Revista Trip

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Postado em 26.07.2007 | 00:00 | Tania Menai
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Esta é a semana de brincar de ser chique. Ou ser ainda mais chique. Ou, pelo menos, ser chique por preço de banana. Esta é Restaurant Week, aquela semana no verão quando os restaurantes mais caros da cidade cobram pouquíssimo no almoço e jantar, provocando o delírio da plebe. No inverno, a cidade também promove uma semaninha dessas. Uma amiga, que implorou anonimato para não despontar para o estrelado com fama de fominha, já foi em cinco. Tirou la barrigue de la misérre freqüentando o Megu, Nobu, Vong, Maze, Nougatine e já reservou o Fleur de Sel (leia sobre todos eles no Zagat).

Os restaurantes aproveitam a época das férias de verão quando os nova-iorquinos dão o pirandelobóu e o número de reservas cai. Diferente da Europa, onde vários restaurantes fecham as portas nesta época do ano, o pessoal de Nova York não fecha (o verbo fechar nem existe por aqui): tenta-se capitalizar. E aí faz-se a festa por menos de 30 dólares num almoço com entrada, prato principal e sobremesa - e menos de 40 dólares num jantar que custaria talvez o triplo. O segredo é não se acostumar mal, porque na semana que vem, será hora de voltar para o angu.
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Postado em 23.07.2007 | 00:00 | Tania Menai
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Enquanto um avião batia prédio adentro perto de Congonhas, a rua 41 perto da Lexington Avenue, em Manhattan, ia pelos ares por causa de encanamentos que explodiram debaixo do chão deixando um morto e alguns feridos. Tragédias de diferentes proporções, mas com um aspecto curioso: em momento algum pensou-se em terrorismo quando o prédio defronte Congonhas estava em chamas. Já em Nova York, qualquer bombinha estilo São João já provoca a dúvida. A tragédia, ou acidente, “torna-se menor” quando se descobre que não se trata de Al-Qaeda. Rola sempre um “ah, tudo bem, não foi terrorismo”. Não, não é tudo bem. É pior: os culpados somos nós e não um homem das cavernas fundamentalista.

Isso aconteceu dois meses depois de 11 de setembro de 2001, quando um avião que partiu do JFK caiu três minutos depois da decolagem rumo a Santo Domingo, na República Dominicana. Todo mundo morreu, incluindo os moradores do Queens que tiveram suas casas espatifadas. Mas a tragédia perdeu a magnitude na percepção da mídia e dos nova-iorquinos por não se tratar de terrorismo. Isso foi muito intrigante. Passei o dia cobrindo a morte das vítimas na sede da comunidade dominicana em Washington Heights, norte de Manhattan, vendo avós e netos, pais e filhos, todos ali em busca das vítimas. No final, a perda é a mesma. Às vezes é até melhor saber que a culpa é de um infeliz Osama do que - mais uma vez - de um governo brasileiro mais infeliz ainda. Poderíamos até dizer que o descaso com a aviação nacional ou desvio de verbas relacionadas às obras públicas também são formas de terrorismo. Ou seja, terrorismo é tudo aquilo que provoca terror.
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Postado em 17.07.2007 | 00:00 | Tania Menai
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Depois de falar de ratos, chegou a vez dos mendigos. E desculpem se estamos aqui tirando qualquer ar de glamour de Nova York. Fazer o quê? Isso aqui não é Mônaco. Os mendigos aqui são muitos e, da maneira que os aluguéis sobem, aumenta o número de desabrigados. Mas há algo diferente entre os mendigos daqui e os do Brasil. Aqui, a grande maioria são homens, adultos. Jamais vê-se famílias inteiras sentadas na calçada pedindo dinheiro. Muito menos crianças – e muito menos ainda crianças vendendo chiclete de madrugada sendo administradas pelas próprias mães.

Os homens ficam sempre no mesmo lugar, estilo Joe Gould, o mendigo mais famoso da cidade. No meu bairro já sei onde vou encontrar quem, sempre bêbados, caindo pelas tabelas, um deles com cara de homem das cavernas – eles não incomodam, e se te abordam, mantêm uma distância interpessoal que não agride. De vez em quando aparecem de barba feita e banho tomado, coisa que devem ter feito em algum dos vários abrigos para homeless. Alguns deles andam pela cidade carregando todos seus pertences, muitas vezes em carrinhos de supermercado.

O mesmo acontece com senhoras homeless, que costumam entrar com sacos e mais sacos em cafés de livrarias e assim ficam durante horas, folheando revistas. Ninguém as expulsa - espaço público é espaço público. Por outro lado, a convivência se agrava quando dividimos vagões de metrô com alguns deles que não vêem um chuveiro há meses. Ninguém fala nada, e também não tiram ninguém de lá. Mas quem acaba saindo somos nós – resta voltar para a plataforma e esperar o próximo trem.
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Postado em 11.07.2007 | 00:00 | Tania Menai
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Eis um filme brilhante, este novo da Pixar e Disney. Vemos Paris, aprendemos sobre a árdua vida dos chefs de cozinha e, mais ainda, dos... ratos. Eles mesmos, aqueles seres que arrepiam e que não são bobos: escolhem as melhores cidades para morar. Não só Paris, mas Nova York é cheia, cheinha de Ratatouilles, Mikeys e Jerrys. E eles vêm em todas as cores, tamanhos e raças – pode escolher.

Os mais famosos ficam nos trilhos do metrô – não há um cidadão nesta cidade que nunca tenha visto a cena, principalmente nas altas horas da noite, quando as horas na plataforma são intermináveis. Tem o que cruza a calçada na sua frente – até você gritar, ele já sumiu. E tem aqueles caras-de-pau que dividem o apê com você, mas não ousam a pagar o aluguel. Esses moram, muitas vezes, dentro da parede da sua casa. Isso mesmo: eeeca!! Você escuta o barulho e nunca sabe aonde as criaturas estão.

Outro dia, um casal de amigos foi premiado com um rato morto na parede da sala. Para isso, você tem que pegar o machado, meu caro leitor, e quebrar a parede. Eles chamaram um especialista, com nariz de cão farejador. Mas o cara não resolveu. Daí o marido saiu de casa, comprou todas as ferramentas, estilo Ghostbusters, e foi à luta. Demoliu metade da sala e encontrou dois ratatouilles! Ele não fala sobre o assunto devido ao trauma. Fiz piada, mas não perguntei detalhes.

O consolo é que até ele, Rudy Giuliani, nosso ex-prefeito, já teve invadida a Gracie Mansion, residência oficial, pelos camaradas Se o rei de Roma estivesse aqui, só andaria nu! Até eu já fui vítima da coisa, há uns 10 anos, quando morava com dois roommates americanos, Andrew e Sharon. Nosso apartamento era ao lado de uma escola, que, consequentemente, produzia muito lixo. Voilà, ganhamos três roommates: Huguinho, Luizinho e Zezinho. Por favor, rezem pela alma deles porque, comigo, Andrew e Sharon, não sobrou rato para a Pixar contar história.

Foto: Disney/Pixar
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Postado em 05.07.2007 | 00:00 | Tania Menai
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Eles dirigem feito uns loucos, alguns não tomam banho. Andar de táxi em Nova York é uma aventura. Se você gosta de um bom papo, há sempre um motorista paquistanês, jamaicano ou senegalês com uma história. Pois, em setembro, Nova York comemora 100 anos de transporte motorizado – e, com isso, os táxis vão virar jardins ambulantes.

Intitulado Garden in Transit, o projeto, de inciativa privada, reuniu centenas de crianças de escolas públicas, particulares, centros de recreação, além de famílias e voluntários, para pintar adesivos imensos, com flores, que serão colados nos táxis em setembro. O pessoal se reúne num galpão gigante, perto do Madison Square Garden, liderado pela organização Portraits of Hope, turma que colocou arte pública pelo mundo, incluindo torres, barcos e até um zepellin. Em Nova York, enquanto as folhas estiverem caindo das árvores, as flores estarão circulando pelas avenidas. É disso que qualquer cidade precisa – um pouco de arte e carinho não faz mal a ninguém.

//Só em NY

Por Tania Menai

por Tania Menai

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