Revista Trip

tamanho da letra
aumentar fonte
diminuir fonte

Paula Toller

Ela é a prova de que percepção e realidade podem ser surpreendentemente distintos
16.11.1999 | Texto: Paulo Lima | Fotos: >Murillo Meirelles



TRIP: Quantas pessoas você acha que amou na vida até agora?
Toller: Dá para contar nos dedos das mãos e deve sobrar algum. Amor, amor... já teve os platônicos também, de antes, que eu não cheguei a namorar. Mas amor de verdade, que eu namorei e tal, desde o meu primeiro namorado, acho que uns cinco, quatro, contando com o Lui.

TRIP: Tem uma música sua no álbum Autolove chamada “Mãos estranhas”, em que você fala sobre a fantasia de dormir com um estranho. Como é essa história pra você?
Toller: Esse é um lance que quase todo mundo que eu conheço tem, essa fantasia de dormir com um estranho. Mesmo que não durma, você acaba sempre pensando nisso. Aí resolvi escrever sobre isso. Achei que ficou legal. Eu tenho gostado de escrever umas músicas eróticas assim, porque é um negócio difícil. Não se trata daquele lance de música brasileira que tem duplo sentido, como no Nordeste, ou então esse negócio tipo Wando. Gosto de falar de coisas mais do meu jeito mesmo, e resolvi escrever.

TRIP: Mas, na vida real, quando você não estava casada, acontecia de transar com uma pessoa que conhecia há pouco tempo.
Toller: Não, eu nunca estive disponível. Nem um dia, e não é força de expressão. Falando sério, eu sempre estava com alguém. Não deu nem 24 horas, se bobear. É assim desde que comecei a namorar. Eu só troquei mesmo.

TRIP: E seu namoro, ou casamento, com o Herbert Vianna, foi uma coisa meio de moleque ou já era uma coisa madura?
Toller: Já era uma coisa madura. Foi a primeira coisa madura, que havia planos. A gente ficou dois anos no máximo, e o ano da separação, que é um outro ano de vai e volta, sabe? Bem complicado...

 

TRIP: Foi difícil para os dois?
Toller: Foi. Foi péssimo, principalmente porque a gente não se separou de uma vez, não cortou de vez logo no começo. Então foi bem complicado.

TRIP: Paula, por que você nunca posou nua? Já deve ter recebido uns 300 convites...
Toller: Eu tenho vergonha. Acho que não é adequado para o meu trabalho. Acho que não ajuda. A Playboy, por exemplo, produz um tipo de foto que não me agrada. Posso te dizer um ou outro que achei bonito, mas no geral já é uma coisa muito comercial. Eu tenho vergonha. Eu não gostaria, não ia me sentir bem fazendo. E realmente na minha vida eu tenho muito contato com as pessoas. Eu estou em um ônibus cheio de homem, com vinte caras. Não sou uma atriz que fica no estúdio ou no set de filmagem e não aparece nunca. Estou ali, com o público, direto. Acho que não seria bom para mim.

TRIP Você já falou de dinheiro algumas vezes. Qual a importância do dinheiro na sua vida?
Toller: Quem me conhece sabe que deixo de fazer muito trabalho, deixo de fazer um monte de comercial. Não sou fissurada em dinheiro. Prefiro cuidar melhor da minha vida.

TRIP: Você falou que não se acha bonita. Se acha sensual?
Toller: Sim, sim. Acho que é mais por aí do que bonita. Claro que tenho umas coisas bonitas.

TRIP: O que você acha que é bonito?
Toller: O que é bonito em mim? Pô, é tão estranho eu falar disso... Mas é a mão, o pescoço, a orelha, os dentes. Eu sou muito de detalhe.

TRIP: E feio, o que você acha?
Toller:
Gosto de tudo que é meu, mas o que eu não acho tão bonito quanto poderia ser... acho que são meus pés. Eu acho que são grandes, mas na verdade não são.

 

Páginas: « anterior | 1 | 2 |  próximos »