Ok, o assunto é mais batido e sem solução do que gastar linhas divagando sobre políticos honestos e corruptos. Mas omitir o que aconteceu na madrugada desta quarta-feira em frente ao Pacaembu seria muita "bundamolice".
A saga para conseguir um ingresso para segundo jogo da final do campeonato paulista começou há uma semana, tentando acessar o site da ingressofácil todos os dias e me acostumando com as mais diversas telas de erro de conexão e me consolando com a mensagem final “ingressos esgotados”. Seriam cambistas virtuais? Segui com essa dúvida e parti para o plano b: encarar a madrugada e perder algumas boas horas na fila do Pacaembu. Para isso escalei meu irmão e fomos lá, às 4 da matina, esperar até 9h para ter o tão sonhado ingresso em mãos.
No caminho, um grupo de corintianos dá o primeiro susto com a a assustadora frase “mano, desencana, a fila para arquibancada está dando a volta no estádio. Vai direto para as cadeiras numeradas que está tranquilo”. E realmene estava. Menos de quinhentos metros me separavam do tão sonhado ingresso. O problema seriam as eternas horas de espera.
Enquanto as coisas estavam tranquilas e divertidas, o circo armado pela imprensa incluia carros e motos travando o trânsito, helicópteros sobrevoando o estádio e repórteres com preguiça de ir até o início da fila para realizar a simples pergunta “que horas você chegou aqui?”. As horas passam, a ansiedade e a fila aumentam, a organização das filas era comandada pela própria torcida, tudo funcionava perfeitamente bem até que chegam ao recinto umas seis pessoas vestindo lindos coletinhos amarelos escritos “monitores”. E como dizia o jornalista boleiro Nelson Rodrigues, “é aí que está o busílis”.
A fila começou a ficar desorganizada, senhores e senhores de idade brotavam de todos os lados e a incrível organização reservou 2 guichês apenas para atender mais de mil pessoas da fila e quando você perguntava para algum monitor o que estava acontecendo, a resposta era: “não faço ideia, eles [os vendedores de ingressos] estão lá dentro. Como eu posso saber?”.
Mas foi aí que uma sucessão de fatos estranhos aconteceram diante dos narizes corintianos: a fila para; começa um tumulto; 5 ou 6 cambistas furam a fila com o consentimento dos monitores, polícia e funcionários da bilheteria para saírem exibindo pacotes de ingressos na cara cansada e insone da torcida que estava ali apenas esperando ser respeitada. Detalhe: o número de ingressos era limitado a três por pessoa.
O que parecia um absurdo deslavado conseguiu ficar pior. Misteriosamente a bilheteria fecha e a polícia militar (eficiente e bem informada como os monitores) sai espalhando : “acabaram-se os ingressos, podem ir embora”. Enquanto isso, cambistas vendiam ingressos para as seções numeradas e tobogã. Seria normal se não fosse outro pequeno detalhe: a bilheteria do tobogã permanecia fechada até as 11h. Como os ingressos foram parar na mão dos cambistas?
Tentei alertar um guarda, mas as Polícia Militar presente se limitou a me responder com a frase “onde tem demanda, tem oferta. Se você me apontar onde está o cambista, eu vou lá e prendo ele”. Apontei para o cambista e o policial pareceu mais preocupado em advertir uma senhora que vendia refrigerantes e água.
E o final majestoso ficou por conta da torcida que caçou os cambistas espertos, distribuiu bofetadas em todos e recuperaram os ingressos na marra. Tumulto generalizado, prato cheio para a polícia exercitar o cacetete e motivo de gargalhada para os “monitores” que assistiam a tudo com um sorriso farto.
Fiquei sem ingresso, sem paciência, sem sono e sem esperança alguma de algum dia conseguir ir a um estádio – seja para ver o Corinthians jogar ou assistir a um show – sem que a simpatia, cordialidade, informação e prestação de serviço “exemplar” de organização e Polícia Militar sejam motivos de preocupação. Lamentável!





