e dizer: “Hoje eu preciso transar”, sair para caçar mesmo?
Precisa, né? Tem aquela fase em que você fica subindo pelas paredes. Quando você está assim é difícil porque você atrai de tudo, vem de tudo. Precisa parar e respirar para não fazer merda. Muitas vezes acabo saindo com quem eu já conheço mesmo, que eu já sei que tem afinidade comigo, que já rola uma química boa.
O que te atrai nos homens? Quando você sai, aparecem vinte candidatos. O que te faz escolher aquele?
O cara me conquista por causa do olhar, me pega muito. É no olhar que eu vejo se a pessoa é sincera ou não. E eu sou muito assim, quando eu quero, eu vou.
Produção Isabel Zachow / Maquiagem Anderson Honnorato / Agradecimentos: Tricot United collors of Benneton, cardigan Zara, HOPE, Victoria's secret, Fruit de la Passion


































