A chegada em Fiesole nas redondezas de Firenze foi uma aventura para os motoristas. Os três ônibus e o caminhão passaram por ruas muito estreitas causando alvoroço entre os moradores locais, principalmente numa senhora que saiu da sua casa esbravejando “bastardo, bastardo”. O pior é que ela falava com um megafonezinho encostado na garganta, então a coisa ficava mais caótica ainda. Não contente com a balburdia causada na manhã de sábado, ela chamou a polícia. Que veio, olhou aquele movimento todo, e disse: “só isso?... hmmmmm, tudo certo, pode seguir adiante”, pra desespero da senhora italiana, que continuava gritando “bastardo, bastardo”!!!!! Virou a piada da turnê.
Eu, como estava dormindo, perdi isso tudo, só sentia levemente na minha cama o sacudir do ônibus fazendo mais manobras do que o normal. Quando acordei entendi a razão. Estávamos parados na encosta de um morro com ruas de acesso bem estreitas. Os motoristas estavam de parabéns.
Mauro Refosco
Firenze
Como era tudo muito montanhoso, pedalar ficou fora dos planos. Assim pegamos um taxi e nos mandamos para o centro de Firenze, que é uma das coisas mais belas que existem na Itália. Eu tinha encontro marcado com os meus amigos italianos da Ponderosa Music que iam me levar num restaurante conhecido do pessoal brasileiro que passa por lá. Recentemente esse mesmo pessoal levou lá as turmas da Vanessa da Mata e da Orquestra Imperial.
Não deu outra, tiro certeiro, almoço maravilhoso, leve, e que deixa a gente contando os minutos pra comer de novo. Na volta tivemos tempo de visitar uma igreja no alto da montanha, de onde se avistava Firenze. Interessante notar que a construção dessa igreja foi feita em cima de duas outras igrejas, ou seja, ela começou uma capelinha pequena, tomou importância, virou uma igreja, e daí, mais importante ainda, virou uma igreja maior. Ainda da pra ver as três fazes da evolução “igrejística” dessa bendita.
O show foi num teatro romano datado de I AC. Da pra ter idéia da emoção? Tocar numa coisa construída a mais de 2000 anos. E tem mais, na verdade o teatro fazia parte de um complexo sócio cultural onde havia banhos romanos, com várias piscinas, saunas e salas de descanso. Os caras já sabiam como viver bem há muito tempo.
O show, não precisa dizer, foi mágico. A platéia calorosa, o local especial, o show seguido de um jantar regado ao melhor vinho da região, a nossa crew em paz com a crew local (desta vez tudo funcionou nos conformes) tudo isso fez a nossa família feliz da vida. Tocamos talvez o melhor show até o momento, na minha opinião.
Na partida em direção Roma para um dia de folga, os motoristas deixaram um presentinho para a senhora que chamou a polícia. Em vez de esvaziarem o toilet no lugar apropriado, puxaram a descarga bem na frente da casa da tal, que deve ter acordado no dia seguinte gritando. ‘BAAAAAAAASTAAAAAAAAAARRRDOOOOOOSSSS’
Abcs
Mauro
































