Revista Trip

 
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Postado em 02.07.2009 | 11:07 | por Diogo Rodriguez
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Momento de tensão na redação. A internet cai e inviabiliza o trabalho de todos. Desesperadas, as pessoas começaram a reclamar e perguntar ao colega ao lado se sua conexão também foi pro brejo. Um repórter desavisado, sem perceber a gravidade da situação, ao ouvir as indagações que ecoavam pelo andar todo soltou a pérola acima. Todo mundo querendo trabalhar e o cara no Orkut? Ganhou post-it na parede pela cara-de-pau.

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Postado em 01.07.2009 | 19:07 | por Guilherme Werneck
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Os vencedores da promoção Festiv'Alma no Twitter foram ClovisThomaz, com a frase "A  alma do surf é a luz no fim do tubo", e cave_o, que escreveu: "Se o surfe é homem+prancha advinha quem não deixa que eles se separem na onda: a parafina. Essa é a alma do surfe." Os dois ganharam um par de ingressos para o festival. 

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Postado em 01.07.2009 | 16:07 | por Diogo Rodriguez
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Por onde passa, ela chama atenção. Sorrisão sempre estampado no rosto, franjinha na altura dos olhos, jeito informal. Gentil e bem-humorada, na boca de Adriana Verani palavras como “amooor”, “déli” e “suuuper!” são comuns. Poucas coisas a tiram do sério, e “carão” – gente com cara amarrada – é uma delas. Dri retornou à Trip cerca de um ano atrás – uma década depois de sua primeira experiência na editora – para produzir a revista Trip. Vinda diretamente de Piracicaba, aos 18 anos, para cursar publicidade na ESPM, sempre soube o que queria da vida. E é bem difícil convencer a taurina do contrário.
Adriana já morou em pensionato de freiras, com a única irmã – e melhor amiga, que hoje vive na Itália –, e, atualmente, divide uma casinha linda de vila com o namorado. Ela sempre se virou. Da Trip, para Nova York, para a gravadora independente ST2, para a produtora O2, de volta à Trip. Ela acredita que trabalho só se faz de um jeito: com amor. E isso se estende a todos os aspectos de sua vida.
Com vocês, Adriana Verani, uma querida:

 

1.Camila, Paula Wehba, Joana e Adriana - depto de marketing Trip 2001 na caverninha da rua Lisboa. 2.No Favela Chic em Paris, durante um festival de música em 2002. 3.Adriana e sua irmã em Praga em 2007. 4.Com Ronaldo Bressane comemorando final de ano na Trip, rua Mário Guastini, em 2000. 5.Adriana e Els Pynno da banda Vive La Fête - primeiro show internacional que produziu aqui, em 2006. 6.Adriana e Henrique em Bologna / Itália visitando a irmã de adriana em 2007

1. Camila, Paula Wehba, Joana e Adriana - depto de marketing Trip 2001 na caverninha da rua Lisboa. 2 No Favela Chic em Paris, durante um festival de música em 2002. 3. Adriana e sua irmã em Praga em 2007. 4.  Ronaldo Bressane comemorando final de ano na Trip, rua Mário Guastini, em 2000. 5. Adriana e Els Pynno da banda Vive La Fête - primeiro show internacional que produziu aqui, em 2006. 6. Adriana e Henrique em Bologna / Itália visitando a irmã de adriana em 2007



Sua história na Trip é antiga. Você começou dez anos atrás, saiu e voltou. Conte um pouco sobre o seu começo aqui.
Eu entrei por indicação de uma amiga que trabalhava com a Paula Wehba. Estava me formando em publicidade na ESPM e nunca quis trabalhar em agência. Já conhecia a revista, adorava, e comecei como estagiária do marketing, em 1998, e fiquei por três anos, até me tornar assistente. Fazia os CDs da Trip, que vinham encartados com a revista. Todo mês descobria uma banda nova, produzia um disco, coletâneas de bandas de reggae, rock, de música brasileira. Fizemos uns 20 discos, e era a parte de que eu mais gostava. Isso, os eventos e o Big Trip, concurso de ondas grandes, que era bem legal de produzir. Aí acabou a história dos CDs e a Paula perguntou se eu queria ir pra Tpm, revista que eles iam lançar. O diretor de redação era o Fred, a Rê Leão era repórter, mas fiz o primeiro número, não curti muito e resolvi sair. Eu queria mais experiência em música. Tinha uma amiga no Rio, a Adriana Pena, que tinha feito um curso na NYU, em Nova York, e indicou uma especialização em Music Bussiness. Fui em julho de 2001 e fiquei até dezembro.

 


Como foi sua estada em Nova York?
Fui fazer o curso de Music Bussiness, queria entender do negócio para trabalhar em gravadora. Chegando lá liguei pra um amigo fotógrafo que me apresentou uma turma que trabalhava com música. Entre eles, estava o Mauro Refosco, que é percussionista do David Byrne. Ficamos amigos e ele me indicou para trabalhar na gravadora do David, a Luaka Bop (http://www.luakabop.com/), que lançou um monte de coisa brasileira, como a discografia dos Mutantes, Tom Zé, Moreno Veloso. Adorava, porque a gravadora era na casa do David Byrne, tinha tipo dez pessoas, só ouvindo música o dia inteiro. Foi uma puta experiência, onde descobri que gostava mesmo de gravadora e era onde queria trabalhar. Voltei para o Brasil e fui procurar emprego, e me chamaram na ST2, gravadora independente.


Qual era a sua função na ST2?
Eu era gerente de produto de áudio, cuidava dos lançamentos dos CDs. A gente produzia os CDs, escrevia os releases em português, marcava entrevistas com banda, fazia pauta do disco, negociava com a MTV para passar videoclipe, levava artistas novos para a gravadora. E eu coordenava tudo isso.
Como você fazia, dava uns rolês em casas de show pra descobrir bandas novas?
É, tipo olheira. Eu via se a banda era boa ao vivo e o tamanho do fã-clube. A ST2 produzia eletrônica e rock. O Edgar Scandurra tinha um trabalho eletrônico, e lançamos seus discos lá. Eu acompanhava tudo – contratos, levava artista para o estúdio, fazia orçamento de produção do disco, escolhia produtores, a capa, a música de trabalho, o videoclipe, produzia o show de lançamento – tudo. Era uma equipe superenxuta de uma gravadora independente. Durante os cinco anos que fiquei lá, fui pra um festival de música em Cannes, o Midem, onde vendia nossos artistas para lançar no exterior e vice-versa. Nessas eu lancei Juliette Lewis, Carla Bruni, Vive La Fête. Enfim, vivia de música, amava, era demais.


Qual a banda mais legal que você lançou?
Ah, foi o Vive La Fête, porque a banda cresceu muito no Brasil, deu certo. Eu e o Cláudio, diretor da gravadora, ouvimos a banda pela primeira vez juntos e achamos demais. A gente lançou cinco discos deles, e fizeram um fanbase legal no Brasil, lotaram a The Week, tocaram na rádio. E o Vive La Fête não existia aqui. Outra coisa que adorei produzir foi o Botinada, que é o DVD da origem do punk no Brasil, que fiz com o Gastão. O projeto durou três anos para editar. Foi muito trabalho e deu um puta retorno, saiu em tudo quanto é lugar. É um DVD histórico que me orgulho de ter feito.


E depois dessa época de ST2, você foi pra O2.
É, conheci muita gente na ST2, e um dos caras foi o Hank Levine, diretor do departamento internacional da O2. Ele me chamou para fazer marketing no seu departamento. Só que cheguei lá e fazia mais pré-produção de longa-metragem, o que era uma loucura para mim. Fazia de tudo um pouco, desde assistir a um roteiro alemão até dar entrada de documentação para ver se a gente conseguia apoio e verba. Para mim, era muito desorganizado, e fiquei seis meses. Nunca fiquei num lugar em que não estivesse feliz profissionalmente. Dois dias depois que eu saí a Carlinha, que trabalha na Natura e com quem eu já tinha trabalhado na Trip, me ligou para fazer um freela da Natura. Em uma semana, a Jadi, coordenadora de produção da Trip, perguntou se eu não queria ficar no lugar dela, pois estava saindo. Eu aceitei. Foi super no susto, nada programado. Sempre gostei da Trip, sempre me senti em casa.
Quais são as diferenças mais marcantes entre a Trip de dez anos atrás e a de hoje, na sua opinião?
Ah, hoje tem gente na Trip que eu nem sei que existe. Antes era impossível não conhecer alguém, era uma casinha na Mario Guastini, e a gente se relacionava com todo mundo, era muito mais próximo. A empresa está mais profissional. Na minha época a Tpm não tinha nem carro pra trabalhar. Ainda não posso elogiar muito meu borderô, mas tem mais verba do que na época. Tá tudo mais organizado, tem contrato pra tudo. a estrutura melhorou muito, sabe? Antes era muito mais informal.


E o conceito editorial da Trip ? Gosta das mudanças?
Minha impressão – porque eu trabalhava no marketing e não na revista – é que antes tudo era mais livre para ser falado. Agora a revista é pautada em temas. A Trip cresceu muito, antes eu tinha que soletrar: “Aqui é Adriana, da revista Trip, T-R-I-P”, e hoje tem posição importante no mercado. Empresários, diretores de cinema, de agência, todo mundo lê a Trip.


Você é de Piracicaba, veio pra fazer faculdade, tem um namorado com quem vive junto. Conte um pouco sobre sua vida pessoal.
Sou de Piracicaba, e vim para cá para fazer faculdade. Meu sonho sempre foi fazer comunicação na ESPM. Então vim com 18 anos, morei no pensionato do Sion, com as freiras, era superengraçado. Hoje, moro com meu namorado, com quem estou há 12 anos. Quando falo ninguém acredita, fazem cara de assustados. Mas passou super-rápido e a gente é muito feliz juntos. Ele é de um meio que também me traz bastante informação, que eu gosto de circular, que é do skate.


Já arriscou dar uma “skatada”?
Já arrisquei uma vez em Pira [Piracicaba], caí, me dei mal, bati a coluna, fiquei com medo e nunca mais tentei. Mas skate sempre fez parte da minha vida. Adoro assistir a programas de skate, ir a campeonatos, dessa cultura alternativa, sempre fui a show de rock, de hardcore, eu adoro.


Bandas preferidas? O que não sai do seu iPod?
Gosto muito de Jorge Ben dos anos 70, Tim Maia Racional, Mutantes com Rita Lee, jazz, Billy Holiday. Também adoro ouvir as mulheres da nossa geração, como Feist, Cat Power, Camille, Carla Bruni. Reggae do Studio One e Peter Tosh. Sou fã de punk e rock desde muito nova, e ouço de vez em quando para relembrar dos old times, como Fugazzi, Jane´s Addiction, The Clash, Velvet Underground, Rage Against the Machine. Dos atuais, tenho ouvido TV on the Radio, Little Joy, Spoon e Foals.


Você parece superzen, tá sempre sorrindo, falando com todo mundo. Alguma coisa te tira do sério?

Coisas do trabalho, tipo falta de organização, gente muito mole, que demora para tomar uma atitude. Não gosto de pedir alguma coisa e a pessoa não fazer na hora, porque quando me pedem qualquer coisa eu tento resolver na hora. Quando mando um e-mail e não tenho uma resposta na hora me irrito. Sou superchata com falta de feedback, de organização. No pessoal, me irrito com gente com carão, que passa e não cumprimenta. Gosto de gente humilde, por mais alto cargo que a pessoa tenha, se ela for humilde, simples, já me ganhou.


Quais produções que fez para a Trip de que se orgulha?
Foram duas. No meu trabalho, o que é mais levado em conta é o ensaio de Trip Girl, que é difícil produzir. Me orgulho do ensaio das funcionárias deste ano, que ficou lindo. Tem temperatura, mas ao mesmo tempo está clássico. Me orgulho também do ensaio que fizemos com a Vera (http://revistatrip.uol.com.br/171/especial/vera/home.htm), uma mulher de 72 anos, atriz do Zé Celso, e as fotos ficaram superbonitas, de bom gosto. Tinha medo de ficar vulgar ou tosco, pois é uma senhora pelada. Gosto do ensaio da Natasha (http://revistatrip.uol.com.br/168/tripgirl/home.htm), um dos primeiros que produzi e um dos mais bonitos.


Uma noite perfeita pra você?
Assistir a um show bacana, é uma das coisas que eu mais gosto de fazer. Uma noite perfeita foi o festival Planeta Terra, tinha um monte de bandas de que eu gosto. Adoro chegar em casa cinco, seis da manhã, quase amanhecendo, e ter gastado todas as energias. Gosto de sair e encontrar todo mundo, trocar idéias. Também adoro ficar em casa, assistir a um filme, chamar os amigos para jogar tranca.


Música da vida?
“Como Nossos Pais”, interpretada pela Elis. Eu cantava essa música abraçada com minhas três melhores amigas, em Piracicaba, na rua do porto. A gente era super-rebelde, então me marcou muito essa música.


Filme da vida?
Puta, aquele italiano que eu amo, Cinema Paradiso. A Vida dos Outros também me marcou muito. Adoro filme que você sai do cinema pensando. Elsa e Fred adorei, porque mostra pessoas mais velhas que ainda têm história para viver, é uma puta lição de vida.


Uma palavra?
Ah, amor. A gente tem que amar tudo que faz. Gosto de gente de bom humor, eu acordo e dou bom dia. Passando coisa boa, recebemos coisa boa.


Uma pessoa?

Minha irmã é uma pessoa incrível. É mais nova, mas aprendo muito com ela. Minha paixão é minha irmã.
Pra finalizar, seu voto popular para o Troféu Shoiti vai para
Elohim Barros, diretor de arte da Trip.

*Fernanda Paola, 27, trabalha na revista da Gol. Já passou por algumas outras revistas, entre elas a Cult. Ama música quase tanto quanto a Dri – amiga recente que simplesmente adora.

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Postado em 30.06.2009 | 19:06 | por Flora Paul
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 "O que é a alma do surf?"

Responda a essa pergunta e concorra a um par de ingressos para o Festiv'Alma 2009, que reúne arte, música, vídeos e cinema da cultura surf no prédio da Bienal do Ibirapuera, em São Paulo, de 2 a 4 de julho.

Para participar, siga a Trip no Twitter e responda a pergunta colocando no post @revista_trip. As duas melhores repostas levam pares de ingresso que valem para os três dias de festival.

Os vencedores serão anunciados via Twitter e no site da Trip na quarta-feira, dia 1º de julho, às 18h.

Confira mais sobre o festival aqui no site, além da programação no site oficial do festival.

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Postado em 29.06.2009 | 19:06 | por Diogo Rodriguez
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Um fim-de-semana chuvoso pede programas à altura, então Adriana Verani, da produção da Trip, resolveu fazer o que se pode numa situação dessas: ver filmes e comer.

O restaurante escolhido foi o Paris 6. "Precisa chegar antes da 21h, porque nos finais de semana costuma ficar bem cheio. Indico um prato que adoro e já repeti algumas vezes: Coquelet au vin, e depois um  crème brûlée incrível".

No cinema, ela foi conferir o tão falado Loki - Arnaldo Baptista, e adorou. Fã de Mutantes, ela estava há tempos querendo ver o documentário feito pelo Canal Brasil: "tentei ver durante a mostra de cinema e desde essa época estava louca pra estréia nacional, amo Mutantes desde sempre. É incrivel, com cenas inéditas, algumas que a Rita liberou só pro filme, grande homenagem a um dos maiores artistas dos anos 70".

 

Da prateleira da locadora, Adriana escolheu Nunca é tarde demais, com Morgan Freeman e Jack Nicholson, sobre dois homens que têm pouco tempo de vida e resolvem realizar seus desejos antes de morrer. Segundo ela, "um filme sensivel sobre amizade e a vida":

 

Vai lá:

Paris 6 (Rua Haddock Lobo, 1240, Jardins, São Paulo; telefone: 3085-1595)

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Postado em 25.06.2009 | 17:06 | por Diogo Rodriguez
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A convidada desta semana é Maria Ribeiro, atriz de televisão e cinema.

A carioca Maria Ribeiro está na televisão há 14 anos, apesar de sua família não ter nenhuma relação com o meio artístico. Quando conheceu o escritor Domingos de Oliveira, decidiu que essa era sua vocação e investiu nas artes cênicas. Trabalhou na Globo (onde participou da novela A Padroeira), para depois ser contratada pela Record. Hoje ela faz o papel da policial Marília, em Poder Paralelo. Estreou no cinema em 2000 e sete anos depois interpretou a esposa do controverso Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite. Casada com o também ator Caio Blat e mãe de um filho, Maria estreou neste ano como diretora, lançando o documentário Domingos, sobre Domingos de Oliveira, uma pessoa fundamental em sua carreira.

Sintonize a Trip FM nesta sexta-feira, 26/06, às 20h em São Paulo, SP / Eldorado FM, 92.9

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Postado em 24.06.2009 | 11:06 | por Diogo Rodriguez
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Nesta seção, atualizada toda quarta-feira, publicaremos uma entrevista feita por algum funcionário da casa. O entrevistado também sempre será da Trip. Criada originalmente para o blog interno da editora, fez tanto sucesso que resolvemos compartilhar com os leitores do site. Esta semana, repescamos uma entrevista que Bruna Bopp*, repórter da Tpm, fez com Kátia Lessa (a Kakau), repórter da Trip.

Ela tem todo um ritual para escrever. Chá, silêncio absoluto, algumas velas. Eis que surge, nesse cenário, uma irmã mais nova, que decide começar a cutucá-la. Depois de muito tempo tentando se controlar, ela desiste e, com um soco, quebra o nariz da caçula. O castigo: proibida de ir assistir ao show dos Rolling Stones aqui no Brasil, em 1998. A protagonista da cena descrita é a repórter Kátia Lessa, hoje com 26 anos, que, apesar do tempo, mantém o mesmo ritual na hora de produzir seus textos e ainda sente um vazio por nunca ter visto os Stones ao vivo (apesar de já ter visto 50% dos Beatles esse ano). Esse foi um dos tantos casos que a Kakau me contou e que me fizeram descobrir um pouco mais sobre quem era a menina que, por ter sido uma das entrevistadas da minha primeira matéria na Tpm, passou a fazer parte da minha história.

1.

1."Este vestido era lindo. Minha avó Carmem foi quem costurou".  2. Com o "não falo sobre vida pessoal" Paulo Terron.  3. "Em Maceió, que marcou minha infância"

Você sempre quis ser jornalista?
Na infância, sonhava em ser astronauta. Mas não era um sonho louco, besta, era de verdade, tanto que cheguei a fazer astrofísica depois do colegial, em uma parceria que a minha escola fez com a USP. Sempre fui vidrada no céu, sou capaz de ficar horas vendo as estrelas. Mas com o tempo começou a ficar pesado, era muita matemática, física. No primeiro dia de aula foi horrível. Entrei na sala e o professor ficou me olhando, me olhando, até que falou: “A aula de costura é aqui ao lado”. Respondi: “Astrofísica é aqui? Então pode começar”. Depois achei que faria medicina como meu pai. Fiz um ano de biológicas no colégio.

Mas como da astrofísica você foi parar no jornalismo?
Então, desisti porque tinha muita conta. Caí na real, “tá, eu não vou ser astronauta, né?” [risos]. Fui para o cursinho e até o dia da minha inscrição no vestibular não sabia exatamente o que colocar. Tanto que prestei publicidade na ESPM e jornalismo na Cásper Líbero. Passei e decidi fazer as duas, porque acho que os cursos precisam um do outro para se completarem.

E a Trip apareceu quando na sua vida?
Eu nunca li Capricho, eu lia Trip. Um dia fiquei revoltada com uma edição e mandei um e-mail para a revista detonando porque tinha pouca matéria e muita publicidade. O editor, que na época era o Piti Vieira, me respondeu e a gente começou a trocar e-mails. Depois de um tempo, comentei que fazia faculdade de jornalismo e ele me chamou para conhecer a Redação, disse que precisava de uma estagiária. Fiz uma entrevista e no dia seguinte ele me ligou: “Bom, Kátia, está a fim de vir amanhã?”. E eu, inocente, perguntei: “Vai ter uma dinâmica?”. “Não, Kátia, pra trabalhar mesmo.” Fazia uma faculdade de manhã, vinha para a Trip à tarde e ia para a outra faculdade à noite. Era muito pesado. A Trip ainda era naquele outro prédio. Estagiei sem receber um real durante um ano e meio, e depois fui trabalhar na Playboy.

4.Seguindo a moda dos anos 80. 5.Em Pernambuco, para uma entrevista no festival de maracatu na Zona da Mata. 6.Galera da Trip de 2008.

4. Seguindo a moda dos anos 80.  5. Em Pernambuco, para uma entrevista no festival de maracatu na Zona da Mata.  6. Galera da Trip de 2008

E como foi trabalhar na Playboy?
Eu amei trabalhar lá. Acho que peguei uma equipe ótima da revista, depois ficou muito escrachado. A Cinthia de Almeida era a diretora de redação. Ela é incrível, faz tudo funcionar sem esquecer de um “por favor”, sabe? Também conheci o André Rizek, que é meu grande amigo até hoje. Todos eram muito gentis, superdispostos a ensinar. E o legal é que lá você participa de tudo, tem muito uma mistura de produção com reportagem. Eu adorava. Depois fui para a Capricho, conheci o Tato Coutinho e o Lucio Ribeiro. Eu lia a coluna do Lucio toda sexta na Folha. Foi muito bacana ser editora assistente dele.
 
Quando você voltou para cá?
Fui para a Vogue, mas não fiquei muito tempo. Já estava há três anos e meio sem tirar férias, então em julho de 2006 decidi fazer um mochilão pela Europa, indo atrás dos festivais de música que rolavam por lá. Chamei uma das minhas melhores amigas, a Carla Lamarca, e fomos. Amsterdã, Roterdã, Barcelona, Londres, Paris. Foi tudo bem roots mesmo. Conseguimos pulseiras para os cinco dias de festival em Belicassim, mas só tínhamos roupa para passar um dia. Naquele calor, eu ficava o o tempo inteiro de biquíni e short jeans, porque, enquanto isso, minha única regata secava para eu poder usá-la à noite, nos shows. Assisti Pixies, Strokes, Franz. Foi a melhor viagem da minha vida. Quando voltei, fiquei um tempo fazendo frilas, até que o Giuliano Cedrone me chamou. Eu via o Ronaldo e o Bruno Nogueira na mesma Redação de novo e fiquei muito tentada a voltar. Até o dia em que o Ronaldo me ligou e não teve jeito, voltei.

Você tem um blog superbacana (http://kakaos.wordpress.com). Como surgiu a ideia de fazê-lo?
Sou muito apegada às minha matérias. Sofro, porque me dedico muito fazendo e muitas delas caem ou às vezes não têm espaço para escrever coisas que eu quero. No blog está escrito que eu “salvo notícias condenadas à morte” porque é meio isso mesmo. Se entrevistei uma pessoa e não vai sair, não consigo imaginar que ninguém vai saber daquilo, então ponho no blog. Mas posto outras coisas também, sobre cinema, literatura, moda, tudo que eu amo. Foi o Ronaldo Bressane que me incentivou a fazer, criei há uns dois anos. É dinâmico e um ótimo exercício, porque atualizo várias vezes ao dia, então já acordo tendo que pensar em material.

"Os caras mandaram a seguinte frase: “Revista Trip? Bonita. A senhorita já saiu pelada?”. Meu sangue subiu. “Eu não. E o senhor? Já roubou?”

Você gosta muito de moda, já foi modelo?
Nunca! Eu gosto muito de comer! (risos) Nunca tive vontade, nunca tive tesão naquilo. Antes eu até tinha preconceito a respeito das modelos, hoje entendo que é uma profissão como qualquer outra. Mas quando me perguntavam por que eu não tinha sido modelo, ficava até ofendida, tipo: “Por que esse cara acha que eu tinha que ter sido modelo?”. A única resposta que me vinha na cabeça era: “Ué, pelo mesmo motivo de não ter sido dentista. Eu não queria”. Na minha casa ser modelo nunca foi uma idéia bacana. Tinha horário para assistir televisão, sempre um livro pra ler.
 
E como é a sua relação com sua família?
Família é a base de tudo. Tenho duas irmãs, meu pai é médico e minha mãe, assistente social. Meu pai é de Maceió, então praia para mim nunca foi Guarujá, eu ia para o Nordeste. A gente sempre viajava nas férias, os cinco, de carro, até a casa da minha avó. Conheci o Brasil assim, com meu pai me contando tudo. Com a paisagem na janela.

7.Kakau e Patricia, sua dupla dinâmica, na Bahia. 8.A caminho de Benicassin, na Espanha, correndo atrás dos festivais. 9.Pessoal da Trip das antigas, na rua Lisboa.

7. Kakau e Patricia, sua dupla dinâmica, na Bahia.  8. A caminho de Benicassin, na Espanha, correndo atrás dos festivais.  9. Pessoal da Trip das antigas, na rua Lisboa

Você fala bastante do seu pai, vocês são muito ligados?
Somos muito. Quando eu era pequena, adorava fazer com ele as visitas aos pacientes. Ficava lá conversando. Durante muito tempo, achei que, por gostar tanto, eu iria ser médica. Hoje descobri que na verdade o que fazia era ficar entrevistando todos eles [risos].

Já sofreu preconceito por ser bonita?
Olha, já respirei fundo algumas vezes. Fiz duas seleções muito disputadas, nas quais tinha que mandar os textos virtualmente. Passei nas duas sem nunca terem visto a minha cara. Aí, no primeiro dia do trabalho, escutei uma garota comentar com outra que, obviamente, eu só tinha conseguido a vaga porque era bonita. Claro que eu fiquei muito chateada, mas hoje em dia sou segura o suficiente pra ter mais dó de quem faz esse tipo de comentário do que raiva. O problema é que na Trip fica tudo mais difícil, porque tem essa fama das funcionárias gatas. Uma vez eu estava no Rio de Janeiro para uma entrevista coletiva com um político e um presidente de uma organização que andava desviando verba. Salão lotado, jornalistas do Brasil todo. Quando chegou a vez da minha pergunta eu disse: “Kátia Lessa, da revista Trip”. Os caras mandaram a seguinte frase: “Revista Trip? Bonita. A senhorita já saiu pelada?”. Meu sangue subiu. “Eu não. E o senhor? Já roubou?” O auditório veio abaixo. Parecia classe de escola. Os repórteres gritavam: “Iééé!”. O negócio é se divertir com isso tudo. Porque no fundo é uma besteira total.Tô chegando nos 30, agora é ladeira abaixo [risos].

Sabendo do curso de astrofísica, acho que esta pergunta já está respondida, mas, em todo caso, o que as pessoas nunca imaginariam sobre você?
Ah, não sei. Eu sou muito fechada, muito, muito mesmo. Sempre tenho a sensação que os outros acham que eu sou uma pessoa diferente do que eu sou. Então acho que elas não imaginariam várias coisas. Que eu adoro rock, que sou colecionadora de edições de Alice no País das Maravilhas, que eu penso em estudar teologia, que eu fiquei 25 anos sem tomar uma latinha de cerveja, que eu medito, que eu prefiro fazer entrevistas lado B. Mas acho que o sonho de ser astronauta realmente ganha de tudo [risos].

*Bruna Bopp, 20, assim como a Kakau, também ficou emocionada ao ver a sua primeira matéria publicada na revista que sempre lia

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Postado em 23.06.2009 | 21:06 | por Eva Uviedo
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Kátia Lessa, repórter da Trip, é mesmo muito versátil. Depois de se aventurar pelos tristes trópicos, a fim de saber como a relação entre Haiti e República Dominicana faz a roda da grana girar no Caribe, ela se jogou com força na São paulo Fashion Week na missão de reportar, comentar e fotografar os panos que cobrirão nossas carcaças no próximo verão. Mas nem lá o inusitado larga do seu pé: o maquiador de um desfile lhe pediu um favor, em caráter de urgência: os modelos precisavam fazer a última entrada com marcas de batom no rosto simulando beijos, e só tinha duas meninas pra fazer o serviço. "Você pode dar uma força, Kakau?"

beijosnaspfw2
Distribuir beijos entre dezenas de modelos? É pra já!

kiss
Tamos aê

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Postado em 23.06.2009 | 21:06 | por Diogo Rodriguez
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Sérgio Mallandro, de listrado, confere as fotos das Páginas Negras

Sérgio Mallandro, de boné, confere as fotos

Parecia pegadinha, mas não era. Serginho Mallandro apareceu na redação da Trip agora há pouco. Além de aprovar as fotos que vão sair na próxima edição, Mallandro distribuiu autógrafos, tirou fotos com o pessoal e ainda fez piada. A produtividade caiu vertiginosamente.

Rá!

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Postado em 22.06.2009 | 17:41 | por Redação Trip
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Ronaldo Bressane conta como foi a entrevista das Páginas Negras desse mês, com Mr. Catra.

Sabia que ia render. Fazia tempo estava na cola de uma conversa com Mr. Catra, o autor de “Vacilão” e outras gemas do funk relato [dito proibidão]. Allan Sieber e Arnaldo Branco tinham tocado uma entrevista hilária pra saudosa F. André Maleronka mandou uma matéria inusitada sobre as visitas do Negão ao Clube Paris, na EleEla [aqui também um rolê com o funkeiro pela Baixada Santista]. E recentemente Matias Maxx desenrolou um ótimo perfil na sempre esperta +Soma. Faltavam umas Páginas Pretas.

Quando soubemos que ele passaria por SP mês atrás, não ficamos de vacilação. O lugar do apontamento era sinistro: o hotel Shelton, centro. Lá, vi Kakau, que tinha chegado pro makin’of, tirando uma fumaça das idéias do cidadão carioca – e a preparada logo entrou no bonde da entrevista. Morrendo de sono por ter virado a noite e depois guiar do Rio a SP, Mr. Catra não se fazia de fazido e posava pro clic de Marcelo Naddeo quase despencando: antes de tirar a camisa, anunciou a barriga “máquina de lavar” ["embaixo tem uma mangueira, tá ligado?"] e mandou ver a pançola, na base do foda-se.

Fotos feitas, o funkeiro nos convidou pra sua suíte – bem mais simples que a usada no ensaio -, onde se esparramava enrolado na lady Raiane, uma japa loura de 20 e poucos anos. A entrevista era volta e meia cortada por visitas bizarras como as de MC Creide e seus assistentes anões, fãs, filhos e o serviço de quarto, que trouxe um big burger, fritas e coca traçados em minutos. Mas tranki. Em geral é difícil conduzir uma conversa como a Negras, em que se trata de todo tipo de assunto, da primeira vez à morte da bezerra. Enfumaçado e zuado de sono, o Negão fazia tudo parecer fácil.

Muita gente boa veio me reclamar das Negras [aqui no site da Trip estão na íntegra], na minha humble opinion uma das melhores entrevistas que fiz. “Pra que dar um espaço tão grande a um boçal desses?” é a indignação constante. Defendo talvez 10% das idéias de Mr Catra. Não comungo do seu machismo, do seu monarquismo nem de seu confuso ideário religioso – embora assine embaixo de sua tese sobre o comércio de drogas ["libera e controla tudo"], algo que nos 21 anos das Páginas Negras da Trip nenhum entrevistado teve cojones pra defender [isso sem falar na lista de artistas ou intelectuais que na hora do microfone malocam o flagrante].

Jornalisticamente, porém, isso não quer dizer nada: um bom entrevistado se basta pelo que fala. Desse ângulo, Mr. Catra é o personagem ideal. Tem histórias pra contar e idéias pra defender. E assume tudo no seu nome. Entertainer nato, um frasista de fina verve, cada sentença sua nasce talhada pra ser olho, intertítulo, chamada de capa. Muito medalhão por aí você dechava sete horas e não trincha um statement nem torcendo o papo [o grande Fernando Paiva já dizia: "Jornalismo é a arte de fazer imbecis soarem inteligentes"]. Alma de Chacrinha no biotipo de Mano Brown, Mr. Catra sintetiza as contradições do Brasil. É um gênio e uma besta ao mesmo tempo. Numa boa: sua figura é seu discurso.

Nas 12 horas que passamos, manteve o mesmo espírito fanfarrão e nervoso, paizão e canalha. Sem deixar cair a peteca do risco: no percurso de 100 km por três bailes da perifa paulistana, ele dirigia o próprio carro [pra não atrasar os shows, deu picos de 150 km/h ali na Jacu-Pêssego], fazendo com que tivéssemos que segui-lo literalmente pelo cheiro. Nesse mundo do showbiz conheço pouca gente que consegue ser a mesma pessoa o tempo todo. Pro bem ou pro mal, Mr. Catra é 100% de verdade. Daquele jeito.

Vai lá: blog Impostor, de Ronaldo Bressane

 

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