Revista Trip

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Postado em 29.01.2008 | 00:00 | Tania Menai
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Nova York ganhou mais um prédio modernoso, assinado por uma dupla de arquitetos japoneses: de fora, parecem cubos metálicos, um sobre o outro, assimétricos. Interessante e espaçoso. Trata-se da nova casa do New Museum, que antes era no SoHo e agora é na Bowery Street, uma rua pra lá de feia, no East Village. Uma amiga repórter de TV já tinha me advertido: “é roubada”. Mas, sabe como é, mais cedo ou mais tarde algum editor te manda “conferir”. Então lá fui eu, num domingo gelado, acompanhada pelo santo do meu namorado e mais uma santa amiga, que levou a filha, de um ano, no carrinho

Bom, o último andar (sétimo) tem uma bela vista. Depois disso, é ladeira abaixo, via elevador verde. Sei que o holandês Vincent Van Gogh morreu pobre e sem um pedaço da orelha por não ser entendido na época dele, mas.^^~-_-peralá! Nesse museu, há colagem com garrafas de plástico, estilo jardim de infância; uma bicicleta, sobre tijolos com bolsas penduradas atrás, e uma foto do Mel Gibson na frente. Sem falar na pilha de roupas tida como arte. Excuse me, a nossa pilha de roupas pra lavar aqui em casa é bem mais interessante. Vou cortar a minha orelha!

Resolvemos então, criar a nossa própria arte experimental: colocamos o carrinho da bebê (sem a criança, e cheia de bolsas de casacos) no meio da galeria. E teve gente parando pra analisar...Ou seja, um carrinho de bebê amontoado de casacos também pode ser arte!! Quem adorou a idéia foi Barry, um professor de história da arte de uma faculdade daqui, que puxou conversa conosco e nos confortou: “calma, gente, arte é cíclica. Daqui a pouco essa fase passa!” Ufa...

ps – quem quiser visitar um museu legal de verdade quando estiver em downtown, tente o Tenement Museum, na Orchard Street. Este sim, vale cada centavo do seu dinheiro.
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Postado em 24.01.2008 | 00:00 | Tania Menai
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É agora ou nunca – ou melhor, quase nunca. Esta e a próxima são as Restaurant Week, aquelas duas semaninhas no inverno (as outras duas só no verão) onde os mais cobiçados restaurantes de Nova York abrem as portas para a plebe, para a senzala, para os servos feudais. No almoço, paga-se 24 dólares por três pratos: entrada, prato principal e sobremesa. E no jantar, o preço sobe para 35 dólares – mas continua sendo barato, se comparado aos 100 dólares que se deixa facilmente em templos gastronômicos.

Meu namorado e eu resolvemos reservar quatro restaurantes - dois por semana - e depois jejuar o resto do mês. No primeiro, jantamos. Pedimos uma taça de vinho cada, já sabendo que a bebida é a parte. O lugar era lindo, romântico, o serviço excelente. No dia seguinte, almoçamos. Idem, comida e serviço exelentes. Mas preferimos não beber. Até que o garçom, um nepalês gente boníssima, ofereceu café ou chá. Fiquei na minha, mas meu namorado aceitou um chá. Conta: 24 dólares pelos três pratos.^^~-_-e sete dólares por um saquinho de chá. Welcome to New York. Na semana que vem, já combinamos: água da torneira, e só!

ps – atendendo a alguns leitores: este é o site do livro que acabo de lançar sobre a vida de 23 brasileiros em Nova York! “Nova York do Oiapoque ao Chuí” 
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Postado em 17.01.2008 | 00:00 | Tania Menai
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Então, há quem ache os nova-iorquinos grossos, rudes, impacientes. Pode até ser. Mas também não é tanto assim...temos um lado “soft” que aflorou intensamente no dia 12 de setembro de 2001 (e acabou no dia 13). Rola até uma campanha pela cidade, com a foto do Robert DeNiro, dando boas-vindas aos turistas e incentivando a fazer perguntas aos locais. Ai meu deus...A revista New York chegou a fazer um teste pra saber de fato como a galera se comporta nas ruas.

Foram seis testes, feitos por um casal de repórteres na Union Square. Cada teste foi feito com 10 pessoas, abordadas nas calçadas. (1) “Você se importaria em tirar uma foto minha e da minha irmã?” Neste quesito, os dez abordados não se importaram. (2) Aí o repórter tirou o violão da sacola e começou a cantar. A pergunta era: “você me ajuda a lembrar a letra da música?” Nove entre dez pessoas ajudaram. Incrível! (3) Outra: “Você sabe onde fica a Little West 12th Street?” (putz, a rua é micra, e não é a West 12!). Nove almas ajudaram! Fiquei até emocionada ao saber disso.

(4) Aí a dupla começa a abusar: “Você poderia dar uma olhadinha no meu cachorro enquanto eu vou na loja natureba comprar um iogurte?” Neste caso, 8,5 das pessoas ajudaram. Afinal, cachorro neste cidade é como vaca na Índia: são sagrados. O “8,5” é porque um dos caras reclamou horrores, mas cedeu. (5) A coisa vai piorando: “Posso usar seu celular? O meu tá sem bateria e preciso ligar pra minha namorada... ” Aha!! Apenas 3 almas emprestaram o telefone. Quando a coisa começa a ficar muito pessoal, esqueça. (6) Ai eles chegam no pico da cara-de-pau: “Estamos sublocando um apartamento perto daqui e ficamos trancados do lado de fora. Você conhece algum albergue por aqui? Ou, melhor, poderíamos dormir no seu sofá?” Uhhhhh. Ninguém disse sim. Ou seja, em Nova York não cobice nunca o celular nem sofá alheio. No mais, simpatia é quase amor.
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Postado em 14.01.2008 | 00:00 | Tania Menai
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Isso todo mundo já sabe: em Manhattan você pode andar com três abacaxis na cabeça, se vestir de árvore de Natal ou de Ney Matogrosso que ninguém ousa a te olhar nas calçadas. Nem morto você é notado. Literalmente. Semana passada, um cadáver passou desapercebido na Nona Avenida. Isso mesmo, passou. A história justifica bem o nome deste blog: só em Nova York. Trata-se de uma dupla de amigos, ambos de 65 anos, que moravam juntos desde sempre na rua 52 com a Décima Avenida – os dois sempre drogados, acabados, perdidos na vida. Um deles morreu na segunda-feira. E não teve tempo de transformar em dinheiro um cheque de 355 dólares recebido da Previdência Social.

Mas não seja por isso. No dia seguinte, seu amigo juntou-se a outro para levar o cheque a um banco na Nona Avenida retirar o dinheiro. Mas foram informados de que o dono do cheque deveria ir ao banco pessoalmente. A dupla não viu problema nenhum na exigência. Vestiram o morto com uma camiseta preta desbotada e calça jeans, colocaram o corpo sentado numa cadeira de rodinhas, estilo escritório, e sairam empurrando a cadeira até o banco. Afinal, o que não se faz por 355 dólares? Porém, ao passar em frente a lanchonete Empanada Mama, que fica ao lado do banco, a dupla esbarrou com a lei.

Lá estava um detetive em hora de almoço saboreando sua empanada argentina, quando viu a cena – foi até a porta e perguntou o que estava rolando. A dupla começou a explicar ali e terminou a justificativa na cadeia com a seguinte declaração: “não vemos nada demais; nosso amigo não se importaria de ter sido levado ao banco.” Certamente não.

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Postado em 07.01.2008 | 00:00 | Tania Menai
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Neva lá fora. Estamos no Starbucks da rua 60, esquina com a Broadway. A loja está agitada – uns lêem o New York Times. Outros navegam na web. O som é de jazz. Na fila, muitos encaram a eterna dúvida entre um Tall Skim Chai Latte ou um Venti Mocha Frappucino. Mas outros optam pelo simples. Pela água. Pela Ethos Water (www.ethoswater.com), cujas garrafas, com logo azul e preto, ficam acessíveis numa cesta, perto do caixa. Por cada garrafa paga-se pouco mais de um dólar. Nem todos sabem, porém que, além de matar a sede, cinco centavos deste desta compra, serão destinados a uma causa nobre longe, bem longe daqui.

Fundada há seis anos, a Ethos Water compromete-se a levantar um fundo de 10 milhões de dólares ao longo de cinco anos a ser distribuido para organizações que têm o compromisso de fornecer água potável em alguns dos lugares mais miseráveis deste planeta. Para se ter uma idéia, enquanto bebe-se uma garrafa de água em Manhattan, cerca de um bilhão de pessoas, o equivalente a quase 20% da população global, não têm acesso a água potável. A falta de acesso a água limpa mata cerca de 4.500 crianças por dia. Em 2004, por exemplo, 90% das 2,2 bilhões de mortes causadas por ingestão de água não potável eram crianças menores de cinco anos de idade. O problema ocorre no mundo todo e promete se alastrar drasticamente nos próximos vinte anos. A situação mais grave, no entanto, é na Africa Sub-Saariana e no sul asiático.

Como chegamos a este ponto? Uma série de problemas entrelaçado a outros, como clima, geografia, falta de infraestrutura sanitária ou simples inexistência de sistema de água – 40% da população do mundo não tem nada disso. Em alguns paises a situação ainda é pior: a água que se bebe leva arsênico e outras substâncias malígnas. Ainda assim há paises africanos onde mulheres e meninas caminham dez quilômetros para buscar este tipo de água, em áreas rurais. Por isso, se você estiver aqui neste Ano Novo, dê um pulo no Starbucks (www.starbucks.com) e entre na fila para beber...água. Este será um presente pra um monte de crianças mundo afora.

//Só em NY

Por Tania Menai

por Tania Menai

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