Revista Trip

 
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Postado em 06.11.2009 | 15:11 | Luiz Mendes
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QUAL  O  MELHOR  LUGAR  DO  MUNDO?

Onde começa aqui? Onde termina o aqui?

Onde é agora? Onde termina o agora?

Há começo e fim para o tempo e para o espaço?

Já me preocupei com isso e procurei saber. O interessante é perceber que aqui sempre será onde estivermos e só terá fim quando não estivermos. Aqui é relativo a nós, para nós é aqui. Para o outro, aqui será onde ele estiver, é óbvio. E, puxa, não somos a medida do mundo como queriam filósofos antigos antes do racionalismo cartesiano. Tudo parece, de modo muito evidente, existir independente de nós. Embora não haja certezas nesse sentido.  Também, pelo que parece, nada é gratuito. Ou tudo é gratuito. Para mim soa meio quebrado isso de acaso a compor vida assim tão lógica e encaixada. Devemos ser alguma pequena engrenagem que funciona dentro de seus parâmetros, imagino. E esse parâmetro é o aqui contingente, onde estamos situados.

Com o agora a história parece ser a mesma. Para a percepção não existe passado e muito menos futuro. Só existe o que esta para os sentidos imediatos. É parecido com a diferença entre ser e estar sendo. Ser é pedra; fixo e rígido. Estar sendo é fluir. A vida esta sendo, nós estamos sendo, fluindo. Tudo é dinâmico e contínuo. O agora, ao que tudo indica, é este fluir, esse movimento no tempo ou o próprio tempo no que ele tem de perceptível para nós. Sempre será agora, singular para cada um de nós. O poeta Mario Benedetti sintetiza magnificamente: “Há ontens e amanhãs; só não hojes.” Hoje é agora, e só há um que serve para todos.

Estou pensando que estamos em um tempo e um espaço únicos. Só um agora determina este momento como único existente. Só um aqui determina esse espaço como único existente. Aqui e agora, nosso espaço e tempo, sem começo ou fim, indeterminado...

                                                         **

 

O que não pode faltar no melhor lugar do mundo?

Vamos ver se conseguimos enumerar apenas o essencial:

Alimentação vem em primeiro lugar? Acho que sim. Ainda acho válida a máxima marxista: “De todos segundo suas capacidades e a todos segundo suas necessidades.” Num mundo como o nosso a fome é uma vergonha que todos nós deveríamos sentir. Liberdade viria em segundo lugar? Bem, saciada a fome o homem começa a pensar, vai querer continuar sua existência com liberdade. Mesmo que relativa, aquela dentro da qual ele saiba se mover. Alegria deve ser básico em um lugar que se pretenda o melhor do mundo. Alegria de viver, de amar... Amor não pode faltar, não é mesmo? Amar em todos os sentidos, sem limites, a terra, o ar, a água, o fogo, a planta, a pedra, o animal, o homem, a mulher, a criança... Amar, simplesmente existir mergulhado em um sentimento contínuo de bem querer tudo que há. Mario Quintana dizia que nem a morte iguala as pessoas: os defuntos ricos têm todos os dentes. Igualdade acho, é item essencial em lugar assim tão maravilhoso. Em todos os sentidos e nada de diferente seria execrado ou particularizado. Solidariedade deveria ser a base. As pessoas se socorreriam, se cuidariam e seriam felizes. Felicidade. Alguém disse felicidade? É, no melhor lugar do mundo não poderia mesmo faltar felicidade, mas não essa que depende da infelicidade dos outros.

Vamos ver: no melhor lugar do mundo teria que ter alimentação; liberdade; alegria; amor; igualdade; solidariedade; e felicidade. Rapidamente a gente consegue relacionar, experimente e acrescente.

É possível um lugar composto com essas essencialidades? Onde poderia existir isso tudo? Mas a questão mais difícil vem ai: saberíamos viver em um mundo assim? Alimentação farta, liberdade aos borbotões, alegria aos montes, amor pra todo lado, igualdade sem preconceitos, solidariedade completa e felicidade total. Saberíamos? Esquecemos uma coisa essencial, aqui foi proposital. O trabalho. Conseguiríamos viver sem o trabalho? Ou trabalho seria o primeiro mal a ser extinto a pauladas? Marcuse dizia que “o trabalho não dignifica o homem, antes danifica”. Mas quem e como iríamos sustentar tudo isso que compõe o melhor lugar do mundo? Máquinas, perfeito, máquinas. Mas, puxa, isso tudo não ia cansar? Não iríamos nos entediar de sermos tão felizes o tempo todo?

Talvez o melhor lugar do mundo, de repente, seja onde estamos e esses componentes nos faltem apenas porque não sabemos lidar com eles. Nisso somos todos iguais, partilhamos das mesmas necessidades: Alimentação, liberdade, alegria, amor, igualdade, solidariedade e felicidade. E o incrível é que todos conhecemos essas sensações (alimentação ai não se enquadra). Tivemos momentos livres (eu vivi tais momentos, mesmo preso por mais de 30 anos), alegres, amamos, recebemos, demos, estivemos solidários e fomos felizes. Ainda não sabemos exatamente do que somos capazes; constantemente extrapolamos nossas próprias expectativas. E, nossas esperanças são 100% embasadas nessas lembranças e nesses momentos. É possível.

Quem sabe o melhor lugar do mundo não seja no aqui e no agora, que é tudo o que temos da realidade, do que existe de fato? Provavelmente, podemos até ser convencidos que nós é que somos inábeis em fazer do aqui e agora o nosso melhor lugar do mundo.

                                                      **

Luiz Mendes

04/11/2009.

 

 

    

 

 

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Postado em 05.11.2009 | 11:11 | Luiz Mendes
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SER  FELIZ  OU  TER  RAZÃO?

Margarete e Reinaldo, casal de meia idade, seguiam pela estrada no Gol familiar. Visitavam parentes. Diziam que eles se completavam. Ele, sempre afoito, falador, nervoso e correndo atrás de alguma coisa que não se sabia direito o que. Ela sempre tranqüila e ponderada, falando pausadamente, somente quando necessário. Passava a impressão que devia saber da alguma coisa importante sobre a vida que a gente nem desconfiava, por isso aquela placidez.

De repente, na estrada, uma bifurcação. Fazia algum tempo que Reinaldo não passava por ali. Como não parava muito para ver nada, ansioso que era, estava em dúvida por onde seguir. Sabendo a esposa melhor observadora, embora não querendo reconhecer, inquiriu:

 

_  Querida, faz tanto tempo que não visitamos teu irmão que acho mudou até a estrada nesse tempo. Olha, parece que essa bifurcação não existia, estou equivocado por onde seguir. Parece que é pela esquerda, que você acha?

_   Meu bem, o caminho é pela direita. É claro que essas duas saídas já existiam. Você é que não presta atenção em nada, parece que usa viseira de cavalo; só vê na frente, nem olha pros lados.

_   Tá me chamando de cavalo? Quis saber, já se sentindo ofendido.

_  Desculpa, a comparação foi infeliz, mas puxa, você não se liga no que acontece a seu redor, só quer ver lá na frente...

_  Ah é, né? Pois eu acho que é pela esquerda, vou pela esquerda e tá acabado!

_  Tudo bem, vá por onde quiser, mas se não quiser saber, não pergunte.

 

Ao chegar ao final da rua sem saída que dava pela esquerda, Reinaldo teve que admitir que Margarete estava certa. Voltando pelo caminho que viera, ao retornar à bifurcação seguindo pela direita, não agüentou e questionou a esposa novamente:

 

_  Puxa, meu bem, se você sabia com certeza que o caminho era pela direita, porque não insistiu comigo? Fez com que eu fosse pela rua sem saída para depois voltar...

_  Ah! Meu querido se insisto você ia querer discutir e brigar. Eu estava tão bem que quis continuar em paz e ser feliz a ter razão.

                                                     *

Essa pequena história de Margarete e Reinaldo pode levar a várias análises. Deixa um monte de pontas soltas, mas centraliza em uma questão: “Ser feliz ou ter razão”.

Essa estratégia, tão caracteristicamente da cultura feminina de calar e esperar o erro masculino para se expressar sem briga tem dado certo. Dada nossa cultura tão machista, à mulher, muitas vezes, só resta esta atitude, como na história em questão. Não sei se isso é sair por cima ou por baixo. Mas, com certeza quero ter razão. Brigar é uma conseqüência que enfrento com certa tranqüilidade, caso tenha convicção de estar com a razão. Porque tenho que me calar se estou certo? Calar atingiria minha auto-estima. Aprendi algo que foi fundamental para a minha preservação como ser afirmativo: o orgulho é maior que a dor. Amanhã posso fraquejar, não sei. Mas, com certeza, calar jamais me faria feliz. Ficaria remoendo o resto da vida.

Essa é minha posição pessoal. Sei, inclusive, que vou me dar mal por querer resolver tudo e ser tão orgulhoso. Difícil esse processo de reconhecer o correto e saber que mesmo estando errado, você não tem como ser muito diferente. Bem, tenho aprendido um pouco. Já sei me calar um pouco, só não consigo quando pisam no meu calo. Quanto mais velho, mais consigo esperar, se tenho razão.

E você, prefere ser feliz ou ter razão?

 

Luiz Mendes

30/10/2009. 

 

 

 

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Postado em 04.11.2009 | 12:11 | Luiz Mendes
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O  QUE  É  MAIS  IMPORTANTE?

 

O que é mais importante, amar ou ser amado?

Vamos tentar pensar com um poeta, um filósofo e um escritor, para ver como eles encararam esta questão.

Quadrilha

João amava Tereza que amava Raimundo

Que amava Maria que amava Joaquim

Que amava Lili que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Tereza para o convento

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J.Pinto Fernandes que não tinha

                                                                                  nada com a história.

                                                                             Drummond de Andrade.

 

Pobres amores não correspondidos que não vieram a dar em nada. Amar ou ser amado? Claro que amar e ser amado é a glória, mas, como demonstra o poeta, amores são desencontrados. Imediatamente, sem refletir, as pessoas respondem: ser amado. Mas, ao deixar a questão amadurecer na mente, elas voltam atrás. Ser amado é experiência que pouco se participa, caso não houver correspondência. Amar, mesmo não correspondido, dolorido até de lembrar, ainda assim é processo mais enriquecedor. 

Ao ser amado não se vê o tempo passar. O resultado sensorial é bastante parco; muito pouco se aprende. Agora, amar já é grandioso, cósmico. Amar e não ser amado é trágico, concordo. Uma das piores experiências existenciais. Cada milésimo de segundo, no vórtice desse sofrimento, é intensamente vivido. Quem ama atualiza potenciais de sensibilidades extremamente delicados.

Erich Fromm, em “A Arte de Amar”, propõe duas formas de amar. A primeira você ama alguém porque precisa desse alguém. Na segunda você precisa de alguém porque ama esse alguém. Imediatamente nos faz pensar e tomar posição. A maioria concorda que precisar de alguém por amar esse alguém é muito mais satisfatório. Essa é a posição de quem ama e pode ou não ser amado. A primeira posição pode bem ser a de quem é amado, sem amar. Caso deixe de necessitar, provavelmente deixará de amar.

Saint-Exupery, no “O Pequeno Principe”, faz proposições interessantes sobre o amor, duas se destacam a meu ver: “O amor não consiste em olhar nos olhos um do outro, mas olharem ambos na mesma direção”. Deve estar falando em objetividades conjuntas e afinidades. Eu diria que se desviarem da direção que olham conjuntamente, a defasagem será fatal e este é o começo do fim.

“Foi o cuidado que tiveste com tua rosa que fez com que ela fosse tão importante para ti”. Acredito que sentimento é construção. É o cuidado que você tem com alguém que faz com que essa pessoa lhe seja cara ao coração. Somos seres de cuidado. O cuidado que recebemos e damos faz de nós o que somos.

Já vivi esses dois momentos da vida humana e respondo com tranquilidade: prefiro amar a ser amado.

Luiz Mendes

28/10/2009.

 

 

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Postado em 30.10.2009 | 11:10 | Luiz Mendes
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QUESTÃO

Se tiver que escolher um momento único em sua vida para viver nele o resto de sua vida, qual escolheria?

Dá para responder? No meu caso, foram tantos que teria que viver muitas vidas. Não há como dizer que um foi melhor que o outro. Mas dá para afirmar com certeza: todos foram únicos. Comecei a lembrar e fiquei surpreso ao perceber que foram mais alívio de opressões a que estive submetido que outra coisa. Vou tentar resumir alguns.

a)     Quando, após ano em regime de castigo, fui liberado da cela-forte. A cela comum sabia a um paraíso para mim. A alegria foi tamanha que chorei como criança.

b)     Quando assinei o mandato de Prisão Preventiva que o Juiz decretara. Era o fim de mais de 100 dias sob tortura intensa e insustentável. Estava a mercê dos mais cruéis torturadores que já passaram pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais. Meus parceiros assinaram também, mas já haviam iniciado o processo de enlouquecimento. Um deles se suicidaria em seguida. Os outros dois resistiriam, mas saíram da prisão abestalhados. Um virou mendigo e nunca mais tive notícias. O outro é um velho bobo que some às vezes e dá trabalho para a família. Eu sabia que estava assinando um mandato para ficar preso o resto de minha vida. Dalí para a frente teria que vencer um leão por dia, mas o alívio e a paz que senti é uma das lembranças mais doces que guardo em meu coração.

c)      Quando consegui chegar até a rampa de acesso ao prédio novo (hoje já velho) da Pontifícia Universidade Católica e abraçar minha mãe que ali me esperava. Foram três anos de batalha com livros e apostilas, em que sozinho havia vencido. Era o primeiro preso do Estado a prestar um vestibular, e o primeiro colocado em toda a Universidade. A vitória era completa. Minha mãe chorava em meu peito. Era a primeira vez na vida que podia dar notícias boas do único filho que tinha. A vitória era nossa. Jamais me abandonara e me seguira para todos os infernos em que fui enfiado. A satisfação que causava a minha mãe era uma realização maior até que o próprio ingresso na Universidade. Essa é uma grande lembrança que construí com meu empenho e capacidade.

d)     Quando, ao receber meu filho Renato com apenas 40 dias, na entrada do pavilhão 8 da extinta Casa de Detenção de São Paulo. Claro, super emocionante, mas não foi só isso que tornou o momento único ao meu coração. Ao recebê-lo, cheio de ternura, aconcheguei aquele pacotinho azul com aquela minúscula carinha vermelha. Lembro ainda; era quente como febre. Acho que pela minha inabilidade, de repente o nenê escorregou de meu peito por cima. Estava caindo de ponta cabeça, morreria na queda, tive certeza disso. Alcancei-o, não dá para explicar como, porque depois pareceu impossível, a poucos centímetros do chão. Só deu para entregar o bebê à mãe, encostar na muralha e ir descendo, em choque. Acho que tive um pequeno ataque no coração, fiquei mole como uma trouxa de roupa molhada, tamanha intensidade emocional vivida.

e)     Quando, ao cabo de 31 anos e 10 meses de prisão cheguei à casa de minha namorada, no Rio de Janeiro, levado pelo pessoal da Revista Trip. O encontro foi genialmente registrado pelo fotógrafo João Wainer; ela vindo da porta da casa dela e eu do carro a revista. O abraço foi de fundir. Ficamos 25 anos separados e há 3 anos voltáramos. Imaginávamos que agora seria para sempre. Aquela esperança que irradiava dos olhos escuros e brilhantes da namorada tornou único aquele momento. É como fosse um veludo que aliso sempre que quero me sentir bem.

f)        Quando, após três anos de lutas com minha editora escrevendo e reescrevendo o livro “Às Cegas”, fizemos seu lançamento na FENAC da Av. Paulista. Pude levar meus dois filhos e ler em seus olhos o orgulho que sentiam do pai deles. Ainda há algum tempo atrás, Jorlan, meu menino mais novo, disse-me que aquele foi um dos momentos mais felizes de sua vida. Essas palavras do menino, sinceras e espontâneas, engrandeceram aquele momento. Ele tem razão, de fato foi lindo, inesquecível.

g)     Sai da prisão convencido de que o que há por lá é muito mais ignorância que levava à estupidez do que maldade de fato. Sabia que devia lutar para voltar, mas agora em nome de grandes projetos educacionais e culturais. Quando, após quase 4 anos de luta para realizar esse compromisso, consegui montar a minha Oficina de Leitura e Escrita na Penitenciária Feminina de Sant’ana, foi um momento único, grandioso. Minhas alunas eram mulheres aprisionadas, e possuíam a honra e a responsabilidade opcional de serem professoras de suas companheiras. Era um concurso de redação a nível nacional do Instituto Ecofuturo e eu estava ali para passar a elas como funcionava o concurso. Elas repassariam a suas alunas. Minha Oficina era recheada de material que eu havia colhido em toda minha vida de estudos e reflexões sobre leitura e escrita. Mas, minha mensagem era simples: Olha eu aqui, sou igual a vocês, matei, roubei e fiz o diabo, mas dei a volta por cima e cá estou para mostrar que é possível; vamos nessa?

h)            Cheguei na Secretaria dos Assuntos Prisionais e me apresentei à funcionária que fazia segurança da portaria. Havia sido convidado para o lançamento do Guia Dicas. Pediu-me a identidade e telefonou. Demorou, discutia sei lá com quem. Aproximei e percebi que era sobre mim. Alguém obstava meu ingresso. Havia uma portaria que não permitia a entrada de egressos naquele lugar, informou a funcionária. De imediato pequei meu documento de sua mão. Eu não precisava entrar onde não era bem vindo. Virei as costas e fui embora, elegantemente. Próximo ao metrô, o celular toca. Era o Jorge. Estava dentro da Secretaria e pedia que eu voltasse; a cerimônia não teria sentido se eu não estivesse presente. Fora cometido um engano, o próprio Secretário, Dr. Antonio, queria se desculpar. Voltei. Da moça da segurança, que me esperava no portão, até chegar na mesa cerimonial, recebi trocentos pedidos de desculpas. O próprio Dr. Antonio Ferreira, hoje Secretário da Segurança, desculpou-se pela falha, deu-me seu cartão pessoal e disse que podia procurá-lo sempre que precisasse. Então, nos sentamos frente ao público. Conhecia todo mundo. Era o pessoal da FUNAP (gente que conheci quando era professor-preso), da própria Secretaria, parceiros que lutam pelo preso. Estávamos lançando o Guia Dicas, idéia minha para orientar o preso quando este saísse da prisão quanto a documentação, trabalho, processos, educação, saúde, até os albergues de São Paulo foram listados. Momento único, falei para amigos e cheguei até a chorar, foi uma realização enorme. Já foram publicados mais de 200 mil exemplares e vem sendo distribuído a todos os presos do Estado que estão para sair em liberdade.

                                                -x-

Acho que ainda existem outros momentos tão ou quão importantes. Alguns pessoais demais para serem ditos, mas acho que esses são aqueles que mais me acodem à lembrança espontaneamente.

Mas e você? Dá para enumerar muitos, né? Faça-o, não precisa ser por escrito, é muito legal estar diante deles novamente. Experimente.

 

Luiz Mendes

29/10/2009.

Um lembrete: O lançamento da nova edição de meu livros “Memórias de um Sobrevivente” foi adiado do dia 9 como estava combinado, para o dia 24 do mês que vem na livraria da Companhia das Letras no Conjunto Nacional. O adiamento deve-se a problemas que aconteceram com relação à edição da capa, informou a editora.

        

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Postado em 28.10.2009 | 11:10 | Luiz Mendes
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Conversa do momento

Estava pensando o conteúdo programático (que palavrão!) de um workshop que eu e um amigo, o Egnaldo Paulino, estamos montando para falar sobre empreendedorismo (ele é professor disso). Quando Graciela (nossa agente) provou que eu era empreendedor, sequer imaginava. Depois pensei a respeito e comecei a contar as atividades que estou envolvido. Puxa, assustei: são 11 empreendimentos! Então sou mesmo empreendedor. Veja o conteúdo que vou explorar em minha fala:

 

-  O homem é um ser cultural. Promove cultura onde esteja e usa o que tem      nas mãos para criar sua orientação, sua cultura.

 

-  Quando a sociedade abandona, vira barbárie.

 

-  A vontade é imperiosa e determinante.

 

-  As opções só acabam quando desistimos de procurá-las.

 

-  “Não importa o que o mundo fez de você, importa o que você faz com o que o mundo fez de você”. Sartre.

 

-  Somente na medida em que assumimos nossas responsabilidades nos fatos é que teremos a chance de resolvê-los. Quando culpamos os outros ou as circunstâncias torna-se impossível de resolvermos.

 

-  Repensar valores. O inferno não são os outros e sim a ausência dos outros.

 

-  O campo desfavorável é sempre desafio. A pressão pode ser combustível para maiores aprendizados.

 

-  Ansiedade nasce conosco. É a nossa energia, nossa pressão interior. Inteligente não é tentar exterminá-la e sim transformá-la em criatividade, em energia de expansão.

 

-  Dinheiro é muito importante, mas é meio e não um fim em si. Cultivar uma corrente de relacionamentos e conhecimentos vale infinitamente mais.

 

-  As circunstâncias adversas não podem nos parar. Devemos procurar outras circunstâncias que nos favoreçam para prosseguir.

 

São 11 itens que, ao fazer minha palestra, exploro. Expondo na prática de minha vida como essas descobertas foram importantes para formar o empreendedor que sou. Não sou lá uma pessoa de sucesso. Vivo na correria ainda. Mas para quem ficou mais de 30 anos presos e esta somente há cinco anos aqui fora, até que vou muito bem. Já construí alguma coisa, mas vou me expandindo, nos próximos anos pretendo chegar a alguma coisa de mais consistente. Aguardemos, pois.

 Luiz Mendes

28/10/2009.

 

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Postado em 26.10.2009 | 16:10 | Luiz Mendes
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Uma  Reflexão  Rápida  Sobre  o  Homem  Aprisionado

O homem tem sua natureza desviada de sua progressão normal e saudável ao momento em que é aprisionado.

Sua energia agora estará voltada para a preservação de sua pessoa física, emocional e mental. A noção de realidade do indivíduo voa para o fértil país das fantasias. Seu referencial é ontem, quando foi preso. Acontece que nada do que foi ontem será hoje. Uma das mais difíceis vivências efetuadas pelo ser humano que se perde no reduzido espaço onde o homem aprisionado faz seu tempo. O futuro, sem dúvida, sempre será diferente do hoje, alias, diga-se de passagem, haja presente para tantos futuros possíveis. Pois esse homem encarcerado (homem em tese, porque creio que tem a ver com a mulher presa também.) esta com a mente presente acumulada de ontens.

Do substrato de seus muitos ontens, junto com as informações de segunda ou terceira mão sobre o que esta acontecendo, este ser contido projeta um desvio do real. Isso é tudo o que ele tem da realidade.

A este homem fora do espaço e do tempo real, é inútil bombardear com princípio morais, regras de convivência social, ou ética. Nada altera o curso de sua situação estagnada. Tudo o que aprendeu até então, a educação que possa ter recebido, os valores que o moviam, encalha. Tudo é absorvido para manter um processo de afirmação constante, a ferro e fogo, no meio hostil em que foi forçosamente lançado.

A delicada rede de sentimentos que o permeia por inteiro e que dirige sua vontade, agora esta canalizada para a luta contra o medo paralisante, a preservação de seu ego e sua pessoa física. A lei da sobrevivência lhe é infiltrada até os ossos, no sangue, ao ponto de quase criar uma nova natureza, a prisional. Corre sério risco de se tornar um ser aprisionável.

O homem preso, com o tempo de luta na resistência, se estupidifica na alienação de sua condição de ser contido.  O amor, o afeto, a fraternidade que lhe são congênitas, serão emoções proibidas, inúteis e até nocivas ao ambiente perverso e duro no qual permanece enterrado vivo.

                                                       - x –

Luiz Mendes

Texto de uns 15 anos atrás

Revisado em 26/10/2009.    

 

 

 

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Postado em 23.10.2009 | 10:10 | Luiz Mendes
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DEVEDORES  OU  CREDORES  DO  TEMPO?

Podemos ser credores do tempo; pagarmos agora para viver depois. Abrir mão do que podemos no presente em prol de algo esperado para o futuro, que nos satisfaria muito mais. Primeiro as obrigações, depois os prazeres. O custo sempre precedendo o benefício. Ou então podemos ser devedores do tempo; viver agora para pagar depois. Valores e benefícios usufruídos que custa algo a ser pago posteriormente. Temos então, como conseqüência, o prêmio da espera na ponta credora e o preço da impaciência na ponta devedora. Valores presentes e valores futuros medem importância. Qual escolher?

                                                          **

Sim, é preciso responder a essa questão. Viver agora ou viver depois? Viver uma juventude cheia de aventuras e dissipações, teria como conseqüência uma velhice apertada, no mínimo difícil e complicada. A juventude, então, deixa de ser gratuita. Ela antecipa a custa do futuro. Ou segurar a onda, economizar o corpo e as finanças a fim de se ter uma velhice sossegada. No caso paga-se no presente para receber no futuro. Para mim, hoje em dia nos meus 57 anos de idade, penso que é melhor sacrificar para receber depois. Mas, puxa, um pouco tarde, você não acha? Já estou na fase de receber a antecipação juvenil. Dissipei na primeira fase da juventude. Usei todo tipo de drogas e participei de todas as gandaias de minha época. Claro, sofro as conseqüências físicas e sou um duro, não tenho quase nada. Mas logo fui preso e, naquele tempo, a disciplina e a vigilância na prisão eram radicais. Raramente conseguíamos um baseado para fumar. Então, daí para frente só economizei para gastar no futuro. Principalmente depois que conheci os livros. Eles me salvaram. Aprendi que se queria ainda conseguir alguma coisa daquela minha vida já tão comprometida (já cheguei a estar condenado a 132 anos de prisão), teria que sacrificar. Tratei-me com rigidez draconiana para assimilar sozinho aprendizados extremamente complexos. Por décadas, acordei 5 horas da manhã, tomava meio litro de café frio (não havia como esquentar) do dia anterior e mergulhava nos livros. Quebrava a cabeça, exasperava, desesperava diante conceitos que não conseguia penetrar. Ficava me achando o maior burro do mundo, mas depois, com persistência, eles iam cedendo e eu assimilando algumas coisas. Por conta disso, vivo aqui fora do que aprendi na prisão. Posso escrever sobre um monte de temas e discutir conceitos com certa facilidade. Virei escritor. Mas puxa, estou envelhecido, não tenho mais a mesma versatilidade, a mesma força ou potência e não posso mais viver um monte de coisas que só hoje estou mais equilibrado para viver. Vivi tão pouco e já não posso viver muito mais.

                                                        **

Dessa discussão resta que um lado atribui valor exagerado ao que esta próximo de nós no tempo em detrimento ao que esta afastado. O outro lado atribui valor excessivo ao amanhã, que a gente nem sabe se vai acontecer para nós, em prejuízo aos acontecimentos correntes. Subestimamos o futuro por um lado e subestimamos o presente pelo outro. A moderação talvez seja a resposta mais coerente. Mas o risco de não dar certo tudo o que se cria ou faz é uma possibilidade concreta. Afinal, o método existencial de aprender é ir do erro ao acerto, ninguém nasceu sabendo, dizem.

Acho que o ideal seja conseguir uma tensão. Ir ao limite da coerência em ambos os casos. Algumas situações exigem de nós ação no presente senão perdemos oportunidades. Outras pedem que aguardemos e tenhamos paciência como único método de se alcançar resultados.
Claro que quem sabe faz a hora e não espera acontecer, como queria Geraldo Vandré. Mas para saber é preciso aprender e para aprender.

                                                       **

Acabo de escrever isso, vou dar uma lida, mas nem vou revisar. Quero lembrar que dia 09/11/2009 teremos a segunda leitura de minha peça “A Passagem” feita pelo ator João Signorelli no Hotel Linson, no começo da rua Augusta, às 20:00 horas. E no dia 11/11/2009, estarei lançando uma nova edição em poket do meu primeiro livro “Memórias de um Sobrevivente”, na livraria da Companhia das Letras no Conjunto Nacional, Av. Paulista, acho que lá pras 20:00 horas também. Quem quiser conhecer pessoalmente, bater um papo, tomar um vinhozinho gostoso, é só passar lá.

Luiz Mendes

23/10/2009.

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Postado em 20.10.2009 | 12:10 | Luiz Mendes
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Três  conversas.

Trabalho

Parece que vivemos para trabalhar. Pensamos em descanso de nossos labores somente para voltar a eles com mais vigor e energia. Damos o melhor de nós ao trabalho, rendendo graças a Deus por estarmos empregados.

Os gregos buscavam a salvação na filosofia. Os indianos na meditação. Já os chineses procuravam na poesia e no amor à natureza. Indígenas, tanto africanos como americanos, viam salvação nas florestas, no sol, na lua. e só trabalhavam para atender as necessidades imediatas do dia.

 

Já os cristãos condenavam o ócio e acreditavam que o trabalho liberta e salva o homem. E foi isso que chegou até nós da civilização ocidental, nos tornando trabalhadores. Para os antigos, trabalho assim, como nós encaramos e fazemos (horários; obedecer ordens; fazer sem saber para que ou porque; e mais um monte de imposições a esse nível.) era a marca da escravidão. Eram os escravos que trabalhavam desse modo.

Trabalhar, como no mito de Sísifo (o ser que empurrava a pedra até o topo para vê-la rolar de volta para ter que carregá-la morro acima, infinitas vezes), era uma punição. Não havia condenação de privação de liberdade, mas sim de trabalhos forçados nas Gales, por exemplo. Quem errava, devia ou perdia, virava escravo e fazia o que seu dono queria. Por toda pré-história e por quase toda história, trabalhar era uma indignidade reservada a pessoas escravizadas.

                                                       - x –

Viver bem

Viver bem hoje significa fazer uso de tudo o que a ciência e a tecnologia podem nos fornecer em termos de conforto e tranqüilidade. Claro, sem pensar que por isso podemos nos tornar mais razoáveis, livres ou até mesmo sadios.

Queremos paz, mas sem esperar um mundo sem guerras. Valorizamos a liberdade, mas sabemos que a anarquia, por um lado e a tirania pelo outro, tangenciam, rondam, só esperando um vacilo para se fazerem presentes.

Acredito que viver bem não é sonhar com progressos, mas saber lidar com as tragédias e os fracassos de modo a que não nos destruam e nos permitam sorrir.

                                                       - x –

Domínio

De verdade o que ainda continua dominando, controlando os passos da humanidade desde o começo, de forma absoluta e inviolável, são as armas, as drogas e o dinheiro. A gente vê isso nos jornais todos os dias e sente em nosso cotidiano essas forças a nos comprimir.

Inatingíveis, inefáveis, esses três fatores têm resistido a todos os males que intentam afetá-los. Desde que foram inventados (pelo homem?), nada deu mais lucro que armas, drogas (e drogas aqui inclui bebida, cigarros e a sequência toda) e dinheiro.

Até quando?

                                                         - x –

Luiz Mendes

20/10/2009.

 

  

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Postado em 20.10.2009 | 12:10 | Luiz Mendes
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BALADA  DO  PRISIONEIRO

 

 

Gemem os ferrolhos nas portas de ferro

Escorregam as correntes pelas grades

Chaves enormes deslocam as travas das fechaduras

Surdos cadeados transpassam elos de ferro e retinem secos.

Assim emparedado entre gritos estrangulados,

Alma decomposta em pequenos pedaços de lágrimas contidas

Lá esta o prisioneiro.

Seus sonhos foram esmagados um a um

Cheio de nada e seu hoje tão pequeno para tantos amanhãs.

Mas não se iluda: ele não chora arrependimento

Mórbido, errante, como plantas de plástico em vasos secos

Um desses filhos da puta que teimam em sobreviver

E que só quer ser deixado em paz

Porque aprendeu a se bastar

Nesse inferno criado por homens para homens.

Seu medo o alimenta

Seus olhos assustados o enchem de prazer

Ele não o teme, mesmo com seus malditos robocops

E tantas cicatrizes em seu corpo violado.

Para ele sofrer é poesia

E morrer é relampejar, extinguir a rotina das dores

E em branco lavar tudo de luzes.

Santo, lúcifer, diabo, alguém perfeitamente excluído,

Desses que fala a bíblia, assim meio sem sentido

Que sonha rir sem que alguém chore.

Mas não se engane com a umidade dos olhos;

Ele é touro que carrega a fúria de mil infernos

Com seus chifres e já sem esperanças de alcançar

O alvo que o comprime.   

 

Luiz Mendes

19/10/2009.

 

Tags: poesia
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Postado em 16.10.2009 | 08:10 | Luiz Mendes
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Conversas II

 

Se quisermos; se ainda soubermos, podemos até vir a conhecer a felicidade. Acredita nisso? Eis a ilusão e a esperança a nos arrastar para essas armadilhas antigas. De certo vai doer, diria eu. E, no entanto, a felicidade, essa espontânea e instantânea que sobrevive uma quimera sabemos, ainda e sempre é viável. É só fechar os olhos; há expressões de vida que ainda se abrem a emoções. Parece que estamos sempre a retornar a caminhos nunca abandonados. De verdade nem sei mais no que acreditar. Vou ai vivendo e pensando conforme a vida for propondo. Não vejo outra saída. Você vê?

 

                                                  ** 

O que esta oculto talvez não interesse tanto e mesmo por isso esteja escondido. Provavelmente o que esta a mostra, se melhor observado, contenha toda a verdade que carecemos. É a isso que me proponho em meus projetos de Oficinas de Leitura e Escrita. Um esforço para entender e sentir o que se vê com mais clareza. Quando a gente vê alguém querido ao nosso coração, não nos contentamos em apenas enxergar. Queremos estreitar no peito, beijar, sentir e saber como vai a mente, a saúde, o coração, o emprego. Isso é leitura: abrangência. E mostrar a prática disso em tudo o que vemos é meu motivo.

 

                                                  **

 

A chuva brilha em seu ímpeto avassalador

De a tudo molhar até encharcar

Talvez uma vontade implícita

De a tudo igualar

Em sua solução líquida.

                                                  *

Alegrias sem riscos

São como paredes desbotadas

Como sorrisos velados

A horizontalizar felicidades pequenas.

                                                  **

 

Tenho a audácia de ser ignorante. Sou íntimo dos erros, campeão em matéria de fraquezas e falhas humanas. Meus limites vivem a me bater na cara. Uso a imaginação e a reflexão continuamente para ultrapassar a cada longo ou curto instante da minha constante ansiedade diante da insatisfação de viver. Não, não sou como todos. Desisti de tentar ser. As marcas, as cicatrizes e o chumbo entranhado que trago do passado vão além de meu corpo. É obvio que o meu presente é diferente de meu passado. Não sou mais uma ameaça social. Concedi, sou capaz de respeitar pelo menos o mínimo necessário, das regras da convivência social. Preciso, desesperadamente, de cada um de vocês que me cabem. Não foi o medo que me parou. As ameaças não me assustam. Antes revoltam e despertam a fúria que adormeci no fundo de minha prisão interior. Não temo o que possam fazer comigo. Conheço a dor como poucos. Aprendi a lidar com ela todos os meus dias. No máximo poderiam me matar. Como a morte é alvo de minha curiosidade, uma experiência a ser vivida, nada mais me atinge.                                        

                                               **

Luiz Mendes

15/10/2009.

                                              

 

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