Abr 30

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Está em cartaz em Nova York um filme que traduz muito bem a cidade: The Visitor. Trata-se da história de um imigrante sírio, que namora com uma senegalesa. Ambos muçulmanos. Ele, músico - daqueles que promovem batucadas African style nas tardes de verão no Central Park (im-per-dí-veis). Ela, estilista de bijouterias, vendidas nas calçadas do SoHo, ao lado de um israelense.

Um dia eles esbarram com um professor de Connecticut, e aí começa a história. Não vou contar nada do que não esteja no trailer. Mas, um dia, o sírio teve algum problema ao passar pela roleta do metrô - foi preso ali mesmo. Como assim? Na era do prefeito Giuliani institui-se que quem pular a roleta do metrô é fichado no ato pelos policiais à paisana - concluiu-se que os pula-catraca devem estar correndo de alguma besteira. E isso, de fato, diminiu a criminalidade.

No caso do sírio do filme, assim como centenas de imigrantes cuja papelada não está certinha, qualquer crime é sinônimo de deportação. Eles são enviados para prisões e de lá, deportados para seus países de origem sem direito a se despedir de nada ou ninguém. E aí que o filme mostra o outro lado desta cidade construída por imigrantes (e convenhamos, é o que ela é por causa deles). Incluindo a “gen-ti-le-za” dos oficiais de imigração…. E nos convida para agir no site Takepart.com  Se você procura um filme autêntico sobre esta cidade, este é um deles.

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Por Tania Menai - 5:23 pm Comente »

 

Abr 25

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Cinéfilos, uni-vos! Desde quarta passada até dia 4 de maio, TriBeCa é o lugar para perambular em Nova York. Aí está mais uma edição do TriBeCa Film Festival, evento criado por Robert DeNiro logo após os ataques de 11 de setembro para revitalizar a área, que fica bem grudadinha ao World Trade Center, e virou bairro fantasma na época. Mas isso é página virada, hoje tudo é festa.

Já vi documentários bem legais neste festival, como Favela Rising e Encounter Point. Sem falar que o Brasil, em geral, sempre está presente - este ano com Tropa de Elite e o magnífico documentário Jogo de Cena, do Eduardo Coutinho, que tive a honra de entrevistar pra nossa querida revista TPM. A Sarita, uma das personagens do documentário, me ligou dizendo que estará aqui e me convida. Minha amiga documentarista Samantha idem.

Confesso que pra ir a este festival, só mesmo com alguém me chamando - nunca me achei nos catálogos online ou impresso. É uma confusão, dá preguiça - fico lendo até dizer pra mim mesma: “Desista Zero Dois!” Mas pra quem é um pouco menos preguiçoso que eu, tenho certeza que vale a pena fuçar a programação, se jogar nas linhas A ou 1 do metrô, e ser feliz. 

 ps - TRIP também é cultura: TriBeCa significa Triangle Bellow Canal (Triângulo abaixo da Canal Street).

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Por Tania Menai - 1:48 am Comente »

 

Abr 21

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Era uma madrugada de quarta-feira quando meu namorado, na volta pra casa, a pé, topou com uma caixa enorme jogada no lixo da calçada. Ali estavam dezenas de DVDs e cds, jogados na sarjeta. Ao ver um dos meus filmes favoritos, O Jardineiro Fiel, meu namorado então resolveu pegar a caixa toda e trazer pra casa, apelando para um táxi.

Ao vasculhar a caixa, descobrimos que - opa! - não eram apenas filmes e discos. Ali estavam cartas de amor (dela pra ele), garantia de um ano de um Rolex, talão de cheque, fotos tamanho passaporte do casal, recibos. Meu deus, que fim de namoro trágico! A mulher jogou a vida do cara na calçada sem sequer rasgar os cheques. Sei lá, vai ver que ele não era tão fiel quanto o jardineiro.

Dito isto, quem rasgou fomos nós, jogando tudo de íntimo num lixo de verdade (até porque, energia negativa aqui não é bem vinda) e guardando alguns filminhos, porque ninguém é de ferro. Quanto ao casal, desejamos que sejam felizes daqui pra frente. Pelo menos, ela já começou bem: se livrou dos vestígios do rapaz. Primeiro, porque apartamento de Nova York não tem espaço nem para as suas coisas, muito menos para coisinhas de ex. E segundo, ela deve saber que só se abre uma porta quando se fecha outra. E as calçadas de Nova York estão aí pra isso!

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Por Tania Menai - 1:26 am 5 Comentários »

 

Abr 16

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Nunca imaginei que meu cafofo valesse tanto. A ficha caiu quando entrei no Craigslist.com, site onde você pode colocar até a sua mãe à venda – alguém vai querer. E busquei a parte que diz apartment swap – troca de casa. É que nem aquele filme Holiday, da Cameron Diaz (que por sinal, entrevistei na ocasião do lançamento). Gente, o mundo todo troca palácios por um quarto em Nova York com vista para o vizinho.

Inicialmente, eu buscava por uma cidade específica. Mas minha tendência a DDA, me levou a navegar pelos demais anúncios. Quando fui ver já estava lendo uma oferta em Nova Déli, que inclui chef, motoristas e guia de turismo particulares! Tem também uma mini-mansão de três quartos e piscina no Havaí! E aquele dois quartos em Estocolmo? E o outro em Istambul? Até Copacabana tava lá!

Por outro lado, a galera nova-iorquina apela para tirar férias. O problema é fazer uma propaganda positiva do seu ninho e convencer o príncipe William a trocar o palácio de Buckingham pelo seu apê. Parece até aquele programa infantil do Silvio Santos, onde a galera trocava uma bicicleta por uma agulha (siiiiiiim!). Mas a situação de alguns dos meus conterrâneos é tão deseperadora que um sujeito deixou o seguinte anúncio: “Troco meu apartamento no Harlem por um apartamento EM QUALQUER LUGAR”. Alguém se habilita?”

Por Tania Menai - 1:51 pm 1 Comentário »

 

Abr 10

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Chegou aquela época do ano em que todo mundo fala com você espirrando. Primeiro, porque metade do povo é alérgico ao polén das lindas flores que já começam a brotar. Quando a primavera chega, é o caos. Segundo, porque a rapaziada já se acha no direito de sair de casa de bermuda e sem casaco. Esquecem, porém, que na sombra ainda é Dinamarca e que depois das cinco da tarde, a temperatura despenca. Nem lembro quantas vezes já tive que entrar em lojas pra comprar casacos só para sobreviver o resto do dia. Mas o bom é que as mesinhas dos restaurantes já estão na calçada - apesar de uma antiga matéria do New York Times lembrar que aqui não é Paris (a vista da rua não é lá essas coisas, fora a fumaça do ônibus na sua cara e os milhares de pedestres olhando o seu prato). Bom, falando em sol, excuse me, hoje o dia tá lindo, não vou ficar no computador. Inté.

Por Tania Menai - 7:50 pm Comente »

 

Abr 07

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Então você entra no metrô, com a cabeça a mil, pensando no atraso, no compromisso, na morte da bezerra. Daí vem um batedor de latas cabeludo na plataforma e começa a batucar nas alturas, como se tivesse martelando a sua testa. Meu deus, a vontade de dar gorgeta pra um indivíduo desse é nenhuma, independente do talento musical. Quem toca no metrô tem de se lembrar que aquela pausa ali na plataforma é sagrada – talvez sejam os únicos quatro minutos de reflexão do dia.

Por isso, um sax, um violino, uma flauta, uma música oriental, sempre são bem-vindos. Tem uns que são tão bons, que quando chega o metrô, você não quer entrar. Foi o caso de um senhor tocando acordeom na estação da Union Square numa tarde de quarta-feira, acompanhado por uma cantora americana, mais jovem. Nem lembro para onde eu estava indo, só lembro daqueles cinco minutos de música e dos aplausos da galera na plataforma. Pena que o trem chegou.

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Por Tania Menai - 4:42 pm 1 Comentário »

 

Abr 03

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Agora o Nando, o Ipe, a Lelê, a Jô, a Mari, o Márcio, o João Gabriel e a Gabi vão me respeitar: comprei um Mac. O dia mereceu até foto na loja. Não estou aqui para fazer propaganda de nada. Mas essa nova aquisição mudou minha rotina. Primeiro, a gente tem que vencer o medo de perder os arquivos quando muda de PC para Mac. É um processo mais psicológico do que técnico. Mesmo tendo entrevistado o designer da Apple (um cara super cool e pé no chão), demorou para eu virar a casaca. E quando cheguei em casa como o novo computador, foi como voltar da maternidade com um bebê pela primeira vez: e agora, por onde começar? É tudo muito lindo pra apertar o botão errado e ferrar a coisa de vez. Mas Deus existe e mora em Manhattan: temos três lojas da Apple e todas elas oferecem workshops sobre tudo – e de graça. Já fui a três deles, incluindo o Getting Started, porque nem colocar foto no desktop eu sabia. Tem também o que eles chamam de one to one: você paga 100 dólares por ano, e uma vez por semana pode alugar um cara da Apple na loja para entupir o pobre com aquelas perguntas básicas que você tem vergonha de fazer – de graça - pros seus mac-amigos. E agora sim, você vai poder se identificar com o personagem mais enxuto dos comerciais da Apple nos Estados Unidos. Eles fazem de tudo para você se envergonhar de ter um PC. E conseguem.

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Por Tania Menai - 1:52 pm 5 Comentários »