Revista Trip

tamanho da letra
aumentar fonte
diminuir fonte

Barbara Nogueira

A beleza perfeita e sem retoques da Trip Girl Barbara Nogueira
15.02.2009 | Texto: Kátia Lessa | Fotos: >Marcelo Bormac
A tradicional fila de pescoços torcidos na recepção da Trip estava maior que de hábito. Os olhos de quem passava por lá saíam arregalados, ainda tentando acreditar no que pescavam. Barbara Nogueira não precisa ser anunciada. É daquele tipo de mulher que faz o ar da sala faltar quando passa pela porta. Sem falar que, aos 32 anos, seu corpo perfeito continua 100% natural.


– Oi, Barbara. Tudo bom? Quer ver as fotos?
– Oi, quero sim. Ainda não vi nada. Fiquei bonita? [Ninguém responde, como se a pergunta não fizesse o menor sentido.]
– Quer um café?
– [Voz rouca, manhosa] Água, por favor.
A copeira, desbocada, hesita em entregar o copo. Passa 2s muda, congelada diante da modelo, e finalmente franze a testa.
– Você é a moça da propaganda da cerveja?
– Sou sim. Você viu?
– Vi... É você que tá nessas fotos pelada?
– Sou eu. Gostou?
– Você poderia levantar um pouquinho?
– Levantar? Posso.
– Pode dar uma rodadinha? [A bela obedece] Essa é bonita mesmo, hein! Porque tem umas de que eu não gosto muito não. Parabéns, viu, moça!
– [Gargalhadas] Obrigada.
– É assim o tempo todo? – eu pergunto. – Não irrita ser olhada desse jeito toda hora?
– Eu estou acostumada. Tenho 32 anos. Já fui a rainha da lingerie, estava lá para ser olhada mesmo... Desfile chic eu nunca fiz, mas faço muita feira e catálogo. Na verdade gosto, sempre quis ser modelo. Quando era pequena, folheava a revista Manchete e via aquelas mulheres lindas... a Xuxa, a Magda Cotrofe, a Luiza Brunet. Queria ser igual a elas, queria ser famosa, queria ser miss.
– Sua família dava força? Você nunca pensou em estudar, seguir outra carreira?
– Sou a caçula de cinco irmãos. Sou muito mimada até hoje. Em casa todo mundo acha que eu sou mais famosa que a Gisele Bündchen. Separei do meu namorado, com quem fiquei durante oito anos, e hoje moro com meus pais. Não levanto do sofá nem para pegar um copo d’água. Sou uma madame total, só sei varrer. Não queria ser dentista, médica, nada disso. Quando fiz 15 anos, pedi um book de presente. Nunca quis ser outra coisa. Mas me formei em jornalismo pelo diploma.
– Você viajou muito como modelo, não?
– Muito. Já morei um mês em Tóquio, dois meses em Taiwan, dois meses na Tailândia, um mês no Chile, quatro meses no México... Lá fora eles adoram nosso biotipo. Para lingerie, o meu forte, era ótimo.
– E como você se virava sozinha?
– Eu não sei nem fritar ovo, mas sempre tem alguém pra me ajudar. Principalmente na parte de limpar a casa, cozinhar... Mas aprendi a conviver com pessoas de todos os cantos do mundo.
– Como fica cuidar da alimentação em meio a tantas mudanças?
– Eu sou bem chata. Sou vegetariana e não como muito não. Tenho dó dos bichinhos, menos do peixe, coitado. Quando você não come muito, seu estômago diminui. Já passei períodos comendo no prato de sobremesa para não exagerar. Se eu sair do peso, perco trabalho. É simples.
– E malhação? Rala muito pra encarar a calcinha numa boa?
– Nunca fiz exercício na vida. Nesses 32 anos só tive uma cama elástica. Mas agora resolvi me cuidar e contratei um personal. Ele é o atual homem da minha vida. Esporte eu não faço. Principalmente esses de adrenalina. Odeio. Sou bem madame, gosto de hotel e toalha branca. Nunca fiz plástica na vida.
– Deu pra ganhar dinheiro sendo a rainha da lingerie?
– Modelo ganha muito bem e se habitua com um padrão de vida alto. Então, também gasta muito. Janta em restaurantes caros, viaja, cai na balada, faz tratamentos de beleza...
– Compra muita roupa?
– Não. Não sou ligada nisso. Estou sempre assim com uma calça justa, uma sainha curta, que eu adoro... Básica. Só não falta o decote e o saltão.
– E com o que você gasta seu dinheiro?
– Carro. Eu amo carrão antigo. Prefiro gastar com manutenção do que comprar um novo. Sempre tive BMW. Vivia em oficina, feliz da vida. Meu sonho é ter um Maverick.
– O ex já sabe do ensaio?
– Ele é um cara muito, muito especial. Somos amigos e eu contei. Foi uma história de amor de verdade. Amor daqueles de ouvir sininhos. Sou muito romântica.
– Ele não ficou com ciúme?
– Um pouco, mas sabe que esse é meu trabalho. Já fiz nus artísticos. Isso nunca foi problema. Quem ama torce.
– Você fica pelada em casa?
– Numa boa. Tem coisa melhor do que chegar em casa e tirar a roupa?
– Você é escorpiana. É muito ciumenta?
– Muito. Eu que mando na relação. Sou muito intensa, muito apaixonada, carente. Quero ser muito amada, quero sempre mais e por isso já fiz muito homem sofrer. Se eu quero, vou atrás. Na balada eu é que xaveco. Já chego falando oi. No máximo levo um fora... Mas tudo bem.
– Você já levou um fora?
– Claro!
– Claro?
– Às vezes, o cara gosta de outra menina. Gosta de garota de 18 anos... Fala que vai pegar uma bebida e não volta pra mim. [A copeira olha de rabo de olho... Esboça um comentário e...]
– [... interrompo a tempo] Obrigada, Barbara. Me fala uma coisa: seus olhos são verdes ou azuis?
– Verdes. Às vezes ficam azulados, mas são verdes.
– Alguém quer café? [Pergunta a copeira, tentando driblar a franja da entrevistada.] É verdade... é verde mesmo...

Coord. Geral Adriana Verani Produção Marina Manzoli Stylist Flaminio Vicentini Make/Hair Paulo Ávila Assis. Foto Pedro Campos Assis. Stylist Pamela Herpio Tratamento de imagens Proforma Imagens
Créditos Moda Forum / Dibikini / Accessorize / Miss Sixty / Calvin Klein / Doc Dog Agradecimentos Paula Molinari / Tiê Sahy Pousada e Cozinha Contemporânea www.tiesahy.com.br