“Oi, rapaziada”, “dançando e rodando” e “à pampa” são algumas das gírias "mudernas" que a Redação da Natura escuta diariamente da sarcástica e bem-humarada Carol Alcoragi. Pau pra toda a obra e cheia de alegria de viver, a palmeirense não esconde sua paixão por gatos e ATÉ corinthianos. (Giovanna Assaf)
*Por Bruna Madsen
Imagem: Arquivo Pessoal
1.Das antigas: praia e amigas! 2.Fingindo interesse na letra da Gaviões... Tem que participar, né? 3.Morcego-bruxo-feioso-lindo. 4.O Pacaembu vazio!
Como você começou a trabalhar com produção/arte?
Veio de casa, meu pai sempre trabalhou com música, minha mãe sempre teve como hobby a pintura, meu irmão é arquiteto e acho que foi um processo natural dar continuidade a isso, mas custou um tempo até descobrir que era produção que eu gostava de fazer. Fiz vários cursos nessa área: fotografia, história da arte, cinema, até que entrei na faculdade de cinema e foi lá, entre um filminho e outro, que descobri que eu gostava de fazer produção. Durante a faculdade fiz vários curtas, inclusive o meu TCC rodou alguns festivais no Brasil e no exterior, foi superbacana. Depois de formada fui trabalhar com cinema publicitário, conheci melhor o mercado e descobri que nem sempre aquela faculdade que escolhemos fazer necessariamente será aquilo com que iremos trabalhar...
Assim você chegou à Trip?
Isso, aqui na Trip foi o meu primeiro contato com produção de fotografia. Trabalhei com a Carol Meirelles em uma produtora muito bacana que fazia filmes publicitários, animações, curtas-metragens, a gente se deu superbem trabalhando, e quando ela veio para a Trip um tempo depois me ligou para eu fazer um freela. E estou aqui até hoje, três anos...
Como produtora de fotografia para a Natura o que te dá mais prazer fazer? Porque temos a oportunidade de realizar trabalhos muito diferentes, fotos com os produtos, ensaios com modelos e com as consultoras. Qual te traz maior satisfação?
Em primeiro lugar, descobri que gostava de trabalhar com produção quando percebi que produção tem como princípio trabalhar com pessoas, estar com pessoas e fazer o possível para se dar bem com essas pessoas. No nosso cotidiano de trabalho na Natura, sem querer ser politicamente correta [risos], eu gosto de tudo! Adoro fazer fotos com produtos e com gente. Fico muito satisfeita especialmente com o trabalho realizado com as consultoras, porque eu gosto de conhecer e lidar com pessoas que são totalmente diferentes de mim, ter essa oportunidade de conhecer pessoas que vivem em outra realidade que não a minha... Isso é muito gratificante. E, fazendo esse trabalho com as consultoras, a gente entende a importância do nosso trabalho aqui na Trip. Na nossa correria aqui a gente se esquece que existem pessoas que tiram o seu sustento da venda desses produtos e não têm noção nenhuma do processo envolvido até a revista chegar na mão delas e elas fazerem a venda. É como se tivéssemos uma loja onde fôssemos responsáveis pela disposição dos produtos na vitrine e as consultoras, nossas vendedoras.
Existe uma brincadeira, na verdade um trocadilho, com o seu nome aqui na Redação: Carol “Coragem”. Conta pra gente.
Na verdade sempre foi feito esse trocadilho na família, meu pai e os irmãos eram conhecidos como os “irmãos coragem”. Tinha a novela na época e tal. Eu acho que o meu pai teve certa coragem na vida, meu irmão tem, eu tenho e minha mãe também tem. Mas aqui na Trip uma pessoa ligou procurando por Carol Valente, algo assim, e a pessoa que atendeu com muita paciência entendeu que não era bem Valente, e sim Coragem [risos]! E aí pegou, um pouco pela similaridade com o sobrenome, um pouco pela nossa rotina alucinante. Mas é Algoragi, com “i” no fim [risos].
Imagem: Arquivo Pessoal
5.Festita com queridas (ai, Tina, desculpa, a foto é ótima!). 6.Gato que é gato... sobe em árvore! 7.Meu irmão, futuro pai! Viva o Felipe! 8.Sempre Parmêra!
Como é ter esse trabalho com viagens – algumas vezes com horários nada comercias – e ser casada com um economista?
Eu volto na questão de gostar e me interessar por pessoas diferentes de mim. Nós somos diferentes na profissão apenas e isso é o máximo! Ele trabalha em banco, é um cara dos números [risos], tem a vida super-regrada, tem hora pra entrar, hora pra sair, usa terno e gravata todos os dias, o relacionamento com o pessoal do trabalho dele é superfrio, as pessoas não se tocam, não se cumprimentam. Já no meu trabalho, na medida do possível, posso expor o que eu realmente gosto, penso. Quando fomos morar juntos, foi um pouco difícil equilibrar as coisas, meus horários e nossa vida a dois. Quando eu fazia filmes, aconteceu de o motorista me pegar no domingo cedo e eu só conseguir voltar na segunda à noite. Então é por essas e outras que foi um caminho árduo até nos entendermos, foi um caminho construído com muito amor e paciência, porque eu também tive que aprender e respeitar a rotina dele.
E como está morar longe dele?
Longe? Muuuito longe! Está bem difícil... Que saudades... Sem mais [risos].
Você sempre foi da Pompeia e ele também?
Pompeia é tudo!!! [Risos.] Não, ele é da zona norte. “Meu coração bate mais forte sentido zona norte” graças a ele! Ele era amigo de um amigo do meu irmão, depois tivemos muitos amigos em comum e o resultado dessas coincidências você já sabe.
Falando em irmão, eu já sei que está vindo o primeiro sobrinho... Como está o coração?
Eu penso nisso todos os dias, acho que foi a melhor notícia do ano e da minha vida talvez. A minha família é muito pequena e eu quero muito vê-la crescer, penso muito nos meus pais, eles gostam muito de crianças, já pensaram até em adotar crianças porque os netos não vinham. E agora o Felipe chegará em março!!!
E o seu filho, o Rivelino [muitos risos]?
Pra quem não sabe o Rivelino é o meu gato preto fofo e feio, feioso e lindo! Eu sempre pensei que quando eu tivesse minha casa eu teria um bicho, porque meus pais nunca deixaram eu ter um, agora entendo que iria sobrar pra eles as responsabilidades “chatas”. Aí, quando eu tive a minha primeira casa, ela não era só minha, era também do Alê, e foi um trabalho de quase um ano pra conseguir convencer. A Dani [Martins] ajudou muito nesse processo de convencê-lo. Um dia ele cedeu, mas o bichinho tinha que “aparecer”... Até que um dia eu estava no café da Trip e a Eva Uviedo falou que tinha achado um gato preto. Lembro como ela falou: “Apareceu um gato preto na minha rua, macho, e parece um desenho animado”. Na hora eu liguei para o Alê e falei que o gato tinha aparecido. No mesmo dia levei ele pra casa, mas tinha uma condição: o gato só entraria em casa se tivesse nome de jogador do Corinthians! Só para lembrar, eu sou palmeirense! Mas se era só isso que faltava para eu ter um gato eu disse “tudo bem, pode escolher”. Ele ganhou o nome de Rivelino – acho que não tem nome mais perfeito para ele.
Conselho para os pais: quando o seu filho pedir um bichinho, dê pra ele. Mesmo sabendo que é você que vai cuidar, porque senão ele vai chegar aos 30 e vai brincar de casinha com o bicho e virar um monstro como eu [risos]!
Imagem: Arquivo Pessoal
9.Família Coragem. 10.Fair play romântico. 11.Ai, ai, Venceslau... 12.Ensaio dos vovôs com o Gustavo, o Mamuco.
Ah!! Tem uma coisa que eu acho muito engraçada: a sua relação com o futebol. No seu casamento ele é corinthiano e você, uma torcedora do Palmeiras...
Eu sempre gostei de futebol, mas não me pergunte muitos detalhes da jogada “x” que eu não vou saber, eu gosto da grande festa popular que é o futebol, da bagunça. Claro, não quero nem entrar no assunto das coisas que estragam, como a violência, as roubalheiras que sempre aparecem e esse mercado esquisito que é o futebol – isso eu prefiro fingir que não existe, prefiro só pensar na parte boa que é ir ao jogo, e não precisa ser só ao jogo do Palmeiras, eu acompanho o Alê nos jogos do Corinthians.
Quando tem jogo Corinthians x Palmeiras você vai com ele? Já aconteceu com você aquela cena cinematográfica de estar na torcida adversária, levantar na arquibancada e gritar “gol”?
Infelizmente eu nunca consegui assistir ao verdadeiro clássico: Corinthians x Palmeiras! Isso muito pela questão das confusões, brigas das torcidas, morte que a gente vê na televisão. Nunca tive coragem de ir, então a gente assiste em casa e adotamos o fair play: ele não grita “gol” contra o Palmeiras e eu não grito gol contra o Corinthians... é difícil mas dá certo.
A gente coloca as bandeiras dos times na janela, isso talvez sirva de exemplo pra essas pessoas que ficam se matando por causa de time! É só um time! Nós temos alguns times que simpatizamos, então aos sábados vamos ao jogo do Juventus na rua Javari, um grande acontecimento, muito engraçado. No Rio vamos sempre ao Maracanã e escolhemos a torcida que for maioria exatamente pelo medo da violência, uma proteção. Futebol é muito legal, eu adoro, adoro!
Então o gostoso é ir a um estádio e torcer por um belo jogo.^^~-_-
Sim... e volto no assunto diversidade, num jogo você também vê muita gente diferente, mas eu tenho alguma coisa em comum com elas – elas também saíram de casa num domingo para assistir ao jogo, mas durante a semana podem exercer uma atividade profissional totalmente diferente da minha e, se não fosse ali, na torcida, eu jamais iria conhecê-las. É a única grande festa popular que eu vou com gosto, e não me importo de não ter a infraestrutura necessária, principalmente aqui em São Paulo. O ingresso é caro, existe aquela grande máfia de cambistas e muitas vezes a confusão começa aí, a galera que não consegue entrar, tumultua o lado de fora do estádio e isso acaba com a festa! Outra coisa é a presença feminina nos jogos. Quando tivermos mais mulheres em campo, tenho certeza de que vai sair menos briga. Não que as mulheres não saiam nunca na porrada, mas acho que com mais mulheres os homens vão preferir se fazer de bonitos a ficar estilo ogro, andando com uma clava e distribuindo porrada na arquibancada.
Além do futebol, como momento de lazer, você tem uma coisa a mais com música. O que é a música na sua vida?
Vou dar uma resposta bem brega: A música é a minha alma! Música é uma coisa que pode te relaxar, pode te deixar “puto”... Um dos meus grandes sonhos de criança e adolescente sempre foi ter uma banda de rock, toquei piano, teclado, fiz aula de violão, fiz flauta, canto e descobri que eu não sirvo pra fazer música. Foi muito difícil para eu entender isso. Hoje a minha curtição é cantar muito em casa, no chuveiro, nos estúdios (pobres dos fotógrafos), pegar uma música que eu gosto e procurar mais coisas do artista, ouvir as músicas que eu curti quando era adolescente com outros ouvidos. Na adolescência eu ia muito a shows e em 99% desses eventos a Dani [Martins] estava comigo. Era o grande momento ir ao estádio ver grandes shows internacionais. Saía de casa de manhã para pegar um bom lugar para ver de perto meus ídolos... [risos].
Você já fez alguma viagem bacana?
Fiz muitas... Sempre pelo Brasil, acho esse país muito louco! Quero muito conhecer o Norte, inclusive Ano-novo em Rio Branco do Acre. Vamos? [Risos.]
Você já falou da Dani Martins algumas vezes na entrevista. Como é trabalhar com uma amiga de infância?
É bem interessante. Quando ela entrou, fiquei um pouco preocupada, tive receio de não sabermos separar o amigo do profissional, de acharmos que só porque nos conhecemos há anos poderíamos nos tratar de qualquer maneira aqui dentro, enfim, felizmente isso nunca aconteceu, soubemos respeitar os limites uma da outra e hoje é muito bacana saber que uma acompanha diretamente o crescimento da outra. Já tem três anos que eu estou na Trip, ela também. Às vezes eu até olho e penso: nossa, a Dani está aqui! E é superlegal, porque a gente sabe de histórias de amigas que vão trabalhar juntas e a amizade acaba prejudicada, mas conosco não aconteceu... nem vai acontecer!
Qual o seu sonho?
Eu já tive vários sonhos que, na verdade, viraram um só: quero tudo que eu tenho agora, falando de amizades, trabalho e os meus gatinhos (Rivelino e Ale). Gosto, sinto prazer e verdade em tudo o que faço. Acho que gostaria de ter mais tempo para me dedicar à vida acadêmica. Pode parecer papo furado, mas gosto muito de estudar, me aprofundar em algum assunto. O que mais me intriga é a cultura, como ela chega nas pessoas, como isso é absorvido pela massa, de que maneira podemos melhorar, se é que isso é possível.
Então você sempre gostou de estudar?
Não, sempre achei escola um saco, cabulava aulas, era péssima. Até hoje acho o ambiente escolar meio medieval, um lugar que não evolui, muito ligado a castigos, sei lá. Sei que algumas escolas são bem mais bacanas, até tive oportunidade de estudar em uma ótima, mas de resto é tudo muito chato. Foi só na faculdade que descobri esse gosto por estudo, demorou mas chegou.
*Bruna Madsen é produtora da Revista Natura Latam, produtos para Chile, Peru etc. é com ela mesmo! Sabe aquela pessoa de admirar? Equilibra pratos entre o trabalho supercorrido e ainda tem todo o tempo do mundo para a sua filha Isabela, de 3 anos, é de bater palmas! (Por Carol Alcoragi)





