Ponham fé.^^~-_-^^~-_-^^~-_-^^~-_-^^~-_-
Estou na última fronteira da água quente, cama confortável e informações via TV e internet. A partir de agora a estrada nos destina uma vida crua, selvagem e nômade.
Acabamos de chegar em Lhatse, um fim do mundo, distante 420 km de Lhasa e 780 km de nosso destino final de 4x4, o Lago Manasorovar. Nosso guia Mima insistia que, a partir da próxima cidade, não teríamos mais chuveiro, água quente e outras mordomias. Iríamos para uma autêntica guest-house tibetana. Que medo.
Conheço muito bem os hábitos dos tibetanos em estadias prolongadas em Dharamsala. Não gostam de banho e os quartos de hotéis são um pavor. Eu e o André ficamos encanados. Resolvemos imediatamente dar um giro na única rua neste canto esquecido no mundo e restaurado pelos chineses. Encontramos uma internet 24 horas com chineses, uigures e tibetanos possuídos. Fumavam um cigarro atrás do outro. (neste exato momento que escrevo para vocês, inalo toneladas de substâncias tóxicas). Na frente do fumódromo, um baita hotel onde se hospedam engenheiros, políticos e turistas antenados.
Não é por nada não, mas optamos pela limpeza e água quente do que a guest-house ensebada com banheiro coletivo fedido e comida duvidosa.
Lhatse e o fígado do faroeste tibetano. Muita gente bêbada pela rua principal. A partir de amanhã iremos acampar em locais inóspitos no plato tibetano. Mudanças climáticas bruscas e ventanias cósmicas fazem parte do dia-a-dia.
Nossa meta será realizar a peregrinação de três dias ao redor da montanha mais sagrada do planeta, o monte Kailash
(6.714 metros de altitude). O Kaialash é reverenciado por hindus, budistas, jainistas e bonpas.
Voces entenderam nossa situação, seremos nômades nesta fronteira ao desconhecido.
Tashi Delek
Arthur Verissimo