Fomos convidados para o programa de rádio 'A hora de la Fusca', organizado pelo Clube do Fusca de Cobán. A paixão por Kombis é tão grande que o programa é apresentado dentro de uma.
"Uau, uau, uau..."
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FELICIDADE!

Fomos convidados para o programa de rádio 'A hora de la Fusca', organizado pelo Clube do Fusca de Cobán. A paixão por Kombis é tão grande que o programa é apresentado dentro de uma.
"Uau, uau, uau..."
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Francisco e Karla se conheceram no colégio. Ele tinha 8 anos e ela 9. As famílias também se conheciam e eles se viam bastante, cresceram praticamente juntos. Francisco, ou melhor, Pancho, viu o Real Madrid das décadas de 80 e 90 ganhar tudo e se apaixonou. Não sabe qual paixão veio primeiro, por Karla ou pelos blancos. Karla, talvez por ciúme, é fanática pelo Barça.
Na sala de jantar, 18 anos depois, entre toda a coleção de objetos da Coca-Cola, Pancho fala que prefere o estilo de Neymar ao de Messi. Eu gesticúlo com as mãos, como dizendo que Messi é muito melhor do que o brasileiro. Melissa, a filha de 9 anos do casal, faz o mesmo gesto, mas para agradar o pai e dizer que Cristiano Ronaldo, do Real, é o melhor de todos.
“Só se for em beleza, minha filha. Aí sim!”, responde Karla.
Encontramos os Archila por acaso. O mecânico que arrumou a Kombi em Cobán, aqui na Guatemala, avisou o Pancho sobre “os viajeros brasileiros em uma Westfalia”. Ele já estava nos procurando.
“Dois dias atrás um amigo colocou a foto da Westfalia verde e amarela no nosso grupo de ‘apaixonados por Volkswagen’, no Facebook. Estava estacionada em frente a polícia.”
O casal encontrou uma paixão em comum. Ele tem um fusca prata, ela tem um rosa. Fazem parte do Clube do Fusca da Cobán, que na verdade é um clube de fanáticos por “Volkswagen resfriados a ar”. Na casa deles, fotos de Fuscas e Kombis em todas as paredes, miniaturas em todas as mesas, chaveiros em todas as portas, Volkswagen em todas as conversas. Dois fuscas na garagem e uma Kombi na oficina. Não é loucura, é paixão.
“Meu pai me ensinou a fazer tudo com paixão.”
Aos finais de semana, a família vai ao Orquigônia, orquidário que Pancho e seu pai, também Francisco, criaram em homenagem ao seu avô, Oscar Archila. O amor pelas orquídeas vai tão longe quanto pelos Fusquinhas e Kombis. A família descobriu mais de 200 espécies de flores e criou o lugar para ser um santuário da flor símbolo de Cobán.
Ficamos quatro dias na casa de Pancho, Karla e Melissa, e não fomos os primeiros viajantes: mais de 20 carros já passaram pela garagem, todos de viagens longas. Fomos tratados como parte da família Archila e saímos apaixonados por Kombis, Fuscas, orquídeas, Real, Barça. Somos parte da família Archila e aprendemos a gostar ainda mais do que fazemos, “porque se é pra fazer algo, que se faça com paixão”.
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FELICIDADE!

De vez em quando fica difícil encontrar onde tomar banho. Em Semuc Champey foi fácil, era só se atirar no Rio Cahabón.
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FELICIDADE!

Saímos das Cuevas de la Candelária e partimos para Cobán. A cidade fica nas montanhas, a 1316 metros do nível do mar, e o carburador da Kombi não aguentou a mudança de altitude. O carro morreu em uma curva e o Zagaia teve que manobrar de ré, na contramão. Depois ele mesmo girou um parafuso e a Kombi chegou, toda "garapeira", mas chegou.
Um dia no mecânico e no seguinte tocamos para Semuc Champey. Eu e o Zaga demos risada quando nos falaram que levaria três horas para fazermos o trajeto de 62 quilômetros. Quando entramos na estradinha que leva até o vilarejo, o desespero.
"A gente não vai mais sair daqui, Felipão. Só vai dar pra tirar essa Kombi desse lugar de helicóptero."
Com meia hora de descida, o freio falhou e decidimos desistir e voltar.
"Agora reza, porque se não der certo acabou a viagem."
Pedras dentro do carro, para travar as rodas.
Mas a volta foi em cinco minutos. Pareceu milagre: não cruzamos com nenhum carro e o percurso foi muito menor.
Deixamos a Caipirinha na casa de um senhor e pegamos um ônibus até Semuc Champey.
Valeu o sacrifício?
Com acesso através de uma estrada dura e lenta, Semuc Champey é conhecida pela ponte de pedra calcária de 300m de comprimento, onde se encontram uma série de piscinas naturais separadas por degraus de pedra. O Rio Cahabón corre por baixo, a água que abastece as piscinas desce das montanhas.

Por Emilio Zagaia
Saímos da beira do lago… rumo a Rio Dulce, na verdade não tínhamos tomado a decisao 100% de que esse seria nosso próximo destino. Parei para reabastecer, e ao nosso lado um senhor muito educado enchia o tanque de sua Hilux, depois de alguns minutos de boa proza, ele nos convenceu de que o melhor caminho seria trocarmos de rota. Destino? Cobán com parada obrigatória em Las Cuevas de la Candelária. Despedidas feitas, também enchemos o "buxo" da Caipa de gasolina e caímos na estrada.
Antes de saírmos da gasolinera o nosso amigo guatemalteco nos disse:
– Só tomem cuidado por que essa estrada é cheia de tumulos (quebra-molas).
Na verdade a estrada não era cheia e sim infestada de quebra-molas, mais de 200 em um trecho de menos de 200km.
Chegamos às tão famosas cavernas da Candelária, o visual fez valer a pena cada quebra-mola que passamos: o lugar é paradisíaco, lindo de verdade. Negociamos o direito de gravar dentro das cavernas, já que tudo aquilo é propriedade privada. A primeira pedida foi de 1000 quetzales (algo em torno de R$250), com uma boa negociação conseguimos gravar na faixa.
Passamos a noite em uma propriedade de uma família local que fica em frente à entrada da Candelária, já que é impossivel chegar de carro próximo a entrada da caverna. Teríamos que deixar a Caipirinha estacionada no acostamento da rodovia…nunca!! A família nos cobrou 50 quetzales para dormirmos no seu terreno.
Na manhã seguinte, por volta das 8 já estavamos dentro da caverna gravando. Nosso guia, um senhor que nasceu e foi criado dentro dessa caverna, nos mostrava cada pedaço desse lugar como se fosse a extensão de sua própria casa. O lugar é realmente lindo, bem cuidado, bem administrado e principalmente muito preservado.
Gravações feitas, voltamos pra kombi por volta das 11 da manhã, comemos um pedaço de pão de forma com geléia de morango e demos partida rumo a Cobán. Acho que ainda em êxtase com tudo que tinha visto, dei uma ré sem prestar muita atenção, quando começo e escutar os gritos…
“LA ANTENA, MIRA LA ANTENA!”
Tarde demais… já tinha "atropelado" a antena parabólica que estava no chão atrás da Kombi…eu sempre pensei que lugar de antena fosse no teto das casa…na Guatemala é no chão.
Resultado da minha "boca aberta" foi 550 quetzales… toda economia que tínhamos feito na negociata da visitação da Caverna da Candelária. Com uma dor no coração, abri a cartera e, querendo bater minha cabeça na parede de raiva, tirei essa "fortuna" e entreguei para a família, que tinha sido muito amável conosco. A TV por satélite é o único meio deles estarem um pouco mais perto do resto do mundo. No fundo não sei se isso é bom ou ruim pra eles.
Guatemala segue sendo uma grata surpresa.
Fiquem com Deus.
Zaga
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