Revista Trip

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Chapa quente

Mário Bortolotto resenha Misto Quente, de Charles Bukowski
24.02.2006 |
Misto Quente – Charles Bukowski (L&PM Pocket, 318 págs, R$19,50)
Há um garoto novo na vizinhança. E a gente precisa saber qual é a dele. Se é da porrada ou se foge quando a chapa esquenta. Se ouve Van Morrison ou se gosta da Madona. De qualquer jeito, ele vai ter que se explicar. É isso que o velho Buk faz nesse livro, agora relançado em versão de bolso. Ele nos arremessa no seu quarteirão, com suas inseguranças de garoto, com seu pai tirano, com sua mãe omissa e com as primeiras promessas sexuais na mãe de um amigo que cruza as pernas perigosamente. Bukowski se entrega ao primeiro porre na adega de um brother. Bukowski nos deixa saudosos de nossos tempos de moleque. Há um garoto novo na vizinhança, do lado de fora do baile, olhando pela janela, com vergonha da própria imagem, e ele vai voltar pra casa sozinho essa noite. Se o seu pai ia te buscar, de Audi, na saída da escola, esqueça. Lê outra coisa. Esse é um livro chapa quente, se é que você me entende.
(Mário Bortolotto, dramaturgo e, daqui uns meses, diretor de cinema)