Revista Trip

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Postado em 30.03.2010 | 13:03 | Alê Youssef
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No próximo dia 8 de abril, Afrika Bambaataa desembarca em São Paulo para show comemorativo dos 35 anos de Hip Hop no Studio SP. Ao longo de sua carreira, o DJ e produtor americano foi a mais perfeita tradução da mistura entre música, noite e política.

Nascido na cidade de Nova York  em 1960, já na adolescência, o garoto começava a se reunir com outros jovens da sua idade para organizar grandes festas na rua, as "block parties", comandadas por alguns donos de "sound systems" (equipamentos de som ambulantes).

Em 77, Bambaataa criava a Zulu Nation, hoje uma ONG internacional que presta serviços sociais por meio do hip hop. De menino pobre do Bronx, ele acabaria se tornando um dos produtores musicais mais influentes da música pop.

Produziu ao lado de lendas da música mundial como John Lydon (Johnny Hotten – Sex Pistols), Pretenders, UB 40, Leftifield (DJ Paul Daley). Donna Summer, RZA (Wu-Tang Clan) e Bambaataa também foi um dos líderes do Movimento Libertem James Brown, criado quando o mestre da Soul Music estava preso e, anos depois, foi o primeiro ‘Hip-Hopper’ a trabalhar com James Brown, gravando “Peace, Love & Unity”. Bambaataa criou as bases para surgimento do Miami Bass, Freestyle, ritmos que influenciaram o Funk Carioca.

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Postado em 19.03.2010 | 14:03 | Alê Youssef
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A International Women's Health Coalition é uma das mais importantes entidades do mundo na luta pelos direitos da mulher à uma vida justa e saudável.

Desenvolvem um trabalho fundamental na Asia, Africa, America Latina, de luta por um mundo onde as mulheres sejam livres de discriminação, coerção e violência sexual, e tenham acesso aos serviços de saúde e de informação.

A organização está promovendo o concurso “Jovens Visionários”, no qual jovens de 18 a 30 anos apresentam a sua visão sobre como como garantir a saúde e os direitos humanos das mulheres e jovens do mundo. O prêmio será um apoio de US $ 1,000 para implementar essas idéias. Para participar, a pessoa interessada deve preencher o formulário de inscrição, o que pode ser feito em português, até o dia 25 de março, através do site abaixo:

http://blog.iwhc.org/pt/young-visionaries/

 

 

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Postado em 16.03.2010 | 09:03 | Alê Youssef
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Participei em janeiro de debate no Masp (Museu de Arte de São Paulo) organizado por Baixo Ribeiro e a galeria Choque Cultural, que fazia parte da extraordinária exposição de grafite “De dentro pra fora/ De fora pra dentro” e do aniversário de 456 anos da cidade. Tive a satisfação de dividir a mesa com figuras como o secretário municipal de Cultura Carlos Augusto Calil, o urbanista Jorge Wilhem, o diretor do grupo teatral Os Satyros, Ivam Cabral, e os jornalistas Marcelo Tas e Gilberto Dimenstein. O tema foi audacioso: a cultura salva São Paulo?

A cidade estava – como sempre esteve, aliás – um caos. Enchentes para todos os lados, lixo pelas ruas, trânsito caótico, prefeitura batendo cabeça e todo tipo de problema estrutural nunca superado nos faziam lembrar do quanto ainda precisamos evoluir. Como entusiasta da causa da cultura e amante dos movimentos alternativos que a cidade gera, fiquei com receio de o tema ser deixado para trás, diante da barbárie urbana causada pela chuva que não parava.

Entretanto, o que se viu no debate foi um verdadeiro otimismo em relação ao potencial que a cidade tem, quando a observamos com o olhar cultural. A saída para São Paulo, como já ressaltamos diversas vezes nesta coluna, é mergulhar no potencial de sua economia da criatividade e valorizar cada um dos exemplos de ocupação que acontecem espontaneamente nos espaços públicos, na marra.

A praça Roosevelt e o Baixo Augusta foram os exemplos mais comentados pelos presentes. O ambiente que esses espaços criaram deram novos ares para a cidade e ajudaram a transformar a metrópole do caos, dominada pelos coronéis do mercado imobiliário, em um lugar bacana, cool, especialmente para quem tem na retina a sensibilidade da arte.

Warhol e Barra funda
Um grande exemplo do caminho a seguir está registrado no recém-publicado livro Warhol Economy, de Elizabeth Currid, professora do departamento de política e desenvolvimento da Universidade do Sul da Califórnia e PhD em planejamento urbano. Na obra, a autora explica por que a moda, a música e a arte dirigem hoje o destino de Nova York. Comparações fabulosas são feitas com setores mais tradicionais da sociedade e chega-se à conclusão de que o movimento artístico e criativo que bombou na Big Apple atingiu uma profundidade social tão grande, capaz de assumir as rédeas da economia da cidade, que influenciou todas as áreas. O título da obra brinca com o grande artista Andy Warhol, que simbolizou com sua pop art esse grande movimento de vanguarda.

A economia da arte e da cultura é em geral pouco compreendida e subestimada, inclusive em Nova York, mas o estudo feito por Currid explica por que essa economia é vital para grandes cidades.

O maior erro de São Paulo é não apostar suas fichas nesse universo que cresce paulatinamente, de baixo pra cima, sem investimento público, e mesmo assim muda a cara da cidade. O próprio secretário de Cultura, que faz um trabalho respeitável e lutador dentro da estrutura esdrúxula do executivo municipal, concordou no debate que o correto seria direcionar as ações urbanas e de investimento cultural aos nichos em que a própria população já sinaliza os caminhos a seguir, como o Baixo Augusta, a Roosevelt, a Barra Funda e outros.

São Paulo não pode continuar sendo o quintal dos megaempreendimentos imobiliários que compram a maioria dos políticos (basta ver quem recebeu doação eleitoral desse setor) para aprovar qualquer coisa que estimule a especulação e renda muito, gerando o caos urbanístico e a quebra de qualquer planejamento estratégico. Como muito bem disse Marcelo Tas no encontro, desde menino ele ouve falar da tal revitalização do centro, mas ela nunca acontece. A conclusão da mesa foi óbvia: o setor imobiliário sempre tem outro interesse, ou “outro centro” para investir.

A prefeitura poderia separar uma verba da milionária secretaria de Comunicação, que gasta horrores em propaganda, para uma pesquisa sobre o PIB da criatividade na cidade. Isso contribuiria demais para nosso autoconhecimento. Somos uma cidade vanguardista e atraente para tantos que podem aqui crescer pela arte, pela moda, pela música e por outros aspectos da criatividade. Essa tendência deveria entrar de forma transversal na agenda do poder público para definir ações em todas as outras áreas.

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Postado em 15.03.2010 | 16:03 | Alê Youssef
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Ele era o que o showbis americano chama de entreteiner: cantava, tocava, fazia piada, regia plateias enormes como um maestro comanda um coral. Suas qualidades refletiram no sucesso. O negro pobre que ralou nos bailes da vida para alcançar o estrelato, frequentou as altas rodas do país, viajou o mundo cantando, pilotou programas de TV, foi garoto propaganda de multinacionais. Durante a década de 60 e início dos 70, Simonal era tão popular que fazia show lotado no Maracanãzinho e era tão bom que dividia o palco com divas como a cantora americana Sarah Vaughan.

Mas, de repente, a casa caiu. No topo do mundo, o rei da malandragem se sentiu lesado pelo contador, que cuidava das suas finanças, e arrumou uns capangas para dar uma surra no cara. Os brucutus eram do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), orgão responsável por todas as torturas e abusos da ditadura militar. Rapidamente cresceu a desconfiança que Simonal era colaborador do regime.

O documentário “Simonal - Você não sabe o duro que dei”, lançado recentemente, mergulha fundo na história e apresenta para a nova geração esse artísta fundamental da MPB. Com o filme, compreendemos o quanto o sucesso subiu à cabeça do cantor que para tentar se safar de uma ocorrência grave (a surra que mandou dar em seu contador), teve a infeliz idéia de se dizer amigo do sistema, da ditadura. Resultado: não se livrou da acusação do contador, e virou o dedo duro mais conhecido do Brasil. O artísta foi pra cadeia, cumpriu pena pela agressão e ficou vinte anos no ostracismo absoluto, amargando, até o fim da vida, a desconfiança da esquerda brasileira.

Simonal era artista por vocação. Mas, a política da época e as verdades absolutas e posicionamentos radicais, foram mais fortes que seu dom de encantar as pessoas com sua arte. Não bastaram a qualidade de sua voz e seu incrível talento para superar os acontecimentos. No país em que politicos que apoiavam abertamente a ditadura exercem mandatos, são condecorados, e passeiam livremente pelos corredores do poder, o grande artista foi massacrado, mesmo depois de cumprir pena e de conseguir documentos que provavam que ele não tinha nada a ver com os militares.

Maluf, Erasmo Dias, Fleury, Sarney, ACM, e todos os delegados, torturadores e colaboradores do regime militar foram anistiados pela história. Simonal, o homem que fazia o povo inteiro cantar, não.

//Outra Política

Por Alê Youssef

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