Revista Trip

Blog O Mundo é Uma Kombi

Agradecimentos

22.10.2012 | 00:01 | Emilio Zagaia e Felipe Costa

O mundo é uma Kombi ainda não acabou. O projeto segue com a edição e finalização do documentário sobre felicidade, com lançamento previsto para a metade de 2013. Além disso, o livro da viagem começou a ser escrito e será lançado também no ano que vem. Vamos usar o blog para mostrar um pouco da produção, com publicação de vídeos, textos e fotos exclusivas. 

Gostaríamos de agradecer algumas pessoas e empresas que foram essenciais para a realização desse sonho:

Os que colaboraram através do financiamento coletivo

Lucas Sampaio

Chen Brosh

Natasha Montemor

Renata Santos

Flávia Quincoses

Bruno Volpato

Thiago Cordeiro

Douglas Lauria

Karina Vela

Thicco Coradini

Letícia Henriques

Walter Nascimento

Evandro Moreira

José Pedrialli

Silvia Danieli

Luciano Leal

André Siqueira

Alessandro da Luz

Fabiana Rodrigues

Ernani Martins

Alfredo Filho

Vanessa de Rezende

Victor Hugo Ortiz

Santo Prazer Armazém

Camila Nishimura

Rodrigo Araujo

Claudia Laurindo

Andre Becegato

Tony Lopes

Luiz Cesar Nocera

Amanda Hadama

Rafael Grizzo

Teca Bcn

Gabi Melo

Cesar Cobra

Adriana Noisom

Anwar Junior

Alexandre Montenegro

Cecília Vaz

Tomás Petersen

Geehrter Sathler Rosa

Edger Sathler Rosa

Ana Maria Cunha

Ismar Cunha

Alecio Clemente

Claudia Paccini

Guilherme Araújo

Mariah de Fátima Gleb

Fernanda Gimenez

Farid Libos

Denise Guimarães

Fatima Simões

João Paulo Froehlich

Fernanda Vianna

Fernanda Gorini

Roberta e Rogério Nogueira

Marina Lisboa Empinotti

Janaina Antunes

Padaria Pão e Tal

Eliana Costa

Andreia Antoniolli

Clayton Rodrigues

Marcelo Cardoso

Angelica Teodoro

Daniel Gevaerd

Tatiana Castanheira

Gustavo Fontanezi

Marco Liva

Flavio Morocho

Leonardo Silveira

Bruna Susaki

Mateus Bittencourt

Tatiana Cobbett

Alessandra Flores

Tamara Lowenstein

Daniyel Ruiz

Flávia Schiochet

Andrea Rodrigues

Gabriele Duarte

Francisca Nery

 

Os que sempre apoiaram

Mariana Rodrigues Moreira

Rejane Costa

Rafael Costa

Daniel Costa

Giani Costa

Martha Costa

Lauro Costa

Salvatore Puglia

César Puglia

Ismar Cunha

Ana Maria Cunha

Léa Rodrigues

Dácio Rodrigues

Fabiana Rodrigues

Adriana Noisom

Tony Noisom

Thaís Amaral

Marcela Moreira

Evandro Moreira

Ana Flávia Rodrigues Moreira

 

As empresas que acreditaram no projeto

Palmiflex - Componentes para calçados

Sulferraço - Comercial de ferro e aço

Vira-verão Lanches

Onix Sat - Rastreamento via satélite

 

Revista Trip, em especial Flávia Durante, Jaqueline Amaral e Lino Bocchini.

 

A todos os amigos que de alguma forma fizeram e continuam fazendo parte de tudo isso, e a Deus, por ter nos dado a chance de realizar esse projeto.

Blog O Mundo é Uma Kombi

Bem-vindo ao brasil

04.10.2012 | 22:05 | Emilio Zagaia e Felipe Costa

Não sei porque este texto demorou tanto para ser escrito. Talvez seja uma prova de que deixamos de lado o que amamos pelo trabalho ou então preguiça. Talvez eu não quisesse que esta viagem terminasse e às vezes eu sinto que ela não terminou. Cruzamos a fronteira do Uruguai com o Brasil no dia 31 de julho, a chegada não foi como prevíamos.

***

Acordei, abaixei o teto retrátil e guardei os lençóis. Coloquei dois casacos, saí da Kombi e o Zagaia estava agachado, sem camisa, mexendo no motor. Limpou a testa com o pulso e mostrou a vareta do óleo.

“Quanto a gente tem de grana, Felipão?”

“Quase nada, talvez o suficiente para uns dois dias.”

“Tenho que comprar óleo. Mas tamo chegando irmão, tamo chegando.”

Metade do dinheiro que usamos nessa viagem veio de doações ou parcerias, a outra metade foi dinheiro do Zaga, que ele juntou por dois anos organizando festas em Londrina, em um salão na chácara dos pais, o lar mais feliz que eu conheço. Sei porque fui em uma festa, e vi a mãe do Emílio, Dona Léa, passar para ver o que o filho estava fazendo e ganhar um abraço e um beijo. Ele segurou até ela começar a rir e gritar um “toma jeito, moleque!”. Largou para ir até a cozinha dar um beliscão na bunda da prima-irmã Thais, que devolveu um tapa na mão e alguns xingamentos, se segurando para não rir. Seu Dácio recém tinha voltado da capela e parou na porta com seu copinho de cachaça para falar com o sotaque mineiro: “esse moleque não toma jeito mesmo”.

Zagaia trocou o óleo e ligou a Kombi. Bati a tampa do motor e entrei. Câmera na mão para gravar o final de dia quando estivéssemos chegando a Montevidéu. Dormiríamos lá, mas só estacionamos, caminhamos pela rua principal e voltamos para a Caipirinha.

“Vamos tocar direto até Punta Del Leste.”

Giramos pelo asfalto da cidade estilo-Miami até encontrar um lugar para estacionar e dormir.  A Kombi ficou em frente à lanchonete onde usamos internet por umas duas horas. Meu computador estava com problemas, então esperei o Emilio falar com os pais para eu aproveitar o final da bateria para dar o recado para a minha família: “Estamos chegando”.

Sempre fui grudado na minha mãe. Sou o mais novo de três homens, acho que é normal o caçula ser mimado. Pareço com ela e tem muito dela em mim, e pensei nela sempre que me faltou conforto durante a viagem. Me Lembro de um almoço que meus irmãos rasparam o prato de arroz e carne e eu nem toquei na comida, queria comer na lanchonete daquela rede onde a Kombi estava estacionada. Como bom pai, o meu ficou contrariado porque minha mãe me levou.  Ela assistiu eu comer um hambúrguer e disse: “Come hoje o que tu gosta, eu sempre gostei de arroz e carne e às vezes na casa da vó não tinha”.

Acordamos e fomos de Kombi gravar nas praias de Punta. Me senti em casa quando encontrei uma amiga em frente ao Monumento ao Afogado, a famosa mão saindo da areia. A Bruna e o namorado foram correndo até a Kombi para tirar uma foto: estávamos ao alcance das viagens de namorados. E a minha estava me esperando, eu queria chegar.

Conversamos com o casal por meia hora. Queríamos saber um lugar barato para comer e uma praia no caminho para dormir. Enquanto eu tirava fotos deles no monumento, me disseram para ir a La Paloma e Punta Del Diablo. O Zagaia quis ir a La Paloma, já tinha ouvido falar que seria um lugar tranquilo para estacionar na beira da praia. Nos despedimos do casal, gravamos mais umas cenas com a Kombi passando por uma ponte com duas subidas e descidas, e fomos comprar mais atum.

O cartão de viagem estava zerado. O indicador de gasolina do painel não funciona, e só paramos para calcular que ficaríamos sem combustível no meio do caminho. Estava anoitecendo e havíamos pegado o desvio para a praia quando a Kombi parou.

“Acabou a gasolina?”

“Não, vamos voltar e tocar direto, senão amanhã não vamos ter como abastecer nem comer.”

Zagaia fez a volta, diminuiu o volume e começou a dirigir concentrado. Não era a primeira vez: no dia do aniversário de 40 anos dele, no Perú, já havia ficado assim.

“Reza, Felipão, reza!”

Juntamos moedas e colocamos dois dólares de gasolina. Chegamos ao Chuy, última cidade do Uruguai. 

O Chuy uruguaio é misturado com o Chuí brasileiro, com placas em espanhol e português. Conseguimos chegar a tempo antes dos bancos brasileiros fecharem. Saquei dinheiro para comermos bem em um restaurante, tínhamos que decidir o que fazer, não teríamos dinheiro para levar a Kombi até Londrina. Eu estava acabando de comer e o Zagaia não tinha nem tocado na comida.

E mais uma vez, uma família nos acolheu. Agora uma família brasileira. Guardamos a Kombi na garagem e dormimos na casa da Nadima e Ulisses Gonzalez. Almoçamos e jantamos com pessoas que não nos conheciam e nos ajudaram.  A chegada não foi como prevíamos, não teve festa, não teve Kombi, mas mesmo assim foi incrível.

A família Gonzalez ficaria com a Kombi até que juntássemos dinheiro para terminar a viagem. Eles nos levaram até a rodoviária, voltaríamos mesmo sem ela. No caminho, o Emilio dormia e eu pensava em comer arroz e carne com a minha mãe, em abraçar minha namorada, conversar com meus avós, brigar com meus irmãos. Refiz toda a viagem na minha cabeça, de Tulum ao Brasil. Conhecemos pessoas incríveis. Queria voltar e compartir um peixe com o Renê, no México; comer no chino com o Ty, em Belize; andar de Fusca com Karlita e Panchete, me emocionar com Victor, Wendy, Junior e ver que a Cidade da Guatemala nem é tão perigosa assim; jogar poker com John na casa do Remi e da Ana Cecília, conversar com um pirata no Panamá; reunir as Kombis na Colômbia; conhecer a história do Seu Alfredo, no Equador; ir para o bar com um motoqueiro mucho loco, no Peru; fazer turismo com a Maranhão, em Santiago; fazer festa com Diego e Paola, na Argentina; comer um assado com o William, no Uruguai; ir no cinema com a Mariana, no Brasil. Depois, seguir viajando com Emilio Zagaia, um cara que entende muito sobre ser feliz.

Reuni todos em uma só foto, na minha cabeça. Entendi o que é felicidade. Ainda sinto que a viagem não terminou.

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FELICIDADE!

Tags: brasil
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Os senhores de Colônia

09.09.2012 | 21:09 | Emilio Zagaia e Felipe Costa

O Zagaia foi na frente, tinha que estacionar a Caipirinha dentro do Buquebus, o navio que nos levou de Buenos Aires a Colônia, no Uruguai. Fiquei na sala de espera, parecida com a de um aeroporto, e depois de uma hora a voz nas caixas de som chamou para o embarque - em inglês, espanhol e português. Parei na fila, entre uma família de gaúchos e uma de paulistas, e tirando as duas suecas perdidas caminhando pelo saguão, parecia que só havia brasileiros.

Depois de uma hora cruzando o Rio da Prata, chegamos a Colônia de Sacramento. Esperei na aduana, dentro da Kombi, por três horas enquanto o Emilio caminhava pela cidade atrás do seguro obrigatório. Agora tínhamos que encontrar a casa do William, um senhor que o Zagaia havia conhecido em Tulum, no México, dois anos antes.

A kombosa andou duas quadras, a cidade de 22 mil habitantes não parecia muito maior que isso. O Zaga estacionou e desceu para tocar a campainha. O senhor, já passado dos 70, abriu a porta e levou alguns segundos para reconhecer.

"Malaaaandro!", sorriu chamando o Emilio pelo apelido mexicano.

Entramos no chalé e sentamos para conversar em frente a lareira. A mãe do William, com quase 90, chegou com o mate para ouvir o filho contar suas histórias junto com o Malandro.

"Esse aí tu pode deixar no meio do deserto que ele encontra água. Nunca vi nada igual!"

Saímos para conhecer a cidade, caminhar por las ramblas e gravar mais um pôr do sol bem vermelho. Depois fomos a um restaurante e voltamos para a casa do William.

Ele abriu a porta sorrindo como da outra vez. Parou segurando uma das muletas para gesticular nos apressando para entrar.

"Eu não sei quanto tempo vocês vão ficar, então resolvi improvisar um churrasco aqui dentro, lá fora tá muito frio."

William havia colocado uma grelha sobre a lareira e a mãe trazia as carnes em uma bandeja. As duas netas haviam voltado da escola, curiosas pra saber quem eram os brasileiros.

"Você é o namorado da minha tia?", perguntou a mais velha para o Emilio.

O malandro desconversou pra não contar que foi por causa da tia que conheceu William no México:

"Amanhã eu vou levar vocês pra tomar um sorvete."

As duas, empolgadas, foram perguntar para o avô se podiam:

"Vocês não vão até a esquina com essa gente!", respondeu rindo.

Seguimos conversando, tomando mate e comendo os primeiros pedaços assistindo a abertura das Olimpíadas. Depois de falar sobre a origem dos jogos, as seleções de futebol e do acidente que fez William perder a perna, a aula sobre a vida começou.

Escureceu e as meninas foram dormir. Chegaram dois amigos, também mais velhos. Sentamos em círculo e eu fiquei assistindo o Zagaia fazer todas as perguntas. Os três senhores divorciados: um triste e solitário, um satisfeito e conformado, e o William, que não tocava muito no assunto.

"Eu não consigo ficar longe de mulher, tenho quase oitenta anos, mas uma só ainda é pouco pra mim. Me arrependo de muita coisa, principalmente de ter magoado meus filhos. O problema é que vivo com a celeste (Viagra) na carteira.", disse o primeiro senhor, olhando para o chão e balançando a cabeça.

O outro, primo do William, aproveitou a deixa:

"Eu me divirto muito com mulheres, não vivo sem, mas não suporto cobrança ou incomodação. Gosto da minha vida tranquila, a manhã seguinte é o grande problema.", disse sério, depois de um gole de uísque.

Wiliam ficou um tempo calado, virou as carnes na grelha, passou os olhos pela casa:

"Só tenho a agradecer. Cada um sabe o que é melhor para sua vida, tenta ser feliz. Toda mulher tem seu valor, mas chega um ponto na vida que mil mulheres não valem uma, aquela que te fez feliz de verdade.", esboçou um sorriso.

E a noite passou, com carne, violão e muita história. Os três senhores de Colônia seguem tentando entender a vida e a felicidade, que querendo ou não, sempre passa por uma história de amor.

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FELICIDADE!

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Buenos Aires

22.08.2012 | 03:08 | Emilio Zagaia e Felipe Costa

Saímos de Rio Cuarto depois de três dias. Poderíamos ter feito um trajeto mais curto, mas o casal de amigos rosarinos do Zagaia nos esperava com boas histórias, colchões na sala de estar e um chuveiro quente luxuoso para o inverno argentino. Foram outros três dias, compartilhando refeições e trocando sonhos: queríamos chegar para nos atirarmos no sofá de casa, como o Nico fazia enquanto tocava violão. A Valéria brincava com o cachorro, um pastor belga todo preto, e não parava de falar sobre "comprar uma Kombi e viajar pelo mundo".

Seguir em linha reta seria mais fácil, mas eu queria conhecer Buenos Aires. Nos despedimos de Nico e Val e em cinco horas chegamos na Avenida Medrano, na capital. Passamos o resto do dia tentando falar com outro amigo do Zaga, que mora em um apartamento na avenida, mas só a noite buscamos as chaves na casa de um colombiano - o amigo estava de férias no Brasil.

Provamos da crise argentina no almoço, não tínhamos mais dinheiro para café da manhã e jantar. De manhã dividimos uma lata de atum, que trazíamos desde o Chile, e esperamos anoitecer para almoçar. Enquanto isso, caminhamos até a Avenida Corrientes e descemos para pegar o metrô para Puerto Madero. Marcamos nossa viagem de barco até o Uruguai para o outro dia e voltamos a pé. Passamos pelo obelisco e por 20 quadras até encontrar um restaurante menos caro.

Mudamos a rota porque eu queria conhecer Buenos Aires, mas o tour foi só gastronômico, buscando um restaurante mais barato. A cidade é bonita como todas as outras que passamos, o preço é alto como em poucas e para mim a melhor opção de passeio foi uma caminhada pelo centro. Não tivemos tempo de conversar com los porteños, precisávamos de mais dinheiro, e pelo menos mais três dias.

Fotos: Jay-Nel McIntosh/www.jayphotography.com

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Melhor que o Pelé

10.08.2012 | 22:08 | Emilio Zagaia e Felipe Costa

Nos reunimos ao redor da mesa da cozinha para tomar um fernet com coca-cola e logo a conversa passa de Kombis para rugby, esporte dos nossos anfitriões. Diego, 26, abre a garrafa de vinho e fala sobre Rio Cuarto, “a melhor cidade da Argentina”. Conversa sorridente até o assunto ficar sério.

“Só não venham me dizer que o Neymar é melhor que o Messi e muito menos que o Maradona é melhor que o Pelé.”

Dados, estatísticas e piadas que só acabam quando a esposa, Paula, chega com o gelo e pede que mudem de assunto. Ele me serve o primeiro copo, bebo um gole e passo para o Zagaia.

"Bebe mais, não seja pecho frio! Brasileño pecho frio! Pecho frio, pecho frio!", grita rindo e batendo no peito.

Continuanos até o final da garrafa, e a celebração do dia do amigo continuou no churrasco da noite seguinte.

"Nossa vida não é fácil, eu trabalho muito. Temos pouco dinheiro, mas felicidade também é poder compartilhar com os amigos, esquecer o preço das coisas e lembrar do valor das amizades. Eu ainda vou contar pros meus filhos o dia que eu estava passando na rua e encontrei dois brasileiros numa Kombi."

E nós nunca vamos esquecer do dia em que chegamos em Rio Cuarto procurando um lugar para tomar banho e ganhamos uma casa e dois amigos. Um casal de argentinos loucos, que acolheram desconhecidos e acreditam mesmo que o Maradona é melhor que o Pelé. 

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FELICIDADE

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