Daniel Ganjaman, Hélio Flanders e Rômulo Fróes
Apesar dos 32 anos, o produtor, multi-instrumentista e compositor Daniel Ganjaman, irmão de Fê Sanchez (CPM22) e Maurício Takara (Hurtmold), é macaco velho nessa turma: começou aos 15. “Acredito que uns cem álbuns tenham passado pelo nosso estúdio, o El Rocha”, conta o tecladista e guitarrista do coletivo Instituto – praticamente um resumo desta matéria, tanta gente que aglutina. O paulistano produziu Racionais, MV Bill, Nação Zumbi e, além de preparar o novo do coletivo e finalizar um inédito de Sabotage, já pensa em projeto solo. “Já fui mais workaholic, mas agora tô dando uma parada, senão o bicho pega.”
VERDE
“Hoje os grandes artistas não estão nos grandes estádios”, afirma o baixinho Hélio Flanders, o mais jovem dos Nove: tem 24 anos. Paranaense de Londrina, Helinho surgiu em Cuiabá à frente do Vanguart, banda agora residente em São Paulo. Estourou nacionalmente com “Semáforo” e é um dos links mais precisos entre folk rock, pop indie e música brasileira – parceiro da chanteuse Cida Moreyra e de Mallu Magalhães no Overcoming Trio, o mini-Dylan tem tocado nos shows uma versão poderosa de “O mar”, de Dorival Caymmi.
SAMBISMO
“Pragmático e nada programático”, assim o paulistano Rômulo Fróes define o panorama. Aparentemente um sujeito cerebral (é assistente do artista plástico Nuno Ramos, seu letrista), em seus três álbuns Rômulo cantou sambas de uma melancolia negra, prima do melhor Nelson Cavaquinho. Muito inteirado na cena (“o artista tem que conhecer desde a melhor corda de cavaquinho até os meandros da lei Rouanet”), avisa: “A gente precisa sempre inventar uma coisa, disco, show, projeto. Senão, some”. Apesar disso, acredita que “a cena se sedimentou”.
Céu, Fernando Catatau e Thalma de Freitas
Ela surgiu há quatro anos fazendo a festa dos jornalistas apaixonados por trocadilhos e belas cantoras. Um Grammy e uma filha depois do elogiado disco de estreia, Céu burila o segundo álbum, que tem entre as participações ilustres as últimas viradas do baterista Gigante Brasil (Itamar, Caetano, Gil). Acha que a cena remete aos encontros do começo dos anos 60, antes que fosse moldada a atual MPB: “A galera é muito quebra-galho um do outro”, diz Céu, que incluiria o baterista Pupillo entre os Nove Novos – e quer um dia compor com Zeca Pagodinho.
ZÉ-DOIDIM
Fernando Catatau diz que juntaria Marcelo Jeneci, Curumin, Edgard Scandurra e Chico Salém nesta foto dos Nove. Embora celebrado pelo seu heroísmo guitarrístico, o cearense de Fortaleza é um agregador: toca no Instituto Racional, acompanhou Otto, sonha um projeto com Siba e a Fuloresta do Samba, acabou de produzir o álbum de Arnaldo Antunes e finaliza a aguardada terceira obra do Cidadão Instigado, com as novas aventuras de seu personagem Zé-Doidim.
DIVA
Única figura dos Nove Novos a tocar com todos os outros oito, a cantora, modelo e atriz carioca Thalma de Freitas se define: “Sempre quis ser parte de uma banda, não gosto de ser solo”. Ao lado de Nina Becker, a filha do maestro Laércio de Freitas integra a Orquestra Imperial; ao lado de BNegão, puxa os refrões do projeto Instituto Racional, que toca clássicos de Tim Maia; e apruma as canções de seu projeto Casio Knights, em que improvisa sobre beats de brinquedo.
Kassin, Tatá Aeroplano e Junio Barreto
Egresso do lendário Acabou La Tequila, onde foi parceiro de Nervoso, o carioca Kassin une na boa as pontas entre underground e mainstream. Vai do low-fi de seu solo Artificial à produça responsa de Caetano e Jorge Mautner, é um dos síndicos da carnavalesca Orquestra Imperial e lapidou discos de Los Hermanos e Mariana Aydar. Mesmo assim, ele não posa – abriu um sorriso infantil quando soube, pelo repórter, que Erasmo havia elogiado sua guitarra: “Sério? Puxa, que maneiro!”.
VOADOR
No dia em que Tatá Aeroplano posou como cover de Magro do MPB-4 (embora todos dissessem que está a cara do Ronnie Von), ele subiria ao palco para dois shows seguidos. Com o Cérebro Eletrônico, banda elogiada pela crítica com o álbum Pareço moderno, e com o Jumbo Elektro – em menos de duas horas, passou do tropicalismo elegante da primeira para o embromation escrachado da segunda banda. O cantor e compositor toca em mais uns três grupos, participou do álbum de Rômulo Fróes e, para levar a vida, é também DJ e curador de mostras de cinema. Sobre a lista da Trip, ele diz: “Acho que nessa prova dos 9 está faltando o Júpiter Maçã”.
DEVAGAR
De sosseguinho, o afropsicossambista Junio Barreto vai cavando seu latifúndio na MPB. Da turma o mais tiozão – calibre 45 –, Juninho assistiu à chegada do manguebit do camarote natal em Caruaru (PE). Seu elaborado e preguiçoso método de compor só fez circular a obra nos anos 00: até então era quase anônimo, embora canções como “Qual é, mago?” fossem tão conhecidas que se acreditava serem de tradição popular. Enquanto promete para o fim de 2009 o esperado segundo álbum, Junio vai sendo gravado por Gal Costa, Vanessa da Matta, Céu, Mariana Aydar, entre muitos outros.
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