Ago 24

Era um domingo à noite, no Rio de Janeiro, quando meu namorado resolveu pedir um delivery de sushi. Mesmo sem o cardápio do restaurante em questão, ele ligou para lá. Não houve qualquer problema: a atendente passou cerca de 10 minutos explicando item por item, tirando todas as minuciosas dúvidas e ainda contou sobre a vida: é de Fortaleza. Eu olhava aquilo boquiaberta. Acho que desacostumei com os conceitos “calma”, “tempo de sobra” e “paciência”.

Em Nova York a mesma cena seria: está sem cardápio? Procure na Internet. Sendo assim, já ligue sabendo o que quer. Não tem online? Anote o que você quer e fale rápido, muito rápido com o japonês que vai te atender ao telefone, para ele te oferecer o mais parecido com os seus desejos. Diga logo se você vai pagar com “cash” or “credit”. Se for “credit”, dê o número. Se for “cash”, diga o valor da nota pro entregador trazer o troco certo. Tudo isso em menos de dois minutos. Coisa pra Ayrton Senna nenhum botar defeito. O mesmo vale para as filas do Starbucks, deli, cinema – tomar decisão deixando alguém esperar e levar horas procurando dinheiro na carteira é quase um crime. E o pior: no final, não é que nem Fórmula 1 – ninguém leva taça, nem prêmio, nem medalha. Basta se contentar com o cara do balcão gritando “next!”.

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Por Tania Menai - 12:00 am 6 Comentários »

 

Ago 20

A Union Square, deliciosa praça entre as ruas 17 e 14, ganhou uma matéria no New York Times dizendo que, cada vez mais, a região atrai o povo zen-saudável, spas, aulas de yoga e comida vegetariana. Para nós, freqüentadores de carteirinha, isso não é novidade, mas uma matéria dessa deixa todo mundo feliz. Já estão chamando a área de “Wheatpacking District” (wheat = trigo), uma alusão ao Meatpacking District (meat = carne), um conglomerado de boêmios e patricinhas, a algumas quadras dali.

Desde sempre a Union Square tem a feira ao ar livre, que vende produtos da fazenda e comidinhas orgânicas que deixariam a nossa querida Renata Leão, editora da TPM, saltitante. Para ela eu ainda recomendaria o Zen Palate, o Republic e o Whole Foods Market, cada um de um lado da praça, todos naturebas. Pra “piorar” ainda tem uma livraria Barnes & Noble enorme, uma Virgin Megastore de música e uma escola de cinema. E claro, o Coffee Shop, onde você encontra arroz, feijão, pão-queijo, e música alta. Afinal, ser natureba é bom…pero no mucho.

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Por Tania Menai - 12:00 am 5 Comentários »

 

Ago 15

Imagine sair de férias e deixar estranhos viverem no seu lar, dormir na sua cama, usar o seu banheiro e afins enquanto isso. Pois este é um hábito super comum tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. O sujeito paga um preço, certamente inferior a qualquer hotel, e você vai viajar com a grana empatada do aluguel e contas afins.

Em Nova York, o site onde mais se procura e acha esses apartamentos é o Craigslist. Você escolhe por região, preço, espaço, fica sabendo se pode levar cachorro, se é proibido fumar, se o apê fica no oitavo andar sem elevador, e coisas do gênero. Se te interessar, você manda um email para o dono da casa e negocia. É raro escutar histórias de roubos ou coisas assim – sublocar o apê alheio é coisa cultural, todo mundo (ou quase) procura usar o bom senso. Pode até ser que se comportem melhor do que seus próprios amigos. Como dizem por aqui… you never know!

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Por Tania Menai - 12:00 am 5 Comentários »

 

Ago 10

O mundo acaba, o sistema de metrô nova-iorquino é inundado pela água da chuva, mas o assunto “jantar com carne vermelha no primeiro encontro” é a matéria mais enviada por e-mail no New York Times. Diz o artigo que antigamente, mocinhas quando saiam pela primeira vez com rapazes, costumavam até jantar antes em casa, para comer bem pouquinho na frente deles. Bife suculento e hambúrguer na frente do paquera? Nem pensar.

Mas parece que tudo mudou, e a mulherada está mais preocupada em mostrar sua personalidade logo de cara e mandar ver na picanha sangrenta. Afinal, se o namoro engatar, mais cedo ou mais tarde, o namorado vai descobri que a tal moça não vive sem um bom rodízio no Plataforma da rua 49 (foto). A matéria indica, porém, que não é qualquer carne que vai deixar o moço encantado. Não cabe tentar impressionar um homem ao abocanhar um BigMac triplo. Vamos com calma, meninas. Mas, por outro lado, pedir um hambúrguer, discreto, pequeno, pode mostrar ao donzelo que a moça é sem-frescuras e pé-no-chão. Taí um assunto que nunca passou pela minha cabeça: tenho pavor de carne vermelha. Hmmmm…talvez isso choque mais do que qualquer refeição grotesca do Burger King…

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Por Tania Menai - 12:00 am 4 Comentários »

 

Ago 06

Confesso que meu amigo Joaquim e eu fomos os últimos da nossa turma a comprar celular. Na verdade, eu nem comprei. Meu chefe, há uns anos, se irritou com a incapacidade de me achar e me deu um. Antes disso, bastava eu ligar do orelhão e pronto. Tudo bem que nós dois éramos motivos de piada, mas ao menos a gente ainda não tinha entrado no “maravilhoso mundo da satisfação aos demais.” E eu ainda argumentava: não sou mãe, nem obstetra, nem cardiologista. Ninguém precisa de mim urgentemente. Meses depois, Joaquim também se rendeu.

O problema do celular não é o aparelho – que foi feito para dar conveniência -, mas a falta de etiqueta de quem usa. Em Nova York, reparei: não se fala à mesa no restaurante. Isso realmente é o fim! Mas se fala andando na rua. E muito. O que será que tanto se fala? Aí tem as pessoas que já não tem linha fixa em casa, ou seja, se o celular estiver descarregado, elas ficam incomunicáveis. Há outras cujo celular não pega dentro de casa (juro!). E tem aquelas que aderiram ao blackberry, deixando a vida de qualquer um que as acompanha um inferno. Conheço gente que fala com você respondendo e-mail, seja no táxi, no restaurante ou no elevador. E tem também os que andam com o celular na mão. Quando chegam no lugar marcado, avisam. Só por avisar, afinal, o celular está na mão e o desejo de usá-lo é mais forte que o desejo de não perturbar o outro.

Certa vez, o David Brooks, hoje colunista do New York Times, disse que o celular passou a ser um instrumento onde as pessoas relatam suas vidas em tempo real: “Entrei no avião. Agora estou colocando as malas no guarda-volumes. Agora estou afivelando o cinto”. Na boa… who cares? Ele diz que devemos aproveitar as horas no carro, na rua, ou sozinhos, justamente para descansar a mente. Ou, pelo menos, usar o telefone para se encontrar com alguém no parque ou para dar notícias boas. Isso sim é uma delícia!

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Por Tania Menai - 12:00 am 2 Comentários »

 

Ago 02

Comprar apartamento em Nova York é coisa para poucos - e isso todo mundo sabe. A raridade é tanta que os não-milionários que conseguiram o feito ganharam artigo no New York Times. A matéria revela como jovens na faixa dos 30 ou 40 anos conseguiram descolar seus cafofos. Mas o que torna este grupo especial? Eles não trabalham em Wall Street e não dispõe de uma ajudinha dos pais. Segundo o New York Times e segundo todo mundo que eu conheço, sem essas duas formas realmente não rola. Há de apelar para o malabarismo.

Tem o casal que parou de fumar (grande economia) e de comprar iPods e afins para juntar os 445 mil dólares de seu novo puxadinho. Tem a solteira que passou a costurar suas próprias roupas e comer batata frita grátis em restaurante mexicano para pagar os 220 mil dólares de seu estúdio no Brooklyn. Tem o solteiro que limitou suas pedidas de prato principal em restaurantes por no máximo 15 dólares e deixou de sair com a mulherada para pagar seu apêzinho de 420 mil dólares em Manhattan, e o casal que abriu mão de uma megafesta de casamento, além de trocar o metrô por caminhadas, para comprar o ninho de 365 mil dólares no Brooklyn. Diga-se de passagem: todos estes são estúdios ou quarto e sala. Não existe área de serviço e nunca ouviu-se falar em garagem. Mas tudo vale a pena até mesmo quando a casa é pequena.

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Por Tania Menai - 12:00 am 12 Comentários »