Os três mosqueteiros dos quadrinhos brasileiros – Angeli, Glauco e Laerte – estamparam as Páginas Negras da Tripde outubro de 1990.
Os artistas contaram como transformavam situações cotidianas em passagens cômicas e falaram do humor que nascia do cenário político nacional, então dominado pelo governo de Fernando Collor de Mello.
Glauco morreu em março de 2010. Angeli segue como cartunista veterano do jornal Folha de S. Paulo, assim como Laerte. Desde 2009, este último passou a se vestir como mulher, colocando em xeque definições de gênero e limites da liberdade individual. Ele também foi homenageado com o Prêmio Trip Transformadores ano passado.
O ativismo foi tema de um especial de 26 páginas publicado pela Trip em dezembro de 2000. A edição, intitulada “Tem Jeito?”, mostrava como a ação de ambientalistas, ciberativistas e voluntários de ONGs passou a ocupar o vazio deixado pela política tradicional. O fotógrafo Oliviero Toscani, autor das mais polêmicas campanhas publicitárias dos anos 90, lavou a roupa suja do capitalismo em entrevista exclusiva à revista, que incluía Páginas Negras com Oscar Niemeyer e um ensaio de Trip Girls pouco usual: 18 funcionárias da casa queimaram os manuais de administração e despiram a camisa da empresa.
Em 2010, a Tripabriu espaço em suas páginas para contar a história de um homem que mudou sozinho toda a trajetória do surf. Mais do que isso, que mudou para sempre também a natação marítima, o mergulho de águas profundas, a pesca submarina e a perfuração de petróleo em plataformas marítimas, tudo isso graças aos trajes de neoprene para surf, sua maior invenção. Recentemente, o pioneiro Jack O'Neill completou 90 anos ainda na ativa na produção tecnológica de trajes aquáticos e à frente de seu império, a marca de material esportivo O'Neill.
Na ocasião, nosso publisher Paulo Lima sentou com o mitológico surfista e empresário na Califórnia para uma conversa que rendeu uma excelente entrevista sobre surf, negócios e inovação.
Tem uma história boa sobre como você tentou entender o funcionamento do plástico para manter a temperatura do corpo... "Eu estava testando diferentes maneiras de se manter aquecido. Foi uma época, no fim dos anos 40, em que havia um monte de lojas de suprimentos de guerra. E essas lojas tinham os descartes da indústria da guerra. Então fui a uma dessas lojas e descobri o que eles usavam para se manter aquecido na zona de combate. Era uma espécie de lençol de borracha por cima de uma coisa como uma lã... e funcionava muito bem. Mas eles nunca aperfeiçoaram o produto no sentido de fechá-lo depois que você entrava naquilo. Então na água era um problema.
Você provavelmente faz parte de uma das primeiras gerações de surfistas daqui da Califórnia, certo? Não, não, havia gente surfando no Havaí já nos idos de 1800. E esses caras também foram os primeiros a surfar na Califórnia. Tinha também um irlandês que provavelmente fazia isso naquela época, mais para o sul.
Qual foi a coisa mais importante que você aprendeu com o oceano? Nossa, eu tirei tanto do oceano, aprendi tanto com ele. Meus filhos, os filhos deles e outras crianças também. Nós já levamos perto de 60 mil crianças nesse projeto.
Depois de todos esses anos trabalhando na O'Neill com grande sucesso, quais lições você tirou da vida como um homem de negócios? Penso que tive boas oportunidades, o timing foi perfeito. No norte da Califórnia, a temperatura do mar é muito baixa. Era um lugar natural para o desenvolvimento desse tipo de produto. E tivemos a exclusividade na manufatura das roupas de borracha por um bom tempo, isso nos deu tempo para nos aperfeiçoarmos. As pessoas riam das roupas no começo, mas agora usam no mundo todo.
Totalmente sem roupa, Alex Atala foi a capa da Tripde abril de 2006, que tinha a alimentação como tema. Nas Páginas Negras da edição #143, o ex-punk fala de sua trajetória até se tornar um dos principais nomes da culinária mundial.
O cardápio da revista incluía o crítico de gastronomia Josimar Melo, que encarou o desafio de ficar 72 horas em jejum, e uma entrevista exclusiva com o chef britânico Jamie Oliver.
De sobremesa, uma Trip Girl fora dos padrões de beleza convencionais: Mariana Nogueira, de 80 quilos.
Na tarde da última quinta (14), Jorge Mario Bergoglio foi eleito no Vaticano como o primeiro Papa sulamericano. O jesuíta argentino de Buenos Aires foi eleito 266º Papa em um rápido Conclave, assumindo o nome de Francisco. Mas tem gente na Argentina que acha que Sua Santidade não é o local mais próximo de Deus. Para esse grupo, a camisa 10 de favorito do Senhor já tem dono.
Na edição #132 da Trip, Arthur Veríssimo esteve em Buenos Aires onde foi conhecer a Igreja Maradoniana, nas palavras do nosso próprio repórter excepcional, um lugar onde "para todos os devotos, Maradona é de fato Deus".
"As origens da Igreja Maradoniana remontam ao dia 30 de outubro de 1998. Era véspera do aniversário do craque, e Hernán ligou para seu compadre Alejandro desejando "feliz Natal". Os rosarinos são gozadores por excelência - como os cariocas no Brasil. A história começou como uma brincadeira e foi se desenvolvendo. Os amigos se encontravam para comer, conversar sobre o ídolo, trocar camisetas e objetos relacionados à lenda. Hoje são mais de 60 mil filiados no mundo todo. Só na Espanha, são 16 mil adeptos. A bíblia maradoniana é o livro Yo Soy el Diego de la Gente , a tal biografia escrita por Daniel Arcucci."
"Se você está rindo deste delírio, estão se prepare. No momento nos encontramos no ano 44 d.D. - isto é, no ano 44 depois de Diego. Quer mais? A Páscoa Maradoniana é comemorada no dia 22 de junho devido ao histórico gol em que El Diez driblou sete ingleses e fuzilou o arqueiro Peter Shilton. Com seu gol genial, ele proporcionou uma catarse coletiva para todos os argentinos, mordidos com os ingleses por causa da Guerra das Malvinas. O maluco beleza do sacerdote não parava de metralhar toda a lendária vida de Diego. Fiquei sabendo que o que Maradona mais gosta de beber é vinho com Coca-Cola e que adora pizza napolitana. "
Arthur também revelou na matéria os 10 mandamentos da Igreja Maradoniana, que você conhece abaixo:
1 - A bola não se suja, como disse Deus em sua despedida 2 - Amar o futebol sobre todas as coisas 3 - Declarar seu amor incondicional por Diego e seu bom futebol 4 - Defender a camisa argentina, sempre respeitando as pessoas 5 - Difundir os milagres de Diego em todo universo 6 - Honrar os templos onde jogou e os mantos sagrados que vestiu 7 - Não associar Diego ao nome de um único clube 8 - Difundir sempre os princípios da Igreja Maradoniana 9 - Levar Diego como seu segundo nome e colocá-lo no seu filho 10 - Não ser teimoso e não dormir no ponto.