
Procuro uma mulher que não seja boba em me querer, porque sabe quem sou e que não deixarei de ser por nada. A quem debitar todos meus créditos e vice-versa, com prazer. Aquela aliada que por existir me faça amar a vida a ponto de querer viver para sempre. Cuja marca transforme a história de meu tempo. Uma mulher que me queira então por inteligência, porque não sabe o que posso fazer de mim.
Uma companheira que não compreenda tudo: a vida, o motivo de tanto sofrimento, mas com quem possa dar boas risadas zombando disso tudo. Assim, de carne, mesmo que tenha osso no pescoço, e não se importe que meu sorriso não tenha 32 dentes. Alguém cheio de dúvidas como eu e que, mesmo por conta disso e do papel higiênico, jamais exagere sua importância. Faz-se absolutamente necessário que compreenda: após criar alguma coisa, melhoro sensivelmente para a vida. Que, ao sair, deixe uma luz acesa em meus olhos e aquela ternura que entorpece em cada um de meus membros.
A parceira firme como a calha do rio, ciente que as águas jamais serão as mesmas e sempre passarão. Aquela que me escapam as palavras na vã tentativa de conquistar a cada dia. A dona de minha poesia. E cujo sorriso me surpreende sempre a me perguntar em como aquela mulher pode gostar de mim. Alguém de quem eu sinta fome e que me comunique força, muita força para colher temporais que plantei. Uma pessoa que me comunique mobilidade e crescente competência para existir. Gente que me faça sentir encantado com todo esse tumulto que a paixão provoca.
Procuro aquela mulher que mesmo angustiada e mergulhada no desespero de viver, não me procure apenas para fugir. Que não veja em mim apenas o preenchimento do vazio que devora, o insuportável que se obriga a suportar. Alguém que se destaque desse meio sorriso cínico de resignação e deboche que vejo nas pessoas aqui fora. Essa companheira que é fogo e que tem pressa de arder, pois sabe que depois que nascemos, não há mais onde nos esconder.
Quase não acredito que encontre, mas creio que com o calor de minha alma, calarei e consentirei em esperar, mesmo que eternamente.
Composto por Luiz Mendes em 11/08/2007.
* Luiz Alberto Mendes, 54, autor de Memórias de um sobrevivente, ficou 30 anos guardado. Solto, tem muita história para contar. Seu e-mail é lmendes@trip.com.br






