Minutos depois de um temporal ensandecido de palmas e uivos, ele volta. Sozinho. Senta, saca do violão e dedilha três canções. E endossa uma teoria que desenvolvo há tempos. Em dias de tecnologia avançada, traquinagens digitais, você só pode acreditar que um cara é bom mesmo, quando presencia um momento banquinho e violão. E o Ben se garantiu. Em seguida, foi tomar mais água, mas voltou para uma finaleira em grande estilo. Lá pras tantas da faixa “Where Could I Go”, do disco que gravou com os The Blind Boys of Alabama, um dos pilares da música gospel americana, Harper mandou o público calar a boca, literalmente. Com o dedo em riste, fez schiiiiiiiiiiiiiii. E o povo só trancou a matraca quando percebeu que Ben havia abandonado o microfone para chamar no gogó, sem miséria, toda a magnitude de um Via Funchal chapado com seis mil pessoas. Não teve um fiel que não tenha se arrepiado. Coisa pra poucos. Na seqüência veio “Sexual Healing” embalando sexual memories – e o mulherio derreteu. E junto com Donavon Frankenreiter, que havia aberto o show do amigo, Ben finalizou com “Diamonds On The Inside”. Épico.
E uma amiga disse que gostou mais do Donavon. Achou mais essência: “Que o Ben quer ser o Jimi Hendrix mas não é, e quer ser o Bob Marley mas também não é.” Eu concordo que ele não é nem um nem outro, nem nunca vai ser, mas que a mistura que faz dos dois é excelente, e isso pouca gente discute. E antes que você me xingue por tirar o ineditismo do seu espetáculo, o set list com certeza vai mudar para quinta-feira no Rio de Janeiro e sábado em Salvador. No set list passado para a imprensa, o show terminava com “Get Up, Stand Up” e “Better Way”, que não rolaram.




















