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Conheça Randi Newton, a americana que tornou-se stripper e conseguiu driblar a crise
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18.05.2009 | Texto por Kátia Lessa Fotos Maya Hayuk


Randi cercada de colegas de strip, mercado cada vez mais concorrido

Randi cercada de colegas de strip, mercado cada vez mais concorrido

MERCADO EM EXPANSÃO
Enquanto estava em Nova York, a reportagem da Trip decidiu colocar um anúncio na internet em busca de histórias de gente que conseguiu superar a crise de forma inusitada. O resultado foi uma caixa de e-mails lotada de desabafos de desempregados e histórias de pessoas que tiveram que radicalizar para manter as contas em dia.

Um deles é Steave J., 41 anos. Marcamos um encontro no Starbucks da Union Square em plena terça-feira, horário comercial. Alto, cabelo bem aparado e fala mansa, ele chegou com a gola do casaco levantada, tipo galã, e surpreendeu: “Antes de conversar, queria deixar duas coisas bem claras. Não posso ser identificado porque ainda não desisti de enviar meu currículo para as empresas, e o que faço hoje é crime. Quero que entenda que não me orgulho nem um pouco desse trabalho. Não vou dizer que seja ruim, mas quero que minha filha se orgulhe do pai dela”. Steave era gerente na indústria da tecnologia de comunicação e foi demitido de um emprego no qual faturava US$ 100 mil por ano, mais bônus.

Hoje, como garoto de programa de luxo, consegue acumular a mesma quantia em um bom mês. Mesmo assim, separado da mulher e da filha, aluga um apartamento mais modesto do que o antigo em uma área discreta do Brooklyn e economiza o que pode para garantir a universidade da filha. “Digo que ganho dinheiro com consultorias, que trabalho de casa como freelancer. Já ganhei US$ 1 mil em uma tarde nesse trabalho”, afirma ele, enquanto pica pedacinhos do guardanapo insistentemente sobre a mesa. E, mesmo sem se orgulhar da nova função, ele está otimista em relação ao governo. “Estamos pagando pela nossa cegueira. Nos livramos de George W. Bush, e isso é o mais importante. Com Obama as coisas vão caminhar para algo positivo. Acredito que vamos nos recuperar e voltaremos a ter orgulho desse país”, finaliza Steave, depois de revelar que topou conversar com a reportagem porque tem uma cliente brasileira em Manhattan que conhece a Trip. E porque precisava desabafar.

Os longos e-mails trocados com Tina A., 26 anos, seguiram a mesma linha. Tina vive em Nova York, bem longe da família que deixou em uma pequena cidade da costa oeste americana. “Não conseguia emprego para pagar um curso de cinema. Aí uma amiga ofereceu um trabalho como “party entertainer”. Eu teria que dançar de forma insinuante e animar as pessoas em festas particulares de empresas. O que eu não sabia é que, se você sai acompanhada desses lugares, pode faturar uma boa quantia [em torno de US$ 200 a US$ 500] por noite. Apesar de ter brigado com meu preconceito, fiz programas algumas vezes no último ano e guardei um bom dinheiro. Mas caí em prantos durante uma noitada, na cama de um artista plástico que gostava muito do meu corpo, e saí de lá com uma oferta para trabalhar como modelo-vivo em seu ateliê. Ele paga bem e eu não vivo mais sob a pressão do desemprego ou do medo de ser pega pela polícia. Mas, se Obama não der um jeito nisso, já sei para onde correr. Acredito que, em tempos de crise, o dinheiro fica com o sexo e o entretenimento”, conclui Tina antes de sair para a aula na academia de cinema.

 

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