Ago 18

Foi um domingo lindo, de sol, Central Park LOTADO. A cada passo, uma atração - palhaço, massagem, banda de jazz, patinação estilo anos 80, artista metido a barítono, corrida de tartaruga (juro) e por aí vai. Mas eu tive o privilégio de estar acompanhada por dois cavalheiros num programa turístico pra lá de bom - remar os barquinhos do lago que fica na altura da rua 73. Por 12 dólares a hora, o barco é seu (e cabem 4 pessoas). Uma de-lí-cia. Cada um de nós três remou um pouco, e claro que rolou um bate-bate nos barcos alheios (foto) e uma tentativa de ópera estilo gôndola veneziana, mas só conseguimos cantar a trilha do comercial do sorvete Cornetto (estilo Sole Mio). Whatever! Tá dada a dica.
Ago 13
Confesso que não tenho acompanhado as Olimpíadas - mas hoje de manhã, assisti a cenas de um dos canais daqui, que mostrou aspectos curiosos sobre a China (fora a história da menina que foi dublada por outra na abertura dos jogos por não ser considerada bonitinha o suficiente, viram isso?).
Deu vontade de estar lá, mas também não há do que reclamar: aqui temos a Chinatown, cheia de gente que desconhece a língua inglesa e que vende sapo vivo nas lojas de comida. É MUITO interessante dar uma volta por lá. Peraí, não estou falando da Canal Street, que deixa a irritabilidade de qualquer ser humano à flor da pele. Principalmente para seres como eu que não estão nem aí para bolsas de marcas, sejam falsificadas ou não. O que vale a pena são as ruazinhas do bairro, as lojinhas típicas, os barbeiros, os restaurantes e as casas de chá. Pode ser um bom passeio antropológico. Agora, leve um mapa, porque se você se perder….xingming-ling (isso singnifica “danou-se”, em chinês!).
Jul 25
Ex-namorado ou ex-namorada é ex em qualquer parte do mundo. Todo mundo já passou por isso. Mas acho que em Nova York a coisa ainda é pior, por uma simples razão: falta de espaço. Quem vive em cavernas minimalistas, como qualquer apartamento nova-iorquino, não pode guardar aquele pullover do ex (ou da ex) “que remete àquela viagem romântica à Paris.” Até mesmo uma foto ocupa espaço! Esqueça - doe o pullover pro NYC Care na época de Natal, recicle a foto e, como dizem aqui, MOVE ON! Ou melhor Moveon.org! Não é frieza não - é praticidade.
Se já é difícil achar espaço pras nossas próprias roupas, livros, sapatos, casacos, luvas e cachecóis, imagina arrumar uma gaveta para guardar qualquer objeto de quem já era! E, psicologicamente, sabe-se que se desfazer das coisas também ajuda a partir pra próxima. Tanto que outro dia topei com a publicidade acima, de uma empresa de aluguel de depósitos (um grande negócio em Nova York). Eles garantem ajudar os ainda apaixonados a seguir em frente: basta jogar tudo que é do (ou da) ex no depósito deles. Ao recuperar as bugigangas tempos depois, o apego será menor - e tudo acabará no lixo. E você deixará o ex (ou a ex) também viver a vida dele (ou dela) em paz. Os anunciantes sabem o que estão falando: a empresa já fez outro anúncio dizendo que o depósito é a solução, caso o seu armário tenha “a profundidade” da Paris Hilton. Bem, ironicamente, talvez o único armário que não tenha, seja o dela….
Jul 14

Está vendo a foto acima? Este é um dos bancos do Centra Park, patrocinado pela família de Peggy Schulhof, uma nova-iorquina falecida em 1997, em sua memória. Esta é uma forma linda de homenagear quem se foi e, ao mesmo tempo, sustentar o parque. Para quem não sabe, o Central Park (que é maior que o Principado de Mônaco) é financiado por pessoas que nem eu e você - todos sabem da sua importância e por isso colaboram. Cada um, como pode. A maioria, simplesmente, não jogando uma agulha no chão e protegendo a natureza. Simples. Quem dera se meus camaradas cariocas aprendessem com os nova-iorquinos. Cariocas (e acredito que a costa inteira) não conseguem ir à praia sem deixar lixo para trás. E quem contestar está mentindo. Basta espiar o trabalho dos garis.
Semana retrasada, por exemplo, promovemos um picnic no Central Park para 60 amigos - não ficou um guardanapo na grama. No último sábado, fomos ao show do Jon Bon Jovi, no Great Lawn, área imensa onde acontecem os grandes shows. Milhares de pessoas comportadíssimas - não ficou um papel pra contar a história. Porém, o melhor da história conto eu: assim que o show terminou, a produção colocou imediatamente a música “New York, New York”, de Frank Sinatra. T-o-d-o m-u-n-d-o cantou junto, ao deixar calmamente o Central Park. Soa brega? Que nada, foi de arrepiar!
Então, Brasil, aí vai um recado: todo mundo ama Nova York, coisa e tal. Mas Nova York é o que é por causa das pessoas que cuidam dela. Então vamos fazer o mesmo com a nossas praias e parques. Lugar de lixo é no lixo. If you can make it there, you can make it anywhere. Boa semana!
Jul 04

Ontem, quinta, véspera do feriado de 4 de julho, resolvemos jantar fora, meio em cima da hora com uns amigos. Note que a expressão “em cima da hora” em Nova York gera calafrios. Se você resolver pegar um cinema ou escolher um restaurante badaladinho escolha com antecedência - compre ingresso pela internet, faça reserva.
Mas ontem foi diferente.Liguei pro restaurante e escutei uma frase inédita: “que horas vocês querem jantar?” Normalmente, o restaurante diz a hora disponível e olhe lá. Além disso, as calçadas estão vazias, o telefone sossegado - os nova-iorquinos debandaram para os Hamptons, o equivalente a Búzios daqui (só que Búzios dá de mil).
Por sinal, Hamptons pode ser sinônimo de roubada: a galera aluga casas em grupos e vai revezando por fim-de-semana. Mas em vez de um esquema Friends, tudo pode acabar em pesadêlo: um não paga a conta, o outro convida gente extra, o outro não lava a louça. No final do verão, um não quer ver mais o focinho do outro. Conclusão: fique em casa, e curta a cidade vazia, sem filas, todinha pra você.
Jun 04

Esta semana o fotojornalista do New York Times que fica na rua à cata de personagens estilosos do mundo da moda (confesso que é única coisa que me interessa no quesito fashion é a página dele) falou uma verdade, e foi lá provar: todo mundo só usa preto. Mesmo depois de um invernão, quando você acha que a rapaziada está ávida por tirar aquele vestido de bolinha amarela e rosa do armário…nada. Só dá moda-viúva. Até mesmo um comercial de TV do US Open de tênis, uns anos atrás, anunciava o campeonato mostrando toda a torcida de preto, óculos escuro (preto), jogadores vestidos de preto. Até a bolinha era preta. Uma sátira à Nova York.
Mas é fácil explicar, e mais fácil ainda entender: aqui você sai de casa, pega metrô, é uma cidade empoiradíssima. Você sai do trabalho e não tem essa de passar em casa pra tomar banho. Todo mundo vai direto pra tudo (o que torna a vida mais prática e faz o dia render mais). Então, com um pretinho está tudo resolvido. Não suja e você está vestido o dia inteiro. Por sinal, escrevo este post com uma camiseta preta (coincidência ou não!). Vive le noir!
Mai 28
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Esta é uma semana de grandes lançamentos cinematográficos (quer dizer, blockbusters, porque eu ainda prefiro meu cineminha independente): Indiana Jones estreou semana passada e nesta chega às telas Sex and the City. Mas o bom de tudo isso é que nenhum dos dois filmes são monoassuntos, como costuma acontecer no Brasil. Desde que mudei pra cá, vi apenas um assunto virar papo de todas as rodas - obviamente, o 11 de setembro.
Não há filme, disco, show ou Papa que seja “a coisa mais badalada de Nova York” (tem frase mais clichê que essa?). Aliás, faço cara feia quando leio matérias que dizem “tal sandália, tal restaurante, tal peça é febre em Nova York.” Isso não existe. Nada é febre aqui. Tem gente que nem sabe o que está se passando. Isso porque a cidade oferece tanta coisa ao mesmo tempo, que não dá pra acompanhar.
E pra falar a verdade, com o sol que está fazendo lá fora, nem dá vontade de saber. A galera quer mais é sair de bicicleta pelo Hudson River (foto) ou se jogar no gramado do Central Park. Bem, quanto às meninas do Sex and the City: como diz a capa da Time Out, “todo mundo gosta delas, mas já tivemos o suficiente. Por enquanto, nada de sexo nesta cidade”. Literalmente, elas já deram.
Abr 30

Está em cartaz em Nova York um filme que traduz muito bem a cidade: The Visitor. Trata-se da história de um imigrante sírio, que namora com uma senegalesa. Ambos muçulmanos. Ele, músico - daqueles que promovem batucadas African style nas tardes de verão no Central Park (im-per-dí-veis). Ela, estilista de bijouterias, vendidas nas calçadas do SoHo, ao lado de um israelense.
Um dia eles esbarram com um professor de Connecticut, e aí começa a história. Não vou contar nada do que não esteja no trailer. Mas, um dia, o sírio teve algum problema ao passar pela roleta do metrô - foi preso ali mesmo. Como assim? Na era do prefeito Giuliani institui-se que quem pular a roleta do metrô é fichado no ato pelos policiais à paisana - concluiu-se que os pula-catraca devem estar correndo de alguma besteira. E isso, de fato, diminiu a criminalidade.
No caso do sírio do filme, assim como centenas de imigrantes cuja papelada não está certinha, qualquer crime é sinônimo de deportação. Eles são enviados para prisões e de lá, deportados para seus países de origem sem direito a se despedir de nada ou ninguém. E aí que o filme mostra o outro lado desta cidade construída por imigrantes (e convenhamos, é o que ela é por causa deles). Incluindo a “gen-ti-le-za” dos oficiais de imigração…. E nos convida para agir no site Takepart.com Se você procura um filme autêntico sobre esta cidade, este é um deles.
Abr 21

Era uma madrugada de quarta-feira quando meu namorado, na volta pra casa, a pé, topou com uma caixa enorme jogada no lixo da calçada. Ali estavam dezenas de DVDs e cds, jogados na sarjeta. Ao ver um dos meus filmes favoritos, O Jardineiro Fiel, meu namorado então resolveu pegar a caixa toda e trazer pra casa, apelando para um táxi.
Ao vasculhar a caixa, descobrimos que - opa! - não eram apenas filmes e discos. Ali estavam cartas de amor (dela pra ele), garantia de um ano de um Rolex, talão de cheque, fotos tamanho passaporte do casal, recibos. Meu deus, que fim de namoro trágico! A mulher jogou a vida do cara na calçada sem sequer rasgar os cheques. Sei lá, vai ver que ele não era tão fiel quanto o jardineiro.
Dito isto, quem rasgou fomos nós, jogando tudo de íntimo num lixo de verdade (até porque, energia negativa aqui não é bem vinda) e guardando alguns filminhos, porque ninguém é de ferro. Quanto ao casal, desejamos que sejam felizes daqui pra frente. Pelo menos, ela já começou bem: se livrou dos vestígios do rapaz. Primeiro, porque apartamento de Nova York não tem espaço nem para as suas coisas, muito menos para coisinhas de ex. E segundo, ela deve saber que só se abre uma porta quando se fecha outra. E as calçadas de Nova York estão aí pra isso!
Abr 16

Nunca imaginei que meu cafofo valesse tanto. A ficha caiu quando entrei no Craigslist.com, site onde você pode colocar até a sua mãe à venda – alguém vai querer. E busquei a parte que diz apartment swap – troca de casa. É que nem aquele filme Holiday, da Cameron Diaz (que por sinal, entrevistei na ocasião do lançamento). Gente, o mundo todo troca palácios por um quarto em Nova York com vista para o vizinho.
Inicialmente, eu buscava por uma cidade específica. Mas minha tendência a DDA, me levou a navegar pelos demais anúncios. Quando fui ver já estava lendo uma oferta em Nova Déli, que inclui chef, motoristas e guia de turismo particulares! Tem também uma mini-mansão de três quartos e piscina no Havaí! E aquele dois quartos em Estocolmo? E o outro em Istambul? Até Copacabana tava lá!
Por outro lado, a galera nova-iorquina apela para tirar férias. O problema é fazer uma propaganda positiva do seu ninho e convencer o príncipe William a trocar o palácio de Buckingham pelo seu apê. Parece até aquele programa infantil do Silvio Santos, onde a galera trocava uma bicicleta por uma agulha (siiiiiiim!). Mas a situação de alguns dos meus conterrâneos é tão deseperadora que um sujeito deixou o seguinte anúncio: “Troco meu apartamento no Harlem por um apartamento EM QUALQUER LUGAR”. Alguém se habilita?”
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