Revista Trip

 
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Postado em 19.11.2009 | 16:11 | Alê Youssef
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A exposição DE DENTRO PRA FORA/DE FORA PRA DENTRO, organizada pela galeria Choque Cultural no MASP, é uma das maiores conquistas políticas das novas gerações e prova que existem formas alternativas de se transformar a realidade, fugindo dos padrões convencionais da caretice burocrática.

Artistas, produtores de cultura, empresários antenados, publicitários arrojados, skatistas, jornalistas e outros setores simpatizantes à causa da valorização da arte de vanguarda, estavam celebrando uma conquista coletiva de uma batalha onde grande parte dos presentes tiveram papel relevante.

Quando fui Coordenador de Juventude da Prefeitura e entrei nesse movimento desenvolvendo projetos como São Paulo Capital Grafitti, ocupação oficial do túnel da paulista, os mega painéis dos OsGêmeos , as oficinas de grafite nas Casas de Cultura e os festivais que valorizavam essa arte - Agosto Negro, Fala Mano, Hip Hop Rua, entre outros - não imaginava, mesmo com toda a movimentação criada, conseguir romper naquele momento barreiras do pensamento conservador e emplacar, por exemplo, a tão simbólica exposição da nova arte no MASP.

Ao entrar no museu e ver aquele espaço repleto de gente (mais de 2 mil pessoas passaram pelo primeiro dia de exposição) e ocupado por uma arte linda e transgressora tive uma sensação de vitória e pude perceber que o mesmo sentimento era compartilhado por todos os presentes.

Ao mesmo tempo, depois de quase 10 anos participando ativamente de todo esse processo não deu pra deixar de pensar que demorou muito para isso acontecer. O MASP estava às moscas. Repleto de problemas administrativos, dívidas e disputas políticas. Além disso, nosso ícone da arte estava completamente desconectado com a modernidade e com as novas gerações.

Apesar da alegria e da satisfação que sentimos na exposição deu pra perceber que com o tempo o Museu passou a precisar mais dos novos artistas do que o contrário. E isso é a completa tradução do momento que vivemos na cidade de São Paulo, onde todos esses movimentos de vanguarda se viabilizam com as próprias pernas e com a força da representatividade que exercem naturalmente.

No mesmo momento em que a Choque sai de seu sobradinho em Pinheiros e encanta a Avenida Paulista, OsGemeos batem recordes de público na FAAP e a revista Veja São Paulo expõe para a “cidade oficial “ nosso Baixo Augusta.

O próximo passo é tudo isso ser percebido e valorizado pelo poder público, que deve passar a considerar essa verdadeira revolução cultural que acontece de baixo pra cima, como uma das coisas mais importantes dos últimos anos e capaz de revitalizar a cidade como nenhum banqueiro, CEO de multinacional ou mega empreendimento imobiliário jamais conseguiu fazer. Zezão, Titi Freak, Carlos Dias, Daniel Melim, Ramon Martins, Stephan Doitschinoff e tantos outros são os símbolos de uma nova cidade, assim como Banksy é símbolo da nova Londres.

Talvez, ocupar o MASP, sair na Veja e outras representações simbólicas que dialogam com a elite cultural e política sejam escalas necessárias para que isso tudo seja definitivamente compreendido. Mas não deveria ser assim.

Parabéns Baixo Ribeiro e todos da galeria. Vocês deram um Choque na cidade. De fora pra dentro!

Na foto, obra de Carlos Dias.

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Postado em 29.10.2009 | 11:10 | Alê Youssef
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Quem não leu ou assistiu nos últimos anos alguma matéria grande sobre a revitalização da Cracolândia? Pelo menos uma vez por semestre o governo lança projetos habitacionais, evacua hotelzinhos usados pelos dependentes, lacra estabelecimentos irregulares  e promete dar vida à região.  Sob flashes e câmeras de TVs, os políticos mostram maquetes de grandes teatros, mega museus, hiper centros culturais.  Fazem um estardalhaço danado. O papo é tão bom eu soube de alguns candidatos que ganharam uns votinhos  falando da transformação da área.  Quanta balela.


Agora, com a divulgação da terrível situação do tradicional colégio Liceu Coração de Jesus – que desmorona junto com a região - o tema volta à baila. Ainda não vi nenhum dos sorridentes representantes públicos que tanto falaram da Cracolândia em suas trajetórias políticas, se manifestarem sobre o tema.


A verdade é que nada do que foi anunciado deu certo! Os fantásticos empreendimentos culturais construídos, são freqüentados por uma elite que passa pelo bairro dentro de carros blindados, os  incentivos para implantação de escritórios e comércio na área foram pífios e o pior: a região continua cheia de pedras de crack e usuários dependentes definhando pelas  calçadas.


Não há revitalização sem gente ocupando espaços, andando pelas ruas,  dando vida aos locais. Não acredito que a construção de um elefante branco qualquer vá gerar esse tipo de situação. Além disso, acho que a vocação de São Paulo é revitalizar através da agitação cultural, que cresce tanto na cidade. E essa agitação é feita pela vanguarda da cultura, novos artistas e produtores de cabeça aberta para o novo . Eles deveria ser os primeiros a serem envolvidos no processo.


Enquanto milhões de reais são torrados na Cracolândia sem qualquer resultado prático, outras regiões da cidade se reinventam com as próprias pernas sem um tostão do dinheiro público. O melhor exemplo está no Baixo Augusta, onde centenas de novos empreendedores e seus negócios  voltados para a vanguarda cultural, deram vida à região, geraram empregos, atraíram gente e estão mudando a cara de uma área que era totalmente desvalorizada.


Quando se difunde a vontade de transformação, de baixo pra cima, sem grandes soluções mágicas, mas com muita capilaridade e parceria com a população local, os resultados aparecem. A Cracolândia poderia ser um modelo desse tipo de ação. Rapidamente se transformaria numa espécie de centro de arte contemporânea da cidade, com ateliês, galerias, bares etc. Tudo integrado com o Parque da Luz e aquelas maravilhosos espaços públicos, que hoje só servem para milionários fazerem casamentos luxuosos.


De duas uma: ou os governos ignoram completamente o que está acontecendo em locais como o Baixo Augusta e Barra Funda, ou não conseguem fazer nada que não seja grande, mega, hiper, que custe muito caro e apareça bastante, mesmo que não sirva pra nada. Existe outro vício que acaba com a Cracolândia, e ele vai além do crack. É o vício de políticos por obras faraônicas e nomes em placas de inauguração.

 

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Postado em 19.10.2009 | 18:10 | Alê Youssef
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976. Esse é  expressivo número de pessoas que num domingão de sol, Fórmula 1 e jogos decisivos do Brasileirão, foram ao Studio SP para buscar novas maneiras de pensar e fazer política.

O sucesso do primeiro Festival Trip de Política, é a demostração clara de que, ao contrário do que é usual imaginar, as pessoas se interessam sim por política, especialmente quando ela pode ser feita de um jeito diferente.

Nas cinco horas de evento, vi muita gente bacana se encontrar e falar sobre projetos, idéias de atuação, eleições, políticas públicas etc. As principais estrelas do Festival, estavam na platéia. Muita gente interessante que andava desinteressada apareceu pra mostrar a cara e se expressar. Ser esse ponto de encontro, foi o grande barato do Festival.

Ronaldo Lemos, Fernando Gabeira, Lucio Maia e sua banda Maquinado, João Wainer André Fischer, Mario Sérgio Cortella, Carlos Nader, Lais Bodanski, Tia Dag, Instituto com Ganjaman, Funk Buia, Kamau e compahia cumpriram muito bem o papel de discutir política de um jeito absolutamente diferente.

Para mim, que sempre tive forte atuação política mesmo quando não ocupei cargos públicos, participar da realização de um evento como esse foi a concretização de um sonho: unir a atividade cultural e as expressões do comportamento jovem que estão tão presentes em meus projetos atuais (Studio SP e Overmundo), com a política real, com P maiúsculo. Acredito de verdade que um movimento de transformação da prática política pode estar começando a partir das  discussões e encontros que aconteceram em plena Rua Augusta, símbolo da vanguarda cultural da cidade.

Provamos que é possível discutir política sem gravata, em alto nível, longe das caretices e próxima de novos valores como transparência, simplicidade e cabeça aberta para o novo.

Creio que o Festival Trip de Política tem tudo para entrar com força na agenda política brasileria. Outra política vem aí.

Na foto, eu e Fernando Luna abrindo os trabalhos do Festival

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Postado em 16.10.2009 | 19:10 | Alê Youssef
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Reproduzo abaixo, coluna publicada na edição da Revista Trip que debate HONESTIDADE.

 

Terry Rodgers

O político honesto é antes de qualquer coisa 100% transparente. Como já enfatizamos neste espaço, o homem público decente não teme que todos os seus atos no exercício do cargo sejam absolutamente explícitos. E a tecnologia nos dá infinitas possibilidades para isso. Um mandato transmitido em tempo real via web – com câmeras espalhadas pelos gabinetes e acompanhando todos os passos do mandatário –, por exemplo, é algo realmente fácil de conseguir hoje em dia. Seria a máxima de George Orwell ao contrário: o povo de olho em quem votou.

Político honesto é totalmente 2.0. Também utilizando as novas tecnologias, o mandato deve estar absolutamente conectado com a realidade das redes colaborativas da internet. Cada eleitor que queira imediatamente interferir em um projeto de lei ou sugerir ações para seu representante poderá entrar no site do político e editar suas ações. Tudo muito rápido, sem burocracia
nem intermediários. Conexão direta e honesta.

No plano ideológico, o político honesto é fiel às suas convicções. Durante a campanha, deve aprofundar as discussões sobre suas propostas, divulgá-las exaustivamente e se comprometer publicamente a trabalhar duro pela efetivação delas, sob pena de perder seu mandato. Não existe honestidade se o discurso é um e a prática é outra. E, num ambiente transparente e acessível, o acompanhamento e a cobrança vão existir sempre por parte dos eleitores.

Coisas impossíveis
No que diz respeito aos valores da sociedade, o político honesto deve estar inserido no seu tempo, ou seja, não pode ludibriar a população com causas e discursos presos ao passado. Deve olhar para o futuro, se distanciar de radicalismos e verdades absolutas, buscar a atuação eficiente do Estado e não cair em bobagens populistas. Honestidade é também saber o que se pode de fato fazer e não prometer coisas impossíveis em busca de votos ou popularidade.

É absolutamente compreensível o descrédito geral em relação à política. Mas, ao mesmo tempo, percebam que enquadrar nossos representantes em um universo de honestidade – o que mudaria toda a lógica de nossa sociedade – não é tão complicado assim.

Nas próximas eleições, tenhamos em mãos o manual do político honesto para lembrarmos na hora do voto que político bom é político transparente, acessível, fiel a suas ideias e ciente de suas possibilidades.

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Postado em 16.10.2009 | 12:10 | Alê Youssef
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No Brasil, a aversão à política é uma questão quase cultural. Em todos os espaços de convivência social, as pessoas que gostam de política são minoria. Os exemplos estão presentes no nosso dia a dia: grêmios dos colégios às moscas, centros acadêmicos das faculdades despertando pouco interesse nos alunos, representantes sindicais que se perpetuam no poder sem sequer serem questionados etc. Isso se reflete também no trabalho, em casa. Poucos são os que acompanham, cobram ou mesmo lembram em quem votaram.

Muitas vezes a política de tão rejeitada se torna um tabu e até quem gosta ou entende, prefere se afastar para não “queimar o filme.”.

Claro que o próprio meio político é o principal responsável por toda essa aversão. Como disse Fernando Luna, diretor editorial da Trip - em entrevista publicada hoje no jornal O Estado de S.Paulo - o convencionalismo afasta as pessoas da política e acaba fazendo muita gente interessante, se desinteressar.

O Festival Trip de Política combate o desinteresse porque gera discussão política de uma maneira não convencional. Além disso, junta muitas das tais pessoas interessantes que andam desinteressadas em um mesmo ambiente. Essa mistura de  pode dar bons frutos.

Participe do Festival!

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Postado em 14.10.2009 | 12:10 | Alê Youssef
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Nação Zumbi, Eddie, Mombojó, Los Pirata, Edgard Scandurra, Arnaldo Antunes, Hurtmold, Instituto, Lulina, Los Porongas, Bárbara Eugênia, Karina Buhr, Ultraje a Rigor, Zeferina Bomba, Pélico, Tulipa Ruiz, Gustavo Ruiz, Mauricio Fleury, Marcelo Janeci, entre outros. Não. Esse não é o line up de um excelente festival de música brasileira, nem a programação mensal do Studio SP. Todas essas bandas, representadas por pelo menos um membro, e artistas estavam presentes no show de lançamento do novo CD do Cidadão Instigado, que rolou no último sábado, dia 10 de outubro, no Sesc Pompéia.

Além das bandas, cantoras e músicos, também davam as caras produtores, jornalistas, atores e apresentadores: Miranda, Gui Amabis, Ronaldo Bressane, Adriana Ferreira, Fernanda Couto, João Miguel Wisnik, Luisa Micheletti etc.

A presença expressiva da classe musical no show, dá a noção exata do fascínio que a sonoridade da banda exerce em todos que trabalham com música na cidade. A estética inconfundível desenhada por Fernando Catatau, ja tomou conta de boa parte as produções de artistas contemporâneos. O melhor exemplo está no último trabalho de Arnaldo Antunes, que Catatau assina a producão.

No palco, a gradiosidade de sempre. Ao lado de Catatau, Regis Damasceno, Rian Batista e Clayton Martin, além de Kalil Alaia na mesa de som, o Cidadão Instigado faz um som poderoso que corresponde à enorme expectativa que se criou em torno no novo trabalho da banda. E é olhando para o palco, aliás, que vemos o quanto o Cidadão está vinculado à toda movimentação musical que agita São Paulo hoje em dia. Cada um dos membros da banda está envolvido em um ou mais projetos diferentes. Todos relevantes. Incluem-se nessa lista, além de Arnaldo, Instituto, Jupiter Maçã, Rômulo Froes, Otto, Céu etc.

Na edicão do Caderno Ilustrada da Folha de São Paulo da última segunda feira, o jornalista Marcos Augusto Gonçalves faz uma análise da cena musical da cidade, a qual descreve como cosmopolita e animadíssima e insere a banda como uma das protagonistas desse movimento, além de listar o CD UHUUU do Cidadão, com um dos melhores do ano. Concordo com M.A.G.

Nesse momento, a influência que exerce direta ou indiretamente no universo musical que os cerca, faz o Cidadão Instigado ser a banda da cena.

No dia 19 de novembro, a banda volta à São Paulo e ao palco do Studio SP para um show que promete.

Na foto, Fernando Catatau em ação.

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Postado em 07.10.2009 | 15:10 | Alê Youssef
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Quando Céu subiu ao tímido palco do antigo Studio SP da Vila Madalena, para temporada de shows às segundas feiras em junho de 2006, ela já era celebrada pela crítica e por quem estava por dentro das coisas como a grande novidade da música brasileira. Era o início do trabalho de divulgação do seu primeiro disco, que de cara apresentou ao público um estilo musical novo, sonoridade mais complexa  e um jeito totalmente diferente de cantar. Essas caracteriísticas abriram portas para o começo de uma promissora carreira internacional e fez com que Céu fosse escalada para o TIM FESTIVAL do mesmo ano, onde seu show foi um dos mais elogiados.

De lá pra cá,  outros excelentes shows aconteceram e muitas oportunidades surgiram, mas Céu preferiu seguir o seu próprio ritmo de criacão e trabalho, sem se apegar às primeiras propostas que apareciam tanto no mercado fonográfico, como em palcos importantes. Lembro do convite feito dois anos atrás por Pena Schmidt, diretor do Auditório Ibirapuera, para um fim de semana de shows, elegantemente recusado pela cantora: ainda não é a hora, disse ela.

No final de semana passado, Céu voltou com do CD Vagarosa, seu novo trabalho lançado em três shows lotados, agora sim, no Auditório do Ibirapuera. Do palco de madeira do inferninho da Vila para o grandioso cenário no Parque do Ibirapuera, percebe-se uma coisa rara: Céu atinge a maturidade e a consagração sem ter mudado seu estilo, sem fazer consessões musicais, sem sair de uma carreira traçada com sobriedade e serenidade de quem parece que sabia que as coisas aconteceriam dessa forma. Ela é hoje,  por diversos motivos que explico abaixo, a melhor cantora do Brasil no momento.

Em primeiro lugar é a melhor cantora porque tem voz e estilos próprios. Quando se ouve alguma de suas músicas, imediatamente sabemos de quem se trata. Céu canta diferente e também cria uma técnica nova para o canto.

A música de Céu reúne tudo: samba, afrobeat, hip hop, jazz, R&B, dub. Essa mistura, tão característica da nova geracão de músicos brasileiros, é a base do que podemos chamar de nova música brasileira, que não pode ser mais restringida e rotulada em parâmentros do passado. A  melhor cantora é quem melhor representa isso.

A postura de Céu é contemporânea, não apenas pelo já ressaltado caminho trilhado com sobriedade, mas também porque ela se insere numa cena que conecta músicos e artístas que representam o que existe de melhor na nova música. A postura da artista se afasta do esteriótipo de diva das cantoras tradicionais e a coloca como mais uma integrante de um movimento forte e original da nova nova música.  A melhor cantora é a que simboliza essa contemporaniedade artística.

O time que se reúne em volta da cantora é sensacional: na produção a própria Céu,  Beto Villares, e seu brilhantismo de  valorizar as melhores caraterísticas de quem produz, Gustavo Lenza e Gui Amabis. No palco,  Bruno Buarque, Lucas Martins, Guilherme Ribeiro e Dj Marco, sem esquecer das participações mais que especiais de Pupilo, Fernando Catatau, Thalma de Freitas, Anelis Assumpção e Rodrigo Campos. Em estúdio, além dos já citados produtores e músicos do show, Marcelo Janeci, Curumin, Guizado, B. Negão, Pepe Cisneros, Dengue, Mauricio Alves, Chiquinho, entre outros, além do gigante Gigante Brasil. A melhor cantora tem um time de primeira. Naturalmente.

Céu compõe, canta e dirige seu trabalho. No show, assina a direção musical com sua banda. No palco, dança como se estivesse numa festa, sem coreografias falsas e ensaiadas, curtindo de verdade aquele momento e como ela mesmo diz, fazendo um som. A melhor cantora sabe do que gosta e sabe o que quer.

Aconselho a todos os amantes da música, a assistir um dos shows da turnê, para comprovar o que escrevi aqui.  O giro de Céu é patrocinado pela Natura, em um modelo de parceria interessante que garante preços acessíveis a todos.

Na imagem, a capa do CD Vagarosa.

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Postado em 06.10.2009 | 18:10 | Alê Youssef
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Vem aí um evento inusitado e importante: o primeiro Festival de Política da Trip. Realizado em parceria com o Studio SP, trata-se de um evento para inspirar novas maneiras de fazer e pensar política.

A ideia é reunir no STUDIO SP, domingão dia 18 de outubro, shows, debates, intervenções, mostras de cinema e fotos que abordem esse assunto tão evitado pela maioria das pessoas. No coracão do Baixo Augusta - região onde o frescor e a vanguarda cultural podem agitar iniciativas inovadoras - pode surgir um movimento em busca de uma outra política, tema tão debatido em minhas colunas na Revista Trip.

O evento contará com shows de bandas engajadas como Instituto e Maquinado, que fazem da qualidade e independência de suas músicas uma bandeira no mundo musical, debatedores como Fernando Gabeira, símbolo de uma atuação parlamentar diferente e Ronaldo Lemos, grande pensandor de uma sociedade livre e conectada, intervenções de pessoas do calibre de André Fischer, Tia Dag e Marcelo Tas, fotos de João Wainer e muito mais.

Se você está com vontade de se engajar para mudar as coisas que te incomodam, mas não sabe muito bem por onde começar, a parceria Trip/Studio SP apresenta uma alternativa.

Vamos falar de política! Mas vamos fazer isso do nosso jeito!

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Postado em 02.10.2009 | 13:10 | Alê Youssef
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Vasculhando blogs musicais, conheci o GROOVE LIVRE. Nele encontrei um texto incrível que precisa ser compartilhado. O autor, Serjão Carvalho, faz uma comparação inusitada e certeira entre Daniel Ganjaman e João Donato, enfatizando a importância relativa de cada um para o Hip Hop e para a Bossa Nova, respectivamente.

Quem conhece o Ganja, sabe que é verdade. Não apenas pela força que exerce do ponto de vista musical, mas pela liderança e organização da cena em que está envolvido.

Excelente ver a nova cena opinando e criando paralelos com os grandes mitos e movimentos musicais do passado. É um jeito interessante de valorizar o que rola hoje em dia - mostrando que tem gente muito boa e importante fazendo coisas que estão marcando profundamente nossa música hoje -  e homenagear os grandes mestres.

Comparação merecida demais! Vale a leitura! Texto abaixo.

Na foto, Ganja e seu Rodhes em ação com o Instituto, na gravação do DVD da banda no Studio SP.

_________________________________________

 

DANIEL JOÃO GANJAMAN DONATO

Por Serjao Carvalho

fonte : http://noiz.com.br/category/materias/

Foto: Janaina Castelo Branco/siteNOIZ

Foto: Janaina Castelo Branco/siteNOIZ

Daniel Ganjaman está para o rap assim como João Donato está para a bossa nova. Não, isso não é nenhum exagero. E a melhor prova dessa teoria aconteceu durante a gravação do DVD do Instituto no último dia 24 de setembro, no Studio SP, onde ele levou para o palco os principais nomes do hip hop paulistano.

A comparação não é por acaso. João é um dos mestres da bossa nova, sua sonoridade sempre buscou harmonias diferentes e conseguiu deixar tudo com uma marca registrada, não é difícil saber que uma música tem o dedo de Donato. Assim como Ganjaman, que consegue deixar sua marca em qualquer faixa em que coloque seu Rhodes pra funcionar.

De volta ao Studio SP, Daniel Ganjaman mostra que é um artista com um gosto musical requintado e que sabe reconhecer onde existe um potencial para se fazer música de qualidade – e por que não viável comercialmente?

O show começou com o Instituto com sua formação matadora, tendo M. Takara destruindo tudo na bateria (como sempre) e Marcelo Munari na guitarra.  Vêm então os novos nomes, o que passa a ser a aposta de Ganjaman para se fazer música boa, afinal, para quem ainda não sabe, ele é um dos responsáveis pelo rap nacional ter conhecido Sabotage, o mestre samurai da rima.

Subiu Kamau no palco com a função não de simplesmente ser o MC que ele já é, mas sim o mestre de cerimônia da festa que tinha como maestro Daniel. A presença de palco de Marcus Kamau é assutadora, ele domina o local com uma tranquilidade de poucos. Então, ele fez sua rima e chamou para o palco Flora Matos.

O poder feminino na música pode não ter o respeito e o espaço que se merece, mas Flora pequena e guerreira subiu e mostrou por que é uma das maiores apostas dessa geração. Fico ainda mais curioso para conferir seu trabalho com o Stereodubs. A versão que ela fez para “Pai de Familia” é certeira e mescla muito das influências suas e do Instituto.

É a vez de Emicida no palco, e o público respira fundo para ver o porquê desse garoto da ZN estar com toda essa moral. Quando ele pega o microfone, entende-se perfeitamente o motivo. Ganjaman não é bobo, chamou ele para seu lado.

Max BO completa as apostas e sobe ao palco com a calma que lhe é peculiar, mostrando que é um cara do entretenimento e sabe se comportar muito bem lá em cima.

Voltando ao paralelo, em 1970, João Donato lançava “Bad Donato”, que mudaria os rumos não só na sua estrutura musical, mas a visão do que se poderia fazer na bossa nova – e que, convenhamos, até hoje não foi bem digerido por alguns do gênero. Em 2002 o Instituto lançava “Coleção Nacional”, que não recebeu o valor que merecia (ainda hoje não recebeu) e que mudou a forma de se pensar música brasileira. Para se ter uma ideia, os convidados foram nomes como Sabotage com “Dama Tereza”, Los Sebozos Postizos, Otto, Cila do Côco com Kid Koala, Bonsucesso Samba Clube, Rappin Hood, B Negão e Fred Zero Quatro, entre outras cobras. Dois discos essências para se entender a história da evolução da música brasileira.

Por fim, naquela quinta-feira, todos subiram ao palco para cantar “Cabeça de Nego”, parceria Instituto e Sabotage.  A ligação entre as gerações está feita. E Ganjaman é responsável por boa parte desse capítulo da história do rap nacional. E ele sabe disso.

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Postado em 18.09.2009 | 10:09 | Alê Youssef
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A pior aberração de nossa política é o curral eleitoral. Muita gente não sabe, mas nas eleições – especialmente para o legislativo – existe um grande jogo de cartas marcadas, onde os eleitos já entram na disputa com a dimensão de quantos votos vão ter.O curral eleitoral é uma espécie de compra de votos institucionalizada e funciona através da profissionalização de lideranças comunitárias que recebem salário de um candidato para trabalhar o nome dele na respectiva comunidade. É essa liderança que comanda as visitas do candidato às associações de bairro, organiza os churrascos, distribui material e faz com que seus amigos e conhecidos da região votem, formando assim o curral.

Paralelamente à ação da tal liderança, outras medidas fortalecem o curral: compra de espaço em jornais de bairro; fornecimento de transporte para o dia da eleição, que garante que todos do curral votem; contratação de um poderoso grupo de “faxeiros”, que fixa faixas e placas do candidato no curral e parte para a briga se outro candidato aparecer.

Voto de opinião fora
Esse sistema político vigente em nosso país explica a ampla maioria de vereadores e deputados que nenhum de nós nunca ouviu falar. São pessoas que estão se lixando pra opinião pública, nem querem aparecer pois estão superconfortáveis com seu lote de poder. A cada quatro anos seus currais garantem a manutenção das regalias. Mesmo os mais famosos, que aparecem entre os formadores de opinião cheios de verdades, também mantêm currais que garantirão sua vitória e a manutenção da imagem de político vencedor.

Além da óbvia questão ética, os currais destroem um dos pilares do sistema democrático: o voto de opinião. Não existe quase espaço para candidatos lastreados em ideias claras, novas e que queiram entrar na política por idealismo. A campanha pelo debate de ideias, o envio de propostas para amigos, a militância verdadeira e engajada se confrontam com as máquinas de votos baseadas nos currais. As chances de êxito são mínimas. Isso explica a pífia renovação da política, que só acontece quando alguma celebridade trash se candidata e depois some do mapa como todos os outros eleitos.

Nas últimas edições da Trip, a coluna se debruçou na busca pelo que chamamos de outra política. Transparência, simplicidade, cabeça aberta para o novo e a busca por uma nova ordem mundial. Acreditamos verdadeiramente que o novo está aí para substituir o velho, mas para isso acontecer na prática precisamos atacar os alicerces de picaretagem e manutenção do status quo político. Que toda nossa munição se destine à destruição dos currais eleitorais e de tudo o que eles representam. Proponho que em 2010 o leitor não vote em quem tem curral. Todos ficarão pasmos e até arrependidos com votos passados. Sobrarão pouquíssimas opções, mas garanto que já é um bom começo.

Originalmente publicado na coluna Outra Política da Revista TRIP Ed. Setembro 2009.

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