As Páginas Negras com Rodrigo Amarante que fiz ano passado foi uma especial das mais de 10 que assinei na Trip. Pelo timming (a banda estava ainda longe do hype, dando duro na primeira tour pelos EUA), pela experiência (peguei um show em um bar fuleiro de Oklahoma, a cidade grande mais fuleira desse país) e, principalmente, pelo cara. Conversa boa, aberta, sobre assuntos que nos interessam especialmente. Trabalho bom. Tive a impressão que mais do que uma boa entrevista, saí com um camarada. Estava certo. 10 dias depois a banda chegou a San Francisco, trombei com eles no show do Slim's, Rodrigo se hospedou aqui em casa por uma noite com a doce Karine Carvalho, sua mulher.
Quando Rodrigo desembacou no Brasil para uma lotada tour do Little Joy, estava na capa da Trip nas bancas. Mas Rodrigo não ficou muito feliz com o resultado. Entendo muito seu lado. A entrevista está bem honesta e fiel com as duas horas e meia gravadas em Oklahoma. Mas a capa destacou demais a questão da grana, ou da falta dela, na vida de Amarante. Chato. De longe, lamentei. E aceitei como um duro osso do ofício.
Fiquei feliz quando Rodrigo me ligou semana passada. Estava nos EUA de volta, e a caminho da San Francisco para tocar com Devendra Banhart. Me ofereceu dois ingressos para o Independent. Casa de show da boa, vizinha do meu apê.
Quase só música nova. Tocadas pela primeira vez ao vivo. Em uma palavra: foda. Canções lindas e, acima de tudo, feitas com tesão, sem pudores estéticos ou pose. E ficou claro, mais uma vez, que sorte Devendra e Rodrigo tiveram ao se encontrar. No palco, nas vozes, nas melodias - feitos um para o outro.
Aqui ofereço uma gema: Devendra apresentando uma canção pela primeira vez. Apresentando Rodrigo em seguida. E nosso patrício emendando uma do Little Joy. É por essas que San Francisco vicia.





















