
por Lígia Osório / Maria Regina Cesar
A matéria “Canastra de reis” na nova Trip traz seis sósias do rei Roberto Carlos que vivem como se fossem o próprio Roberto. O tema central da edição é honestidade, e por isso a ideia de fazer uma matéria sobre pessoas que vivem como cópias de outras.
Caio Ferretti, repórter da matéria, encontrou os sósias no Google e um foi indicando o outro. Quando estava tudo fechado com os cinco sósias, Bruno Torturra, repórter especial da revista, estava em um karaokê na Liberdade e viu um sósia de Roberto Carlos cantando. Caio ficou uma semana atrás de Paulo Omine e só na noite anterior recebeu uma ligação dele. “E foi na última hora mesmo que entrou o sexto sósia”, conta Caio.
O fotógrafo Gabriel Rinaldi teve dificuldades em fazer as fotos, eles não pararam um minuto de cantar e dançar Roberto Carlos, inclusive Raul Nazário levou até um violão para o estúdio. Caio contou que Gabriel precisou brigar com eles para conseguir fazer as fotos. Ainda no dia das fotos, o sósia Paulo Omine (aquele último do karaokê da Liberdade) apareceu de sapato marrom, cor que o rei jamais usaria. Por coincidência Luis Rodrigues, videomaker do TV Trip, estava fazendo o making of da matéria e usava um tênis branco que acabou emprestando para Paulo. Luis foi embora de meia para casa.
Caio ainda destacou que andar com os sósias pelas ruas não foi fácil, “a mulherada assediava como se fosse o Roberto Carlos ali”, conta, se divertindo. Após ter feito essa matéria Caio passou a gostar mais de Roberto Carlos, “estou até tirando umas músicas no violão”, confessa. Ele ainda diz que “é impressionante ver como eles realmente encarnam o Roberto Carlos, até o jeito de falar é igual”.
Alexandre Potascheff, produtor do Trip FM, conta como foi a gravação do programa, que recebe o crítico o ex-Titã Arnaldo Antunes
E quem esteve no estúdio do Trip FM esta semana foi o poeta, músico, escritor e cantor Arnaldo Antunes. Um dos fundadores da formação original dos Titãs, o Arnaldo já toca uma carreira musical solo há mais de 15 anos e está lançando agora seu décimo disco, intitulado Iê Iê Iê. Muito simpático e com uma voz inconfundível, o Arnaldo deu uma entrevista muito bacana, onde falou sobre seu lado família (ele é o irmão do meio de sete filhos e é pai de quatro), sobre fazer trabalhos mais populares e outros mais autorais, sobre a época de Titãs, sobre as diferenças de trabalhar sozinho e em grupo, sobre dinheiro, sobre drogas, tanto sua posição como cidadão, quanto como pai, sobre poesia e, de quebra, ainda revelou qual é a sua implicância com suas costeletas. Papo muito interessante esta sexta com Arnaldo Antunes no Trip FM, às 20h.
Alexandre Potascheff, produtor do Trip FM, conta como foi a gravação do programa, que recebe o crítico de gastronomia Josimar Melo.

Ele é daquelas pessoas que tem profissões que despertam um pouco da nossa inveja e muito de nossa admiração. Resumindo, o cara é pago para freqüentar os melhores restaurantes do mundo e saborear suas mais inebriantes receitas. Jornalista, ele foi um dos pioneiros da crítica gastronômica no Brasil e, atualmente, escreve para o jornal Folha de S. Paulo, além de colaborar com diversas outras publicações e lançar, anualmente, um guia gastronômico da capital paulistana. Autor de outros livros, como o A Cerveja e Berinjela se Escreve com J, ele também é um dos responsáveis pelo site Basílico, que reúne, num mesmo local, diversos aspectos da gastronomia, como notícias, receitas, vinhos, restaurantes, colunas, viagem e charutos. Criador de importantes eventos para a gastronomia brasileira, ele ainda é o presidente do Júri da América Latina na eleição dos 50 melhores restaurantes do mundo, realizada anualmente pela revista londrina Restaurant Magazine. Quem se interessa um pouquinho pela boa mesa já deve ter percebido que estamos falando de Josimar Melo, que estreou recentemente o programa O Guia, no National Geographic Channel, programa de viagem focado na gastronomia dos locais visitados.
Josimar Melo chegou para a gravação do Trip FM já eram quase 8 horas da noite. Enquanto aguardávamos o Paulo descer da sua sala, chequei algumas informações e dúvidas que eu tinha a respeito da sua trajetória e, como de praxe, ofereci à ele um chá ou café, torcendo pra ele não aceitar. Explico. As meninas que trabalham na copa aqui da Trip passam o último café por volta das 5, no máximo 6 da tarde, e, com certeza, o café não ia estar tão quente e nem tão fresco. Pelo menos não pra um cara que já rodou por alguns dos melhores restaurantes do mundo. O fato é que ele aceitou o café. E, se o café não agradou, pelo menos ele não pareceu ligar muito. A verdade é que a história do Josimar é muito mais próxima dos cafés de coador de pano do movimento estudantil do que dos expressos gourmet feitos em Mokas Bialetti. Contrariando qualquer pré conceito que se possa ter em relação à um crítico gastronômico, Josimar é debochado, engraçado e brincalhão. O papo foi tão bom e descontraído que até estourou um pouco do tempo. Josimar, que cursou arquitetura na FAU-USP, contou como o jornalismo e a gastronomia entraram em sua vida, sobre a época de militantes estudantil, sobre o papel do crítico gastronômico e sobre os chefs terem sido elevados à condição de celebridades. Falou também sobre a real da gastronomia do Brasil e no Brasil, além de contar sobre a experiência de apresentar um programa de televisão. Pra quem acha que as melhores conversas são travadas no cozinha, o Trip FM com Josimar é prato cheio.
Não perca. Esta sexta, às 20h, nos 92,9 MHz em SP, ou no www.tripfm.com.br.
Quando tudo já está escrito e devidamente diagramado nas páginas da Trip, é preciso tomar uma decisão difícil e escolher a capa. Mas qual? Nesse mês (Trip # 181), uma traz o humorista Marcelo Adnet e a outra as irmãs Amores.

A beleza das irmãs Amores estampa uma das versões da edição de setembro.

. e na outra versão, Marcelo Adnet levando um tomate na cara.
Agora ollha as opções rejeitadas:
Ronaldo Bressane conta como foi a entrevista das Páginas Negras desse mês, com Mr. Catra.

Sabia que ia render. Fazia tempo estava na cola de uma conversa com Mr. Catra, o autor de “Vacilão” e outras gemas do funk relato [dito proibidão]. Allan Sieber e Arnaldo Branco tinham tocado uma entrevista hilária pra saudosa F. André Maleronka mandou uma matéria inusitada sobre as visitas do Negão ao Clube Paris, na EleEla [aqui também um rolê com o funkeiro pela Baixada Santista]. E recentemente Matias Maxx desenrolou um ótimo perfil na sempre esperta +Soma. Faltavam umas Páginas Pretas.
Quando soubemos que ele passaria por SP mês atrás, não ficamos de vacilação. O lugar do apontamento era sinistro: o hotel Shelton, centro. Lá, vi Kakau, que tinha chegado pro makin’of, tirando uma fumaça das idéias do cidadão carioca – e a preparada logo entrou no bonde da entrevista. Morrendo de sono por ter virado a noite e depois guiar do Rio a SP, Mr. Catra não se fazia de fazido e posava pro clic de Marcelo Naddeo quase despencando: antes de tirar a camisa, anunciou a barriga “máquina de lavar” ["embaixo tem uma mangueira, tá ligado?"] e mandou ver a pançola, na base do foda-se.
Fotos feitas, o funkeiro nos convidou pra sua suíte – bem mais simples que a usada no ensaio -, onde se esparramava enrolado na lady Raiane, uma japa loura de 20 e poucos anos. A entrevista era volta e meia cortada por visitas bizarras como as de MC Creide e seus assistentes anões, fãs, filhos e o serviço de quarto, que trouxe um big burger, fritas e coca traçados em minutos. Mas tranki. Em geral é difícil conduzir uma conversa como a Negras, em que se trata de todo tipo de assunto, da primeira vez à morte da bezerra. Enfumaçado e zuado de sono, o Negão fazia tudo parecer fácil.
Muita gente boa veio me reclamar das Negras [aqui no site da Trip estão na íntegra], na minha humble opinion uma das melhores entrevistas que fiz. “Pra que dar um espaço tão grande a um boçal desses?” é a indignação constante. Defendo talvez 10% das idéias de Mr Catra. Não comungo do seu machismo, do seu monarquismo nem de seu confuso ideário religioso – embora assine embaixo de sua tese sobre o comércio de drogas ["libera e controla tudo"], algo que nos 21 anos das Páginas Negras da Trip nenhum entrevistado teve cojones pra defender [isso sem falar na lista de artistas ou intelectuais que na hora do microfone malocam o flagrante].
Jornalisticamente, porém, isso não quer dizer nada: um bom entrevistado se basta pelo que fala. Desse ângulo, Mr. Catra é o personagem ideal. Tem histórias pra contar e idéias pra defender. E assume tudo no seu nome. Entertainer nato, um frasista de fina verve, cada sentença sua nasce talhada pra ser olho, intertítulo, chamada de capa. Muito medalhão por aí você dechava sete horas e não trincha um statement nem torcendo o papo [o grande Fernando Paiva já dizia: "Jornalismo é a arte de fazer imbecis soarem inteligentes"]. Alma de Chacrinha no biotipo de Mano Brown, Mr. Catra sintetiza as contradições do Brasil. É um gênio e uma besta ao mesmo tempo. Numa boa: sua figura é seu discurso.
Nas 12 horas que passamos, manteve o mesmo espírito fanfarrão e nervoso, paizão e canalha. Sem deixar cair a peteca do risco: no percurso de 100 km por três bailes da perifa paulistana, ele dirigia o próprio carro [pra não atrasar os shows, deu picos de 150 km/h ali na Jacu-Pêssego], fazendo com que tivéssemos que segui-lo literalmente pelo cheiro. Nesse mundo do showbiz conheço pouca gente que consegue ser a mesma pessoa o tempo todo. Pro bem ou pro mal, Mr. Catra é 100% de verdade. Daquele jeito.
Vai lá: blog Impostor, de Ronaldo Bressane

Parceria de alto nível. Burle leva Maya para aproveitar o swell na Laje do Jaconé
Mate sua curiosidade e descubra como foram feitas algumas das reportagens da Trip
Se o tema da Trip desse mês é interdependência, nada mais adequado do que a reportagem de Caio Ferretti sobre Maya Gabeira, Carlos Burle e Eraldo Gueiros e o tow-in, um esporte que depende muito da sintonia entre os praticantes.
Segundo Caio, a pauta não era exatamente essa no começo. Uma fonte dele que sempre dá toques sobre assuntos de surf contou que o trio da matéria ia pegar uma onda na Laje Jaconé, no litoral fluminense. A intenção era cobrir isso, até que Caio descobriu que outros veículos iam fazer a mesma coisa. Ele resolveu mudar o foco e falar sobre a relação dos três na prática do esporte. Marcou com Maya, Carlos e Eraldo e fez a entrevista que resultou na matéria da edição 178 da Trip.
Confira a reportagem Três é demais!, de Caio Ferretti.
Quase três horas de entrevista. Uma quarta-feira chuvosa. O combinado era às dez da matina, no bar de um deselegante 5 estrelas do Paraíso [mesmo que nós implorássemos, não desligaram nem baixaram o péssimo som ambiente, o que me deu um trabalhão para tirar a entrevista; por isso nem cito o nome]. Alejandro Jodorowsky só desce pouco antes do meio-dia. Pede dósmedialunes medialunas y un té. Aparenta cansaço – tinha ficado lendo tarô para os amigos até de manhã – mas está esperto, como verão. Pedimos expressos. Aperto o rec.
Eu e Ichiro, o xamã mais erudito de São Paulo, fazemos uma dupla estilo bad cop/ good cop. A cada questão, o chileno oitentão sorri: “Sus temas son muy largos… tenemos que hacer vários libros con sus preguntas!“. Na primeira hora do papo, Bruno chega e faz esses magníficos clics. Quando Jodorowsky já queria encerrar a conversa, Kakau aparece em um pretinho básico, cabelos molhados, joelhos gloriosos: a face do psicomago se ilumina e ganhamos mais uma hora de entrevista – além, claro, das perguntas ardilosas de La Lessa.
Findas as fitas, sessão de autógrafos para nossos livros e DVDs. A mulher de Jodorowsky [me esqueço agora seu nome; é uma franco-vietnamita de 40 anos] desce do quarto, para levá-lo a um restaurante, junto do diretor Joel Pizzini [responsável pela vinda do psicocineasta, dezembro do ano passado] e dos assessores de imprensa. Jodorowsky beija a mulher e dá um tapinha em sua bunda. Despede-se de nós com um sorriso maior que o mundo. Foi a última matéria que fiz para a Trip como redator-chefe: conseguimos 5 páginas na revista… Vale comprar, a arte ficou linda com as imagens dos filmes. Se preferir, clique aqui para ler na íntegra a conversa com o gênio.