


No dia do festival, deixamos uma câmera para os participantes que quisessem mandar seu recado pudessem falar sem censura. Reunimos aqui esses pequenos vídeos que alternam protesto, reflexão e agradecimentos.




Fernando Luna e Alê Youssef na abertura do evento
Enquanto Rubens Barrichelo perdia o título da Fórmula 1 para Jenson Button em Interlagos, uma fila se formava longe dali, na região da Baixa Augusta. O Studio SP está acostumado a organizar as pessoas esperando para entrar, mas geralmente o evento é um show ou uma festa. Ontem foi diferente: a tarde de domingo não virou noite de pizza, mas de reflexão. Nas cinco horas de evento, 976 pessoas (quase duas vezes a lotação da casa) viram discussões sobre o uso da internet em campanhas eleitorais, sobre corrupção e transparência na política, a capacidade de transformação social e política do cinema, o alcance dos direitos dos homossexuais e dos deficientes físicos, e uma boa dose de música de protesto.
Em sua primeira edição, o Festival Trip de Política trouxe para o mesmo fórum de discussão pessoas com diversos tipos de envolvimento com a política. De um deputado federal (Fernando Gabeira) a uma líder do movimento sem-teto (Veronica Kroll). E essa era justamente a idéia, deslocar a política, normalmente confinada em salas de aula ou plenários, e devolvê-la à rua e, principalmente, aos jovens. Afinal, como disse Fernando Luna, diretor editoral da Trip Editora, na abertura do evento com Alê Youssef, “mesmo que você não goste de política, a política gosta de você e do seu voto”.
Para começar, Ricardo Calil, crítico de cinema e diretor de redação da Trip, mediou o debate sobre cinema com os cineastas Carlos Nader, colunista da Trip (Pan-cinema permanente), e Laís Bodanzky [Bicho de sete cabeças, Chega de saudade]. Entre trechos de filmes de Glauber Rocha, Jorge Bodanzky e João Moreira Salles, foi discutida a relação entre cinema e poder. Os convidados concordaram que a mudança trazida pelos filmes é “feita aos poucos”, conforme disse Laís. Nader acrescentou que a “soma [das transformações] pode levar a mudanças sociais”.
Ivan Obara
Ricardo Calil, Laís Bodanzky e Carlos Nader
Em seguida, o projeto Maquinado, liderado por Lúcio Maia, da Nação Zumbi, assumiu o comando do som - que teve a discotecagem de músicas de protesto por Tatá Aeroplano - e subiu ao palco para tocar uma seleção de canções no tom do Festival: Jorge Ben (“Zumbi”), Antonio Carlos e Jocafi ("Queima lá") e Vinícius de Morais e Baden Powell (“Canto de Ossanha”).
Nelson Mello
Maquinado no palco
O debate mais aguardado começou quando já era noite, por volta das 19h, com o cientista político Luiz Felipe d'Ávila, o colunista da Trip e especialista em internet e sociedade Ronaldo Lemos e o deputado federal (PV-RJ) Fernando Gabeira. Fernando Luna, o mediador, começou levantando a questão do futuro das campanhas eleitorais frente às possibilidades que a internet traz. Lemos e d'Ávila vêem na rede um grande potencial para mudanças: o primeiro lembrou que o número de computadores no Brasil vem aumentando e afirmou que prover banda larga ao maior número possível de cidadãos é “uma questão de cidadania”; já d'Ávila disse considerar que a internet é “revolucionária” frente à perda de poder dos partidos políticos na sociedade brasileira.
Nelson Mello
Luna, D'Ávila, Lemos e Gabeira
Houve espaço até para prestação de contas, o que Fernando Gabeira fez ao ser questionado por Luna a respeito de seu envolvimento no escândalo das passagens aéreas, que se tornou conhecido neste ano. Gabeira, que já havia invocado a idéia de “accontability” (termo usado na ciência política para designar a responsabilidade de políticos frente a seus atos), admitiu que errou ao dar uma passagem para sua filha: “Não sou infalível, quando eu erro, procuro corrigir”. Ainda houve tempo de discutir a importância e os limites dos programas humorísticos que cobrem a política, como Pânico e CQC. Todos concordaram que os humoristas devem ter liberdade de circular por Brasília, mas certos limites têm de ser respeitados. Luiz Felipe d'Ávila disse que os programas “não podem denegrir as instituições” e Gabeira afirmou que luta “para que eles tenham direito de entrar na Câmara dos Deputados”, mas não dá “ mais entrevista para o entrevistador onisciente do Pânico ou do CQC”.
Ivan Obara
Guilherme Werneck e João Wainer
O último bloco do Festival apresentou 25 fotografias importantes no fotojornalismo brasileiro. João Wainer, fotojornalista e Guilherme Werneck, diretor de mídias eletrônicas da Trip, comentaram as imagens exibidas no telão do Studio SP. Escândalos, como a aparição de Itamar Franco ao lado de uma modelo sem calcinha e Fernando Henrique Cardoso sentado na cadeira de prefeito antes do fim das eleições em São Paulo, momentos históricos como a última foto de Fernando Collor de Mello como presidente e o primeiro de Franco, assumindo o cargo. Duas imagens interligadas abriram e fecharam o bloco sobre fotografia: os presidentes Getúlio Vargas e Lula com as mãos sujas de petróleo.
Ao longo do dia, entre um bloco e outro, convidados tiveram cinco minutos para expor uma idéia, fazer um discurso ou simplesmente reclamar da política. Mara Gabrilli (vereadora por São Paulo), Mario Sergio Cortella (filósofo e professor da PUC-SP), Tia Dag (fundadora da Casa do Zezinho), Marcos Lopes (escritor), Veronica Kroll (dirigente do Fórum de Cortiços e Sem-Teto de São Paulo), André Fischer (criador e diretor-geral do site Mix Brasil).
+ Assista os discursos na íntegra aqui
Nelson Mello
Mara Gabrilli fala sobre acessibilidade no "5 minutos"
Encerrando a noite – que deixou o pessoal da Trip inspirado para uma possível segunda edição, o Instituto fez a platéia dançar, misturando Miles Davis com rap e tocando Public Enemy para protestar com estilo. O primeiro Festival Trip de Política pode não ter respondido à difícil questão que colocou na mesa (e no palco), “tem jeito?”, mas criou um novo espaço para debates, sem cerimônia e sem gravata.
Ivan Obara
Show do Instituto no Festival
Leia também as entrevistas:
- Daniel Ganjaman
- João Wainer
- Luiz Felipe d'Ávila
- André Fischer
- Fernando Gabeira
- Laís Bodanzky


O legal é ver com atenção mesmo discordando. Isso também é política!
Mara Gabrilli
Tia Dag
Marcos Lopes
Mario Sergio Cortella
Veronica Kroll
André Fischer








Ivan Obara
Guilherme Werneck e João Wainer


Ivan Obara
Alê Youssef e Fernando Luna abrem o Festival
Ivan Obara
Ricardo Calil comanda a discussão sobre cinema
Ivan Obara
Calil, Laís Bodanzky e Carlos nader

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