Revista Trip

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Postado em 29.05.2009 | 17:49 | Alê Youssef
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Postado hoje  no Twitter pelo amigo Alexandre Matias, vídeo interessantíssimo divulgado por Bruno Natal em seu blog Urbe. Trata da teoria dos 30%, que vem sendo aplicada para prever a falência de vários jornais do mundo. Os 30% em questão é o percentual da população que possui banda larga e a relação dessa condição com a queda das vendas e da comercialização de anúncios nos jornais dos países que atingem esse nível de inclusão digital. Veja o vídeo no link abaixo:

TEORIA DOS 30%

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Postado em 28.05.2009 | 13:22 | Alê Youssef
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Recentemente assisti pela segunda vez o filme MILK, que conta a história do primeiro gay a se eleger a um cargo público nos Estados Unidos. Ativista de vanguarda, Harvey Milk - interpretado brilhantemente por Sean Pen - liderou uma verdadeira revolução em São Francisco, despertanto o interesse político em pessoas absolutamente alienadas e excluídas do sistema, lutando por direitos civis, desbancando preconceitos e criando um jeito diferente de fazer política. Baseado em Castro, bairro decadente que abrigava imigrantes e loucos, Milk conseguiu usar todas as expressões comportamentais do universo gay e canalizá-las brilhantemente para um movimento de afirmação e um projeto de poder que se mostrou possível.

Para quem vive no turbilhão da recente explosão da cultura alternativa de São Paulo e, mais especificamente, respira o dia a dia do Baixo Augusta - nome que escolhemos para identificar o trecho em torno da famosa Rua que liga a Avenida Paulista à Praça Roosevelt - impossível não  identificar semelhanças com o ambiente retratado no filme. Assim como Milk e seus amigos sofreram violência, resistência e foram privados de direitos pela sua opção sexual, todos os grupos de comportamento que frequentam o Baixo Augusta convivem à margem do sistema político e são ignorados pelo poder público. Como escrevi no texto CIDADE BIPOLAR, postado também nesse blog, os jovens e novos protagonistas da cidade, que deram a ela o brilho e a beleza que nenhum banco, mega empresa ou empreendimento imobiliário conseguiu dar, encaram uma cidade que ignora solenemente o potencial humano e econômico da sua noite e da sua diversidade cultural. Os orgãos públicos insistem em dificultar licenças para funcionamento de bares e clubes, muitas vezes tomam medidas arbitrárias e violentas, criam dificuldades para vender facilidades e permancem distantes dos movimentos culturais e urbanos. O governo olha a cidade de cima pra baixo e não presta atenção nas suas epecifidades, no molho que da o sabor da verdadeira São Paulo. Uma vez por ano, fazem a Virada Cultural, evento bacana mas isolado de uma política estruturada de valorização da vocação maior da cidade.

Vale repetir um conceito que venho falando: toda uma geração está chegando ao poder econômico, judicial, criativo etc. Entretanto, não temos referência dessa escalada social em termos políticos. Os escândalos, a caretice, a imobilidade e todos os outros defeitos que sabemos serem inerentes à política, afastam os jovens dela. Não existe renovação e não temos qualquer sinal de mobilização de massa crítica qualificada em busca de um projeto de tranformação das instituições e de conquista de corações e mentes para tornar a política mais moderna e antenada aos anseios da nova geração. Assim como parte da geração de 60 e 70 se mobilizou contra a ditadura, é preciso que pessoas agora se juntem por uma tranformação comportamental da política e por valores fundamentais como transparência, simplicidade e cabeça aberta para o novo.

Andando ontem pela Augusta, pensei muito nisso. Lembrei de Milk e do Castro, das fachadas das lojas meio detonadas, dos grafites nos muros, dos tipos circulando pela área. A cidade bomba no seu underground e desse universo precisa ser canalizado um movimento de mudança, respeito às diferenças e valorização da cidade. Não podemos mais ver os mesmos tubarões de sempre se elegendo às custas da nossa indiferença e dos seus currais eleitorais comprados por caminhões de dinheiro dos poderosos e conservadores de plantão.

Que o Castro inspire a Augusta!

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Postado em 16.05.2009 | 13:23 | Alê Youssef
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Quase não se noticiou por aqui (que coisa estranha!), mas o Presidente Lula foi agraciado com o Prêmio da Paz entregue pela UNESCO. Segundo a entidade o prêmio é uma reconpensa aos esforços do presidente em prol da paz, diálogo e democracia e por sua luta por justiça social e igualdade de direitos. A cerimônia acontecerá em junho. Entre as personalidades que receberam nas edições anteriores estão Nelson Mandela e Frederik W. De Klerk; Yitzhak Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat; o Rey de España, Juan Carlos e o ex presidente americano Jimmy Carter.

Abaixo a matéria sobre o assunto publicada no jornal espanhol El Pais do dia 13 de maio.

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Lula, nombrado premio de la Paz de la Unesco

La organización de la ONU ha querido recompensar la labor del presidente de Brasil “en pro de la paz, el diálogo, la democracia, la justicia social y la igualdad de derechos”

EFE - París - 13/05/2009

El presidente de Brasil, Lula da Silva, ha sido galardonado este miércoles con el Premio de Fomento de La Paz Félix Houphouet-Boigny, según ha informado la Unesco en un comunicado.

El acto solemne de entrega tendrá lugar el próximo mes de junio, agregó la organización de la ONU para la Educación, la Ciencia y la Cultura, sin precisar la fecha exacta. Con él han querido recompensar, explica el texto, la labor del presidente de Brasil “en pro de la paz, el diálogo, la democracia, la justicia social y la igualdad de derechos”.

El jurado quiso celebrar, igualmente, la “inestimable contribución” de Lula para a la erradicación de la pobreza y la protección de los derechos de las minorías.

La decisión del jurado de este galardón creado en 1989 fue anunciada por el ex presidente portugués Mario Soares.

El último galardonado con este premio por la Paz de la Unesco fue, en 2008, el ex presidente de Finlandia y fundador de la organización no gubernamental Crisis Management Initiative, Martti Ahtisaari, pocos meses antes de recibir el Premio Nobel de la Paz.

Entre los políticos que lo recibieron en ediciones anteriores figuran Nelson Mandela y Frederik W. De Klerk; Yitzhak Rabin, Shimon Peres y Yasser Arafat; el Rey de España, Juan Carlos I y el ex presidente estadoundense Jimmy Carter.

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Postado em 14.05.2009 | 19:24 | Alê Youssef
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Integra da minha coluna da edição de maio/09 da Trip:

 

Na era da Internet e do Big Brother, por que não transformar a atividade pública em um grande reality show? Câmeras transmitiriam tudo que se passa nos corredores do poder ao vivo e pela web

Como ressaltei na edição anterior, nossa coluna vai mergulhar em cada um dos temas que consideramos cruciais para a construção de uma outra política. Para começar, vamos falar de transparência.

Não resta dúvida de que uma das grandes causas para o nojo e a distância da maioria das pessoas com o universo político é a sensação de que todos estamos sendo constantemente enganados por conchavos e acordos dos mais variados tipos, que acontecem na surdina, entre as quatro paredes de gabinetes ofi ciais. No imaginário da população, a palavra “política” é sinônimo de benefício.

Mesmo os honestos são colocados na berlinda e a desconfiança é geral. A ideia de que qualquer um, mesmo os corretos, em algum momento será corrompido pelo meio é muito presente no nosso país.

Uma outra política, portanto, passa necessariamente por uma revolução de transparência. É preciso que todos possam acompanhar 100% das atividades dos políticos em tempo real para que as desconfianças acabem e a fiscalização real aconteça.

Na era da internet e do Big Brother, por que não transformar a atividade pública em um grande reality show? Em cada sala de cada gabinete, em cada corredor e sala de espera, nas comissões, nos plenários e nos cafés do poder, câmeras transmitiriam tudo que se passa ao vivo e pela web. Quem entra e quem sai, o que é debatido, o que é apresentado.

Não existe meio mais eficaz para combater a picaretagem e fazer o político trabalhar de verdade do que expor todos os seus atos em público, sem espaço para ações que fujam do interesse de quem o elegeu.

SEM CENSURA
Seria a política ao vivo. Dependendo da ética do homem público, ela poderia ser levada às últimas consequências e ir além dos gabinetes e das salas ofi ciais. Assim ela também estaria presente em todas as atividades externas do político, como visitas à base eleitoral, debates, comícios etc. O custo disso é muito baixo, graças às novas tecnologias. E, além disso, seria muito interessante gastar parte das famosas verbas de gabinete para montar a estrutura mínima necessária para gerar essa transparência.

A prática do “tudo às claras” também ajuda no desenvolvimento da democracia participativa. Mais pessoas poderão acompanhar o que se passa e vão se animar a propor e cobrar ações de seus representantes. A resignação e a apatia podem dar lugar a uma nova sensação em relação à política, e até mesmo à beleza (que, acreditem, existe!), no processo de construção de uma lei ou na criação de um novo projeto público, a política poderá ser compartilhada por muitos.

O inglês George Orwell, autor do clássico livro 1984 – no qual o totalitarismo do Estado observa e controla a todos –, ficaria maravilhado com a revolução digital da nossa era. Imaginar que toda essa tecnologia pode levar a um 1984 às avessas, com o povo observando e controlando os passos de seus governantes, é um sonho para qualquer democrata que se preze.

Texto publico na coluna OUTRA POLÍTICA da revista TRIP edição MAIO/09

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Postado em 02.05.2009 | 17:50 | Alê Youssef
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Mais um texto sobre a distância entre as pessoas e a política. Agora, Eliane Catenhêde em sua coluna na Folha de S.Paulo, toca no assunto da quase nula renovação e da falta de interesse de profissionais brilhantes e jovens bem intencionados para a atividade parlamentar.

Considero um bom sinal tantos textos e opiniões a esse respeito. Talvez isso seja um estímulo para aqueles que nutrem uma vocação política se aventurarem. A exposição da falta de renovação e dos escândalos pode gerar uma situação de voto pela mundança no congresso nacional. Esse clima pode ajudar a eleger os novatos que não tem esquemão pra se eleger. Devemos continuar falando nesse assunto!

Coluna abaixo:

ELIANE CANTANHÊDE

O(a) último(a) apague a luz

BRASÍLIA - Quanto mais escândalos o Congresso produz, menor a chance de renovação dos quadros políticos. Quanto menos renovação, maior é a chance de escândalos. E “la nave va” -para o fundo.
Um dos maiores problemas, entre tantos, é a dificuldade crescente de atrair jovens bem intencionados, professores consequentes e profissionais brilhantes para a atividade parlamentar. Você conhece algum que anda esfregando as mãos para entrar na política? Duvido.
Do jeito que a coisa vai, o drama imediato nem é atrair novos quadros, é segurar os poucos que já chegaram. Como Manuela d’Ávila (PC do B-RS), 27, a mais votada dos 31 deputados gaúchos e das 45 deputadas federais. Um arejamento do Congresso e da política, não só por ser mulher, jovem e bonita.
E como ela está? Com crise de identidade parlamentar. Passa os dias discutindo crise econômica e vai dormir com o escândalo mais fresco: agora, o da empresa fantasma do diretorzão do Senado. Dorme desencantada com a política, acorda, lava a cara com água fria e segue na arena. O lado positivo do tsunami, segundo ela: “O povo sabe cada vez mais das coisas e fiscaliza”.
O negativo: “A generalização desmoraliza o Legislativo e afasta novos talentos”. Ao passar pela foto do professor Florestan Fernandes, numa comissão da Câmara, pensou: “Onde estão os Florestan Fernandes? Por que não estão aqui?”. Uma das respostas óbvias: ninguém quer se “misturar”.
E por que nadar contra a corrente? Ela responde ostentando uma vitória sua, quase um troféu: a lei do estágio. “Tem dias em que a vontade de jogar a toalha é imensa. Em outros, é muito gratificante saber que a gente pode mobilizar, vencer, aprovar um projeto de interesse da sociedade.” E racionaliza: “Se os bons se omitem, os maus tomam conta de vez”. Se é que já não tomaram…
Em resumo: resistir é preciso, mas está difícil. Até quando?

//Outra Política

Por Alê Youssef

por Alê Youssef

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