Nov 24

Era uma noite gelada de sexta-feira. O prédio era aquele típico nova-iorquino: você não dá nada pra decoração, mas quando entra descobre que ele abriga preciosidades. Subimos até o 12º andar. Ali fica o The Monkey, um estúdio musical aconchegante, para poucos e apurados ouvintes, talvez uns 30. No palco, dois brasileiros e dois violões. São eles Douglas Lora e João Luiz, de 28 e 27 anos, que formam o Brasil Guitar Duo – e vieram de São Paulo para cá para receber um dos prêmios mais importantes da música clássica: o Concert Artist Guild. A competição, que aconteceu aqui, envolveu 400 músicos internacionais, que tocam de piano a violoncelo. E dá-lhe Brasil.

Juntos há dez anos, época em que se conheceram na faculdade, Douglas e João tocam de Ástor Piazzola escute aqui) a Jacob do Bandolim. Mas o que torna a dupla “>

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Por Tania Menai - 12:00 am 2 Comentários »

 

Nov 21

A rapaziada nova-iorquina que só anda de metrô nem percebeu. Mas foi na sexta-feira passada que chegou aqui uma trupe da Ferrari, com direito a tapete vermelho na Bolsa de Valores e participação na abertura do pregão. Eles celebraram o fim de uma viagem feita por 11 pessoas, em 84 dias e 32 mil quilômetros de estrada. Nove italianos, um francês e um brasileiro passaram por 16 países das três Américas – do sul ao norte – para lançar o novo modelo daquele carro que você nunca vai ter: a Ferrari 599 GTB. A viagem foi feita por duas delas, acompanhadas por sete carros de apoio.

O brasileiro da equipe é Marcos Tatijewski, um paulistano que mora em Assunção, no Paraguai, e que largou o trabalho como executivo de marketing, a esposa e o cachorro para se aventurar como gerente de suporte técnico (ele é engenheiro de formação) e porta-voz da equipe. Tomando um café latte, ele conta que esses Che Guevaras do capitalismo dirigiram em altitudes que vão de 5 mil metros (em Paso de Jama, entre Chile e Argentina) até abaixo do nível do mar (Nova Orleans).

Do Brasil ao Canadá as estradas foram muitas – e algumas não deixam saudades. Em Calama, no Chile, e Uyuni, na Bolívia, foram 15 horas (seis delas na penumbra) de off-road com precipícios de ambos os lados. Por outro lado, uma viagem de oito horas no meio do mundo, deu num vilarejo peruano perto de Trujillo e Huaraz. Ali, nada além de duas ruas, 300 pessoas e… um moleque de oito anos vestindo uma camiseta – falsa – da Ferrari.

Dos 64 hotéis por que passaram, Marcos lembra-se do melhor: Casa Santo Domingo, na bela Antígua, na Guatemala. Por coincidência, ele estava com a esposa que acompanhou a viagem por alguns dias. Sorte dele: “Trata-se do hotel mais romântico das Américas,” afirma. Verdade – já estive lá! “Navegamos por quatro culturas pré-colombianas: Incas, Maias, Astecas e Pele Vermelhas”, lembra. Curioso ouvi-lo contar isso a duas quadras da Columbus Circle, em Manhattan, praça que celebra Cristóvão Colombo – aquele que acabou com tudo isso tornando desta uma terra de caras pálidas; principalmente durante o outono.

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Por Tania Menai - 12:00 am 13 Comentários »

 

Nov 15

“Foi como uma massagem no ombro,” definiu Gabriel. Fotógrafo americano, apaixonado pelo Brasil – mais precisamente pelo Rio de Janeiro – ele não poderia estar num lugar melhor na noite de terça-feira. Vestindo um preto longo, com lantejoulas coloridas na barra, Marisa Monte cantou para uma platéia lotada no Beacon Theater, no Upper West Side. Este foi o último show da turnê “Universo Particular”, que passou antes pelo Brasil e Europa, e foi recebido aqui com uma bela matéria no New York Times.

Em shows como este todo mundo encontra todo mudo. Qualquer brasileiro que se preze estava no show – que, por sinal, não é o primeiro de Marisa nesse teatro. Difícil era conseguir dois assentos juntos, já que os ingressos foram concorridíssimos. Separados, restava-nos achar os amigos via torpedo. Marisa deu um banho – a platéia, nem tanto. Há sempre os inconvenientes que não têm alma para ouvir, nem coração para escutar. Gritam “maravilhosa” (redundante) e pedem isso ou aquilo enquanto ela fala ou se concentra; uma louca ainda subiu no palco aos pulos para abraçá-la. Foi aterrorizante tanto para ela, quanto para quem assistiu a cena.

O mais sortudos dos mortais foi Vinícius, correspondente da Folha de S.Paulo, que entrevistou a musa e ganhou dela um lugar na fila A – mais perto que ele só o faxineiro do palco. Por outro lado, no fim do show, ele me deixou a incumbência de ir ao camarim e dar alô para ela em nome dele. Opa! Fomos. Gabriel a tiracolo. Na entrada, convidados esperavam a porta abrir. Até que um segurança aparece e grita: “quem aí é Phillip Glass? Pode entrar.” Depois do músico, entrou o resto. E lá estava ela, bela e simpática, vestindo um quimono amarelo florido, cabelo preso e batom vermelho. Para ser um artista não basta saber cantar, cantar, cantar – como boa carioca, ela provou que simpatia é quase amor.

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Por Tania Menai - 12:00 am 26 Comentários »

 

Nov 09

Ruth Reichl, ex-crítica de restaurantes do New York Times, diz que “o garçom é o embaixador do restaurante”. Concordo [Algo para beber?]. Ainda mais nesta ilha, onde se come mais fora do que em casa [Uma garrafa de água com gás para a mesa?]. Os 18 mil restaurantes de Nova York são uma espécie de extensão dos apartamentos e escritórios [Carta de vinho?]. Servem como sala de jantar ou sala de reunião [Posso ditar os oito pratos do dia?]. Isso faz com que se tenha com o garçom ou garçonete um convívio constante, às vezes agradável, às vezes inconveniente [Vocês estão prontos para pedir? Não?].

Não se iluda. A vida aqui é tão cara que o garçom (ou grande parte deles) quer mais é que você engula o que tiver na sua frente e libere a mesa pro próximo faminto [Prontos? Ainda não???]. Claro, há exceções. Mas a maioria deles não é treinada. São estudantes, atores, escritores. Daqueles que retiram o seu prato sem os demais da mesa terem terminado. E se irritam quando a escolha é apenas uma salada ou um copo d’água, único item grátis no país. [Não querem entrada? Tem certeza?]. Isso reduz drasticamente a gorjeta, de 15% sobre o pedido [Pimenta? Queijo ralado?]. Então, a pressa deles em te tirar da mesa é tanta, que os caras te interrompem a cada garfada – ou sílaba [Mais uma Diet Coke?].

Há também os garçons brasileiros, espalhados por todos os tipos de restaurantes [Sou mineiro, e você?]. Muitos deles carentes, longe de casa, aquela coisa [Sobremesa?]. Quando escutam português trocam uma prosa gostosa – mas vez ou outra ficam íntimos, interrompendo aquele seu jantar à luz de velas [Vocês são namorados, é? Que fofos!]. Mas não tem nada que exaspere mais [Café, chá, cappuccino?] do que aquela conta sobre mesa sem você pedir. O garçom joga a dolorosa em cima da mesa, sorri e reza para você dar o pirandelobóu [Não precisa pagar agora, fique à vontade]. E aaai de você se não caprichar na gorjeta. Ele? Já está longe, em outra, atendendo a próxima vítima. Levante e desapareça. Já.

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Por Tania Menai - 12:00 am 7 Comentários »

 

Nov 06

Deu Brasil na Maratona de Nova York. E foi lindo, lindo, lindo ver um americano gritar “Welcome, Brazil!” pro Marilson assim que ele cruzou a linha de chegada, com Bloomberg ao seu lado. Esse evento contagia a cidade simplesmente porque, como diz o slogan, trata-se de uma corrida e 37 mil histórias. E se correr pelos cinco municípios da cidade (Staten Island, Brooklyn, Queens, Bronx e Manhattan) é heroísmo, quem fica plantado na friaca assistindo a tudo isso e ainda berrando “go, go, go!” também merece uma medalha. Um brinde para nós, a torcida.

A maratona começa dias antes, quando a cidade é invadida por seres vestindo tênis, correndo para todos os lados, dia e noite. E na hora da prova, eles não deixam por menos: vimos tipos como um australiano com um canguru inflado na cabeça; um italiano com cabelo tricolor; e um espanhol vestido de toureiro (talvez imaginando que tivesse algum touro atrás). As perucas variavam de vikings a soldado romano, sem falar nas saias escocesas (vestidas por homens, é claro) e capas de Mulher Maravilha. Camisas e bandeiras do Brasil? Várias! Aí vem os que não têm braço, que não têm uma das pernas, ou mesmo nenhuma delas: quando passa uma cadeira-de-rodas a moçada vai ao delírio.

Na Columbus Circle, poucos metros antes da chegada, que acontece na parte Oeste do Central Park, uma banda de rock anima a galera. E levanta ainda mais os corredores, que neste ponto já estão sem seus iPods. Há os que colocam na camiseta “Go Bobby Go” para ouvir o incentivo da galera até a reta final e os que param para tirar foto ou beijar a namorada, esmagada no meio da torcida. E tem também uma moto, puxando um carrinho sobre o qual está uma câmera de TV, rodeada por uma equipe. Atrás de tudo isso… ele, Lance Armstrong, que deixou a bicicleta nas pistas do Tour de France e estreou na maratona nova-iorquina. O ídolo, altamente aplaudido, foi acompanhado pela TV durante toda a prova. O cara é forte, uma máquina. Talvez ele seja o tal touro do qual o espanhol corria.

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Por Tania Menai - 12:00 am 5 Comentários »

 

Nov 03

Os solteiros desta cidade sabem que um dos melhores lugares para paquerar são os supermercados 24 horas – há sempre alguma alma interessante na ala dos sucrilhos depois da meia-noite. Mas isso é coisa do passado. Há uns quatro anos, Nova York foi invadida pelo FreshDirect, um supermercado on-line (e só on-line), que, além de entregar em casa, é 25% mais barato que os demais. Fila de carrinhos nunca mais. Carregar peso, nem pensar. Quando alguém se muda para o Brooklyn, a primeira pergunta que se escuta é: “O FreshDirect chega lá?”.

Spike Lee já aderiu. Miranda (Cynthia Nixon), do Sex and the City também. E ainda tornaram-se garotos-propaganda. No site tem de tudo. Leigos aprendem a diferenciar uma maçã da outra, qual vinho é bom para quê e qual é a temporada de morangos. Quem não cozinha também pode enganar bem, comprando pratos semiprontos e servindo aquele salmão pra impressionar. Não adianta voltar atrás, o povo já está viciado.

Pelas calçadas da cidade, vê-se as caixas e mais caixas usadas nas entregas nos dias de coleta de lixo reciclável. Nas festas, todo mundo já reconhece a comida. Enquanto isso, a cadeia de drogarias Duane Reade, aquela que vende o que te mata, como Coca-Cola, e o que te salva, como Tylenol, não pára de proliferar por Manhattan. Talvez seja essa a saída para as paqueras em meio a prateleiras madrugada adentro.

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Por Tania Menai - 12:00 am 3 Comentários »

 

Nov 01

E lá estava o papa tentando descolar um táxi, enquanto o Lobo Mau falava ao celular sentado num banco de praça. Scooby Dôo, pra lá de alcoolizado, só topava ser fotografado se tivesse alguma mulher na foto para ele agarrar com suas leves patas. Bem-vindo ao 33º Annual Village Halloween Parade, no West Village, a noite mais hilária da cidade.

Aqui, o medo de pagar mico não existe. Nas ruas do Village, via-se uma megacamisinha correndo (não sei de quem) no meio da multidão, um maluco vestido de caixa de papel para assoar o nariz, outro saindo de dentro de um bolo de noiva. Tinha ainda um Pão Pullman, acompanhado por sua Marilyn Monroe, alguns rebeldes afegãos, Bill Clinton com seu charuto e a tropa do Mágico de Oz com o Homem de Lata meio chapado e Doroty reclamando que não achava o Leão no meio da algazarra.

Bob Esponja fumava um cigarrinho, enquanto abelhas pediam para tirar fotos com policiais do NYPD, que muitas vezes confundiam. “Are you real?”, perguntou para um deles um “presidiário” de macacão laranja onde se lia “Prison Bird”. A cara do policial foi tão feia que por pouco não foi a tal fantasia que virou realidade. Sem falar nos três seres vestidos de rosa com cadeiras sobre a cabeça representando o “chiclete grudado embaixo da cadeira”.

No meio da bagunça, Sininho e Wendy procuravam por Peter Pan. Mas Peter não compareceu. Nem mesmo Capitão Gancho deu o ar da graça. O final feliz para elas foi dar as mãos e assumir a relação em meio a bruxas e fantasmas. E para qualquer emergência bastava ligar para os Ghostbusters. Sim, eles também estavam lá.

* reportagem feita com peruca rasta, cheinha de dreadlocks.

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Por Tania Menai - 12:00 am 5 Comentários »