Dez 26

Nova York é uma cidade ótima. Mas apenas entre 2 de janeiro e 30 de dezembro. Fora isso, esqueça. Claro que para visitantes, passar o ano novo aqui deve ser maravilhoso, pois a cidade se basta. Para quem mora aqui, meu deus, que horror. Ninguém veste branco. Só se vê gente escondida debaixo de cachecol. O frio corta. As festas começam às 10 da noite e acabam praticamente à meia-noite e quinze. A galera fala “Happy New Year” e vai nanar.
 
Mas sempre há aqueles que adoram roubadas. Ai sim, essa turma tem endereço certo: a Times Square. É lá que o prefeito faz a contagem regressiva, a New Year’s Eve Ball, uma bola toda iluminada, baixar na virada do ano (note que o prefeito de Nova York fica na cidade ao contrário de um certo prefeito carioca que sai do Rio inexplicavelmente no dia do réveillon). Até aí tudo bem. Mas para ver a tal bolota, a rapaziada tem que chegar cerca de seis horas antes. Acotovelam-se, plantam-se e prendem o xixi, num agradável clima de zero grau. Isso só pode ser “pagação” de promessa. Ou de mico.
 
De qualquer forma, ano-novo é ano-novo, e aqui estou pra agradecer a todos que acompanharam este blog, e enviaram mensagens sempre tão carinhosas. E, sobretudo, mandar um beijo na bochecha dos meus três Trip Boys - Edmundo, Endrigo e Ricardo -, que fizeram este espaço acontecer (apesar de não terem me chamado para o ensaio de fotos das funcionárias de biquíni). Um super réveillon pra todo mundo – de preferência de branco e com o pé na areia – e a gente se vê, ou se lê, em 2007. Tintim!

tags

Por Tania Menai - 12:00 am 9 Comentários »

 

Dez 22

Ao chegar na casa de uma amiga aqui perto, deparo com uma cena grotesca: lá está ela com três calcinhas micras, micrézimas, na mão. “Olha isso! Consegue enxergar?”, dizia ela com olheiras até o pé. “São encomendas da irmã de sei lá quem – fiquei três horas para achar.” Não só essa minha amiga trabalha o dia inteiro, como ela tem dois filhos, mais dois hóspedes, um apartamento para arrumar e limpar e… uma lista de amigos indelicados pedindo encomendas para o filho que passará o ano-novo no Brasil. A mala do menino não fechava.

As tais calcinhas foram uma novela. Os modelos semi-invisíveis seriam achados na Victoria’s Secret. Minha amiga foi lá. Não, não tinha. Teve que pegar o metrô no meio da tarde para tentar numa outra filial, na pior esquina da cidade – na rua 34 com a Sexta Avenida – em plena semana de Natal. A lista continua com as tais loções da loja, um fenômeno que afeta certa parcela da mulherada brasileira – mas que são consideradas um tanto brega pela mulherada de cá. Sem falar que as calcinhas brasileiras são infinitamente melhores. Ou seja, se você ama o seu amigo de Nova York, não faça isso com ele.

O assunto “encomendas” invade todos os jantares de brasileiros que vivem aqui. Incluindo um de correspondentes, que aconteceu esta semana. Um tenta superar o outro no quesito “absurdo”. Um deles estirou um músculo da perna ao atravessar a rua para comprar um laptop alheio. Há os que passam vidas dentro da loja da Nike em busca de um modelo inexistente para o primo do cunhado que cisma que o raio do tênis é moda em alguma academia de Goiânia. Há produtos que são apenas vendidos on-line, mas a galera cisma que alguém em Nova York tem que largar a rotina para checar na loja.

Há os que enfrentam a fila da Apple, que supera a do Maracanã, para comprar um iPod para o filho do chefe do marido. Há os que compram tudo em dólar para o amigo do amigo (a essas alturas, inimigo), para receber em real e perder rios de dinheiro na conversão. E há o único inteligente, macaco velho, que proclama: “Não saio de casa. Quer que eu leve alguma coisa? Compre pela Internet e mande entregar na minha casa.” O engraçado é que, quando se chega ao Brasil, há sempre a galera de iPod, Nike e calcinha da Victoria Secret’s… falando mal dos Estados Unidos. Curioso.

tags

Por Tania Menai - 12:00 am 8 Comentários »

 

Dez 18

Ho Ho Ho. Chegou a temporada das luzes, das compras, das sacolas. E se Nova York tem uma trilha sonora nesta época, Jingle Bell Rock. Uma delícia de música, que já me fez pagar muitos micos – sempre dou uma dançadinha quando a música é boa, não importa a hora ou o local. Situação péssima para quem me acompanha.

Esta também é a temporada da filantropia. Todo mundo limpa o armário e doa casacos para a campanha da cidade. Ainda tem a Salvation Army, que recolhe dólares dos passantes nas calçadas tocando o famoso sininho: a grana, todos sabem, ajuda todas as causas possíveis. Nas livrarias, ainda, voluntários embrulham os livros esperando gorjetas que vão para inúmeras ONGs do país. Ou seja, engana-se quem acha que tudo gira apenas em torno do consumo.

E mais: o pólo Norte é logo ali, na rua 33 com Oitava Avenida, no correio central. É para lá que vão todas as cartas endereçadas ao Papai Noel, vindas de crianças de todas as partes da cidade, do país – e do mundo. No ano passado, elas somaram 400 mil. Que quem as lê? Gente como eu e você. A moçada vai lá, senta no chão, lê zilhares de cartinhas, escolhe algumas, compra os presentes e os envia ali mesmo, pelo correio. A maior parte das crianças é pobre, muitas pedem meias e luvas. Claro, iPods e videogames também aparecem nas listas. Basta ter a sorte de ser sorteado por um bom velhinho… de Wall Street.

tags

Por Tania Menai - 12:00 am 4 Comentários »

 

Dez 12

Este blog chama-se Só em Nova York – mas no último fim de semana a coisa estava mais para Só em Miami. Era lá que estavam todos os nova-iorquinos (ou quase todos, antes que alguém escreva “não, eu não tava!”). Bom, quem não estava perdeu o maior evento de arte contemporânea da atualidade – a quinta Art Basel Miami Beach, a versão americana da Art Basel, que acontece anualmente na Suíça.

A combinação é perfeita: tempo bom, arte das boas (e das duvidosas também) e gente sofisticada (opa, e duvidosas também!). E, principalmente, endinheirada. Milhões de dólares rolaram na cidade: só no evento principal estavam 200 galerias internacionais, incluindo brasileiras como a Fortes Vilaça e a Vermelho; foram mais de 1500 artistas representados – e mais de 40 mil visitantes. As festas, sei lá quantas, eram disputadas a tapas. Mas o melhor era flanar pelas feiras paralelas, com arte alternativa, como a Pulse e a Scope.

O must do sábado à noite foi subir e descer as escadas do Moore Building, no Design District – ali estava o melhor do design de móveis, incluindo a Espasso de Nova York, que vende móveis brasileiros. “Posso te dizer quem aqui é de Miami e quem não é – e a maioria não é”, disse Andrés, editor colombiano da versão do Miami Herald em espanhol, ao rodar comigo pelo Design District. E eu podia dizer quem era de Nova York e quem não era – bastava reparar em quem vestia preto (uniforme nova-iorquino). De fato, tirando os europeus e os californianos, Miami virou Manhattan por alguns dias – uma Manhattan com alegria latina e pé sujo de areia.

tags

Por Tania Menai - 12:00 am 2 Comentários »

 

Dez 08

Pode parecer papo de elevador. Mas não dá pra fugir: tá frio. E a coisa é tão feia que os americanos têm várias palavras pra designar a sensação térmica (que piora quando bate o famoso vento nesta ilhazinha aqui): chilly, frosty, frigid, icy, unpleasantly cold, bitterly cold, f*cking cold. Todo mundo sabe a temperatura que vai fazer no dia seguinte, quando vai nevar, quando vai chover. E o adjetivo depende do seu humor, que, a essas alturas, também está congelado. Até que este ano a coisa demorou a acontecer, agradeça de coração ao aquecimento global e a todos nós, tragicamente responsáveis por ele. Mas, a partir desta semana, a temperatura vai rolar ladeira abaixo. Já estamos no zero grau. Aquela época em que a noite despenca às cinco da tarde – e que a televisão começa a anunciar antidepressivos. A gente olha pela janela e pergunta: cadê o dia que tava aqui?

Outro problema é o fuso de três horas de diferença daqui com o Brasil. Às sete da manhã em Nova York já são dez em São Paulo. Para quem trabalha com o Brasil isso é um leve pesadelo: não importa o quão cedo você acorde, você já tá atrasado. Sofrem meus colegas que trabalham em televisão e entram ao vivo em programas matutinos. Sofrem também os amigos do mercado financeiro (mas esses pelo menos ganham pra isso!). Eu aqui já tive de entrar ao vivo na rádio às oito da manhã do Brasil – cinco daqui. Sem contar aqueles telefonemas, às seis da manhã, dos simpáticos amigos esquecidos que ligam animadérrimos para contar que arrumaram uma nova empregada, que o dia tá lindo, e… que ainda perguntam a clássica dos sem-assunto: “e aí, tá frio?”.

Aí vem a operação casaco. Tirá-los do armário – onde hibernaram durante o verão – é um triste ritual de passagem. Pode até ser charmoso em filmes e fotos, mas se vestir em camadas para ir até a esquina comprar uma garrafa d’água ou um band-aid não chega a ser emocionante. Sim, a cidade já está iluminada, as árvores da minha rua – todas – estão nuas, cobertas por lâmpadas; e assim ficarão até março. Sim, a cidade está deliciosamente romântica e cheia de turistas. E, sim, meninas elegantes como a Sofia (da foto) já estão colorindo as ruas com seus chapéus de pompom. Essa é a parte boa. Mas o frio… ah, o frio. Bom, deixa pra lá. Quando você ler este texto, estarei em Miami. De Havaianas e sem saudades das minhas meias. Fui.

tags

Por Tania Menai - 12:00 am 6 Comentários »

 

Dez 06

Morar em Nova York pode até soar insano – mas está cada vez mais saudável. A boa nova é que o Conselho de Saúde da cidade acaba de banir o uso de ácidos graxos tipo trans nas cozinhas de restaurantes – do McDonald’s até aquele café francês cujo endereço você não divulga pra ninguém (incluindo o que serve esse waffle aí da foto). Inspetores checarão as embalagens dos ingredientes e, segundo o New York Times, quem violar a regra terá de pagar 200 dólares.

Vamos por partes. Ácidos graxos tipo trans são ingredientes quimicamente modificados durante a industrialização de alimentos e que fazem mal pra dedéu – aumentam os níveis de colesterol ruim, contribuindo para doenças cardiovasculares. Esqueça o terrorismo. Essas doenças estão na pole position das mortes nos Estados Unidos – são 400 mil por ano. Ou seja, é mais importante mudar os ingredientes nas cozinhas do que checar mala de turistas em aeroportos. E cabe a Nova York lançar mais essa moda, que deverá ser seguida brevemente por Chicago. Quem torce o nariz, no entanto, são os restaurantes que terão de se readaptar à nova diretriz até julho do ano que vem, quando a história entra em vigor.

O prefeito Mike Bloomberg é pró-saúde. Há três anos ele baniu o cigarro de lugares fechados. Sim, garçonetes eram as profissionais que mais contraíam câncer pulmonar por causa das baforadas alheias – e o cigarro mata 300 mil por ano no país. Recentemente, Bloomberg ainda aniquilou refrigerantes das escolas públicas. Pra meninada, só Snapple, marca de chá gelado. Some a isso a maior concentração de academias per capita em Manhattan, uma cidade onde só se anda a pé e se encara quilômetros de escadarias de metrô. Morrer do coração aqui? Só se for de amor. O que, convenhamos, não é nada mau.

tags

Por Tania Menai - 12:00 am 3 Comentários »

 

Dez 05

Um cartão-postal à venda por 75 dólares? Essa é a pergunta que qualquer um faria até entrar na galeria Sikkema Jenkins & Co, uma das mais sofisticadas do Chelsea, no último fim de semana. Inaugurada no dia mundial da Aids, celebrado na última sexta-feira, a exposição “Postcards from the Edge” (ou “Postais do Limite”) reuniu mais de 1500 postais de artistas emergentes do mundo todo. O dinheiro arrecadado com a venda vai para a Visual Aids uma organização que nasceu em 1988 para ajudar artistas com HIV a manter suas carreiras.

“Este é o nono ano em que fazemos esta exposição”, explica um dos organizadores. Trata-se de uma iniciativa tipicamente americana, uma sociedade que envolve arte, esportes e eventos a fim de arrecadar fundos para as mais variadas causas. Nas paredes da galeria, postais que variavam de uma fotografia distorcida de Dick Cheney a desenhos explicitamente pornográficos. Cada postal é único e a assinatura dos artistas fica no verso. Quem adquire uma obra só fica sabendo quem é o artista que pode ser famoso ou ainda um ilustre desconhecido, depois da compra. Independente do Picasso que for, a ajuda vale mais do que mil imagens.

tags

Por Tania Menai - 12:00 am 1 Comentário »

 

Dez 01

Tá apertado? Não dá mais para segurar? O frio agrava ainda mais a situação? Para tirar a roupa demora o dobro de tempo? E pior: você tá no meio da muvuca do Times Square, onde até quem não está apertado fica irritado? Calma, respire fundo, nada está perdido. E já que “você está em Nova York… vá com estilo”. É esse o slogan dos banheiros instalados na Broadway, entre as ruas 45 e 46, pela marca de papel higiênico Charmin. Com uma bela sacada de marketing, a empresa colocou 20 tronos temporários à disposição dos milhares de turistas que circularão pela área em dezembro. A cidade espera 15 milhões de turistas no fim do ano. A mordomia acaba no dia 1º de janeiro.

O espaço fica aberto entre oito da manhã e 11 da noite, horário em que os turistas deixam os teatros da Broadway. Há fraldários, estacionamento de carrinhos, lugar para sentar, estação de aromaterapia e uma equipe mantendo a limpeza – afinal, espera-se ali a visita de 330 mil desesperados internacionais. Por sinal, a Charmin designa, gentilmente, os tronos 1 e 2 para as emergências: em inglês ganharam, carinhosamente, o nome de “Gotta Go Stall”. Rolos de papel? Mais de 50 mil.

Banheiro público sempre foi um problemão nesta cidade – tanto, que vários restaurantes colocam um aviso na porta: “banheiro apenas para clientes”. A cidade de Nova York promete instalar banheiros públicos por 25 centavos. Enquanto isso não acontece, resta apelar para o Starbucks ou para a rede de livraria Barnes & Noble. Lojas em geral nem pensar. Vale também entrar com pompas e circunstâncias em lobbies de hotéis. Mas nada é tão glamoroso quanto a oportunidade que o cidadão comum ganhou este mês de dar seu show na Broadway.

tags

Por Tania Menai - 12:00 am 6 Comentários »