Revista Trip

 
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Postado em 08.02.2010 | 12:02 | Alê Youssef
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Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta foi exemplo de mobilização que gerou uma bela festa gratuita e democrática que venceu a caretice pública e a truculência policial. O samba venceu! Ano que vem tem mais!

 

 

 

 

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Postado em 26.01.2010 | 13:01 | Alê Youssef
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Em conversa informal entre os proprietários do bar SONIQUE e do STUDIO SP, juntamente com amigos em comum - freqüentadores das casas e entusiastas do Baixo Augusta – surgiu a idéia de celebrar a diversidade e a revitalização da região através de um bloco carnavalesco.
Entre os amigos e fundadores do Bloco estão: Ale Youssef, Ale Natacci, Ale Lucas, Ana Salcedo, Beto Lago, Carol Bueno, Frâncio de Holanda, Gui Sibaud, Leo Madeira, Lelê Pereira, Luciano Calçolari, Luciana Cardoso, Mara Natacci, Mariana Kraemer, Ota Sampaio, Sandra Soares e Verônica Campos.
O Acadêmicos do Baixo Augusta sairá no domingo anterior ao carnaval, às 16h e percorrerá um trajeto de 700m, seguindo o seguinte percurso: saída da frente do bar SONIQUE, descendo pela Rua Bela Cintra, virando à direita na Rua Costa e à esquerda na Rua Augusta, até chegar à frente do Studio SP.
Trata-se de um evento público, gratuito e democrático. Uma manifestação que se junta a tantas outras, para valorizar o carnaval de rua da cidade.
A música do trajeto ficará por conta de uma banda carnavalesca composta de 10 metais e 5 percussões, organizada pela produtora S de Samba, dos músicos Wilson Simoninha, Max de Castro e Jair de Oliveira, que  já promovem  desde o início de 2009 a festa O Bloco no Studio SP. Eles próprios e outros convidados, serão os puxadores das musicas entoadas pelo Acadêmicos do Baixo Augusta, que vai priorizar as tradicionais marchinhas de carnaval.
Um hino do Acadêmicos do Baixo Augusta foi composto e também será cantado ao longo do trajeto. No dia, a letra será distribuída aos foliões. Além disso, o artista plástico Zeca Ratú, criará o estandarte do Bloco, que abrirá o cortejo.
A idéia dos amigos é instituir o bloco no calendário oficial do carnaval paulistano e agregar para as futuras edições, o maior número de estabelecimentos, parceiros e frequentadores da região.
Desde já, estão todos convidados a participar.

SERVIÇO
Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta
Dia 7/2/2010 – 16h (saída)
Trajeto: da frente do bar SONIQUE até a frente do STUDIO SP.

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Postado em 09.01.2010 | 14:01 | Alê Youssef
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Ao longo de 2009 debatemos muito sobre quais valores poderiam representar uma outra política – tema título de nossa coluna e assunto constantemente presente nas edições temáticas da Trip. A grande participação dos leitores através de e-mails e a repercussão dos debates nas redes sociais fizeram com que eu procurasse a direção da editora para discutir a criação de um evento que pudesse gerar uma situação presencial de debates em torno do tema. O que seria originalmente um ciclo de palestras desta coluna foi maravilhosamente potencializado pela Trip e se transformou no primeiro Festival Trip de Política, que aconteceu em setembro deste ano no Studio SP.

Em um domingão de sol, Fórmula 1 e jogos decisivos do Campeonato Brasileiro, quase mil pessoas foram ao evento no coração do Baixo Augusta e participaram de debates, mostra de filmes, fotos, shows e apresentações de diferentes ideias. A discussão política aflorou com vigor e, naquele momento, pudemos perceber que a vontade das pessoas de participar ativamente das discussões sobre os rumos do país não era apenas um devaneio deste colunista ou da revista, mas um verdadeiro desejo de muitos que apenas esperavam uma alternativa para ativar sua cidadania. A impressão que ficou foi que a Trip e o Studio SP abriram uma porta que estava trancada por muito tempo, com cadeados do convencionalismo e da caretice que tomaram conta da política no Brasil.

No ano de tantas picaretagens no Congresso Nacional e desmoralização do Senado, uma semente em busca de ética, transparência e simplicidade na política foi semeada, e a bandeira de discussões que levem em conta os anseios das novas gerações foi erguida. Queremos cabeça aberta para o novo, apoio à economia da criatividade, sustentabilidade, educação universal de qualidade e muito mais.

E percebam que não se trata da crítica pela crítica, muito menos de apoio à caótica e fraca oposição. O reconhecimento dos avanços do país no governo do presidente Lula esteve presente não apenas em diversas edições desta coluna, como também no próprio Festival Trip de Política.

Classe média engordada
2009 foi um ano bom, não apenas por atravessarmos a crise financeira de forma madura, incluirmos 20 milhões de pessoas na classe média, sermos reconhecidos como nunca pelo mundo, acharmos o pré-sal e vencermos a corrida pela Olimpíada de 2016. Foi bom também porque conseguimos demonstrar que, mesmo com tantos avanços, jamais devemos fechar os olhos para questões relevantes que dizem respeito à prática política, à necessidade de renovação e à criação de novas convenções sociais diferentes das que estão aí. Negamos os currais eleitorais e o pragmatismo e queremos um país construído pela união das pessoas de bem e não por conchavos absurdos que ora mancham pessoas com passado lindo, ora absolvem picaretas históricos.

Feliz 2010 – ano de eleições – com mais festivais, discussões e novas ideias.

ayoussef@trip.com.br">

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Postado em 11.12.2009 | 12:12 | Alê Youssef
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São Paulo é sinônimo do caos urbano. A cidade foi construída na desordem, sem qualquer planejamento e representa todos os elementos de um sistema em que a competição pelo sucesso e a busca pelo lucro superam qualquer trabalho por um ambiente saudável de vida coletiva. Do ponto de vista da organização cultura, a cidade também é caótica e desigual. Os equipamentos públicos culturais são subutilizados, dominados pela burocracia e caretice.
Entretanto, nas entrelinhas desse quadro, nasce cresce vertiginosamente uma arte resultante da diversidade, gerada na interpretação e na resistência ao caos. Seus intérpretes fazem parte de uma geração alternativa que assimilou a linguagem da internet, dos movimentos urbanos, da moda, da publicidade e de formas não convencionais de expressão.
Em contraposição à falta de contato com os equipamentos formais de cultura e o pífio incentivo do poder público, esses personagens se organizaram em coletivos, clubes noturnos, companhias de teatro e galerias que não habitam somente o underground dos bairros mais movimentados, como também buscam outros ares, revitalizando regiões da cidade.
A recente consagração da revitalização da região do Baixo Augusta, o reconhecimento do grafitti como principal arte e cara da cidade - com a fantástica exposição da galeria Choque Cultura no MASP e o fenômeno nacional e internacional de Os Gêmeos, são exemplos de como essa geração está ditando cada vez mais os rumos da cultura paulistana e compondo a base da verdadeira vocação da cidade: a economia da criatividade.
Ao contrário desse movimento, as ações públicas se perdem em investimentos enormes e sem capilaridade social, como o que acontece na tentativa frustrada de revitalização da Cracolândia. São inúmeros os exemplos de falta de conexão com o novo e de ignorância do que realmente está movimentando a cidade. Não se dá suporte para os micro e pequenos empresários da criatividade e para os agitadores culturais. Não se apóia o dia a dia, a construção coletiva, o processo de mudar a cidade em conjunto com a população. O discurso oficial justifica-se com a Virada Cultural que é bacana, mas dura um dia e nada mais.
Fazem estardalhaço ao lançar o projeto da escola de teatro, mas a movimentação que motivou tal lançamento – os maravilhosos palcos da praça Roosevelt – permaneceram abandonados na madrugada, sem segurança e à mercê de quadrilhas. O Studio SP e outros clubes da região da Augusta também foram assaltados recentemente. Na Barra Funda, outro foco da arte de vanguarda, não há sequer iluminação na rua. Em todos os bairros de explosão da cultura alternativa da cidade, a situação é a mesma.
Lançam o programa Taxi Amigo, batem bumbo pela Lei Seca, mas não investem em transporte público de qualidade nas noites. Não se pode ir e vir na madrugada de São Paulo. Não há metro nem ônibus funcionado e quem paga o preço do descaso é o taxista e o cidadão que não dinheiro para bancar esse tipo de transporte.
A bombação cultural da cidade sem amparo público, gera situações fantasiosas de melhorias em questões estruturais da cidade, como segurança e mobilidade. O crime absurdo que aconteceu no epicentro do novo teatro paulista é uma prova disso. Os tiros em Mário Bortolotto , além de abalar todos nós militantes da causa da cultura de vanguarda, atingem também a idéia de que basta um coletivo de pessoas bem intencionadas, produtoras de cultura, para revitalizar uma cidade. É preciso o amparo do poder público. E amparo de verdade, não ações de marketing que viram slogans em campanhas eleitorais.
A vanguarda está abandonada.

 

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Postado em 03.12.2009 | 15:12 | Alê Youssef
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Parece que a grande mídia começa a perceber a importância de Fernando Catatau para a nova música feita no Brasil. Em total sintonia com o artigo publicado nesse espaço “CIDADÃO INSTIGADO: A BANDA DA CENA”, o jornalista Leonardo Lichote, publicou matéria no jornal O Globo do Rio de Janeiro, sobre o líder da banda e suas participações decisivas nos grandes discos do momento. Para Leonardo, Catatau é o homem do ano do nosso meio musical. Concordo.

Vale ressaltar que a expressão catataulização, usada no título, já vem circulando no meio musical faz um tempo. Foi criada por Guilherme Werneck, a quem peço licença de uso.

Veja texto abaixo:

Catatau, o homem do ano
( O GLOBO)

“Certa manhã acordei de sonhos intranquilos” vem sendo um dos álbuns mais celebrados
de 2009, ao lado de outros como “Vagarosa”, de Céu, “Uhuuu!”, do Cidadão Instigado, e
“Iê iê iê”, de Arnaldo AntunesAproximando os quatro álbuns citados, há um nome: o
cearense Fernando Catatau.
Líder do Cidadão Instigado, o guitarrista de 38 anos está com Otto (com quem toca há no-
ve anos) em “Certa manhã…”; toca em duas faixas do CD de Céu (numa delas é um dos
compositores); e participa como instrumentista e produz “Iê iê iê”. Em todos os trabalhos,
imprime sua originalidade.
— Não conheço ninguém que tira um som de guitarra como ele. Rock, psicodelia e brega
dão apoio a letras que nos soam tão familiares — derrama-se Céu.
A cantora toca em elementos formadores de Catatau, que combina o amor pela canção
pop(ular) (“Aquelas que chegam no refrão explodindo”, define ele) e o desejo pela invenção.
— Me criei com rock. Quando ouvi Pink Floyd aos 13 anos, endoidei. Antes, ouvia no rádio
em Fortaleza forró elétrico. Havia também o rock nacional, a música romântica internacional,
como George Michael. E Roberto Carlos, sempre. Adoro melodia, refrão. Se minha música traz
alguma estranheza, é porque não acho que se deva ficar limitado. Mas, quando faço música,

acima de tudo, quero emocionar.

Leonardo Lichote

 

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Postado em 26.11.2009 | 14:12 | Alê Youssef
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Em texto publicado hoje (26/11) Na Folha de São Paulo, o antropólogo Hermano Vianna, explica o fenômeno do novo estilo de funk criado em São Paulo.
________

Quando as pessoas falam em globalização geralmente pensam num mundo todo igual. Sempre encarei a história do hip hop no Brasil como bom exemplo para contestar, ou pelo menos complexificar, a tese da inevitável homogeneização planetária. O som de Afrika Bambaataa e Grandmaster Flash chegou por aqui nos anos 80 e desenvolveu, em cidades separadas por apenas 1 hora de vôo, dois estilos musicais supreendentemente diversos: o funk carioca e o rap paulistano. Suas histórias são ricas, plurais e já modificaram tanto a autoconsciência quanto a imagem externa da cultura brasileira.

É sempre necessário enfatizar também a extrema geolocalização urbana da cultura dita global. Em música isso é mais que evidente. Todo novo estilo é profundamente conectado com uma cidade. House com Chicago, techno com Detroit, trip hop com Bristol, kuduro com Luanda. O hip hop teve origem no Bronx, em NY, e se espalhou por outras cidades criando estilos locais. Em Miami virou Miami Bass que por sua vez chegou no Rio e deu no funk carioca.

Agora é a hora do funk carioca plantar raízes em outros centros urbanos. O tamborzão pegou a Via Dutra e já está criando um funk carioca paulistano, conectado com a história recente do rap na cidade. Uma diferença importante das histórias do hip hop em São Paulo e no Rio foi o diálogo com o poder público. José Marcelo Zacchi, fundador do Sou da Paz, e Alexandre Youssef, hoje no Studio SP, me chamaram a atenção para o seguinte dado crucial: a difusão do rap paulistano aconteceu numa prefeitura de Luiza Erundina, com Marilena Chauí na secretaria de cultura colocando os rappers para fazer oficinas nas escolas. No Rio o poder público ignorou a nova música, tratando-a como inimiga da cidade e da educação.

Dá para sentir algo parecido acontecendo com o nascimento do funk carioca paulistano. A aproximação da subprefeitura da Cidade Tiradentes com o pancadão já gerou frutos como o sucesso (83 mil views no YouTube) do MC Dede, dizendo para a meninada “respeitar a mãe, jogar bola e estudar!”

É possível ouvir também – por exemplo: na base de “Está na Mira Safado”, do MC Jé Bolado – uma variação (concretista?) do tamborzão, batida que provou que o funk não veio para acabar com o samba, mas sim é seu herdeiro eletrônico. São Paulo é terra de samba, de um samba vitoriosamente moderno, popular e criativo: como a cidade poderia não produzir seu próprio e autêntico estilo de funk carioca?

Hermano Vianna é antropólogo, roteirista de TV e Coordenador do site Overmundo

_________

Na foto MC Dedê, 19 anos, autor do hit “Respeitar a mãe, jogar bola e estudar” . É o Funk Mensagem.

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Postado em 19.11.2009 | 16:11 | Alê Youssef
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A exposição DE DENTRO PRA FORA/DE FORA PRA DENTRO, organizada pela galeria Choque Cultural no MASP, é uma das maiores conquistas políticas das novas gerações e prova que existem formas alternativas de se transformar a realidade, fugindo dos padrões convencionais da caretice burocrática.

Artistas, produtores de cultura, empresários antenados, publicitários arrojados, skatistas, jornalistas e outros setores simpatizantes à causa da valorização da arte de vanguarda, estavam celebrando uma conquista coletiva de uma batalha onde grande parte dos presentes tiveram papel relevante.

Quando fui Coordenador de Juventude da Prefeitura e entrei nesse movimento desenvolvendo projetos como São Paulo Capital Grafitti, ocupação oficial do túnel da paulista, os mega painéis dos OsGêmeos , as oficinas de grafite nas Casas de Cultura e os festivais que valorizavam essa arte - Agosto Negro, Fala Mano, Hip Hop Rua, entre outros - não imaginava, mesmo com toda a movimentação criada, conseguir romper naquele momento barreiras do pensamento conservador e emplacar, por exemplo, a tão simbólica exposição da nova arte no MASP.

Ao entrar no museu e ver aquele espaço repleto de gente (mais de 2 mil pessoas passaram pelo primeiro dia de exposição) e ocupado por uma arte linda e transgressora tive uma sensação de vitória e pude perceber que o mesmo sentimento era compartilhado por todos os presentes.

Ao mesmo tempo, depois de quase 10 anos participando ativamente de todo esse processo não deu pra deixar de pensar que demorou muito para isso acontecer. O MASP estava às moscas. Repleto de problemas administrativos, dívidas e disputas políticas. Além disso, nosso ícone da arte estava completamente desconectado com a modernidade e com as novas gerações.

Apesar da alegria e da satisfação que sentimos na exposição deu pra perceber que com o tempo o Museu passou a precisar mais dos novos artistas do que o contrário. E isso é a completa tradução do momento que vivemos na cidade de São Paulo, onde todos esses movimentos de vanguarda se viabilizam com as próprias pernas e com a força da representatividade que exercem naturalmente.

No mesmo momento em que a Choque sai de seu sobradinho em Pinheiros e encanta a Avenida Paulista, OsGemeos batem recordes de público na FAAP e a revista Veja São Paulo expõe para a “cidade oficial “ nosso Baixo Augusta.

O próximo passo é tudo isso ser percebido e valorizado pelo poder público, que deve passar a considerar essa verdadeira revolução cultural que acontece de baixo pra cima, como uma das coisas mais importantes dos últimos anos e capaz de revitalizar a cidade como nenhum banqueiro, CEO de multinacional ou mega empreendimento imobiliário jamais conseguiu fazer. Zezão, Titi Freak, Carlos Dias, Daniel Melim, Ramon Martins, Stephan Doitschinoff e tantos outros são os símbolos de uma nova cidade, assim como Banksy é símbolo da nova Londres.

Talvez, ocupar o MASP, sair na Veja e outras representações simbólicas que dialogam com a elite cultural e política sejam escalas necessárias para que isso tudo seja definitivamente compreendido. Mas não deveria ser assim.

Parabéns Baixo Ribeiro e todos da galeria. Vocês deram um Choque na cidade. De fora pra dentro!

Na foto, obra de Carlos Dias.

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Postado em 29.10.2009 | 11:10 | Alê Youssef
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Quem não leu ou assistiu nos últimos anos alguma matéria grande sobre a revitalização da Cracolândia? Pelo menos uma vez por semestre o governo lança projetos habitacionais, evacua hotelzinhos usados pelos dependentes, lacra estabelecimentos irregulares  e promete dar vida à região.  Sob flashes e câmeras de TVs, os políticos mostram maquetes de grandes teatros, mega museus, hiper centros culturais.  Fazem um estardalhaço danado. O papo é tão bom eu soube de alguns candidatos que ganharam uns votinhos  falando da transformação da área.  Quanta balela.


Agora, com a divulgação da terrível situação do tradicional colégio Liceu Coração de Jesus – que desmorona junto com a região - o tema volta à baila. Ainda não vi nenhum dos sorridentes representantes públicos que tanto falaram da Cracolândia em suas trajetórias políticas, se manifestarem sobre o tema.


A verdade é que nada do que foi anunciado deu certo! Os fantásticos empreendimentos culturais construídos, são freqüentados por uma elite que passa pelo bairro dentro de carros blindados, os  incentivos para implantação de escritórios e comércio na área foram pífios e o pior: a região continua cheia de pedras de crack e usuários dependentes definhando pelas  calçadas.


Não há revitalização sem gente ocupando espaços, andando pelas ruas,  dando vida aos locais. Não acredito que a construção de um elefante branco qualquer vá gerar esse tipo de situação. Além disso, acho que a vocação de São Paulo é revitalizar através da agitação cultural, que cresce tanto na cidade. E essa agitação é feita pela vanguarda da cultura, novos artistas e produtores de cabeça aberta para o novo . Eles deveria ser os primeiros a serem envolvidos no processo.


Enquanto milhões de reais são torrados na Cracolândia sem qualquer resultado prático, outras regiões da cidade se reinventam com as próprias pernas sem um tostão do dinheiro público. O melhor exemplo está no Baixo Augusta, onde centenas de novos empreendedores e seus negócios  voltados para a vanguarda cultural, deram vida à região, geraram empregos, atraíram gente e estão mudando a cara de uma área que era totalmente desvalorizada.


Quando se difunde a vontade de transformação, de baixo pra cima, sem grandes soluções mágicas, mas com muita capilaridade e parceria com a população local, os resultados aparecem. A Cracolândia poderia ser um modelo desse tipo de ação. Rapidamente se transformaria numa espécie de centro de arte contemporânea da cidade, com ateliês, galerias, bares etc. Tudo integrado com o Parque da Luz e aquelas maravilhosos espaços públicos, que hoje só servem para milionários fazerem casamentos luxuosos.


De duas uma: ou os governos ignoram completamente o que está acontecendo em locais como o Baixo Augusta e Barra Funda, ou não conseguem fazer nada que não seja grande, mega, hiper, que custe muito caro e apareça bastante, mesmo que não sirva pra nada. Existe outro vício que acaba com a Cracolândia, e ele vai além do crack. É o vício de políticos por obras faraônicas e nomes em placas de inauguração.

 

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Postado em 19.10.2009 | 18:10 | Alê Youssef
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976. Esse é  expressivo número de pessoas que num domingão de sol, Fórmula 1 e jogos decisivos do Brasileirão, foram ao Studio SP para buscar novas maneiras de pensar e fazer política.

O sucesso do primeiro Festival Trip de Política, é a demostração clara de que, ao contrário do que é usual imaginar, as pessoas se interessam sim por política, especialmente quando ela pode ser feita de um jeito diferente.

Nas cinco horas de evento, vi muita gente bacana se encontrar e falar sobre projetos, idéias de atuação, eleições, políticas públicas etc. As principais estrelas do Festival, estavam na platéia. Muita gente interessante que andava desinteressada apareceu pra mostrar a cara e se expressar. Ser esse ponto de encontro, foi o grande barato do Festival.

Ronaldo Lemos, Fernando Gabeira, Lucio Maia e sua banda Maquinado, João Wainer André Fischer, Mario Sérgio Cortella, Carlos Nader, Lais Bodanski, Tia Dag, Instituto com Ganjaman, Funk Buia, Kamau e compahia cumpriram muito bem o papel de discutir política de um jeito absolutamente diferente.

Para mim, que sempre tive forte atuação política mesmo quando não ocupei cargos públicos, participar da realização de um evento como esse foi a concretização de um sonho: unir a atividade cultural e as expressões do comportamento jovem que estão tão presentes em meus projetos atuais (Studio SP e Overmundo), com a política real, com P maiúsculo. Acredito de verdade que um movimento de transformação da prática política pode estar começando a partir das  discussões e encontros que aconteceram em plena Rua Augusta, símbolo da vanguarda cultural da cidade.

Provamos que é possível discutir política sem gravata, em alto nível, longe das caretices e próxima de novos valores como transparência, simplicidade e cabeça aberta para o novo.

Creio que o Festival Trip de Política tem tudo para entrar com força na agenda política brasileria. Outra política vem aí.

Na foto, eu e Fernando Luna abrindo os trabalhos do Festival

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Postado em 16.10.2009 | 19:10 | Alê Youssef
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Reproduzo abaixo, coluna publicada na edição da Revista Trip que debate HONESTIDADE.

 

Terry Rodgers

O político honesto é antes de qualquer coisa 100% transparente. Como já enfatizamos neste espaço, o homem público decente não teme que todos os seus atos no exercício do cargo sejam absolutamente explícitos. E a tecnologia nos dá infinitas possibilidades para isso. Um mandato transmitido em tempo real via web – com câmeras espalhadas pelos gabinetes e acompanhando todos os passos do mandatário –, por exemplo, é algo realmente fácil de conseguir hoje em dia. Seria a máxima de George Orwell ao contrário: o povo de olho em quem votou.

Político honesto é totalmente 2.0. Também utilizando as novas tecnologias, o mandato deve estar absolutamente conectado com a realidade das redes colaborativas da internet. Cada eleitor que queira imediatamente interferir em um projeto de lei ou sugerir ações para seu representante poderá entrar no site do político e editar suas ações. Tudo muito rápido, sem burocracia
nem intermediários. Conexão direta e honesta.

No plano ideológico, o político honesto é fiel às suas convicções. Durante a campanha, deve aprofundar as discussões sobre suas propostas, divulgá-las exaustivamente e se comprometer publicamente a trabalhar duro pela efetivação delas, sob pena de perder seu mandato. Não existe honestidade se o discurso é um e a prática é outra. E, num ambiente transparente e acessível, o acompanhamento e a cobrança vão existir sempre por parte dos eleitores.

Coisas impossíveis
No que diz respeito aos valores da sociedade, o político honesto deve estar inserido no seu tempo, ou seja, não pode ludibriar a população com causas e discursos presos ao passado. Deve olhar para o futuro, se distanciar de radicalismos e verdades absolutas, buscar a atuação eficiente do Estado e não cair em bobagens populistas. Honestidade é também saber o que se pode de fato fazer e não prometer coisas impossíveis em busca de votos ou popularidade.

É absolutamente compreensível o descrédito geral em relação à política. Mas, ao mesmo tempo, percebam que enquadrar nossos representantes em um universo de honestidade – o que mudaria toda a lógica de nossa sociedade – não é tão complicado assim.

Nas próximas eleições, tenhamos em mãos o manual do político honesto para lembrarmos na hora do voto que político bom é político transparente, acessível, fiel a suas ideias e ciente de suas possibilidades.

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