Revista Trip

 
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Postado em 18.11.2009 | 16:11 | por Flora Paul
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Era sexta-feira à noite e, num calor da Zâmbia, arrastei a queridíssima “Sé” para um bate-papo sem muitas pretensões, regado a drinks, em que Giovanna Assaf (produtora executiva de Natura Latam) abriu sua vida, latas de cerveja e, horas depois, me fez querer ser ela quando crescer. Depois da Beyoncé, é claro.

*Por Nicole Balestro

Quem é Giovanna na noite?
Difícil essa. Dá um pause?
A vida inteira eu escutei me dizerem que eu tenho cara de brava. Mas é só fachada. Na verdade eu sou leonina, né? E não gosto muito de ser contrariada. Se eu tiver que pedir algo duas vezes, eu mesma prefiro fazer. Eu confesso que em algumas situações eu sou bastante mal-humorada, mas acaba sendo mais um deboche que no fim vira motivo de piada [risos]!

Na verdade você gosta de Gozar a vida, então?
Opa, mas como uma boa leonina eu sou superexigente, cobro demais de mim mesma e acabo esperando isso dos outros também. (Ah, niegra, não vai sair nada disso aqui.)

Como veio parar na Trip?
Essa perguntinha nunca ninguém fez, hein? Sou amiga da Déa [de Marco] desde os 8 anos. Convivemos durante anos, de não se desgrudar. A gente tem algumas histórias boas... E aí, na faculdade, ela veio pra São Paulo e eu fui pra Campinas. Nós duas fizemos comunicação. Na época cheguei a fazer uns frilinhas pra ela. Ficamos uns dez anos sem nos ver. Então encontrei ela e mais outras amigas de infância no Orkut [2005]. Combinamos um fim de semana todas juntas e foi demais... Aí ela me contou que estava na Trip. Eu, na época, era produtora em canal de TV em Marília (SP), mas estava querendo alguma coisa nova. Comentei isso com ela. Seis meses depois ela me ligou dizendo que havia uma vaga de produção na redação da Natura. E eu vim! E tô aqui até hoje, menina... Isso faz três anos e meio.

Você fez facul do quê? Conta um pouquinho dessa época gostosa, cheia de azaração.
Eu fiz PUCCAMP, comunicação. Mas meu tempo de azaração mesmo foi dos 14 aos 18 mais ou menos. Não tinha pra ninguém! E a Déa tava junto em todas, hein? Quem vê a Andréa toda rock’n´roll nem imagina que ela se acabava num Carnaval... Isso foi no colegial, no cursinho... Mas na faculdade eu dei uma acalmada, morava com uma das minhas irmãs em Campinas, longe dos meus pais. Eu viajava quase todos os fins de semana para casa. Foi quando comecei a ficar mais solar que lunar [risos]. Na verdade nunca fui muito da noite, sempre preferi o dia.

Eu sei que você nunca foi da noite. De segunda a sexta tá sentadinha no Ruby tomando cerveja.
É verdade, Nic. Prefiro o dia à noite. Eu sinto muita necessidade de dormir bem. Mas, quando eu percebo que não vai ter jeito, aí eu fico até o fimmm! Né, Arco [Alcoragi]?
Eu gosto mesmo é de sentar pra bater papo. Não gosto desse vuco-vuco de gente espremida, lugar que não dá pra trocar ideia. Já fervi muito, acho que mais ou menos na época que você nasceu [risos].

Arquivo Pessoal

giovana_quarta02

2.Amor pra vida inteira. 3.Lionel, Dan e Giovanna em Boston. 4.Bê e Rafa, afilhadinhos do coração. 5.Cunhado - Natal 2008. 6.O sorriso mais gostoso que já vi.


Vamos falar de família?
Claro... Então, pode ser clichê, mas pra mim É TUDO!!!
Eu faço o máximo pra guiar minha vida seguindo os valores que aprendi com meus pais. Eu, sem sombra de dúvidas, devo tudo o que sou e tenho a eles. E tenho certeza de que, como sempre, eles continuam ao meu lado me abençoando em tudo o que faço em todos os minutos dos meus dias!
Somos em três irmãs. As duas são mais velhas que eu: a Renata – que gosta bem de deixar as coisas para depois. E a Fernanda, que é superespirituosa, tipo a engraçadona da família. Dois cunhados que são para mim como irmãos, e às vezes pai. Por isso que pra mim não tem essa de que se cunhado fosse bom não começava com cu [risos].
Tenho três sobrinhos... Dois meio japinhas, o Gui, 8 anos, e o Be, 2 anos. Em casa a gente costuma dizer que é a mais perfeita mistura do quibe com shoyu. E a Rafinha, de 5 anos, que eu acho a cara e o jeitinho da minha mãe, mas muita gente diz que é a minha cara, e ela é linda [risos]. Há quem diga que parece o pai... Sorry, Fê, mas pra você sobraram os nove meses [risos].
Aliás, os MEUS SOBRINHOS SÃO DEMAIS! Sou coruja mesmo! Eles são uma parte da minha vida, mas só em horário comercial, né? Brincadeira, é claro, isso é só porque nunca consegui ajudar minhas irmãs em afazeres como trocar fraldas, elas sempre tiraram o maior sarro de mim por isso.
Além de tia coruja, eu sou madrinha coruja também, da Rafa, e vou ser do Be (até o fim desta entrevista minha irmã ainda não tinha marcado o batizado, e pelo jeito não vai sair tão cedo, não. Falei lá em cima, né?).
Enfim, minha família é a coisa mais importante da minha vida. E o que de melhor eu levarei pra sempre comigo!

Lá na redação a gente vê a sua relação com seus sobrinhos. Você tem algum sonho de ter filho?
Eu já tive muita vontade de ter filho, e acho que completa a vida de qualquer mulher. Porém, o momento que eu tenho vivido não cabe nesse sonho... Então, por enquanto, eu fico corujando os meus sobrinhos.

Ninguém acredita na sua idade. Porra, eu quero chegar aos 37 anos do jeito que você está. E o mais engraçado é que você interage com qualquer “setor”, tanto com a ala da “Nova Escola” (formada por mim e pela Ge) quanto com a galera “Old School” (formada por Thá, Moniquinha, Bru, Flá, Arco, Dani e Carlets).
[A entrevistada atropela a pergunta e tira o foco, voltando] Puts, Nic, só faltou você me dizer que eu tô “interona”... “chegar do jeito que você está” é foda [risos]... Mas eu entendi total.
É... Ah é. Então, às vezes quando paro pra pensar na minha idade não acredito.
Quanto ao relacionamento com as alas “new e old school”, eu sempre fui assim... nunca tive problema em estar “tudo junto misturado”.
Agora, o que quero saber é o que as citadas acima vão achar dessa sua observação [risos]... Old school... Falô aí, juvenil...

Você acha que esse lance de responsa veio com o fato de ter sido obrigada a se virar desde cedo?
Na verdade eu não tive que me virar muito cedo, não. Eu tive é que me virar num curto espaço de tempo... Eu fui muito paparicada, sou a mais nova, minhas irmãs saíram cedo de casa para estudar, e eu morei um bom tempo sozinha com meus pais... E aí já viu, né? Era uma delícia [risos]!
Mas, graças a Deus, quando precisei assumir minhas responsabilidades dei conta do recado e me orgulho muito disso... Um dia a Fernanda minha irmã me disse que cresci em quatro anos o que não havia crescido em 30. E também acho!

Arquivo Pessoal

giovana_quarta03

7.Aquele Happy Hour. 8.Dea e Giovanna em milnovecentosealgumacoisa. 9.Desde o comecinho de Trip. 10.Gui e Rê (mãe dele).



Você já foi pra Boston e todo mundo ali sabe que causou quase nada por lá. Me conta como foi essa experiência e, claro, libera as informações confidenciais.
[Risos] Causei, é? Essa história foi boa mesmo. Ano passado fui fazer um curso de inglês em Boston, que aliás foi uma superoportunidade que a Trip deu a alguns funcionários. Foi um sorteio, e foi incrível porque nunca ganho nem um “frango em bingo” e fui sorteada.
Quando eu recebi o “family prolife” da agência, lá tinha o nome de três pessoas. E meu “host father”, se chamava Peter.
Bom, lá fui eu, feliz da vida. A casa não ficava em Boston, era em Belmont, uma cidadezinha supercharmosa e bem próxima. Quando cheguei na casa, atendeu um cara de uns 40 anos, superforte, todo suado [risos]. Ele me perguntou se eu era “Giovanna from Brasil” e tal... ele era o Peter. A casa era um sobrado enorme. Ele morava embaixo, com uma namorada mexicana, e eu ficava em cima, em uma outra casa, com mais duas chinesas, cada uma no seu quarto, e elas não falavam um “a” em inglês e muito menos em português. Foram embora no dia seguinte (até hoje não sei o porquê).
Eu fiquei meio assustada, ele ficava me olhando de cima a baixo, tinha uma cara engraçada, baixinho, superbombado. Bom, fui pro meu quarto, liguei meu iPod e apareceram algumas redes wi-fi, uma delas tinha o nome de “orgasm” [risos] e era a que tinha melhor sinal (claro... era a da casa). Fiquei superencanada, dando um Google no nome dele o tempo todo.
Enfim, o cara era supergente boa, na dele, mas tinha uns hábitos diferentes, malhava e corria o dia todo. E cortava grama (embaixo da minha janela) todas as manhãs.
Ele não trabalhava, contava que vivia de alugar a casa para estudantes.
Por fim, ele foi superanfitrião. Passei um mês lá e foi incrível. Boston é uma cidade deliciosa, de um superastral (pelo menos no verão) é demais!
Bom... há três meses encontrei um argentino em Buenos Aires que conheci lá em Boston, que por coincidência, depois que eu voltei pro Brasil, conheceu duas meninas que estavam na casa do Peter e foi convidado para um jantarzinho lá. Para minha surpresa... (nem tanta assim, pois tava na cara pelo perfil dele), o Lionel (argentino) rachando o bico de rir, me contou que o Peter era go go boy e trabalhava em Boston e em outras cidades por ali [risos]. Ele é muito figura, supergente boa, trocamos e-mail até hoje.

E você tem vontade de morar fora hoje?
Eu já fui superapegada, enraizada. Mas hoje não mais. Se rolar uma oportunidade de ir pra um lugar bacana, com condições iguais ou melhores às que eu tenho hoje, eu acho que me jogaria sem problemas. Mas eu gosto mesmo é do Brasil.

Aliás, você gosta de trabalhar na Trip?
Ah, eu adoro. Acho o máximo. É um puta lugar pra se trabalhar. Fora o Triplus, que eu acho que quem criou deveria levar o Shoiti todo ano.

Falando em Trip, quando eu recebi o convite para fazer o Papo da Quarta, não pensei em nenhuma outra pessoa que não você. A gente tem uma relação superlegal. Como você encara esse lance de Sé pra cá, Sé pra lá (Sé é o diminutivo de chefe e na linguagem dos “bis” é Séfi)?
Você quis chamar a Sé para puxar o saco, né? Brincadeira. Na real acho que a gente sabe separar bem uma coisa de outra. Não é porque você me chama de “Sé” pelos corredores da redação que você não me respeita, e eu a você. É superbrincadeira, e até a Déa e o Claudinho (imagina...) já me chamaram de “Sé” [risos].

A Alcoragi é palmeirense roxa. Eu sou são-paulina roxa e nós duas falamos o dia todo de futebol. É bagunça o dia inteiro, meu. Você como corintiana fica só de olho e vira e mexe vem pendurar o meu boneco do São Paulo no armário. Como é o futebol na sua vida?
Opa, bagunça o dia inteiro não, hein? [Risos.]
Na verdade eu ODEIO futebol. Desculpa aí! Eu sou uma corintiana fajuta. Eu só gosto de encher o saco dos outros. Se o Palmeiras tá perdendo eu brinco com a Alcoragi, se o São Paulo tá perdendo eu brinco com você. Não sei nada do time, só sei quem é o Ronaaaaaldo.

Uma vez a gente tava sentada no quintal de casa (leia-se rua Augusta) e eu disse que admirava esse lado “autossuficiente” seu no quesito “amô”. Como encaixa a parte romance na sua vida. Só não vale fazer a subcelebridade que, quando perguntada sobre amor, diz estar focada em trabalhos e projetos (que a gente nunca vê).
É, na verdade eu tô com um projeto. Tenho trabalhado demais, não tenho tempo pra pensar nisso [risos]. Agora sério... Ah, Nic... Putsss... AMOR? Ah, sabe que no amor eu tenho uma puuuta sorte no jogo! Então, eu não sou autossuficiente, não, longe de mim.^^~-_- Acho que ninguém é. Mas, o que eu aprendi é que a gente não pode colocar a responsabilidade de ser feliz em outra pessoa. Acho que temos antes que procurar a felicidade, e aí sim encontrar alguém para ficar ao nosso lado, a vida toda, para sempre [risos].

Qual é o perfil de hombre para Giovanna Assaf?
Ah, fisicamente é super-relativo, né? Acho que não tem essa. Mas o que eu acho fundamental num relacionamento é cumplicidade.

Mas e se tiver Little pipi?
Ai, que perguntinha, hein, Nic? Segue debriefing...

Ah, e como você se vê daqui a dez anos?
Ahh Nic... sei lá!

Então cinco.
Puts, imagino ter viajado para vários lugares que ainda não conheço.

A gente já falou de vida, trabalho, amor... mas você tem algum medo?
Ah, não sei se tenho algum medo. Mas acho que com maturidade você enfrenta as situações. Tudo é reversível, nada é para a vida inteira. E, além do mais, só tem medo quem arrisca... Do contrário a gente nunca sai do lugar. Resumindo tudo, procuro viver o hoje bem, com decisões acertadas, que nem sempre são, para ter um amanhã confortável. Oh!

Nooooosa, essa é frase de efeito para MSN, hein?! E falando em MSN, suponhamos que suas relações (reais ou não) pudessem ser controladas por MSN (se bem que nem messenger você tem, né, Eugênio e Odenyr?!). Mas voltando à analogia tosca. Quem você bloquearia ou ADEDE?
Afe, Nicole, que pergunta ridícula.

A entrevistadora sou eu. Responde.
Uêêêpa [fazendo referência aos gritos da entrevistadora quando se pega em situações de barraco]. Na verdade tem dias que nem entro no MSN para não sentir vontade de bloquear uns e outros! Ah, sei lá, não entendi a pergunta.

Quer dizer que você é volúvel?
Não sou volúvel, mas como já disse não tenho muita paciência para algumas coisas. Então, para não criar conflito, prefiro não me eishpor [vocabulário da entrevistadora]. Ai, pergunta chata!
Tô perdendo a paciência [risos]!

Tá difícil responder?
Tá, vai... bloquearia os chatos que entram pra perguntar “e aí?”... Ai, às vezes sinto vontade de bloquear aquelas pessoas que colocam assim: “a balada foi incrível”, “eu sou a pessoa mais feliz do mundo”, “a vida é bela”. Ai, que coisa chata. Quem disse que as pessoas querem saber disso... A Helena de Viver a Vida também bloquearia, aliás a novela inteira.

O que você desejaria se tivesse três pedidos?
Ah, pediria a paz no mundo. A cura do câncer. E o que todo mundo também quer... $$$!!

Para finalizar, você me dá uma carona?
Dou. Você tá sem carro?

É que comprei um Tucano e fica difícil dirigir. Daí você vai na frente dirigindo e eu vou “cu” Tucano atrás.
Nooossa, Nic você, eu e as pessoas que estão lendo essa entrevista poderíamos ter ficado sem essa. VOCÊ É MUITO RUIM DE PIADAS!

*Nicole por Gio: Portadora de uma TPM avassaladora, misturada com uma habilidade incrível para chorar e sorrir ao mesmo tempo, Nicole B., produtora da Revista Natura Latam, jura que é negra e fala pelos cotovelos. Começou como frila e está contratada “brilhando” pela redação da Natura.
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Postado em 21.10.2009 | 18:10 | por Carol Nogueira
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Nesta seção, atualizada toda quarta-feira, publicamos uma entrevista feita por algum funcionário da casa. O entrevistado também é sempre da Trip. Criada originalmente para o blog interno da editora, fez tanto sucesso que resolvemos compartilhar com os leitores do site. Esta semana, repescamos uma entrevista que Isabella Infantine, estagiária de texto da Trip, fez com Fernanda Danelon, editora de conteúdo do Prêmio Trip Transformadores.

Fernanda Danelon, paulistana da gema, nasceu na antiga maternidade São Paulo. Mas foi em Santos (cidade natal dos seus pais) que passou boa parte da infância. Depois de ter sido flamenguista quando pequena pela paixão ao Galinho. Na adolescência, as raízes italianas pesaram na sua escolha da camisa palmeirense. Foi com 15 anos que a rainha do baile trocou a pompa da festa por uma boa trip de ondas. Logo, essa “torcedora meio fajuta” percebeu que era caiçara de coração.

Fê, como é conhecida por todos, é jornalista por uma causa, se envolve com o seu trabalho. Esse pode ter sido um dos motivos do convite para cuidar do conteúdo editorial do Prêmio Trip Transformadores. O seu jeito calmo e sereno muitas vezes esconde a sua postura firme e fala certeira ao explicar suas ideias. Quando vai contar alguma história fica vermelha de tanto rir. Despojada, parece sentir-se em casa por onde passa. Ela possui um coração de mãe e com o seu carro leva desde a equipe de reportagem e os filhos para a escola até o cachorro para o veterinário. Foi entre as inúmeras tarefas do dia que minha ex-vizinha de bancada parou para responder esta entrevista por e-mail.

Arquivo pessoal

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1.Fazendo ioga na gravidez do João. 2.Com o João, no último feriado, em Ipanema. 3.Rita e João


Qual o motivo da escolha da profissão?
Eu só poderia ser jornalista. Talvez fosse atriz, psicanalista, paisagista ou até veterinária, mas minha vocação está no jornalismo mesmo. Adoro o que eu faço, me envolvo com prazer nas pautas. E, também, porque desde pequena gosto de ler e escrever, sempre fui comunicativa e curiosa. Também tive uma formação humanista, filha de professor universitário e psicóloga, o que colaborou, né?

Quando e como você entrou na Trip?
Entrei na Trip em novembro de 2007, pra editar a Salada e fazer reportagens pra revista. Quando meus filhos nasceram, fiquei quatro anos sem trabalhar. Aí, voltei como editora de cultura do Publimetro, aquele jornal gratuito distribuído nos semáforos. Participei de toda a implantação do jornal no Brasil, foi muito enriquecedor. Quando completei um ano de casa, o Guilherme Werneck, amigo e antigo companheiro de trabalho, me chamou pra preencher a lacuna do Felipe Luna. Eu aceitei na hora, porque tava puxado fazer jornal diário com duas crianças pequenas e porque eu sempre gostei da Trip, leio a revista desde os 13 anos, sou fã mesmo!

Você se entrega nas suas matérias e aprofunda temáticas mais “cabeçudas”, como alguns intitulam. Como foi feito o trabalho de reportagem da tão comentada matéria “Parir e gozar”?
Ah, essa matéria até que foi fácil. Explico: eu já conhecia os caminhos, as fontes, já havia estudado a pauta antes. Não por razões profissionais, mas por motivos pessoais. Tenho dois filhos e, no primeiro parto, meu médico me fez uma cesárea com 39 semanas, alegando pouco líquido e placenta velha, ainda que a Rita estivesse bem. Eu nem entrei em trabalho de parto e me senti profundamente enganada e frustrada, pois eu sempre quis um parto normal. Então, quando engravidei pela segunda vez, troquei de médico, fiz ioga, garanti o acompanhamento de uma doula e tive um lindo, pleno e maravilhoso parto normal. O João nasceu empelicado, ou seja, dentro da bolsa, que não estourou – o que é raro e sinal de sorte, segundo alguns. E, durante a gestação, eu li mais de 20 livros sobre parto, frequentei congressos, assisti a palestras. Quando a pauta apareceu na Redação da Tpm, a Rê Leão, que conhecia a história, não podia chamar outra pessoa pra fazer.! Além disso, o papo frequente com a Renata possibilitou que a pauta andasse bem, fluida, se adequando à apuração e ao editorial da revista. Depois, as meninas da Arte fecharam com uma linda ilustração e fotos bem realizadas, pra um tema delicado. Enfim, foi um belo trabalho – dá-lhe, minas!!

Nos próximos meses um assunto promete estar em pauta na editora, o Prêmio Trip Transformadores. Nada melhor que uma pessoa envolvida com o social para estar à frente do conteúdo editorial desse evento. Como é realizado esse trabalho?
Confesso que fiquei muito feliz com a proposta de assumir o conteúdo editorial do Prêmio Trip Transformadores. Além de adorar o tema e me envolver com grandes pessoas, que são os homenageados, tenho consciência de que a premiação agrega valores importantes à editora. Assim, não poderia recusar um desafio tão. saboroso!

Você vem da TV. Onde trabalhou antes da editora?
Eu trabalhei em TV por dez anos, sobretudo como repórter de rua. Minha formação foi no jornalismo da MTV. Lá, aprendi a apurar e produzir as pautas, a sair pra captar, decupar e editar as matérias. Eu adorava, porque era um jornalismo jovem, moderno, voltado a cultura e comportamento – o que tenho feito até hoje. O Vitrine, da TV Cultura, também foi um trabalho de que gostei bastante. Eu era repórter, dessa vez on camera, e apresentadora no estúdio, junto com o Marcelo Tas e o Rodrigo Rodrigues, que está por lá novamente. Gostei muito de fazer o Metro também, pois lá os editores fazem tudo, inclusive a diagramação das páginas; e colocar no mercado um jornal, do nada, não é mole não! A equipe daquela Redação cresceu muito profissionalmente e teve uma ótima experiência de trabalho em equipe.

Arquivo pessoal

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4.Aos 24 anos, 1997, em Paris, estudando fotorreportagem. 5.Com o marido, André, inaugurando a nova câmera fotográfica. 6.Com a Rita, em Gonçalves (MG)


Qual entrevista mais te marcou? Por quê?
Ah, foram tantas, não dá pra escolher só uma. Eu já passei dois dias no Carandiru; já assisti a uma cirurgia; já voei de balão e paraquedas; fui na casa do Erasmo, do Gil, do Tim Maia e do Duprat; acompanhei o Nanini na coxia durante uma peça; passei um dia com a companhia do Balé da Cidade; tive a felicidade de entrevistar os fofos do Haroldo de Campos e do Guto Lacaz; passeei com o Waly Salomão numa Bienal; e por aí vai. Cada aventura tem o seu sabor especial.

Entre revistas e pastas, tem um porta-retratos de seus filhos na sua mesa que chama a atenção de quem por ali passa. Como é conciliar o trabalho com as crianças?
Não é muito fácil não, mas eu já fiquei sem trabalhar, e só cuidar de filho não me satisfaz, foi bom na época em que nasceram, mas hoje eu também busco outras satisfações que não vêm da maternidade.

Você pratica algum esporte?
Eu faço ginástica uma vez por semana, que é o que dá, com uma personal que já virou amiga até, há uns cinco anos. Também ando um pouco com as minhas cachorras. Mas me alongo bastante, diariamente.

Tem algum hobby? Coleciona algo?
Meu hobby são as plantinhas. Adoro jardinagem. Já fiz vários cursos, tenho livros sobre o assunto e o meu jardinzinho, em casa, que é meu xodó. Agora tô ensaiando plantar algumas hortaliças. Também coleciono livros de fotografia, dos clássicos Capra, Bresson e Bertrand passando por Pierre Verger, Cindy Sherman, Cássio Vascocellos e Nair Benedito.

O que gosta de fazer no tempo livre?
Passear com as crianças, ver um filme com o marido, André, andar com as cachorras, beber com amigas e amigos, cozinhar para a família, cuidar das plantas, viajar.

Tem alguma crença?
Hummm. digamos que eu seja espiritualista.

Na sua opinião, qual seria um bom livro? E um belo fime?
Adoro o filme de Frank Capra, It´s a wonderful life – A Felicidade não se Compra, em português. Com o bom-moço James Stewart interpretando um pai de família falido em véspera de Natal que, magicamente, vê o mundo como se ele não tivesse existido. Delicado, poético, lindo! Clássico dos clássicos, o filme é reprisado até hoje nos EUA na época do Natal.

Possui algum desafio em vista? E um sonho a ser concretizado?
Desafio: viver em equilíbrio entre o mundo físico e o espiritual.
Sonho: ter uma casinha fora de São Paulo pra fugir nos fins de semana.

*Isa chegou para trabalhar na produção da revista Trip em janeiro e, logo, essa estudante de jornalismo mostrou a que veio! Rapidamente conquistou a Redação e semeou sua transferência para o pessoal do texto, seu verdadeiro objetivo. Hoje, manda bala na Salada, tocando com vontade tanto a produção quanto a apuração e a redação das matérias. Garota de futuro! (Por Fernanda Danelon).
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Postado em 14.10.2009 | 15:10 | por Carol Nogueira
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Nesta seção, atualizada toda quarta-feira, publicamos uma entrevista feita por algum funcionário da casa. O entrevistado também é sempre da Trip. Criada originalmente para o blog interno da editora, fez tanto sucesso que resolvemos compartilhar com os leitores do site. Esta semana, repescamos uma entrevista que Diogo Rodriguez, repórter do site da Trip, fez com Daniel Benevides, editor dos sites da Trip e Tpm.

Daniel Benevides é pai da Maria, de 14 anos, vocalista de uma banda de rock e jornalista cultural polivalente. Foi elogiado por David Bowie e ajudou a criar a MTV. Nascido na França (mas é brasileiro), filho de astrônomo e cientista política, o editor dos sites da Trip e Tpm tentou dar uma explicação razoável para as origens de seus já famosos trocadilhos infames.

Por Diogo Rodriguez*

Arquivo pessoal

1.Fazendo pose de rockstar ao lado de sua banda, 3 Hombres. 2.Cumprimentando Bo Diddley, uma das muitas estrelas que ele teve a oportunidade de entrevistar. 3.Barbudo, com a filha Maria. 4.Cartão-postal da época em que era VJ da MTV e dava autógrafos para as fãs. 5.O pequeno Benevides.

1.Fazendo pose de rockstar ao lado de sua banda, 3 Hombres. 2.Cumprimentando Bo Diddley, uma das muitas estrelas que ele teve a oportunidade de entrevistar. 3.Barbudo, com a filha Maria. 4.Cartão-postal da época em que era VJ da MTV e dava autógrafos para as fãs. 5.O pequeno Benevides.

Como você chegou à Trip Editora?
Comentei com amigos que eu queria mudar de emprego e a Lia Hama me indicou pro Guilherme Werneck. A gente se deu bem de cara, mil afinidades, e eu vim.

E o que está achando?
Tô adorando trabalhar aqui. Eu já tinha trabalhado com site, mas os sites da Trip e da Tpm são outra coisa, têm muito mais a ver comigo. A Trip é um universo muito particular. É difícil encontrar alguém que não seja interessante, que não tenha algo a dizer. Existe um ambiente de criatividade, de troca de ideias, que é muito estimulante.

Onde você já trabalhou?
Redator na Bizz, Set e repórter no Jonal da Tarde. Depois, fiquei dez anos na MTV. Dá para dizer, sem falsa modéstia, que eu sou um dos pais da MTV. Entrei lá em 90, quando ela começou, e saí em 2000. Foi um lugar marcante, onde fiz muitos amigos e aprendi muita coisa. Lá eu tive a oportunidade de viajar pelo mundo e acompanhar de perto as melhores bandas. E eu aprendi a fazer televisão, ganhei uma profissão na MTV, de diretor de TV, roteirista, editor de jornalismo. Depois, eu também dirigi a Monique Evans na RedeTV! durante um ano e a Soninha na Cultura. E escrevo como colaborador em vários lugares, UOL, Vida Simples, Rolling Stone (antes da Trip), Bravo etc.

Mas você não fez faculdade de jornalismo, fez arquitetura na FAU.
É quase impossível uma pessoa com 17 anos conseguir decidir que profissão vai seguir. Eu fiz Bandeirantes, um colégio muito CDF, e meu pai é astrônomo, foi primeiro lugar no ITA, então essas duas variantes juntas acabaram me levando a querer fazer Poli, ITA, essas coisas. Na hora de preencher a ficha do vestibular, eu tive certeza de que não era o que eu queria. Eu não ia ficar seis anos com um monte de nerd, não ia rolar. Eu tinha um lado artístico acentuado, gostava de desenhar, pintar etc. e fui fazer FAU. Entrei em 82, com 16 anos. Mas no segundo ano da FAU eu já escrevia como jornalista. A minha primeira matéria foi uma entrevista com o Zé do Caixão, quando ele não era hype como hoje, ele estava totalmente esquecido. Acho que, no fundo, sempre soube que seria jornalista. Sempre li muito, escrevia poesia, contos. A parte mais difícil da formação de jornalista eu tinha, que é a parte não técnica, não operacional, a parte de construir um repertório intelectual, cultural, de encontrar uma voz própria.

Quais dos seus ídolos você teve a oportunidade de conhecer? Lembro que você já contou que conheceu o David Bowie.
O David Bowie conheci quando eu estava no JT, em 89. Ele fez uma turnê pelo Brasil e eu fiz uma entrevista por telefone. Durou uma hora e eu achei que estivesse gravando, mas eu fiz alguma merda e não gravou. Tive que reproduzir de cabeça a entrevista toda. No dia seguinte, quando saiu no jornal, o agente dele me ligou e disse: “Foi a entrevista de que ele mais gostou na América Latina”. Fiquei superorgulhoso, não sei se é verdade. Uma semana depois, fui numa coletiva dele. Quando eu fiz uma pergunta na coletiva. Parece que eu estou me gabando, mas é muito legal para não contar. Ele me reconheceu pela voz, cara. “Daniel, I’m glad you are here.” Eu fiquei vermelho, orgulhoso, mas tímido. Depois eu conversei com ele, é um gentleman, ao contrário de alguns outros ídolos que eu conheci, como o Lou Reed e o Johnny Rotten, intragáveis. Mas cruzei vários outros bem bacanas, Beastie Boys, a Patti Smith, o Neil Young, o Beck.

Algum outro ídolo?
A melhor história é a do Nick Cave. Ele veio tocar no Brasil e começou a sair com uma amiga minha. Eles acabaram casando, tiveram filho. Eu tenho uma banda, 3 Hombres, que é muito influenciada por ele. [Nick Cave] É o farol estilístico da banda, o meu especialmente, ele me influenciou bastante. Fiquei meio amigo dele, apesar de eu ficar sem graça perto dele. Ele ia aos shows dos 3 Hombres, foi a uns cinco, gostava da banda, tem o disco. Quando eu fui para Londres, saí algumas vezes com ele. Foi uma experiência engraçada – sob alguns aspectos “histórica” [risos]. O tecladista da banda dele, o Roland Wolf, tocou com a gente no primeiro disco.

Conte resumidamente a história da sua banda.
Ela surgiu também em parte por causa de um cara que admirava muito, que era o Cadão Volpato, um puta letrista e escritor, ex-funcionário da Trip. Eu ia a todos os shows do Fellini. Acho que um jeito de vestir, o cabelo arrepiado, andava meio rasgado, meio punk, e isso não era tão comum no começo dos anos 80. O Thomas [Pappon, guitarrista do Fellini] achou que eu tinha cara de vocalista e me chamou para tocar com ele. Tocávamos naquele esquema: enchíamos a lata para criar coragem, porque ninguém sabia tocar muito, íamos para a sala da casa, pendurávamos o microfone no lustre e fazíamos barulho: Beatles, Velvet, Echo and The Bunnymen. Um dia apareceu o Celso Pucci, um puta jornalista de música (da extinta Bizz), que iria se tornar o meu melhor amigo e grande parceiro de músicas, e se formou o 3 Hombres.

A sua filha, a Maria, é fã de Beatles, não?
É, de Beatles, do The Kinks, do Animal Collective, mas também [pausa] fã de RBD, Jonas Brothers, Hannah Montana, Demi. Lovato, né? Minha filha é a coisa mais importante da minha vida, ao lado da Marta, minha namorada, e da minha família. Segundo meu analista, eu não estaria vivo se não fosse ela. Eu levava um estilo de vida destrutivo. Dois caras da minha banda morreram, inclusive o Celso, que todo mundo conhecia por Minho K. A gente levava muito ao pé da letra o “sex, drugs and rock’n’roll”. Ela nasceu com um problema congênito no coração, fez uma cirurgia muito complicada aos 3 meses, ficou muito tempo na UTI, quase morreu. Minha vida realmente se transformou. Durante os três primeiros anos da Maria, me dediquei a ela, não fazia mais nada. Trabalhei meio período, eu e a Chris, a mãe dela. Foi bem difícil. Aos 2 anos teve o “turning point”. Depois de uma cirurgia aparentemente bem-sucedida, ela teve uma parada respiratória e uma lesão cerebral como consequência. Isso mudou nossas vidas. A dela e as nossas. Ela praticamente nasceu de novo. Passou a ser uma pessoa diferente. Não em termos intelectuais ou afetivos, mas em termos físicos. No começo, ela nem conseguia engolir e segurar a cabeça, era assustador. O prognóstico dos médicos era muito sinistro e desanimador. Mas a gente não desanimou. Não sei se todo pai é assim, porque o amor pelo filho é uma coisa mais forte do que a gente consegue imaginar, então a gente acreditou. Os médicos diziam que ela não ia passar daquilo. Colocamos a Maria na fisioterapia e ela foi surpreendendo todo mundo. Em um ano já estava 200 por cento melhor. Hoje ela é uma garota bastante feliz, amorosa. Digo isso porque alguém que vê de fora se impressiona. Ela não anda direito, precisa de ajuda para se vestir, para tomar banho, mas dentro desse universo de limitações ela conseguiu muita coisa e é muito feliz a despeito disso. Hoje ela vai para a escola normalmente. Na idade dela, está começando a sofrer um pouco de discriminação, uma coisa que acontece com todos os adolescentes que têm alguma coisa de diferente: os gordinhos, os quatros-olhos, a Maria que é deficiente física. Posso ficar dias falando sobre a minha filha. Penso em escrever um livro sobre ela. Ela ensinou muita coisa para mim, para a Chris [Couto, a mãe], para os meus pais e todas as pessoas em volta dela. É corajosa, vencedora. Eu tenho um orgulho gigante da minha filha.

Arquivo pessoal

6.Os irmãos, André e Marina. 7.Com a namorada, a fonoaudióloga Marta. 8.Os pais de Daniel Benevides, Maria Victória e Paulo. 9.Maria e Daniel. 10.Fantasiado de padre para uma festa junina.

6.Os irmãos, André e Marina. 7.Com a namorada, a fonoaudióloga Marta. 8.Os pais de Daniel Benevides, Maria Victória e Paulo. 9.Maria e Daniel. 10.Fantasiado de padre para uma festa junina.

E as mulheres, Daniel?
Elas têm um papel crucial na minha vida. Sou grande admirador delas em todos os aspectos. É meio óbvio o que eu vou falar: mulher é foda [risos]! Mulher é quem faz o mundo girar, é responsável por manter e proteger a espécie. Se os homens fossem capazes de procriar, eles estragariam tudo, eles são autodestrutivos, egoístas. E eu me incluo nisso. A Marta, que é minha namorada, por quem sou apaixonado desde que conheci, é umas três vezes mais bem preparada para a vida do que eu. Ela é fonoaudióloga, doutora, professora da PUC, tem consultório, escreve livro, trabalha pra caramba, é superindependente e ainda sabe aproveitar as coisas boas como ninguém. É uma baita mulher.

E a sua família? Seus pais e irmãos?
Esses, então, são meus verdadeiros ídolos! Minha mãe [Maria Victoria Benevides] é cientista política, escreveu vários livros impostantes, foi uma das fundadoras do PT, trabalhou no governo da Luiza Erundina. É expansiva, do tipo que domina a mesa no jantar com mil histórias. Meu pai [Paulo Benevides Soares] é tímido, mais introspectivo. Um nerd adorável até hoje. Foi primeiro aluno do ITA, dá para imaginar o naipe. Do meu pai eu puxei o terrível hábito de fazer trocadilhos [risos].

Essa estava na minha pauta, olha aqui!
Tanta coisa para puxar do meu pai.

E os irmãos?
O André é sete anos mais novo, uma figura muito especial. Ele é meio gênio. Fez várias faculdades, todas na USP e na Unicamp. Os interesses dele, como os da família, são diversos: física, economia, artes cênicas, linguística. Foi cantor também, dos Pin-Ups, por indicação minha. Minha irmã, a Marina, é maravilhosa, o arrimo emocional da família. É advogada, se formou na São Francisco e fez tudo certinho: prestou OAB, casou com um colega [o Luis] e tem duas filhas que eu adoro.

E para terminar, uma coisa que você adora: uma autopergunta. O que Daniel Benevides pergunta para Daniel Benevides?
P: Daniel, o que falta para você?
R: Falta eu ter coragem e disciplina de escrever um livro, e eu espero que seja o primeiro de vários.

*Diogo Rodriguez, 25, é vocalista de uma banda de rockabilly que não tem nome, fã de Frank Black e recém-convertido ao jornalismo; também gosta muito de Fellini e uma vez viu a Monique Evans de longe numa festa.

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Postado em 07.10.2009 | 17:10 | por Carol Nogueira
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Nesta seção, atualizada toda quarta-feira, publicamos uma entrevista feita por algum funcionário da casa. O entrevistado também sempre será da Trip. Criada originalmente para o blog interno da editora, fez tanto sucesso que resolvemos compartilhar com os leitores do site. Esta semana, repescamos uma entrevista que Carla Arakaki, da produção da revista customizada Natura, fez com Ricardo Braga, analista financeiro na editora.

- Bragolinooo, me avisa quando estiver tranquilo para nosso Papo da Quarta?
- Ih, esta semana está ruim, estou mexendo nos pagamentos da galera!

Opa, e quem sou eu para incomodar durante uma atividade tão nobre? Só que o moço ocupado acabou me dando pouco tempo e a entrevista ficou um pouco curta.

Por Carla Arakaki

Ricardo Braga, 30 anos, analista financeiro. Sempre bem-humorado, ele é agilizado, prestativo e inteligente. Poucos dos que passam pelo financeiro hoje em dia sabem de sua belíssima trajetória dentro da firma. Entrou na Trip como office boy, através de uma indicação de um amigo que conhecia a Ana Paula Wehba. “Eu conheci o Nivaldo com raiva dele, pois senti que minha vaga estava sendo ameaçada, já que ele entrou como motoboy. Alguns anos trabalhando juntos e acabamos formando uma grande amizade, hoje já o considero um irmão”.

Após uns quatro anos no cargo de office boy, com a saída da Ana Paula Accica, surgiu uma vaga no financeiro e o Suda (ex-diretor administrativo financeiro) deu a ele a oportunidade de trabalhar como assistente. Lembro dele comentando o quanto o Braga iria longe. “O Suda foi uma espécie de 'fada madrinha', pois acreditou muito em mim e me apoiou. Devo muito a ele por estar onde estou.”

Foi bem nessa época, na antiga Trip da Rua Lisboa (mais especificamente na saudosa “caverninha”), que dividi mesa e gaveteiro com o Braga, já que eu cuidava da circulação da revista e ele ajudava no financeiro. Dedicado, aprendia tudo com facilidade. Daí para analista financeiro I e, atualmente, analista financeiro II foi um pulo. "Foi uma grande trajetória de aprendizado, e alguns nomes de pessoas não posso deixar de citar, pois foram muito importantes em toda a minha permanência, como minha primeira gerente financeira, Simone, e a Mônica, que, para quem não sabe, já trabalhou no financeiro da Trip.”

Tem alguma história engraçada da época que era office boy?
Teve uma vez que fui com a Mônica ao banco e, nessa época, ela só usava saia curta. Tive que ficar aguentando as piadinhas dos outros boys, ela simplesmente parou a agência na Paulista.

Alguém já puxou o seu tapete?
Graças a Deus não e, se tentaram, não conseguiram, pode ter certeza.

O que você faria se não fosse analista financeiro?
A Bettina já está segurando minha vaga no RH.

Quais são seus planos para os próximos anos?
Meu único plano para o próximo ano é aguardar a chegada do meu filho(a).

E como você se imagina daqui a 30 anos?
Aposentado numa chácara no interior, longe da correria de São Paulo.

O que aconteceu com você, em um momento um solteirão inveterado e agora casado e pai de três filhos (dois enteados e um a caminho)?
A vida passa, a idade vai chegando, um garoto, antes solteiro inveterado, torna-se um homem com responsabilidades. Daqui a alguns meses meu filho(a) virá!

Arquivo pessoal

1. Meus pais e meu irmão. 2. Passeio ao zoológico. 3. Em Goiânia. 4. Em Maresias, graças ao Triplus. 5. Com a enteada

1. Meus pais e meu irmão. 2. Passeio ao zoológico. 3. Em Goiânia. 4. Em Maresias, graças ao Triplus. 5. Com a enteada



O que você gosta de fazer durante seu tempo livre?
Ficar com a minha família e tomar minha cervejinha. Futebol é lei. Cerveja é prazer.

Conte um pouco sobre sua família (pai, mãe, irmãos).
O que posso dizer sobre meus pais? Eu os amo muito, são pessoas muito especiais em minha vida, não saberia hoje viver sem eles, assim como meus irmãos.

Qual a melhor viagem que você já fez? E qual gostaria de fazer?
A melhor viagem que já fiz foi pra Goiânia, na qual andei pela primeira vez de avião. Gostaria muito de fazer uma viagem pelo Nordeste.

Arquivo pessoal

6. Lazer no fim de semana. 7. Minha família, Milca, Emily e Bruno. 8. Com a esposa numa churrascaria. 9. No Canindé vendo o time do coração. Vai, mengão!

6. Lazer no fim de semana. 7. Minha família, Milca, Emily e Bruno. 8. Com a esposa numa churrascaria. 9. No Canindé vendo o time do coração. Vai, mengão!



Já fez alguma coisa da qual se arrependeu? Nada de respostas clichês como "não me arrependo de nada do que fiz, pois tudo é aprendizado."
Só me arrependo das coisas que não fiz, como não ter viajado mais quando solteiro e não ter conhecido vários lugares, pois agora, casado, fica mais complicado financeiramente, as responsabilidades dobram.

Se você pudesse ter três desejos atendidos agora, quais seriam?
Ter uma vida financeiramente estável e bastante saúde, o restante vai se conseguindo com o tempo, pois tudo que vem fácil vai fácil, o que se conquista é mais prazeroso.

Como é uma refeição perfeita para você?
Uma deliciosa feijoada que não dispenso às quartas-feiras, principalmente quando faz frio.

Música ou televisão? Qual banda/programa preferido?
Adoro os dois, não tenho uma banda preferida, curto de tudo um pouco, do sertanejo ao rock. Na TV gosto de uma novelinha e de programa de esporte.

Hoje em dia você tem um gaveteiro só seu?
Ah, Carlinha, depois que você saiu do financeiro não divido gaveteiro com mais ninguém, ele é todo meu.

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Postado em 30.09.2009 | 15:10 | por Carol Nogueira
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Nesta seção, atualizada toda quarta-feira, publicamos uma entrevista feita por algum funcionário da casa. O entrevistado também sempre será da Trip. Criada originalmente para o blog interno da editora, fez tanto sucesso que resolvemos compartilhar com os leitores do site. Esta semana, repescamos uma entrevista que Emanuelle Saeger, do comercial da Trip, fez com Camila Fank, editora de arte na editora.

"Quem tem um não tem nenhum", já dizia o ditado popular. Tive um pequeno probleminha de percurso com meu entrevistado-corintiano-roxo (o ilustríssimo Sr. Cesar Bergamo), que anda ocupadíssimo entre fechamentos, planilhas e cursos. Mas confesso que foi uma ótima oportunidade de conhecer mais uma pessoa que há muito me chama a atenção: a Camis Fank.

Não sei se é porque nossa formação é a mesma (ambas fizemos desenho industrial) ou se ela me chama a atenção por mudar o cabelo com a mesma frequência que eu (acredito que ela mude muito mais). O fato é que Camis Fank é única, se destaca no meio da multidão, pois é autêntica (e, sim, porque tem cabelos ruivos - pelo menos até o fim desta entrevista -, e eu acho lindo cabelos ruivos). Te digo que foi uma delícia poder conhecê-la um pouquinho melhor. E, se foi bom para mim, será otimo para você ter um pedacinho da Camis Fank:

Por Emmanuelle Saeger

 

1. Família: casamento da irmã. 2. Papai, mamãe e Camis. 3. As duas grandes paixões, Alice e Mancha. 4. Camis pequenita em Santiago. 5. Nas férias em Santiago com o gatíssimo

A Camis veio de Santiago. Não, ela não é chilena e sim de uma cidade pequenina do Sul com 51.088 habitantes (população estimada em 2008). Deixa eu te mandar um link para você ver a cidade. Santiago é uma cidade de tradição literária conhecida como "a terra dos poetas". Camila faz poesia visual (para quem ainda não a conhece, ela é a nossa diretora de arte dos projetos especiais das revistas da Trip Editora), projetos lindos de se ver.

Pai e mãe ainda casados, Camis é a segunda filha (tem uma irmã mais velha e um casal mais novo). Com 15 anos seu coração mandava fazer teatro. O pai se recusou a ajudar. "Tudo menos teatro". Não fez nenhuma outra exigência. Cogitou fazer "aquela coisa da santa trindade": medicina/odonto, engenharia ou direito.
Optou por odonto. "Um dia fui a uma livraria pra ver uns livros de odonto e quase vomitei ali mesmo". O critério de escolha ficou simples: eliminaria qualquer coisa que envolvesse exatas e os cursos "com sangue" (calafrios).

Saiu de Santiago para fazer um intensivo (pré-vestibular) em Santamaria. Caiu no desenho industrial. Nada assim muito pensado, mas "aconteceu", assim como muita coisa simplesmente "acontece" em sua vida. E se encontrou. "Me apaixonei por design de embalagem e PDV". Se arrepende de não ter feito teatro? "Não. mas no fim a gente sempre acaba encenando um pouco, né? Hoje dou graças a Deus porque não deu certo". Pela questão da grana? "Digamos que eu aprendi a ser mais reservada por causa da minha (atual) profissão [risos]".

Morava em Porto Alegre já fazia cinco anos, trabalhando com direção de arte, ia pro trampo de bike, fazia kung fu e ia ao cinema. Um dia chegou naquele dilema: batalhar por uma agência grande lá pelo Sul mesmo (destas que deixam "a vida da gente sem vida") ou aventurar-se numa cidade maior? "Larguei tudo e me joguei". Veio para São Paulo, afinal de contas essa história de "não ter vida" não é com ela. Já tinha diversos amigos por aqui (literalmente, em Pinheiros) e veio de mala e cuia para cá. E não bastasse a mudança de cidade resolveu também mudar de profissão: cansou do computador e resolveu fazer um curso de produção de moda e figurino. Quando ela me contou isso parecia um déjà-vu, afinal de contas, a moda é algo quase que intrínseco ao seu DNA. Camis está sempre estilosa. Era tão óbvio, pensei.

"Procurei trampo na área, mas não rolou. óbvio, né? Não conhecia ninguém! E nesse mundinho 'faxion' tem que ser amiguinho, 'bee'. Quando terminei os cursos fui trampar na Cavalera, fazendo vendas em showroom de coleção, e depois fui para a MTV".

Haja fôlego para acompanhar tantas mudanças. Camis Fank deixa a maré levá-la. É uma pessoa "easy going", que acredita na vida e nas pessoas. "Às vezes eu me f*** com isso. Mas, em princípio, tu é do bem, até que tu mesma me prove o contrário. Prefiro acreditar nas pessoas primeiro". E foi por também acreditar nas pessoas que André Felipe acabou por trazer a Camis aqui para a Trip.

"Tinha entrado no site da ag407 [agência onde trabalhava o André Felipe] e mandei um e-mail falando quem eu era, de onde eu vinha e o que eu procurava. Me convidei para tomar um café com eles. No máximo, receberia um não. Daí o André respondeu. Fui tomar um café com ele no Suplicy e ficamos conversando um tempão. No fim da conversa ele me disse que tinha uns projetos pra fechar (ele já tinha saído da agência) e queria me chamar. Óbvio que eu fui embora rindo, imagina, nem viu meu portfolio, nem nada. E não tive indicação de ninguém. Voltei para meu emprego e uma semana depois eu já estava tendo doenças psicossomáticas por causa daquele lugar. Chutei o balde".

"E como nada é por acaso, dois dias depois ja estava frilando numa outra editora, cobrindo as férias de um funcionário. Eis que um dia, almoçando com uma amiga, quem liga? 'Andrefilipson'. Nem acreditei, Daí fechamos de trampar juntos. Eu comecei a fazer assistência pra ele nos trampos aqui na Trip e numa assessoria de imprensa. Trabalhava em casa, de pijama, 'tri' bom. Acabei focando mais na Trip, comecei a vir mais pra cá, daí a Trip me chamou e eu vim. Tô aqui".

Pura sorte? Chamo isso de "o poder da empatia". Sim, ainda existe gente que se guia por este "sexto sentido" (ou sei lá o quê). E pelo que vejo muitas vezes costuma dar até mais certo que as mil análises junguianas de personalidade ou de currículo. Dois anos depois e 200 cortes de cabelo nesse mesmo período (ou quase isso) André está na agência Africa, mas continua batendo cartão nos encontros da galera Trip no Rubi. "Até hoje, o André foi o chefe menos chefe e mais amigo que eu já tive. Muitas conversas sem crachá".

 

6. Alice, a fábrica de bochechas. 7. Versão blonde com o negão. 8. Irmã. 9. Na banda tocando baixo. 10. Irmão

E tirando o crachá descreveria a Camila como uma mulher-menina que não gosta de (nem quer) ficar parada. Chegar em casa e se jogar no sofá? Só se for para acessar as tendências de moda, beleza (leia-se, cabelos) e design. Ávida por novidades! Tanto que seu sonho de consumo é uma casa no campo (detalhe: com wi-fi e conexão de 50 Mb). Camis é diferente da maioria das pessoas que conheço que quando saem do trabalho mal veem a hora de chegar em casa. "Só se não tiver nada mais interessante para fazer!" Sede de aprender e saber o que há de "legal, bonitinho e útil pelo mundo". Sonha em não precisar mais dormir nem descansar, pra poder pôr em prática tudo o que "está na cachola". Camis Fank sai da Trip literalmente "caçando o que fazer", seja cortar cabelos, ir pra academia ou encontrar os amigos.

Aqui vale mais um parágrafo. Sim, você leu direito: nossa entrevistada também é cabeleireira profissonal. Tem até um flickr com o antes e o depois de seus clientes e passou parte da entrevista tentando me convencer a mudar (de novo) meu visual. A história dos cabelos começou lá por 99 na faculdade, porque não gostava de como ficava o corte quando saía do salão e acertava sozinha em casa com tesoura de cozinha mesmo. Com essa arma infalível foi que se aventurou por cabelos de namorados e amigos. Ano passado teve uma festinha (o dia de beautè) na casa da Lucia e do Tosca (uns dos melhores amigos da época de faculdade) e cortou cabelos lá no esquema "paga quanto vale", cuja renda foi revertida pra viagem dos amigos. Todo mundo gostou e começou a perguntar quando e onde seria o próximo. Uma amiga (a Carol) que apresentou a Larissa (dona do salão) e começou a cortar. Hoje faz um curso profissional, mas ja é formada "pela vida".

Sossego? Domingão, no colo do namorado, com quem está ha cerca de nove meses. "No primeiro 'hair day' eu cortei o cabelo do gato, que até então era só amigo. Errei tudo. Ficou torto, foi a primeira vez que usei uma máquina de cortar cabelo. Mas no dia seguinte a gente já se beijou". Sim, existe romantismo no coraçãozinho agitado de Camis Fank, e muito. Adora crianças, mas não pensa em filhos por agora, e passa horas da semana ao lado da Alice (filhinha da Lucia e do Tosca, hoje com 2 meses e meio), sua grande paixão (ao lado do gato, claro.).

Fico intrigada e volto à questão dos cabelos (talvez por buscar uma resposta para minhas próprias constantes mudanças de visual). E por que mudar toda hora de cabelo? "Eu adoro mudar meu cabelo, porque cabelo cresce, é diferente de uma tatuagem. Então, quando eu enjoo de me olhar no espelho, mudo o cabelo". Mas tem a ver com uma mudança interna? "Sim, normalmente é quando entro em uma nova fasse da vida. Mas quando descolori o cabelo este ano foi super para dar uma chacoalhada". Ou seja, existem os dois processos. O cabelo que combina com a nova fase (se está vivendo) e o cabelo que pede uma nova fase. Certo? "Exato. Logo que descolori, eu mesma me olhava no espelho e não me reconhecia. mas não demorou muito para eu me'redescobrir' dentro daquele look. E adorei ficar blonde. Só que logo enjoei. gosto de cores fortes, por isso ja tive todos os tons de vermelho".

Forte mesmo é a personalidade de Camila. Por trás dos serenos olhos azuis (verdes, dependendo do dia) ela diz que herdou da mãe "a faca na bota" (diz que não leva desaforo pra casa). Mas pelo pouco que conheci desta pessoa alegre e com sede do novo. existe um longo caminho a percorrer antes de tirá-la do sério.

Termino esta entrevista querendo mais. Com aquela sensação (ou melhor: certeza) de que há ainda muito por dizer de Camis Fank. Foi tudo muito rápido e bem em cima da hora.

"Me adapte-me
Me capte-me
It's up to me"

Como eu disse a um amigo "Acho que ela é mais. Mais do que ela conseguiu me dizer e mais do que eu consegui perguntar" (e olha que meu texto está longo! rs).
Mas foi muito bom. Obrigada, Camis.

*Manu, Manu, Emmanuelle (leia com entonação francesa por favor, fazendo biquinho), trabalha no comercial da Trip, aqui no terceiro andar. Está na Trip há exatamente um ano (completado há 5 dias). Formada em desenho industrial como yo. Nunca cortou o cabelo sozinha, mas vive mudando o visu. (Por Camis Fank)

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Postado em 23.09.2009 | 19:09 | por Carol Nogueira
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Nesta seção, atualizada toda quarta-feira, publicamos uma entrevista feita por algum funcionário da casa. O entrevistado também sempre será da Trip. Criada originalmente para o blog interno da editora, fez tanto sucesso que resolvemos compartilhar com os leitores do site. Esta semana, repescamos uma entrevista que Marcela Buquera, produtora da Tpm, fez com Andrezza Zimenez, estagiária de produção da revista.

 

"Com 8 anos eu era metida, magrela e de franjinha. Acho que não mudei nada, né?".

Foi com essa frase que a Andrezza legendou sua foto de quando tinha 8 anos, publicada no Badulaque da edição de setembro da Tpm. Quem olha pra ela hoje pode ficar com essa impressão, mas venho, por meio do papo de quarta, mostrar que a primeira impressão dela não é a que fica ou pelo menos não é a que deveria ficar. Tem muita coisa por trás dessa franjinha.

 

1. (da esq. pra dir.) Olivia, Martina, Mel e Yeska, falta o Bartolomeu, a Cindy e gata Theodora. 2. Com 1 aninho. 3. Colação de grau da faculdade de desenho industrial, em 2006. 4. Depois desse dia já aumentou.

 



Escolhi a Andrezza porque acho que vocês merecem conhecer melhor esta pessoinha que em apenas três meses ganhou minha admiração e estabeleceu comigo uma cumplicidade de anos. E também porque acho uma loucura que essa magrela metida e de franjinha adore futebol e tenha orgulho de ser corintiana, maloqueira e sofredora. Falamos de Andrezza Aldrighi Zimenes (o nome é uma variação dos Gimenez e Ximenes que existem por aí, ela disse que todas as variações são resultado de erros ortográficos na hora do registro, inclusive o dela), que é estagiária de produção da Tpm desde junho, tem 23 anos, sete tatuagens, é formada em desenho industrial pela Faap e no momento cursa design de moda na Belas Artes. É apaixonada por moda, para vestir, criar e comprar. Consumista assumida, porém consciente, adora comprar roupas e não dispensa uma ida ao Bom Retiro ou à 25 de Março, talvez esteja aí nossa identificação. Está sempre muito bem informada sobre as novas tendências, para isso devora revistas de moda e vasculha vários blogs e sites sobre o assunto. Quando criança queria ser cabeleireira e professora nas horas vagas, a vontade de dar aulas continua e a cabeleireira entra em ação sempre que decide mudar de visual.

 

Além de moda, Andrezza é apaixonada pelo Thiago, que namora há um ano, completado no dia 7 de setembro. Pouco ansiosa já estava falando desse aniversário de namoro um mês atrás, decidiu dar de presente uma tatuagem, a palavra "Grazie", obrigada em italiano. Fez para agradecer esse momento de sua vida. Thiago tem 20 anos e joga no time de futebol de salão profissional do Palmeiras, ele treina e mora em Jundiaí. A distância não tem sido problema para os dois, que costumam se falar pelo menos quatro vezes ao dia, e o futebol, muito menos, afinal Andrezza é fanática pelo esporte. O único problema é o time, ela e ele são corintianos roxos, mas tudo bem, vale tudo para torcer pelo amado. Mora com os pais, Liza e Maurício e o irmão mais novo, Alessandro, de 20 anos. Na casa dela todos são corintianos e adoram assistir juntos aos jogos, possuem até uma espécie de ritual. Eles sempre assistem juntos aos jogos do Timão, cada um no seu lugar do sofá e devidamente uniformizados. Além disso, a mãe, Liza, tem que colocar um par de chinelos na frente da TV, garante que ajuda.

 

5. Foto do book que fez com 8 anos, com ele ganhou um concurso de beleza na época. 6. Festa à fantasia com as meninas da Belas Artes. 7. Aqui é corinthians, p#@!!! 8. "Meu melhor jogador no começo da carreira".

 

 

No dia da entrevista, de manhã, foi a última vez que chorou. Foi enquanto contava sobre um casamento para uma amiga, detalhe: ela só estava contando a história. Casamentos mexem com ela, seu grande sonho é casar e ter uma festa linda. E olha que não vai dar trabalho algum, a moça já tem tudo definido, decoração, músicas, convidados e, claro, o vestido e o arranjo do cabelo, para este tem duas opções até. É muito chorona, chora por tudo, tristeza, felicidade e principalmente TPM. Não lembra a última vez que fez alguém chorar, mas acha que foi o Thiago. Desde que começou a namorar com ela ele ficou muito mais sensível.

Com o Thiago morando em Jundiaí eles aproveitam o tempo livre pra ficar juntos, muitas vezes os jogos de salão do Palmeiras acontecem nos fins de semana, o que também é ótimo, afinal ela adora vê-lo jogar. Lembra que a última vez que viajou foi para o Guarujá, nunca saiu do Brasil, mas morre de vontade.


A calça jeans que estava usando na entrevista foi sua última compra. Adora comprar, mas não é nada apegada, com a mesma facilidade que as roupas novas entram no guarda-roupa, as desatualizadas saem. O apego só permanece com seus 69 pares de sapatos, quer dizer, eram 69 no dia da entrevista, hoje já são 74. E de sapato ela entende, viu, seu apego com eles é tanto que já até trabalhou em uma loja especializada, só para ficar mais perto dos meia patas, peep toes, Cano e Gaspias. Compra bastante, mas também porque adora dar presentes, quando não compra, ela mesma os faz. Sim, minha entrevistada possui muita habilidade com trabalhos manuais, ela borda, costura e desenha muito bem.

 

9. Os avós mais perfeitos. 10. "Meu avô é demais!" 11.No jogo do Coringão com o Thi.

 

 

Um fim de semana perfeito é de comilança, adora comer e cozinhar. Para cozinhar os doces, para comer os salgados, na verdade para comer tudo. Ela encara desde buchada de bode até um chuchu bem-feito. Mas com muita investigação descobri três coisas de que ela não gosta, bem peculiares por sinal. Ela não come o grão do feijão, manga de jeito nenhum e nem pastel murcho, tem que ser fresquinho, frito na hora. Para completar um bom fim de semana só mesmo uma bela partida de futebol. Fim de semana perfeito tem jogo e boa comida!

Quando eu perguntei qual era a maior loucura ou extravagância que já tinha feito, na hora respondeu, "ah, nenhuma", como assim nenhuma? E esse monte de tatuagens? E as mudanças de cor de cabelo? "ahhh, mas isso não é loucura!" Ok. Mas eu sei que ela fez um piercing no freio da boca, é aquela pelinha na gengiva na parte de cima da boca sabe?! Tomei a liberdade de escolher a loucura dela.

Não dá para escolher uma pessoa só como grande amor da sua vida, escolhe sua família e o Thiago. Seu maior temor é perder os avós, a pessoa que mais admira e com quem é mais parecida é sua mãe, Liza. Suas maiores virtudes são a sinceridade e o otimismo. Já a insegurança e "essa banhinha", jeito como se refere a um pequeno acúmulo de pele na barriga, são as coisas que mais detesta em si mesma. Não se arrepende de nada que já fez na vida, valoriza muito uma amizade sem cobranças.

Adora seus pais e faz questão de dizer que tem um orgulho enorme do namorado. Acha que muitas vezes é grossa quando fala com os outros, mas engrossa mesmo é com pessimismo, não gosta de gente pessimista. Já brigou algumas vezes de sair na mão, mas curte mesmo um bate-boca, sua média é um por dia. Muito curiosa, não segue uma religião, mas procura saber sobre várias, acredita em nenhuma e em todas ao mesmo tempo, assimila o que de melhor cada uma lhe traz. Moraria na Itália e passearia em Paris.

Seu bem maior? O guarda-roupa! Mas quando pergunto o que salvaria na sua casa em caso de incêndio ela responde sem pensar 'meus seis cachorros e meu gato". Não sente raiva nem ódio de ninguém, acha que isso não leva a nada. Quem queimaria agora? Ela pensa e começa a rir "nossa, tem muitas pessoas que precisam de um bronze".

Seu maior sonho é casar e ter filhos, dois, um menino, Thomáz, e uma menina, Clarissa. Quer também ter um negócio seu, que com certeza será ligado à moda. E quando envelhecer quer sua casa cheia de netos para ela fazer um monte de comidinhas gostosas, mas ressalta que vai ser uma avó com muito estilo. Quer morrer de velhice ao lado do Thiago depois de assistir a muitos jogos dele pela seleção brasileira.

 

*Andrezza avisa: Se você tem dificuldades de relacionamento, precisa conhecer a Marcela. Ela faz qualquer um ficar à vontade, e quando você vê está contando todas as suas intimidades (não que eu seja muito acanhada, né?). A convivência anda tão intensa que a gente até já fala coisas ao mesmo tempo.

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Postado em 09.09.2009 | 16:09 | por Diogo Rodriguez
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Nesta seção, atualizada toda quarta-feira, publicaremos uma entrevista feita por algum funcionário da casa. O entrevistado também sempre será da Trip. Criada originalmente para o blog interno da editora, fez tanto sucesso que resolvemos compartilhar com os leitores do site. Esta semana, repescamos uma entrevista que Anabelle Custódio, produtora da Trip fez com Caio Ferretti, repórter da revista.

Fanfarrão é o seu codinome. Escorpião é seu signo. Motivado pela busca de uma boa declaração e de uma boa “gelada”, Caio Ferretti não mede esforços para manter sua imagem de bom repórter. Iniciado na arte de entrevistar viajando, ele é o responsável por algumas das matérias sobre esportes e bizarrices que você lê na Trip. Num bate-papo que tivemos em uma quinta-feira pré-balada, parecia pouco provável que ele me revelaria tanto. Isso, claro, antes da quinta cerveja.

Caio_01

1. Pagando de Duran em Itacaré (BA). 2."Acho que tive uma ideia". 3.Violão na mão desde os 12 anos. 4.Com as amigas de Redação Fê Danelon e Camila

Tá gravando?
Ta gravando!


Qual é o mistério do X-Carnão? Por que algumas pessoas da Redação te chamam assim?
Depende do que você se refere. A real?! Um amigo meu mandou uma carta para a Trip comentando um ensaio de Trip Girl falando que a menina era um “X-Carnão”, querendo dizer que ela era gostosa. E pelo fato de ser meu amigo a expressão foi passada para mim, começaram a me chamar de “X-Carnão”. Mas eles também consideram a ideia de que o homem que fala grosserias é um “X-Carnão”.


Mas você não é assim, né?!
Eu não! Eu sou um amor!


Mas, então, me conta. Como é que funciona com a mulherada?
Mas, espera aí, Anabelle. O que você quer com esta entrevista?


Então conta como você veio parar na Trip? Foi a Fê (Fernanda Danelon, editora) que te trouxe?
Não. Ela ainda não trabalhava na Trip. Vim em março de 2007, quando o Giuliano Cedroni era diretor de redação. O Giuliano é primo de uma tia minha. Nessa época eu trabalhava na assessoria de imprensa do Detran e estava querendo sair de lá. Minha tia falou do primo na Trip, e eu pedi pra ela ver se estavam precisando de alguém. Ele já estava de saída daqui, mas disse que tinha uma vaga de estágio e marcou um dia para eu vir à Trip fazer uma entrevista com o Ronaldo Bressane [na época redator-chefe] e com o Filipe Luna [editor]. No fim quem me entrevistou foi o Bruno.


O Bruno Torturra?
Isso. Ele o Filipe Luna.


Como foi essa entrevista?
Na verdade nem foi uma entrevista. A gente ficou conversando, batendo papo e tal.


Mas você ficou nervoso com a entrevista?
Não. Na verdade eu não costumo ficar muito nervoso com entrevistas. E eu já estava empregado, então, se eu viesse, era lucro! Onde eu estava já haviam falado que eu seria efetivado quando terminasse a faculdade.


Lá no Detran?
Isso, no Detran. Tudo bem, eu não estava me divertindo muito lá, mas era um trabalho. Mas eu queria algo mais interessante.


Cê ta brincando?!
Não! Eu larguei um estágio que eu recebia uma grana, com efetivação garantida, pra tentar um estágio, com um contrato de apenas três meses. Mas eu iria aprender mais, me interessar mais! Achei que valia a pena arriscar. Comecei na semana seguinte da entrevista.


E aí você foi sentar do lado do Bruno?
Isso, desde que eu cheguei sento no mesmo lugar. Já estou criando raízes lá! Outro dia até sonhei com isso. Houve uma mudança na Redação, entraram pessoas novas, a Ana, o Millos; o Elohim mudou de lugar. Sonhei que tinham me mudado de lugar também.


Ahh! Você ficou com medo porque você não quer sair da frente da Kátia Lessa (Kakau), né?!
[Risos] Não. A vista é sem dúvida agradável, né? Mas eu gosto de estar no corredor porque toda hora passa alguém e te cumprimenta, puxa assunto. Então você acaba conhecendo mais gente, apesar de ser difícil de se concentrar.

 

Caio_02

5. Caio durante a festa latina na Trip. 6. O primeiro rolê de skate, aos 2 anos, empurrado pelo irmão. 7. Se fosse um personagem dos Simpsons. 8. Sussurros no ouvido da Kakau

Gostaria que você contasse mais sobre o Detran, onde você trabalhava antes.
Assim, pensa que em assessoria de imprensa você tem que trabalhar pela boa imagem da instituição. Imagine ter que trabalhar pela boa imagem do Detran. É foda! Minhas funções eram escrever matérias pro site e responder uma caixa de e-mails só de “bucha”. E era ruim por quê?! Porque a maioria das matéria era sobre nego preso pelos policiais do Detran, que é um órgão da polícia. Direto os policiais me ligavam na assessoria de imprensa: “Caio, prendemos um cara aqui, vem fazer uma matéria”. Eu chegava lá, o cara tinha acabado de ser preso, eu tinha que entrevistar, às vezes tirar foto. Aí subia para minha sala e postava a matéria da prisão no site. E quando era o caso de uma prisão mais “cinematográfica” eu tinha que divulgar para todos os jornais e revistas. Às vezes, apareciam todas as redes e jornais, Folha, Globo. quando eram os casos mais quentes mesmo, e aí eles queriam falar com o cara, fotografar o cara, e não era muito agradável.


Mas teve algum caso que você lembre que estourou na mídia?
Poxa, teve muitos casos que passaram nos jornais da Globo e tal. Mas eram crimes de trânsito, a maioria era de clonagem de placa. Eles colavam fita isolante para adulterar o número. Mas uma coisa que eu senti que é muito forte lá foi a treta entre polícia civil e polícia militar. Porque o prédio do Detran é quase todo da polícia civil, delegados, investigadores. Mas tem um andar que é da polícia militar. Eu mantinha amizade com os dois lados. Uma vez um delegado me chamou pra dizer que eles haviam prendido um cara da PM e ele queria que eu divulgasse isso, fizesse matéria. Aí eu falei que trabalhava para a Secretaria de Segurança Pública, da qual a PM também faz parte. Lá é tudo muito lento, muito burocrático.


E, antes de ir para o Detran, você trabalhou em algum outro lugar?
Antes de ir para o prédio do Detran eu trabalhei na assessoria da Secretaria de Segurança mesmo, lá no centro. Basicamente era escrever sobre os eventos que o secretário ia e mais alguma coisa para o site.


Era uma vida de funcionário público, então?
É mais ou menos, mas a área de imprensa desses órgãos não precisava de concurso pra entrar. Na Secretaria, por exemplo, as matérias que fazíamos eram sobre os BOs. Os BOs chegavam pelo fax. Tinha uma caixa de papelão cheia, era só escolher um caso e escrever a matéria com base nas informações do BO. Às vezes tinha que ligar para o delegado, senão era só jogar no site.


E o jornalismo? Como foi isso? Foi sua mãe que falou pra você que o sonho dela era ter um filho jornalista?
Não, quando eu estava no segundo colegial eu tinha aulas eletivas de tarde, que eu podia escolher entre uma série de matérias. Aí eu escolhi uma que chamava laboratório de texto.


Qual era o nome do colégio?
Era colégio Santa Maria. Nessa aula era uma bagunça pesadíssima! E quase toda aula tinha que escrever uma redação, e só ia embora a hora que entregasse. E eu conseguia fazer o texto em 20 minutos e ir embora. E ainda tirar umas notas boas. E a galera ficava puta comigo, porque eles ficavam se matando para fazer os textos e não iam bem. Foi quando eu achei que sabia escrever um pouco. Mas eu sempre gostei desse negócio de bastidores, de viver a história para contar depois. No primeiro ano de faculdade eu não sabia se era isso, mas hoje não me vejo fazendo outra coisa! Minha mãe disse que uma vez eu falei que queria fazer jornalismo pra viajar.


Falando em viagens, né?
Todas as viagens que fiz trabalhando foram pela Trip. E foram muito boas. Hum, não, com exceção de uma que eu tive de passar cinco dias sozinho em Riviera de São Lourenço, para a edição de dezembro de 2007. Estava chovendo, eu tinha que achar uma história de qualquer jeito, passei muita tensão. Mas acabou dando certo. Antes dessa teve uma pra Itacaré, a primeira que fiz pela Trip, pra acompanhar o WCT de surf feminino. Foi do caralho! Conheci muita gente do surf. Fiz muitos contatos, gente com quem tenho contato até hoje. E foram quase nove dias seguidos de festa todo dia. Se não tinha festa da Billabong, tinha festa dos jornalistas. Íamos para a pousada de alguém que fazia festa, churrasco.


E tudo foi muito bem apurado, né?
[Risos] Teve outras legais. Uma vez fiquei nove dias entre o sertão da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Era o Brasil Wild Extreme. Foi demais também! Eu, que sou viciado em paisagem de praia, caí no sertãozão, no meio do rio São Francisco. Aquilo sim é que é paisagem.


Mas você já se imaginava fazendo matérias de esportes?
Eu acabei abraçando as matérias de surf. E é um assunto de que eu gosto, né?


Mas não só de surf. Você acaba sempre sendo cotado para as matérias de esporte em geral.
É, por exemplo, corrida de aventura. Vão mandar eu ou a Kakau? O moleque ou a moça?
Então acabava indo eu. E também porque as vezes em que eu fui a corridas de aventura não eram matérias grandes, era só para reportar mesmo. Diferente da Jamaica.

Você surfa?
Não posso me chamar de surfista. Adoro praia! Faço bate volta direto com os amigos. E eu não fico nessa pegada de “vamos surfar”, de acordar cedo para surfar. Eu sempre estou na pegada da bagunça, da noite. Comecei a me envolver com o surf na Trip mesmo. Mas as vezes peço uma prancha emprestada para os amigos.

Caio_03

9. Galera reunida: Shoiti 2008. 10. Como um violão abre portas. 11. Pausa no trabalho para oração. 12. Vaaaiiii Corintiiiaaaa

Vai, me conta das festas da empresa, do Shoiti. Entrega todo mundo!
Putz, no primeiro Shoiti que fui eu estava de braço quebrado! Quebrei numa bobeira. Estava jogando bola com a galera da Trip na quadra aqui do lado, uma quadra que certamente tem um cemitério indígena embaixo.


Sério? Por quê? Muita gente já se machucou lá?
Orra, uma galera já se machucou ali. O Califa e o Paladino me levaram para o HC na hora, e cheguei lá os caras mexeram no meu braço tentando encaixar o osso. No dia seguinte já operei, coloquei uma placa e seis parafusos que me acompanham até hoje.


E de moto?
De moto caí três vezes. Nunca quebrei nada. Me ralei bem, cortei, mas nunca quebrei.


Onde você nasceu? Como foi sua infância?
Eu nasci em São Paulo. A família inteira da minha mãe é do sul de Minas. São dez irmãos, vivem numa fazendona lá. E meu pai é do interior de São Paulo. E eu sempre fui para Minas, passava duas semanas, um mês na fazenda com meus primos.


Você tem irmãos?
Tenho dois irmãos mais velhos. Um está fazendo mestrado de esportes na USP. E o outro é formado em ADM e trabalha na IBM. Todo mundo mora em casa ainda. O mais velho é noivo, namora há oito anos. É igual ao Alex [arte Trip], sabe? Fica enrolando a mulher [risos].


Ah, então é só você que quer ficar na bagunça!
Eu namorei muito tempo quando era adolescente. Namorei quase quatro anos. Aí eu terminei no segundo ano da faculdade. E fui aproveitar! Pelo menos agora eu sei que quando eu namorar já aproveitei pra caramba. Não preciso ter essa preocupação.


E o que seus amigos falam de você?
Puxa. Eles falam o contrário do que você falou, que eu sou o comportado. Eles falam que eu sou o fanfarrão da galera. Quando eles não têm o que fazer ligam pra mim e perguntam o que tem, falam que eu sou o promoter. E como eu sou solteiro, sempre bagunçando, eles chamam essa responsa pra mim. E é mais ou menos isso. Dizem que sou o fanfarrão da turma!


Então conta uma história da sua adolescência, com seus amigos.
Bom, eu adoro viajar! Não só as de trabalho, mas as viagens com os amigos. E isso desde adolescente, desde quando eu pude começar a viajar mais. Meu pai era bem controlador, não era a pessoa mais liberal, mas ele morreu quando eu tinha 17 anos. Depois disso ficou mais liberal, porque minha mãe é o contrário, ela não fica em cima. Foi aí que comecei a viajar mais com a galera. Numa dessas, quando eu ainda era moleque, passei oito dias viajando com mais quatro amigos parando de praia em praia até chegar a Santiago, no litoral norte. Tudo que a gente tinha era um carro, nada de lugar pra dormir ou qualquer coisa.


Sem tomar banho?
É, a gente descolava lugar pra tomar banho, lugar para dormir. Parávamos nas praias e já saíamos sacando os lugares, uma padaria que tinha banheiro e dava pra tomar um banho de pia. Sacávamos um lugar onde tinha ducha, sacávamos um lugar para poder dormir. Normalmente a gente virava a noite em alguma festa e dormia na praia depois que amanhecia.


Esses amigos são da faculdade?
Não, são do colégio. A maioria dos meus amigos, os que saio nos fins de semana, é do colégio. Mas tenho amigos da faculdade também. Passei as últimas três viradas de ano com eles. Mas, como eles são de São Bernardo, não dá pra ver sempre. Já o pessoal do colégio mora perto de mim.


Uma entrevista do caralho que você fez?
Não foi uma entrevista, mas sim uma matéria. A matéria do MST no litoral do Ceará. Um lugar sem nada, só água de poço, comíamos o peixe que os caras pescavam na hora, dormíamos em rede. Foi uma experiência interessante passar uns dias acampado com eles. Outra também foi a das mobiletes, repercutiu muito. A galera fala bastante. Uma entrevista de que gostei bastante foi com o Rodger Klingler, um alemão que veio pro Rio de Janeiro de férias, conheceu a cocaína, tentou levar 1 quilo pra Alemanha e foi preso no aeroporto. Ficou cinco anos rodando pelos presídios do Rio. O cara tem muita história pra contar.

Caio_04

13 .Na formatura de jornalismo, em 2007, com mãe e padrinho. 14 ."Meu escritório é no rio São Francisco". 15. Em Delmiro Golveia, sertão de Alagoas. 16.Sandboard nas dunas de Jericoacoara (CE)

Além de revista gostaria de trabalhar com o quê?
Ah, eu gostaria de trabalhar com vídeo, com TV. Gosto muito de documentários também. Só não gostaria em jornal diário, que deve ser foda.


Você não chegou a trabalhar em jornal impresso?
Não, nenhum. E só vou trabalhar como última opção. Todo dia é muita correria. Não nasci para a correria, não! Gosto de ter tempo pra desenvolver as pautas.


Você só quer saber da vida boa.
Olha, eu estou todo dia tentando alcançar a vida boa. Quem não está? Por que tem tanta gente jogando na Mega Sena?


Mas tem também o prazer do trabalho.
Mas de repente não é o prazer do trabalho, é o prazer de estar ocupado, de estar fazendo alguma coisa, estar em atividade. Ninguém gosta de ócio!


E quem você gostaria de entrevistar neste momento?
Pô, tem várias pessoas que eu gostaria de entrevistar. Acho que neste momento seria alguém da política. Ah, eu gostaria de entrevistar o Sarney.


E se você tivesse direito a uma só pergunta?
Pô, tem como arrumar um emprego de assessor pra mim? [Risos.]

Poxa, Caio, achei que você faria uma pergunta em prol do país.
Ah, eu podeira fazer uma pergunta em prol do país. Mas se eu tivesse uma pergunta eu faria essa [risos]. Tá, eu perguntaria se a filha dele tá solteira. Porque aí eu conseguiria a filha e o emprego também [risos].

Uma Negras?
Agora não tem tanto sentido, mas eu gostaria de fazer uma Negras com o Zack De La Rocha, do Rage Against the Machine. Agora não tem tanto sentido porque o cara tá sumidão. Esse cara tem uma puta história, um engajamento social pesadíssimo. Quando aconteceu o 11 de setembro, as músicas do Rage Against foram proibidas de tocar nas rádios dos Estados Unidos, porque os caras têm um apelo enorme com essa questão.

Você é ligado em política?
Putz, não sou não. No jornal é o último caderno que leio. Mas acho que, principalmente agora, com esse monte de coisa acontecendo, tenho que estar ligado em política. E é interessante, às vezes. Pode soar chato uma entrevista com um político, mas o cara pode falar coisas bem mais interessantes do que um músico, por exemplo. Mas é o que chama mais a atenção da galera. Por exemplo, a Negras com o Ronaldo. Uma puta chamada, mas o que o cara falou de tão revelador?

E já rolou de você entrevistar uma pessoa que falou alguma coisa que você sabia que era mentira?
Hum, acho que aqui na Trip isso não rola muito, porque nós não lidamos com pautas que seja necessário o cara mentir. Talvez no Detran. Lá sim! Lá os caras têm motivos para mentir. E eu sentia que eu era um incômodo muitas vezes para eles. Quando eu aparecia pra perguntar algumas coisas eu sentia que eu era incômodo. Não estavam a fim de resolver bucha lá!

Você é um bom moço, né, Caio? Do tipo que se pode confiar! Acho que qualquer mulher entraria no seu carro.
Talvez eu passe essa imagem mesmo. Isso é bom. Teve um caso, uns três meses atrás, que conheci uma moça na fila de uma balada. Enquanto a gente conversava contei que no dia seguinte iria pro Guarujá. Ela é gaúcha, não conhecia o litoral daqui. E convidei ela por convidar, tipo: “Se você quiser aparece lá”, mas com a certeza de que ela não iria. No dia seguinte, eu ainda estava na estrada, e ela me ligou dizendo que já estava lá no Guarujá me esperando. Depois ela disse que só fez isso porque eu havia passado confiança pra ela.

Você faz planos pro futuro?
Eu não penso nisso! Não gosto de pensar muito longe. Agora, por exemplo, só estou planejando o que vou fazer até a semana que vem.

Mas existe alguma coisa que você quer fazer na sua vida?
Quero subir o litoral do Brasil de carro, percorrer inteiro. Passar alguns meses subindo de praia em praia, acampando. Eu e alguma namorada.

Adorei, Caio!
É, essa é uma viagem que eu pretendo fazer em casal. Mas também se eu fizesse com a galera toda seria animal! Nas férias eu viajei com dois amigos meus e foi uma coisa absurda! Fizemos um tour no Nordeste. Mas essa eu gostaria de fazer de casal. E tem que ser parceira de bagunça, companheira de tudo! Mas não penso em casar. Talvez porque, como eu disse antes, estou planejando só o que vou fazer nas próximas semanas.

Quer ficar na vida loka?!
Num é isso! Mas tem nego que fica planejando o que vai ser daqui a dez anos e não aproveita o dia a dia. Aí quando chega lá na frente e não consegue o que planejava percebe que não fez porra nenhuma nesse tempo. Claro que é bom ter objetivos, mas prefiro viver o presente. Pelo menos quando eu chegar lá na frente vou saber que aproveitei muito.

*Anabelle é produtora da Trip há um ano e cinco meses, mas para a Redação é bem mais do que isso. Há quem diga que a moça caiu num balde de poção não identificada quando era criança. Resultado: uma sequência de atitudes loucas dificeis de compreender. No mais, foi coroada Miss 5 e 60. Agora é representante oficial do evento que acontece nos fins de tarde de sexta-feira no segundo andar.

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Postado em 19.08.2009 | 18:08 | por Diogo Rodriguez
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Nesta seção, atualizada toda quarta-feira, publicaremos uma entrevista feita por algum funcionário da casa. O entrevistado também sempre será da Trip. Criada originalmente para o blog interno da editora, fez tanto sucesso que resolvemos compartilhar com os leitores do site. Esta semana, repescamos uma entrevista que Luíza Karam, da redação da Tpm fez com Flora Paul, repórter do site da revista.

Sem floreios

 

 1.Com a mãe e o irmão mais velho, Mateus. “Eu era um feijãozinho!”. 2.Com as amigas Cásper-Trip – Mari, da produção da Trip, Bruna, da Redação da Tpm, e Marília, ex-Trip. 3.Piquenique com os amigos. 4.Com seu pai, que com 1,88 metro teve uma menina

1.Com a mãe e o irmão mais velho, Mateus. “Eu era um feijãozinho!”. 2.Com as amigas Cásper-Trip – Mari, da produção da Trip, Bruna, da Redação da Tpm, e Marília, ex-Trip. 3.Piquenique com os amigos. 4.Com seu pai, que com 1,88 metro teve uma menina



Por trás da aparência frágil e miúda, da voz suave, dos cabelos curtos e do rosto de menina, Flora Paul, repórter do site da Tpm, 21 anos, é uma mulher superobreira e focada. Filha de pai comunista e mãe hippie – o que explica bem o nome com que foi batizada –, a paulistana natural do bairro da Bela Vista segue uma rotina intensa, repartida entre as quase quatro horas de aulas na faculdade e as oito horas de trabalho na Trip. Peraí. A tal da Lei de Estágio não prevê somente (?) 30 horas semanais aos noviços?! (E olha que disso eu entendo.) É, mas a Flora já passou dessa fase. Foram-se os seis meses de estagiária – o suficiente pra mostrar do que é capaz.

Apesar da cabeça aberta dos pais, Flora não teve uma criação liberal. “Meu pai participava de guerrilha e tinha ficha no Dops [o Departamento de Ordem Política e Social da ditadura]. Minha mãe foi quem escolheu meu nome – e isso já diz tudo. Mas quando meu irmão nasceu [Flora tem um irmão quatro anos mais velho, o Matheus] eles viraram pais mesmo. Impunham regras etc.”, conta ela. Quando completou 6 anos, seus pais se separaram e Flora foi morar com a mãe. Sempre visitava o pai, Ricardo, até ele ir trabalhar como nutricionista num restaurante em Angola, na África, onde mora há quatro anos. “O país está sempre em guerra e, como meu pai vem para o Brasil pelo menos duas vezes por ano, nunca fui até lá”, explica.

 

 

5.Coleção doentia de esmaltes, uma das coisas de que mais gosta (a outra é futebol. E, de preferência, palmeirense). 6.Aos 3 anos, no maior estilo, quando curtia brincar dentro de caixas. 7.Spice Girls de lancheira no Experimental, colégio onde estud

5.Coleção doentia de esmaltes, uma das coisas de que mais gosta (a outra é futebol. E, de preferência, palmeirense). 6.Aos 3 anos, no maior estilo, quando curtia brincar dentro de caixas. 7.Spice Girls de lancheira no Experimental, colégio onde estud


Na adolescência, ela teve sua “fase indie”. Adorava os barzinhos da rua Augusta, ouvia rock alternativo e assistia a filmes do Godard. Até hoje frequenta a Augusta. “Mas não com a mesma intensidade”, defende-se. Desde essa época, as amigas são muito próximas da sua vida e foi uma delas que lhe apresentou seu atual namorado, Glauco, há quase dois anos. Além disso, com outra, criou seu blog de frases e diálogos, o Problematizando o Evidente (www.problematizandooevidente.blogspot.com). Apesar de as amizades femininas serem várias, os amigos homens ganham em número. “Tenho mais amigos que amigas”, contabiliza. “Eles não têm esse problema de sofrer por besteiras. É mais fácil lidar com homens.” Talvez por isso ela não esteja nem aí com o fato de ser a única menina da bancada do site, na Trip.

Ao longo do dia, Flora navega por blogs em busca de pautas e ideias, faz entrevistas, fica de olho nas pessoas que entram e saem do segundo andar, para ver se são dignas de estampar o “look do dia”, presta atenção nas conversas – em busca de “aspas da Redação” – e ainda tem tempo de bater papo com os marmanjos ao seu redor. E ela dá conta de tudo mesmo. “A Flora tem cara de menina, mas fibra de gente grande. É superconcentrada e tá sempre bem-disposta. Com ela, nunca tem tempo ruim. Além disso, é rápida no gatilho. Em pouco tempo apura, entrevista e escreve. Grande garota!”, garante Daniel Benevides, editor de mídias eletrônicas e colega de bancada de Flora.

A maratona na Trip começou em setembro de 2008, época em que cursava o segundo ano de jornalismo da Cásper Líbero – e já fazia sucesso por aquelas bandas com o blog Cásper Dorme (casperdorme.blogspot.com), no qual, depois de observar o fenômeno de sonolência que apresentavam os alunos da faculdade, começou a publicar fotos deles dormindo. Flora era estagiária de texto do site, o que fez por seis meses. No início deste ano, no entanto, ela resolveu dar um tempo. Foi navegar por outros mares, escrever numa revista empresarial, conhecer gente nova. Até que, alguns meses depois, foi preciso preencher a vaga de repórter do on-line, e ela voltou. “Foi muito legal terem apostado em mim. Agora, com esse novo trabalho, virei adulta mesmo. Sinto a responsabilidade”, revela. “Mais do que nunca tento ser muito focada e objetiva.” E consegue. Como afirma Renata Leão, editora da Tpm: “Ela é dessas meninas em que se pode confiar. Pontual, esperta, antenada. A Flora vai longe”. É. Vai mesmo.

 

 

9.Época desfocada: com as melhores amigas Mari, que a apresentou a seu namorado, e Thai, com quem criou um blog. 10.Toda embonecada, depois de uma matéria com a maquiadora top da M.A.C. 11.Com o namorado: outro gigante em sua vida

9.Época desfocada: com as melhores amigas Mari, que a apresentou a seu namorado, e Thai, com quem criou um blog. 10.Toda embonecada, depois de uma matéria com a maquiadora top da M.A.C. 11.Com o namorado: outro gigante em sua vida



*Luíza Karam é estagiária da Tpm e uma dessas pessoas que você não acredita que são simpáticas pelo fato de serem absurdamente bonitas. Temos várias coisas em comum: as duas considerávamos nossas máquinas de escrever o brinquedo ideal para levar na pré-escola; as duas gostamos de comprar um chocolatinho para comer depois do almoço.(Por Flora Paul)

 

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Postado em 05.08.2009 | 15:08 | por Diogo Rodriguez
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Nesta seção, atualizada toda quarta-feira, publicaremos uma entrevista feita por algum funcionário da casa. O entrevistado também sempre será da Trip. Criada originalmente para o blog interno da editora, fez tanto sucesso que resolvemos compartilhar com os leitores do site. Esta semana, repescamos uma entrevista que Hélio Levenstein* fez com Ju Gross, do RH da Trip Editora. 

 

Bonequinha de luxo

Uma conversa rápida e despretensiosa com a Ju Gross, do RH

1.Moc, Carlinha, Bê e Jé em uma festa no final do ano passado; 2.Com Jadi e Bruna no ensaio de funcionárias do ano passado; 3.Ju e o Big Ben em julho desse ano; 4.Ju e seu cachorro Madruguinha; 5.Mari, Bê e Jéssica; 6.Galera do financeiro, Fábio, Nivas no amigo secreto do ano passado

1. Moc, Carlinha, Bê e Jé em uma festa no final do ano passado; 2. Com Jadi e Bruna no ensaio de funcionárias do ano passado; 3. Ju e o Big Ben em julho desse ano; 4. Ju e seu cachorro Madruguinha

Sabe aquela história de que uma empresa é como um time, que cada peça é necessária para o perfeito andamento do todo etc. etc.? OK, é verdade. Mas vamos ser honestos. Alguém imaginaria a Trip andando a pleno vapor sem o RH da Bettina e sua fiel escudeira Ju Gross?

Pois é desta menina esperta, quase unanimidade por aqui, que este É nóis foi atrás esta semana. A Ju Gross e seus contrastes. Ela é paulistaníssima da Moóca, mas não é italiana. Seus avós vêm da Alemanha e da Hungria. Ela já está na Trip há cinco anos, figurando na lista das funcionárias mais antigas da casa, apesar dos seus apenas 24 anos de idade. Começou fazendo estágio, ocupando uma vaga aberta no RH por indicação da amiga de infância Jéssica, da circulação, e foi ficando...

Outra coisa que pouca gente sabe é que a moça responsável pelo nosso bem-estar básico aqui dentro, cuidando do sagrado pagamento, é psicóloga formada e pode agora mesmo estar analisando alguém bem ao seu lado. Coisa que, aliás, ela jura que não faz. “É engraçada essa história. Acho que ninguém consegue ficar analisando as pessoas o tempo todo. Apesar de quem não é psicólogo ter essa dúvida sempre.”

Mesmo com a negativa, ela entrega que marmanjos já tentaram enganá-la e se deram mal. “Agora, com namorados eu sou mais dura. É difícil eu cair em qualquer papinho. Fica mais fácil eu saber a real intenção de uma pessoa se prestar atenção na conversa ou no gestual.” Será que é por isso ela está solteira no momento? Bom, vamos em frente.

Apesar de jovem, quando o assunto é Trip, ela fala com a experiência de quem conhece a empresa a fundo, desde quando o quadro de funcionários era bem menor do que o de hoje e a localização, na fatídica casinha da rua Lisboa, bem menos confortável que este prédio atual. “Por um lado, era bem mais 'família' do que hoje em dia. Algo mais artesanal. Agora é profissional.”

Desses tempos, entre muitas lembranças divertidas, ela conta que no começo de seu trabalho aqui na editora tinha medo de entrar nas salas em que funcionavam as redações. “Salas, na verdade, eram os cômodos da casa, e morria de medo de abrir a porta, todo mundo me olhava estranho. Mas não demorou e comecei a relaxar.”

5.Mari, Bê e Jéssica; 6.Galera do financeiro, Fábio, Nivas no amigo secreto do ano passado

5.Mari, Bê e Jéssica; 6.Galera do financeiro, Fábio, Nivas no amigo secreto do ano passado

Quando não está aqui trabalhando, seu cotidiano é comum ao de todos nós. Cinema (ela prefere os filmes independentes), teatro (vai muito. Só não assiste a mais peças por causa do alto preço dos ingressos), reuniões na casa dos amigos, viagens e balada. Neste último tópico, mais uma vez demonstrando conhecimento de causa, critica a lei que proíbe as casas noturnas de cobrarem consumação mínima. Quem sai muito à noite sabe que na época da consumação mínima gastávamos menos, bem menos...

No quesito musical, a moça se revela eclética. Ouve “de tudo um pouco, exceto country e forró”. Mas gosta mesmo de sair para dançar: “Adoro a Clash e a Anzu [clubão em Itu, interior de São Paulo]”.

Não pensa muito no futuro, já que prefere aproveitar o momento. A empolgação retorna quando fala da temporada que passou em Londres, estudando inglês, no começo deste ano. “Aluguei um quarto na casa de uma senhora inglesa e foi inesquecível: o sotaque dos britânicos, os pubs, os museus de Londres, foi tudo maravilhoso.”

Depois deste texto, ela só espera que seu e-mail não entupa de mensagens de funcionários da Trip pedindo dicas para a psicóloga Ju Gross. Afinal, ela pode até te analisar, mas não vai revelar nunca.

*Helio Levenstein está na Trip há pouco mais de um ano e, com muito orgulho, é corintiano, maloqueiro e sofredor!

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Postado em 22.07.2009 | 17:07 | por Diogo Rodriguez
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Nesta seção, atualizada toda quarta-feira, publicaremos uma entrevista feita por algum funcionário da casa. O entrevistado também sempre será da Trip. Criada originalmente para o blog interno da editora, fez tanto sucesso que resolvemos compartilhar com os leitores do site. Esta semana, repescamos uma entrevista que Mônica Yamamoto, fez com Antonio Bonfá, Totó, diretor comercial do núcleo Trip.


Cão que ladra não morde?
Coração de poodle em pele de pit bull?
Acelerado na visão de alguns, esquentadinho na visão de outros, mas querido por todos.
Dotado de extrema generosidade e com um coração enorme que poucos conhecem.
Parceiro de viagens e baladas. Com ele não tem tempo ruim.
Sósia do Tommy Lee Jones daqui a 20 anos. Atualmente do Constantino Junior e do Zidane.
Por todos esses diferenciais o escolhi como amigo e o elegi para a entrevista.
Com vocês, Antonio Bonfá, Totó, diretor comercial do núcleo Trip.

1.No clube do condominio, onde mora o amigo Naddeo. 2.Fazendo snow em Chillan, Chile, em 2006. 3.Chile, 2007. 4.Correndo o campeonato paulista de skate no CEU Campo Limpo. 5.No sítio do amigo Lalau, Sumaré, SP.


Por que Totó?
O Renato Vieira, um amigo de escola na 6ª série, começou com isso, falou que Antonio era muito sério – acho que na época ele quis dizer “formal” – e sugeriu Totó, naturalmente fiquei puto, todo mundo riu e é assim que os apelidos pegam.


Cão que ladra não morde? Por que a fama de bravo? É bravo de verdade ou é só fachada?
Um pouco de cada, adoro conviver com as pessoas, me divirto com isso, sou tranquilo, mas às vezes impaciente, no geral ladro mais do que mordo.


Estrutura familiar: pai, mãe, irmão, cachorros. O Totó deu muito trabalho quando criança, adolescente? É um moço de família?
Sim, confesso que dei muito trabalho, mas também um pouco de alegria. Até outro dia era muito rebelde, ainda defendo minhas convicções, mas dei uma acalmada. Adoro minha família, então sou moço de família sim.


Qual lembrança você traz da infância?
Várias, né, os amigos do colégio e da rua, viagens e lugares. Desde cedo viajar é a melhor coisa da vida, pratiquei muitos esportes na infância, competi bastante. Agora as lembranças mais marcantes, do sítio da família na represa em Avaré, quando esquiava e fazia slalom, uma vez um de nós trouxe o skurfer pra gente experimentar, lembrava uma prancha de town in, veio a ser o embrião do wakeboard e tive oportunidade de ser um dos primeiros a testá-la... Uma outra foi a primeira vez que passei com meus pais na praia Vermelha do Norte em Ubatuba voltando do RJ pela Rio-Santos, o surfe estava no auge da contracultura, era um astral diferente, bati os olhos naquilo e vi que era o que queria, ao mesmo tempo, olhava a galera na frente da casa do Akio, na rua Apinagés – aqui no Sumaré – com skate, prancha, eu era moleque e ficava louco com isso, queria ser igual aos caras, que hoje são meus amigos... Essa época era o começo do skate em São Paulo, deveria ser por volta de 1977, 78, tinha 4 ou 5 anos, já sabia o que era bom... rs.


Como começou a vida profissional? O que fez antes de trabalhar na Trip?
Sempre na área comercial, reunindo e associando habilidades em vendas, marketing e desenvolvimento de produto. Me formei em administração de empresas, comecei com 18, tenho 36, então este ano completei a maioridade.
Pouca gente sabe, mas minha formação na área comercial originou-se no segmento médico-hospitalar, onde estive por cinco anos e aprendi muita coisa, depois me cansei daquele universo e fui trabalhar na indústria do surfe e skate, queria ajudar a desenvolver um novo mercado de produtos para o público jovem, e de lá fui trabalhar com revista. Foi aí que me identifiquei de fato, achei o meu caminho, trabalhar em veículo é interessante pelo fator multidisciplinar do negócio e pela oportunidade de ter uma visão mais privilegiada do mercado como um todo.


Como chegou aqui?
Já conhecia o Paulo Lima, na verdade nosso contato e amizade foi através do Dino Dragone, amigo meu, seu, e da turma antiga daqui. Eu trabalhava na revista Tribo na época, quando encontrei o Paulo e recebi a proposta para conhecer a Débora, diretora comercial da Trip, que estava em fase de processo seletivo. Apesar de essa ainda ser uma fase embrionária do crescimento da editora, já havia um projeto claro e bem estruturado nesse sentido.


Esta pergunta é dos seus colegas de andar: você fez curso de datilografia?
Essa pergunta é do Walmir, não me engana!


Formação x atuação profissional
Está dentro do escopo, felizmente, porque investi bastante na minha formação. Atuar como diretor comercial requer visão administrativa do negócio, que por sua vez engloba as disciplinas comercial, financeira e de gestão. A formação complementar para compor o cargo também exige conhecimento avançado de comunicação, marketing e branding, além de um entendimento específico sobre a marca Trip.


Sempre praticou esportes de prancha? O que veio primeiro? Skate, Surf, Snow?
Sempre, desde criança, comecei no skate, ganhei o primeiro com 3 anos, comecei e não parei. Antes de surfar – da infância pra adolescência – fazia ski e slalom aquático, com uns 15 fui me descolando dos pais, passei a ir mais pra praia e finalmente comecei a surfar.
Snow veio depois, uns seis anos atrás, mas viciou muito também, é algo surreal...Também brinco no wakeboard e quero evoluir na vida esportiva desenvolvendo esportes oceânicos, hoje em dia já remo de stand up padle surfe e canoa havaiana, quero mais pra frente aprender a velejar, mergulhar, fazer pesca submarina, tow in e apneia, tudo no seu tempo pra não gerar excesso de informação.


Com que frequência pratica?
Quando estou 100%, quase que diariamente. No geral, entre preparo físico e treino, faço uma escala semanal de seis dias por um de descanso.


Quantas fraturas?
Olha, fratura mesmo acho que tenho umas três ou quatro, acrescente aí mais três cirurgias, sendo duas ortopédicas, e uma, mais recente, de lesão por esforço, com uns 20 pontos espalhados pelo corpo, causada por uns cinco acidentes diferentes, algumas torções e rupturas de ligamentos nos dois tornozelos e mais alguns outros B.O.s que não me lembro agora.

6.Lien to tailslide hip transfer, esse nome todo é o da manobra; no sítio do amigo Lalau, Sumaré, SP. 7.México, em 2006. 8.México, em 2006. 9.No sitio do amigo Lalau, Sumaré, SP. 10.Em sua rampa particular, num galpão secreto em SP.


Treinamento? Resistência? Fisioterapia? O que faz para se manter?
Atualmente tudo isso aí, treinamento funcional duas vezes por semana, musculação, bike ou corrida, alongamento e fisioterapia focada em rolfing. Para me manter ativo tenho que fazer tudo isso, e ainda controlar alimentação e dormir bem, que é o mais importante de tudo. Se você me pedir para sintetizar vou te responder que a chave é dormir bem, se alimentar direito e não cometer excessos. Saio bem pouco hoje em dia, tô mais feliz assim.


E sobre competições? Qual o lugar mais casca grossa que já foi competir? O CEU é o inferno?
Hahaha, você sabe que eu vou lá né? Sabe onde fica o Ceu Veredas? e o Ceu Campo Limpo? Barueri? Posso te garantir que fica na quebrada, bem longe daqui, e o skate te dá essa oportunidade de interação. Vou lá e sou respeitado pela minha humildade e pelo meu skate e isso não tem preço, do moleque ficar feliz quando você chega, de cutucar para os amigos, do mais marrento te cumprimentar na marra, mas no respeito, me sinto mais vivo com isso. Agora a competição mais casca grossa foi o boarder-cross de snowboarding este ano na Argentina. A pista era o dobro do normal, só rampas gigantes e nego se machucando nos treinos, socorri dois amigos na primeira descida de reconhecimento, um deles ainda não está 100%... Até os que iam correr a prova do mundial que ia rolar na mesma pista estavam reclamando, e sem a boiada de passar pelo lado das rampas maiores como rolava antes, era pegar ou largar, quem quisesse sossego que ficasse de fora. Dormi mal uns dois dias antes, me borrando, e só acertei a linha de descida na última volta dos treinos, quando finalmente me soltei na pista. Não fui pra final por um detalhe, mas consegui uma vaga na semi e depois venci a “small finals”, ficando em quinto no campeonato. Ainda protagonizei um tombo espetacular de brinde para o público, mas valeu a pena.


Para quais lugares você já foi? E a melhor viagem?
Para diferentes lugares aqui e lá fora. As melhores viagens são sempre a última e a próxima. Tenho vontade de no futuro me aposentar e morar em dois ou três lugares a escolher: Garopaba, Costa Rica e Santiago.


Que lugares ainda quer conhecer?
Quero conhecer tudo que puder, sem restrição ou moderação, quero me manter vivo para poder viajar. O que mais quero está chegando, se tudo correr bem.


O esporte determina o roteiro da viagem?
Sem dúvida, tudo deriva do que exatamente você quer fazer, surfar, andar de skate, andar de snow, remar de canoa havaiana, mergulhar ou fazer uma prova de corrida e resistência, tudo parte daí. O esporte é fantástico por isso, vou te confessar que este ano fiz uma viagem de repouso forçado e foi incrível, muito legal, até isso tem a ver com esporte, o lance de descansar e se alimentar.


Qual o maior perrengue vivido em viagem?
Felizmente poucos. Uma vez no primeiro dia de uma viagem para o México, estava viajando sozinho e quando fui entrar no mar fui picado por uma arraia, rodei o vilarejo todo de Puerto Escondido atrás de socorro, passei por um PS sinistro, a mulher enfiou metade da pinça dentro do meu pé e não tirou o ferrão do bicho, saí de lá correndo com pé sangrando e fui parar na casa de um tiozinho com pinta de curandeiro que tava socorrendo uma mulher idosa de infarte, batendo no peito dela e tal, ele reanimou a mulher e foi me atender na sala, colocou o lixo embaixo do meu pé para “trabalhar”. Nessa altura minha perna já tava formigando e tal, rosto quente, corpo começando a doer, mas no final o cara sabia o que tava fazendo, apesar de não entender muito de higiene.


Atualmente é sósia do Constantino Junior e do Zidane. Será do Tommy Lee Jones daqui a 20 anos. Você é vaidoso?
É, tem isso, né? Não acho ruim não, os dois primeiros são ótimas referências, na minha opinião... rs... mas sou um pouco vaidoso sim.


Você tem o perfil de skater: calças largas, sneaker, camisa xadrez. O cargo te transforma num dasluzito em alguns dias. Dá conflito?
Na verdade se olhar de perto vai perceber que não tenho um perfil específico, talvez um estilo próprio, mas sobretudo heterogêneo. O que rola é que posso tanto ir ao show dos Racionais num galpão no Brás com mais de 15 mil manos, quanto na Daslu, na Pinacoteca, ou no Bar Secreto, ou numa reunião com clientes do governo em Brasília, e vou me sentir à vontade e me divertir em qualquer um desses lugares, pois tenho bons amigos nesses lugares. Agora só não gosto de passar por desavisado, isso sim realmente me incomoda, e a roupa tem um papel fundamental nisso. Geralmente não vou à reunião com cliente em Brasília com o mesmo traje com que iria à festa da Adidas, isso é óbvio. Mas no geral gosto de me vestir bem sim, usar uma camisa legal, um sapato bom, terno bem cortado, acho ótimo, desde que não destoe do ambiente.


Com o que você gasta seu dinheiro?
Equipamentos esportivos, viagem, roupa, casa, gente e informação.
Tivesse mais, gastaria mais, porque ainda tem contas a pagar e impostos!


Quantas tatoos? Planos para as próximas?
Tenho cinco e muitos planos.


Como é um fim de semana perfeito?
Sol e onda, litoral norte, entre março e junho, pouco ou nenhum vento, no máximo um terral leve, com uns quatro a seis pés de onda, vindo em séries de ondas com 14 segundos de intervalo, swell de sul ou sudeste, naturalmente com poucos na água, o que é comum nessa época e pra ser sincero rolou direto este ano, até perdi a conta, te juro. Esse outono foi histórico. Bênção mesmo.


Totó é conhecido por ser 220 W. O que te acalma?
Amor, sexo, esporte e êxito no trabalho.


Até em Itabuna, interior da Bahia, você encontra algum conhecido. Totó para prefeito?
Pois é, de fome não morro, sou amigo dos “manobras” e sei manobrar também, se precisar estou lá, certeza. Mas tenho potencial para fazer mais, assim como a maioria que está lá fazendo manobra tem potencial pra muito mais também. A gente tem que agradecer a Deus por ter saúde e por ter tido oportunidade porque tem um monte na rua, desempregado ou no subemprego, se virando na economia informal, correndo atrás, com potencial igual ou maior do que o nosso, vontade te garanto que não falta. Muito mais que muita gente por aí que se forma na faculdade e tem uma chance e fica encostada nos corredores das empresas reclamando da vida e tal... Agora sobre política, gosto do tema, mas não me vejo no legislativo, muita politicagem e pouco resultado, sou mais pragmático, me vejo no executivo, aí poderia ser prefeito sim, logo de São Paulo onde eu vivo. Te garanto que faria melhor.


Planos para os próximos cinco anos.
Planos profissionais ainda em fase de gestação, mas tenho projeto nesse sentido sim. Os pessoais, do aperfeiçoamento físico, mental, espiritual e intelectual.
De continuar evoluindo, de cuidar da saúde e se preparar para o envelhecimento, de ser um cara casca grossa, no bom sentido, de estar sempre bem preparado, equilibrado e alerta, pronto para qualquer desafio, físico e mental, flexível, mantendo a serenidade, o controle da situação.
O resto é consequência.


*Monica Yamamoto, Moc, trabalha na Trip há mais de 14 anos. Há quase 10 é amiga do Totó(por Moc).
*Amiga, parceira das antigas, parceira do comercial, ótima profissional, cuidadosa, meticulosa, detalhista, viajante profissional altamente gabaritada na elaboração de roteiros de viagem e receitas culinárias, mulher de respeito, casada, um pouco parecida comigo, de personalidade forte, gentil e amável, mas às vezes um pouco ranzinza! (por Totó)

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