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Postado em 14.04.2009 | 18:58 | João Wainer
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Nasceu o Diabo em Sao Paulo

Nasceu o Diabo em Sao Paulo

 

 

A redação do Notícias Populares estava calma demais naquele pós feriado de 1975. Faltavam notícias para encher as páginas com os tradicionais absurdos que o saudoso diário publicava pra deixar o povo um pouco mais feliz. Fuçaram nas matérias rejeitadas da semana e acharam uma de Marco Antonio Montadon, sobre uma criança que havia nascido com estranhas deformidades no ABC paulista. No local, o jornalista apurou que a criança nascera com um prolongamento no cóccix e duas saliências na testa, problemas simples que foram resolvidos com uma pequena cirurgia feita na própria maternidade. A matéria, de tão fraca nem foi publicada. Na falta de assunto daquele dia, o repórter requentou a pauta e resolveu fazer uma crônica de horror baseada na história. Como ninguém no hospital quis dar entrevistas, ele não pensou duas vezes antes de inventar a história que ficou conhecida como a mais bizarra do jornalismo brasileiro, que marcou uma época e alavancou a venda do jornal por quase 30 dias seguidos. Reproduzo abaixo a sensacional seqüência de manchetes até o desfecho da maior e mais divertida cascata do Notícias Populares. Em seguida, emendo a matéria original que deu origem a saga. (Destaque para a manchete de 24.05: O BEBE DIABO PAROU TAXI NA AVENIDA em que, segundo o jornal, o capetinha entrou no carro e ao ser questionado pelo taxista sobre qual seria o destino da corrida teria emendado: "Toca para o inferno")

11/5 - NASCEU O DIABO EM SÃO PAULO 12/5 - BEBÊ-DIABO DESAPARECE 13/5 - FEITICEIRO IRÁ AO ABC EXPULSAR O BEBÊ-DIABO 14/5 - BEBÊ-DIABO DO ABC PESA 5 QUILOS 15/5 - BEBÊ-DIABO INFERNIZA O PADRE DO ABC 16/5 - NÓS VIMOS O BEBÊ-DIABO 17/5 - POVO VAI VER O BEBÊ-DIABO 18/5 - PROCISSÃO EXPULSARÁ BEBÊ-DIABO 19/5 - VIU BEBÊ-DIABO E FICOU LOUCA 20/5 - SANTO PREVIU O BEBÊ-DIABO 21/5 - BEBÊ-DIABO NOS TELHADOS DAS CASAS DO ABC 22/5 - MÉDICO AFIRMA: O BEBÊ-DIABO NASCEU NO ABC 23/5 - DIABO EXPLODE MUNDO EM 1981 24/5 - BEBÊ-DIABO PAROU TÁXI NA AVENIDA 25/5 - FAZENDEIRO É O PAI DO BEBÊ-DIABO 26/5 - BEBÊ-DIABO VIAJA PARA VER O PAI 27/5 - BEBÊ-DIABO APARECE NO LUGAR DO ECLIPSE 28/5 - MAIS 7 VIRAM O BEBÊ-DIABO 29/5 - BISPO MORRE DE MEDO DO BEBÊ-DIABO 30/5 - BEBÊ-DIABO ARRASA COM RITUAL DE UMBANDISTA 31/5 - FANÁTICOS AMEAÇAM BEBÊ-DIABO DO ABC 01/6 - SEQÜESTRADO BEBÊ-DIABO 02/6 - BEBÊ-DIABO À MORTE 03/6 - BEBÊ-DIABO FOGE PARA O NORDESTE 04/6 - PADRE DE MARÍLIA: ‘EU ACREDITO NO BEBÊ-DIABO DO ABC’ 05/6 - ZÉ DO CAIXÃO VAI CAÇAR BEBÊ-DIABO NO NORDESTE 08/6 - POVO VÊ DE NOVO BEBÊ-DIABO DO ABC NASCEU O DIABO EM SAO PAULO

Durante um parto incrivelmente fantástico e cheio de mistérios, correria e pânico por parte de enfermeiros e médicos, uma senhora deu a luz num hospital de São Bernardo do Campo, a uma estranha criatura, com aparência sobrenaturais, que tem todas as características do Diabo, em carne e osso. O bebêzinho, que já nasceu falando e ameaçou sua mãe de morte, tem o corpo totalmente cheio de pelos, dois chifres pontiagudos na cabeça e um rabo de aproximadamente cinco centimetros, além do olhar feroz, que causa medo e arrepios. Parece que tudo começou na Semana Santa, quando o marido da mulher, que é muito religioso, convidou-a para ir à igreja, ver a procissão. A mulher grávida, bateu com as mãos na barriga e respondeu indignada: – Não vou, enquanto este diabo aqui não nascer. E foi o que realmente aconteceu. A mulher acabou tendo como filho um monstrinho horripilante, peludo, que ao falar, mais parece que está mugindo. Inicialmente, há quinze dias, quando os boatos começaram a surgir, poucos acreditavam na história absurda do nascimento do capeta em São Paulo, mas pouco a pouco, os comentários aumentaram e agora, principalmente em São Bernardo do Campo e cidades do ABC, ninguém mais duvida da existência do monstrinho diabólico. Entretanto, segundo as autoridades médicas, não foi registrado nas últimas semanas nenhum nascimento de alguma criança com problemas congênitos ou anomalias pavorosas. Mesmo assim, até telefonemas de Brasília e outras cidades, estão chegando em São Bernardo, de pessoas que perguntam como o Diabo é, o que que ele come e como é sua aparência, tudo logicamente, desmentido pelos funcionários. O Hospital São Bernardo, onde se acredita que o Diabo esteja escondido, encontra-se em fase de construção, sendo que a maioria de seus pacientes, é do INPS. O médico Fausto Figueira Mello Júnior, que ao lado de 12 colegas o dirige, afirmou que dos 15 partos diários, todos são praticamente normais: – Aqui não nasceu nenhum diabinho. Por outro lado, o diretor administrativo, Roberto Saad, é de opinião que tudo isto não passa de uma piada de mal gosto contra o hospital. Parece porém que, o crescimento do boato e a credulidade de algumas pessoas chegaram a preocupar o secretário da Promoção Social, Enzo Ferrari. Ele, após percorrer todos os hospitais daquela cidade, distribuiu uma nota oficial, desmentindo o boato, dizendo que em São Bernardo do Campo não existe nenhum bebê-monstro. Entretanto, a própria preocupação do secretário aumentou em algumas pessoas a crença de que o Diabo existe e está disposto a fazer cumprir as profecias satânicas, aumentando o mal na Terra. – E os primeiros a serem atingidos serão os moradores de São Bernardo do Campo, disse uma senhora, fazendo o Padre-Nosso, defronte o Hospital São Bernardo, onde se encontrava com os olhos demonstrando muito medo. Assim, aquela que de início era uma estranha e absurda história, agora tomou corpo e chega a preocupar as autoridades daquele município. Os telefonemas continuam, nas esquinas e nos bares o assunto é só sobre o capetinha e muitos insistem que os responsáveis pelo hospital onde ele nasceu, deveriam colocá-lo em exposição, para que todos vissem o bebê que fala, tem chifres e um bonito rabo de cinco centímetros.

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Postado em 08.04.2009 | 15:25 | João Wainer
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(trecho do DVD "Comigo Quem Quiser, Contra Mim Quem Puder" feito na raça pela produtora Sindicato Paralelo)

 

cascão - vida loka original

Vida Loka não vira, nasce. Cascão nasceu Vida Loka e é a personificação do estilo criado por ele que tomou conta das ruas de São Paulo. Ex-assaltante de banco, tirou sete anos de cadeia e sofreu na pele todo o veneno do sistema carcerário. Viu de perto a fundação do PCC e participou de inúmeras rebeliões. Carregando nas costas uma capivara (ficha criminal) que mede 4,5 metros, Cascão voltou pra rua. Saiu pela porta da frente da cadeia, largou o crime, entrou pra faculdade de direito, se formou e montou o grupo de rap Trilha $onora do Gueto. “Entrei pra faculdade de direito pra ser mais folgado do que eu já sou” diz orgulhoso depois de pagar todas as as dívidas que tinha com a justiça. Considerado na quebrada o Vida Loka original, o único e autentico gangsta brasileiro rejeita o rótulo. “Falar é mó boi, todo mundo quer ser gangsta mas pergunta se os cara quer dar tiro na ROTA pra ser gangsta? Pergunta se quer perder a liberdade? Quer nada. Papel e caneta aceita qualquer coisa, escrever uma letra falando que é gangsta é mó boi. Eu não quero ser, pergunta pra mim aqui, ó, eu já fiquei preso um monte de ano. Pergunta se eu quero ser gangsta. Não quero nada, quero ser bem sucedido”

 

Aos 14 anos Cascão fez seu primeiro assalto a banco. Foi piloto de fuga pra uns parceiros da quebrada. “Eu acho que atirar nos outros é babaquice. Matar os outros é babaquice. Agora, a sensação mais gostosa é você saber que vai entrar na agência e sair com um malote. Tem noção? Imagina a viagem, mano. Você entrar dentro do banco, driblar o guarda, passar por todo mundo sem ninguém te olhar, sentar na mesa do gerente, perguntar: “Você é o gerente?”. “É”. Sacar a quadrada, pegar ele pelo cabelo, levar dentro do cofre e voltar com o malote”.

Num rolê pelo Capão, Cascão me ensinou um dos grandes segredos da rua. Disse que em qualquer situação, quem demostrar medo primeiro perde. Tem que olhar no olho, e falar direto, sem medo, por pior que seja a sua situação. O ser humano é igual bicho, sente o cheiro do medo. Confesso que esse ensinamento já me fez sair de algumas encrencas. Isso vale pra vida, pra uma conversa com teu chefe, com a atendente da companhia aerea, com o cara que tenta te enrolar e etc.

Em 91, durante um assalto a banco, Cascão foi preso. Com um refém sob a mira de uma sub-metralhadora exigiu a presença de equipes de TV pra se entregar. Começava ali a carreira artística de um dos mais controversos e polêmicos rappers de sua geração. Na cadeia descobriu seu verdadeiro dom, o de poeta da realidade. Foi durante um castigo na cela isolada, onde passou 58 dias sem ver o sol, que compôs a letra da musica Terceira Opção, contando com detalhes o dia em que foi preso.

Ai vai um trecho da letra: “... Eu peguei minha quadrada e fui pra guerra com o sistema, só que pá é o seguinte sempre existe um dilema.
A vida traiçoeira me pregou uma lição eu só tinha dois minutos pra viver 3 opção. Se eu saísse pelos fundos eu morria assassinado, se eu vazasse pela frente pelos bico era linchado e a 3º opção era eu engatilhar a quadrada na cabeça e eu mesmo me matar, só que Deus tava presente acredite eu não me engano, em fração de 2 segundos eu bolei aquele plano. Ai xará é o seguinte eu só vou me entregar quando aquele "sem futuro" do Datena me filmar, to ligado que pru ceis eu não valho um real só que se ceis invadir o refém vai passar mal. Ele tá todo borrado ta mijado ta com medo ta pagando até com juros o racismo e o preconceito. De repente, pá pá, caraio que tiroteio, fiquei com a cabeça a mil 
me bateu um desespero. Parece que foi ontem, quando eu da cena lembro,
minha roupa cheia de sangue eu algemado mó veneno. Linchado pelos bico com ajuda dos gambé, desacerto no crime eu to ligado qual que é. Um dia é da caça outro do caçador, ditado que meu pai já herdara do meu vô...”

 

VIDA LOKA - DJ PUDIM

VIDA LOKA - DJ PUDIM

O palhaço não tem cara ele só tem finalidade. Por isso que o símbolo dos Vida Loka é o palhaço. Ele não tem rosto. Não quer ibope, não quer nada. Qual é a finalidade do palhaço? Fazer rir, alegrar.
Então já é. Por isso o palhaço.
(Cascão)

(+ claudio tognolli)

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Postado em 20.12.2008 | 19:20 | João Wainer
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A favela Pedra Sobre Pedra fica na divisa entre São Paulo e Diadema e ganhou esse nome por causa da antiga novela da Globo. Por aqui, qualquer semelhança com a ficção é mera coincidência...


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Postado em 29.04.2008 | 16:29 | João Wainer
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Enquanto muitos bares da zona sul de São Paulo convivem com cadáveres esticados em suas portas, o bar do Zé Batidão convive com poesia e cultura. É que aqui, toda quarta-feira tem sarau poético e nunca faltou gente pra ver, ouvir e se emocionar com o que os poetas marginais tem a dizer. Sérgio Vaz é quem comanda, e aos gritos de "Povo lindo, povo inteligente!" bota ordem nos poetas que enfileiram seus nomes num caderninho e esperam a vez de recitar seus versos no microfone da entrada do bar. Motoboys, rappers, donas de casa, crianças, auxiliares de escritório, desempregados. Todo mundo chega na humildade, papelzinho dobrado no bolso e olhar envergonhado. Quando pegam o microfone se transformam em verdadeiros guerreiros da periferia, rebatendo com versos as porradas que levam do dia-a-dia sofrido da quebrada. sarau022jpg.jpg sarau023jpg.jpg São 21:30h. A novela das oito ainda entope o cérebro da maioria enquanto aqui, coperiféricos lutam contra a estupidez declamando versos próprios ou emprestados de grandes poetas, trazendo luz pra noite cinza da periferia. Hoje é um dia especial na Coperifa. Cada verso recitado aqui foi escrito em um pedaço de papel e amarrado em um balão branco de gás. Todos foram para a porta do bar e de uma só vez soltaram os balões ao vento levando fragmentos do sarau para todos os cantos da comunidade. Versos de Clarice Lispector, Drummond, Pessoa, Leminski e Neruda voaram lado a lado com versos de Cidinha, Rose, Alessandro, Hélber, Robson, José... O mais bonito da noite foi descobrir que, voando pelos céus do Capão, um verso da Dona Maria pesa exatamente a mesma coisa que um verso de Vinícius de Moraes. P.S.: Amanhã, 30.04.2008 é dia da segunda edição do Poesia no Ar. Pra quem quiser conhecer a noite mais incrível da periferia de SP, é só chegar. Estrada do M'Boi Mirim, vira a direita depois da igreja do piraporinha, sobe uma ladeira enorme e vira a direita no final dela. sarau024jpg.jpg A COOPERIFA VAI ENCHER O CÉU DE SÃO PAULO DE POESIA !!! 2º Poesia no Ar Dia 30 abril 21hs O Sarau da Cooperifa realiza pelo segundo ano consecutivo, o Poesia no ar, e vai encher o céu de São Paulo de poesia.Nesta noite mágica da periferia paulistana o sarau vai acontecer normalmente até às 22h30, depois todas as poesias lidas, as mensagens e poemas dos convidados, serão colocadas em balões de gás (500 bexigas) e enviados via áerea para toda a cidade. Só não vê quem não quer, onde todos querem violência, nós queremos poesia. Quem não puder comparecer no Sarau da Cooperifa neste dia, não se preocupe, se tiver sorte vai receber nossa poesia em casa, sem alarde, e abençoada pelo sereno da madrugada. *Atenção: no dia 1º, antes de ir para o trabalho ou para a escola dê uma olhadinha no quintal, quem sabe... É tudo nosso! Sérgio Vaz Cooperifa Bar do Zé Batidão Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana Periferia-SP Info. 7207-4748
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Postado em 23.04.2008 | 14:28 | João Wainer
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malote001.jpg O trânsito de São Paulo é uma selva. Tem motoboy arrancando retrovisor, ladrão roubando bolsa, moleque fazendo malabarismo, sirene tocando, alarme de carro, fumaça, caminhão e ônibus. No meio desse caos, circulam pequenas fortalezas blindadas sobre rodas. Com quatro caras dentro, armados de escopeta e revólver, esses bunkers móveis carregam para cima e para baixo dentro de malotes, uma boa parte da riqueza nacional. malote002.jpgmalote003.jpg O carro por dentro é simples. Paredes grossas, portas pesadas, quatro cadeiras, um cofre e um monte de buracos espalhados pra meter bala nos bandidos que tentarem pará-los. Nas paredes, instruções afixadas indicam o que fazer em caso de assalto enquanto uma imagem de Nossa Senhora presa com um imã em uma das colunas tenta evitar que isso aconteça. malote005.jpg Naquela manhã, ao entrar no carro o motorista fez o sinal da cruz e, conscientemente ou não, pisou na cabine primeiro com o pé direito. Os outros três ocupantes tomaram seus assentos e o carro partiu para a batalha. Num país cheio de desigualde social, eles vão atravessar uma cidade violenta em um carro cheio de dinheiro. Cada parada é um momento de tensão. É hora de almoço no centro e a rua está cheia. São velhos, mulheres, homens e crianças. Na banca do camelô, um rádio velho toca "Homem na Estrada" dos Racionais. Cada um é um suspeito em potencial. Aquele mendigo pode ter uma Uzi embaixo do cobertor, a mulher com a criança pode ter uma granada na bolsa, o gari um fuzil na lixeira. Como saber? A tensão e o medo predominam na cena. Eles pegam o malote na agência bancária e rapidamente voltam pra dentro do carro, que arranca para fazer a próxima coleta. Depois de passar por vários lugares recolhendo os malotes, o blindado segue para o bunker: a central da empresa de segurança, onde o dinheiro vai ser contado e catalogado. Parece a caixa-forte do Tio Patinhas. Vejo mais concreto, grade, aço, camera e tensão do que qualquer cadeia do país. Não é pra menos. Em uma das salas centrais, os malotes são abertos e maços emais maços de dinheiro são jogados sobre uma mesa de fórmica branca. Uma funcionária vestindo um macacão de operário e um 38 na cintura amontoa e organiza todo aquele dinheiro que é contado, recontado e depois empacotado em novos maços com mil notas cada um. Por um instante, quis ser John Malkovich e entrar no cerébro daquela funcionária, só pra saber o que pensa alguém que passa o dia inteiro manuseando milhões de reais e no fim do dia pega um ônibus lotado pra ir embora pra casa. malote004.jpg Na entrada da empresa, estão penduradas fotos de criminosos foragidos e balanços dos assaltos ocorridos no ano corrente em todo o Brasil. Além da contagem, os relatórios também trazem detalhes de cada assalto, para que os funcionários fiquem atentos e nunca esqueçam o perigo real que correm. A tensão é justificável. Na guerra urbana de São Paulo, todo mundo quer dinheiro e os carros-forte transportam o dinheiro que todo mundo quer. Alguns morreram tentando roubar o malote, muitos conseguiram. Outros morreram tentando defender o malote. Essa é só mais uma das tantas guerras pelo dinheiro que são travadas todos os dias sobre o asfalto quente da cidade de São Paulo.
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