Revista Trip

 
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Postado em 14.03.2009 | 05:19 | Bruno Torturra Nogueira
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Porque um dia, garota, você sabe que vai morrer. Skip James manda o blues definitivo em "Crow jane"
Adoro tirar radiografia, palavra. Ontem tirei uma panorâmica da boca e foi excelente. Pena que as notícias não foram das melhores. O siso estava nascendo deitado, fundo e todo comido por dentro. Segunda arranco, finalmente, e dias malditos me esperam. Sozinho, boca costurada e cabeça moída de pressão e medicinas. Antecipando a ressaca espiritual, passei o dia trabalhando à base de música doída e pensamentos mórbidos. Toda vez que vejo meus ossos, meus encaixes e um médico graduado mais novo do que eu, penso ainda mais na morte. E quando a morte assombra, pouca gente faz uma trilha melhor que Skip James e Son House. 
Ponto positivo da cirurgia vindoura: óxido nitroso. Nunca experimentei, e vai ser uma boa ocasião para tentar o gás hilariante. Uma droga legal, inócua ao corpo, que te faz rir antes de uma extração dentária? Só pode ser boa. Dou o relato na segunda à noite.


Son House, black power é isso. Death Letter Blues, blues com letra de evangelho macabro
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Postado em 20.01.2009 | 21:15 | Bruno Torturra Nogueira
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Da esquerda para a extrema direita: Escamoso, Mun-Rá, Esqueleto, Maligna, Cobra Khan, Gargamel e Duas Caras    (foto de Annie Leibovitz, na Vanity Fair)

Desculpe o mau humor nesse dia tão bom para o mundo. Mas não vou comemorar o fim da era Bush. Não há o que festejar...
Bush cumpriu dois mandatos ilegais até o fim. Cuspiu e fez o diabo com o mundo, mentiu, matou, não assinou Kioto, deixou o mundo quebrar e acelerar rumo a um colapso ambiental. Saiu pela porta da frente, sem pedir desculpas, e todo o planeta vai ter que limpar sua sujeira enquanto ele vai cochilar em seu rancho.
Celebrar o fim do seu regime é como uma vítima brindar um estupro pelo simples fato de que seu algoz... bem... gozou.
Não sei quanto a você, mas não vejo os últimos oito anos como um governo fracassado. Mas como um golpe bem sucedido, construido nas costas de uma geração apática. Um lado meu se deprime ao ver a tão falada nova juventude americana gritando "Bye Bush" no dia de hoje - e ter mantido o silêncio por 8 anos, ter deixado ele lá na Casa Branca. Sem piada? Se fosse no Brasil (que não lá um primor de consciência política) um presidente desse teria sida arrancado do Planalto.
Para que Bush me desperte qualquer sentimento de alegria, preciso ver ele preso pelo resto da vida. Ele e seu gabinete todo. Uma esperança que nem Obama desperta, nem pretende.

Achei que eu não poderia me sentir bem ao ver alguém na cadeira de roda. Yes I Can! Não levanta, Dick Cheney

Barack mesmo disse, e eu entendo, que não vai "olhar para trás". Leia-se: "deixa pra lá". O novo presidente é tudo menos bobo. Mexer nesse vespeiro é deixar de ser presidente antes do tempo... para virar feriado. George Bush, o papai, dirigiu a CIA. Não é bom fuçar gavetas dessa gente, Jack e Bob Kennedy sabem bem disso.
Mas tem um sentido menos sombrio, uma justiça política silenciosa para a o novo Gabinete não caçar a gangue que despachava na West Wing.
Obama sabe que, apesar de sua infinita superioridade política e intelectual, ele é filho de Bush. Eis o legado da última administração: avacalhar a democracia, ignorar o sentido do governo, matar em nome de óleo de modo tão óbvio que mesmo os mais tapados perceberam. E uma multidão envenenada por conforto entedeu o que significa capitalismo pelo capitalismo. A maldade de Bush pavimentou a estrada de Obama. Um negro jovem e de nome árabe ser eleito aqui é bem mais do que uma vitória dos direitos civis, é o bom senso indo a forra. Obama tentar processar Bush é um tipo de ingratidão. Por isso achei certo o começo do discurso de posse: "Obrigado, presidente Bush, pelos seus serviços". E no recado para o ex-eixo do mal, Obama avisou: "a história não vai os julgar pelo que destruiu. Mas pelo que você construiu". Assim, ao pegar a caneta, deita a carapuça que melhor cabe a Bush. Ditador.

Viu, Bush? Darwin estava certo.

Meu alívio é que não tinha homem melhor para assumir o barco até 2012 (ah, esse ano...). Foi o primeiro presidente a pedir humildade aos EUA. O primeiro a falar que não dá para gastar tanta energia. O primeiro a colocar os ateus debaixo da bandeira no discurso de posse e a se dirigir com a mão aberta ao mundo árabe. E o melhor de tudo: sua total noção de que a ciência e novas idéias são as únicas formas de cumprir qualquer promessa de prosperidade a longo prazo.
E isso eu comemoro sem hesitar. O começo da era Obama merece toda a farra do mundo. Porque Bush partir e Obama chegar, infelizmente, não são a mesma coisa.
__________________________

Agora, se eu fosse ele, antes de qualquer coisa mandava embora o doido que organizou o desfile da posse e importava um carnavalesco do grupo B carioca. Passou aí no Brasil? Já vi melhores no 7 de Setembro de Caraguá. Tava vendo a hora que ia aparecer um Cascão de lava rápido dando tchau pro Obama. O vídeo abaixo proca a tese. E olha que é o carro da Nasa! Um módulo lunar com astronautas de verdade. Ainda assim, que coisa mais pobrinha.

Ok, change has come to America. Mas certas coisas never change... A América patriota continua cafona como sempre, Oh, yeah.
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PS: Recebi emails de amigos reclamando da mudança nos comentários dos leitores ali embaixo. Desde o fim de 2008 precisa fazer um cadastro, senha, confirmar email, etc. Resultado é que ninguém comenta mais nada - e eu entendo.
A barreira foi colocada depois de uma enxurrada de comentários rudes e ofensivos em escala geométrica.
Mas pessoalmente acho que um blog só melhora quando pessoas respondem, criticam e o post ganha vida própria. Além disso, a barreira me dá uma chata sensação diária de que ninguém está lendo o que escrevo... Então, quem não estiver com saco de se registrar no site, mas tem o que falar escreve, para bruno@trip.com.br ">bruno@trip.com.br com o comentário. Vou tentar dar um jeito de publicar o quanto antes.
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Postado em 25.11.2008 | 16:50 | Bruno Torturra Nogueira
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A esmagadora maioria dos meus 5 leitores tem me cobrado que eu fale mais de San Francisco. Me desculpo, mas não me redimo. Pois vou deixar a narrativa para Bill O'Reilly.

4 de vocês devem saber quem é o sujeito, mas para os demais 20% eu explico: Bill é o âncora mais célebre da Fox News, untra-conservador, voz mais ouvida pelos que temem as idéias e a cor do presidente aqui eleito.

Ultrajado com a ascensão de Obama, O'Reilly decidiu mostras à América sob Deus do que é feita a cidade mais libertária da América do Norte. Ele define: "O que já foi uma cidade de trabalhadores abençoada pela natureza foi tomada por uma cultura liberal e secular e sofreu mudanças drásticas." Mandou um dos seus repórteres-de-bem para San Francisco. "Eu queria alguém que nunca tivesse ido para lá para dizer como é", explica sua linha editorial. O jovem janota passeou bastante. E trouxe sua versão de épica parcialidade no vídeo abaixo.

Eu, como novo morador do local, assino embaixo! Se você é um cristão-retentivo que nem trepando perde a virgindade, San Francisco é exatamente assim: maconha na rua, polícia tolerante, travestis surtados, freaks pela rua e mendigos expansivos.

Se você é um anarquista-ateu que comeria a própria mãe se pintasse um clima, San Francisco é exatamente assim: maconha na rua, polícia tolerante, travestis surtados, freaks pela rua e mendigos expansivos. 

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Postado em 03.04.2008 | 14:37 | Bruno Torturra Nogueira
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[kml_flashembed movie="http://www.youtube.com/v/zRpCiP_xNTA" width="425" height="350" wmode="transparent" /] Teaser, my friends. É de teaser que vive esse blog, hoje noto. O ouro mesmo vai para a Trip de maio, com a cobertura completa das matérias subcitadas. Acima, um vídeo que fiz nos dias que precederam o Wrestlemania, o über-evento da luta livre americana. A final em si não pude filmar ou fotografar. Cabreiros que só eles, os organizadores vetaram minhas câmeras. E tentaram me confinar em uma salinha no lugar mais longe do ringue. Em vão... Meia hora, muita insistência e algum caô em cima de seguranças desinformados, cheguei na beira da não-pancadaria. 70.000 pessoas delirando com sopapos no ar e golpes tão falsos que fariam os Trapalhões parecerem samurais autênticos. Agora, cerejinha no topo das fezes: amarrei meu burro na cabeceira do ringue, bem ao lado de Macaulay Culkin. Sim, o ex-criança do Esqueceram de Mim. Lembro de Lee Perry no Fórum Psicodélico na Suíça e dou eco à pergunta: O que você está fazendo aqui? - Eu adoro luta livre..., simplifica o macho-chô. Provas? As tenho. Em uma câmera descartável que consegui da merchandising do Wrestlemania. Assim que revelar, postarei. Na Trip de maio, aguardai: entrevistas com os melhores lutadores de mentira do mundo; a comovente cerimônia de homenagem aos wrestlers do passado, quando Ric Flair, uma suposta lenda viva, discursou por duas horas sobre suas conquistas roteirizadas; a grande final; as cadeiras de rodas voluntárias; toneladas de frango frito; fogos que caíram sobre 40 azarados e os grandes triunfantes, os campeões mundiais da fuleiragem. Basta Hasta B.
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Postado em 31.03.2008 | 16:47 | Bruno Torturra Nogueira
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wwe1.jpg Salve, salve Teclando direto da porta da saída da caôland, portão 58, aeroporto de Orlando, a cidade perfeita para o que vim cobrir: o Wrestlemania, o mais importante evento do ano da luta livre televisiva americana. Algo que os donos da marca cuidaram de batizar como Sports Entertaiment, assumindo a fajutice da pancadaria e, ainda assim, tratando seus contratados como "os maiores lutadores do mundo". Para mim foi uma experiência muito, muito difícil de digerir. É como se a mentalidade das 70 mil pessoas que lotaram o Citrus Bowl fosse algo muito simples, rudimentar, porém impenetrável. Mas pude ter certeza de que toda a liturgia, os fogos, a trilha e o culto massivo à farsa têm o mesmo endereço do espírito da guerra no coração do americano. Foram quatro dias de extrema paciência onde, estupefato, pude aprender como bilhões de dólares podem ser feitos a troco de nada. Uma empresa que fatura mais do que a Rede Globo, que vende, basicamente, alguns minutos de pacandaria roteirizada. Um produto incompreensível, que paira por cima da verdade e da mentira, nutrindo a covarde sede de sangue do "avarege american". Nunca vi tanta comida junta, palavra de honra. Muita, mas muita gente acima do peso, centenas de pessoas em cadeiras de roda por pura opção, de tão obesos, gritando o nome de homens anabolizados com físicos tão desproporcionalmente musculosos quanto as barrigas de seus fãs. Perdão pela pressa, mas preciso ir aqui. O vôo para Los Angeles vai zarpar. Amanhã pela manhã posto mais sobre a luta livre, fotos das séries de eventos e uns vídeos que fiz dessa massa humana que peregrinou até Orlando para berrar em uníssono: ME ENGANA QUE EU GOSTO. Até breve, caras e caros
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Postado em 30.07.2005 | 12:07 | Bruno Torturra Nogueira
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teste pilmx  blog 3

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