Randi Newton (à esq.), um de seus clientes e uma colega
brasileira no Rick´s Cabaret: rendimento de US$100 mil
por ano como stripper em Nova York
Por um breve período, os personagens desta reportagem fizeram parte dos 5,1 milhões de trabalhadores que perderam seus empregos nos Estados Unidos desde dezembro de 2007, quando uma das maiores crises econômicas da história atingiu o país. As contas não paravam de chegar, as geladeiras ficavam cada vez menos lotadas de porcaria, e, pela primeira vez em suas vidas, eles perderam o sono com medo do que viria pela frente. Depois de meses de tentativas frustradas de recolocação no mercado, encontraram a solução onde menos imaginavam: no próprio corpo.
Apesar de já ter feito pontas em séries de TV como The Sopranos e filmes como What we do is Secret, Randi Newton ganhou fama depois que foi demitida de seu antigo trabalho como assistente financeira no banco de investimentos Morgan Stanley. Hoje, ela recheia sua bolsa de marca todos os dias no Rick’s Cabaret, uma casa de striptease em Nova York. Dobrou seu faturamento anual, diminuiu as horas de trabalho e ficou conhecida como a primeira Wall Street stripper, nome de seu blog e título do livro que sai em dezembro deste ano. “Meu emprego antigo era entediante. As pessoas eram chatas, eu trabalhava muitas horas por dia e vivia gorda. Fazia de US$ 30 a US$ 40 mil por ano, agora faço US$ 100 mil”, conta Randi, enquanto rabisca a cifra no caderno da repórter em um papo minutos antes de subir ao palco redondo e rebolar entre as luzes coloridas.
Randi nunca havia pensado em trabalhar na área. “Antes de dançar, fiz bicos como babá, atriz e modelo para folhetos promocionais. Um dia saí com as amigas para encher a cara e recebi o convite para trabalhar como garçonete em uma casa de strip”, lembra. “Certa noite, durante o trabalho, fiquei bêbada porque meu parceiro havia me dado o fora no Dia dos Namorados. Tirei a roupa, encarnei a Demi Moore e as gorjetas aumentaram.”


































