Mar 25

De vez em quando, o Brasil gosta de imitar alguns aspectos americanos – e podem ter certeza: quase sempre imitam o pior que os EUA têm para oferecer. Não vou citar exemplos aqui pra não causar polêmica. Vou apenas falar de uma coisa que ele deveria imitar: as tardes de domingo para crianças no Carnegie Hall. Trata-se de um dos templos da música clássica de Nova York (e também é aberta para outros estilos, como Bossa Nova). A acústica é incrÃvel.
Então um domingo por mês, à s duas da tarde, pais e mães levam crianças de todas as idades para lá (vale mencionar que nos fins de semana babás não existem, os pais curtem ficar com seus filhos – outra coisa que o Brasil deveria imitar). O teatro lota. A programação musical é toda feita para elas, que sabem se comportar simplesmente porque só se aprende… participando. Num domingo elas aprendem sobre instrumentos de sopro, noutro sobre tambores. E ganham um livrinho com brincadeiras sobre o assunto. Num domingo recente, aprenderam sobre sons latinos, com cinco grupos da América do Sul no palco. Do Brasil, o Choro Ensemble, um grupo de chorinho formado aqui, pelo paulistano Pedro Ramos (foto).
A história do continente foi contada, desde a colonização portuguesa e espanhola – então elas passama a saber que no Brasil se fala português. E depois cada instrumento é apresentado a elas – confesso que aprendi horrores. Algumas crianças subiram no palco, e aprenderam instrumentos mexicanos e peruanos. Os brasileiros ainda tocaram com uma menina americana de 13 da California que arrasou no Garota de Ipanema em português. E claro, acabaram como tudo acaba abaixo da linha do Equador: com um belo samba.
Mar 14

O papo de todas as rodas na cidade todo mundo já sabe: as mil e uma noite que o – agora – ex-governador Spitzer, do estado de Nova York, passou com prostitutas como Miss Ashley Alexandra, de 22 aninhos. A menina mora num prédio chiquérrimo na rua 25, coisa que só poderia ser paga por gente com o dobro da idade dela, um emprego daqueles e alguns diplomas universitários. Uma inquilina com o perfil dela, já daria pra desconfiar. Diz-se em Nova York que o homem mais sortudo da cidade é o “client number 8” – ninguém quer saber quem ele é. Já o “número 9”, nosso ex-governador, está pagando todos os pecados – e não são poucos. Aliás, já pagou muito por eles. Resta saber se foi com dinheiro de campanha. O pior: ainda leva a esposa, mãe de suas três filhas, para o palco e a expõe para o mundo.
O pior ainda é saber que tal Andréia Schwartz, a prostituta capixaba que foi capa de todos os jornais há dois anos (cheguei a entrevistar o advogado dela e ir ao tribunal, onde todos os guardas faziam piadinha sobre moça) estaria envolvida neste caso também. Quando a Andréia aparece na mídia, dá vergonha de falar por aí que você é do Brasil. Principalmente pros motoristas de táxi. Eles escutam rádio o dia todo, sabem de tudo. “Ah, you are Braziiiiiilian….Hmmmmmm”.
Recebi um e-mail de uma antropóloga respeitadíssima sobre ela – a mensagem está rodando entre os americanos, e leva o título de Brazilian Madam. Vejam como nossa Andréia colabora para a nossa reputação! Esta semana já decidi: quando me perguntarem se sou italiana, francesa, israelense ou grega (as perguntas giram sempre em torno destas quatro nacionalidades), vou chutar uma delas. Sei lá, sou de Bologna, Tel Aviv, Atenas, Paris! A boa notícia é que Andréia está sendo deportada hoje! Semana que vem, quando esquecerem da donzela, volto a ser carioca.
Mar 11

Na sexta passada, logo depois da gravação do programa Manhattan Connection (gravado todas às sextas de manhã), rolou um bolinho para comemorar os 15 anos do programa. Aliás, bolinho não! Tratava-se de um red velvet (sabor escolhido pelo Lucas Mendes), coberto com bonecos de açucar na forma da turma do programa: Lucas, Caio, Ricardo, Diogo e Lúcia. Segundo eles, a bonequinha da Lúcia parece com a Hillary. A obra (que estava deliciosa) levou semanas para ser feita: é assinada pela paulistana Melina Virdone, casada com um italiano dono de uma patisserie. Lucas abriu uma champagne e Angélica Vieira, diretora do programa, coordenou a festinha. Nossa, estes quinze anos passaram rápido! Eu assistia ao programa muito antes de sonhar em morar aqui! E até me lembro, já em Manhattan, do telefonema que me acordou às sete da manhã anunciando a morte de Paulo Francis, com quem cruzei uma ou duas vezes. Deixo aqui meus votos de mais quinze anos de programa – afinal, assunto em Manhattan, misturado com as implicâncias e abobrinhas dos quatro, é o que não falta! Parabéns, meus queridos!
* Pani Dolci Bakery Cafe - 137-67 Queens Blvd. Tel (718) 526-4407
Mar 03

O inverno continua a castigar e está longe de acabar - mas eu já enjoei dos pullovers que tenho. Não dá, no inverno você se preocupa menos em andar combinando e mais em colocar o que realmente esquenta. O brega é bem-vindo quando o vento joga a temperatura pra 10 graus abaixo. Mas, voltando ao assunto, depois de três meses, resolvi dar uma variada nos pullovers. Saí a cata deles em duas das principais lojas do estilo e – acreditem – em março não vendem nem mais luva. Nos cabides, bluzinhas sem manga amarelo ouro, sandalinhas de florzinhas e mini-saia de babado. Surreal. Cheguei pra vendedora e perguntei: “senhorita, em que país vocês estão?” Ela respondeu: “Querida, a primavera está quase aí!”. Perguntei novamente: “onde???” Naquele momento, eu vestia cachecol, lã, casaco alcochoado, meia e bota, enquanto o vento batia na vitrine da loja. Para piorar, ainda coloquei por engano dois agasalhos do meu namorado na máquina de secar – e ambos encolheram a ponto de virarem extra-small…Agora já é tarde: ou promovemos a campanha do agasalho entre os amigos, ou ficamos igual ao boneco aí acima, esperando o Natal pra renovar o guarda-roupa.
Comentários recentes