EVILHACKER Idade: 17 Profissão: estudante
“Em geral passo todo meu tempo livre ‘subindo’ material
para a rede. Gosto de compartilhar conteúdo na internet
porque pessoas podem ter acesso a cultura e conhecimento
sem gastar nada. Não tenho medo de ser pego. Aqui na Suécia
existem milhões de uploaders mais famosos que eu.”
O UNIVERSO DOS TORRENTS
O upload – ou lançamento – surgiu com o nascimento das redes peer-to-peer (P2P, de troca de arquivos), disseminou-se com a expansão da banda larga e multiplicou sua velocidade com o surgimento dos arquivos do tipo torrent. Quando o programador norte-americano Bram Cohen criou em 2001 o protocolo BitTorrent, talvez tivesse uma ideia de que provocaria uma revolução no mundo dos downloads, mas já
declarou não esperar tanto sucesso.
“Criar um arquivo ponto torrent pode demorar 2 min ou 20 min. Depende muito”, comenta Júnior, 19
anos, autor do vídeo Como lançar um torrent utilizando o Utorrent, postado no YouTube. O técnico em informática que vive em Vitória (ES) conta que já gastou quatro horas por dia “subindo” material para a net.
“Comecei upando por hobby, mas agora virou para mim algo mais sério.” Ele participa como voluntário em um dos maiores sites de torrents do Brasil. Como moderador, ajuda a fazer a aprovação dos links postados pelos colegas uploaders e checa alguns detalhes como, por exemplo, se o título coincide com o filme.
Apesar de a indústria do entretenimento afirmar que sites de torrent fazem dinheiro, Júnior afirma que não, pelo menos no seu caso. “O nosso site custa de R$ 800 a R$ 1.100 por mês, porque alugamos servidores em outros países. As doações que pedimos são somente para a manutenção.” Ele mesmo nunca ganhou um centavo com isso e afirma que nem gostaria. “O mundo virtual é um espaço de ajuda e companheirismo.
Costumo dizer que nosso site é como uma grande locadora de filmes, só que gratuita.” Dos 18 uploaders ouvidos pela Trip, somente um tirou algum trocado no mundo dos loads. “Uma vez ganhei US$ 60, mas demorei nove meses”, conta Player (ou pL413R), um gaúcho de 18 anos que prefere ser conhecido por seu nickname. Ele subia filmes para um site americano que pagava US$ 7,5 por mil downloads de material lançado por ele. Player, no entanto, não recomenda maiores ambições nessa função.
“Fazer upload não é um emprego. Quem pensa em upar para ganhar dinheiro pode desistir.”
KEVÃO Idade: 19 Profissão: Estudante de publicidade
“Eu não me considero um pirata. Para mim, baixar e
‘upar’ são o mesmo que pegar um CD emprestado com um
amigo. Legendar é complicado, a parte mais difícil é a
sincronização, e sincronizadores estão em falta no mercado
virtual. Eu faço um pouco de tudo: traduzo, sincronizo e
reviso. Meu inglês melhorou demais.”
Nas redes P2P, todo uploader entrou nesse universo como downloader. Na grande maioria das vezes eles começaram a lançar conteúdo como uma maneira de agradecer tudo o que haviam baixado. “Queria dar de volta todos os 2 mil filmes que já baixei”, conta Velvetfog, um arquiteto canadense que não quis revelar sua idade. Já EvilHacker, um sueco de 17 anos, tornou-se uploader por questões ideológicas. “Gosto de compartilhar conteúdo na internet porque pessoas podem ter acesso à cultura e ao conhecimento sem ter que gastar um centavo”, conta, tentando explicar a lógica dessa atividade tão pouco conhecida no mundo não virtual.
Anônimos no mundo real, alguns uploaders são verdadeiras celebridades no universo dos bits. Axxo, o mais popular deles e responsável por 33% de todos os filmes postados na net, é considerado o inimigo número um dos executivos de Hollywood. Reconhecido por seus lançamentos de qualidade, ele (ou ela ou eles) chega a postar três filmes novos por dia, muitos recém-lançados nas telonas americanas. Axxo não concede entrevistas, mas envia recados por meio de seus uploads. Quando, em 2007, ficou cinco meses “de férias” de seus lançamentos, voltou à ativa com o upload do filme Eu Sou a Lenda.
A fama no mundo virtual é outro incentivo para esses obreiros do compartilhamento continuarem alimentando a internet. “Fiz vários amigos (virtuais) no site e fico muito feliz quando vejo lançamentos meus bombando na rede”, conta Júnior. Um dos seus uploads, lançado no The Pirate Bay, teve 10 mil acessos.
“É uma alegria quando o cara que baixou te deixa um comentário ou te agradece”, revela.


































