Postado em 30.04.2008 | 10:20 | Bruno Torturra Nogueira

Peço aos meus cinco leitores que voltem ao primeiro post desse blog. Lá foi o começo de uma longa viagem, que será publicada em detalhes nas próximas edições da Trip. Lá falo de um sujeito, o motivo pelo qual embarquei para Basel há mais de 40 dias. Albert Hofmann.
Explico ali quem é ele. E narro no post o começo de uma sucessão de sincronicidades psicodélicas que, nas últimas semanas, se tornaram rotina. Não vou entrar em detalhes, porque a data é séria.
Hoje a viagem acabou. Ou por enquanto.
Foi o último dia do curso de sonhos lúcidos aqui na big island do Havaí. Na aula da manhã, onde contamos nossa noite, dividi com LaBerge e a rapaziada a entrevista onírica que fiz com Albert Hofmann em meu primeiro sonho lúcido. A aula prosseguiu normalmente. Como conclusão, LaBerge elaborou uma longa e muito bonita tese sobre sonhos com falecidos. Como eles são não apenas uma porta para nosso inconsciente e lições que a superfície mental revela, mas também uma forma de comunicar-se com o sentimento oceânico, com o indizível.
Voltando do almoço um email bate à minha caixa. Aos 102 anos, Albert Hofmann morreu. LaBerge ficou passado. E eu buscando palavras.
No meu sonho, e o post abaixo que não me deixa mentir, Hofmann me recebeu para uma entrevista que, em Basel, não consegui fazer. Ele se desculpou, disse que estava velho e cansado demais. Falamos sobre a vida, psicodélicos e consciência. E, antes do sonho acabar, Hofmann foi encolhendo até tornar-se um feto e sumir.
Hoje ele morreu, o curso acabou, semana que vem aterriso em São Paulo.
Não fiquei exatamente triste, pois nunca o conheci. Mas senti vivo o espírito que Hofmann despertou no mundo. Graças a sua visão da consciência, da beleza manifesta para dentro e para fora da mente, tudo mudou completamente. E ele nunca assumiu, menos ainda pediu crédito. Mas foi um mestre, um profeta cuja mensagem ainda está para florescer. Fui escrever um pouco nas falésias de lava recente do Havaí. Duas milhas para o sul, via-se lava brotando e caindo no mar. Vapores furiosos subiam aos céus e viravam nuvem. Havaianos me disseram que hoje Pele, a deusa do magma, estava com fome.
Um sentimento estranho de melancolia e felicidade me encheu completamente por todo o dia. Derramei lágrimas estranhas ao perceber que esse foi o acorde final de uma sinfonia. E que sou, de alguma forma, parte dela.
Ou sonho ser.
Adeus, Dr. Albert Hofmann. Continue nos céus.
Postado em 24.04.2008 | 22:36 | Bruno Torturra Nogueira

Alô, Aloha
Primeiro: as gastas desculpas pela demora. Mas pode ser realmente complexo arrumar tempo para escrever, ajustar fotos e postar enquanto tanta coisa está acontecendo. Parar umas horinhas no laptop em um quarto de hotel provavelmente siginifica perder história, matéria prima para o que interessa mesmo: memórias e matérias.
Teclo agora em uma das raras pausas. Estou em Kalani, um refúgio entocado na região de Hilo, Big Island do Hawai'i. É o terceiro dia de um workshop fabuloso: Dreaming and awekening. Sob a disléxica e genial batuta de Stephen Laberge, 13 almas do mundo todo estão aqui para aprender a sonhar. Ou melhor, a produzir com a própria vontade sonhos lúcidos. A capacidade de se dar conta do estado onírico e de controlá-lo da melhor maneira possível. Mais do que uma mera diversão noturna, o mergulho profundo no sonho e em suas tantas dimensões provoca, mesmo em curtos três dias de treino, uma substancial mudança da percepção do mundo..."real".
Stephen que não me leia... Real é uma palavra proibida por aqui. Já que a Grande Lição do curso é que toda a realidade é uma simulação, uma versão de uma "realidade" intangível por natureza.
Tenho mais 5 dias pela frente e posso apostar que o melhor ainda estar por vir, mas destaco aqui highlights da jornada:
- Meu primeiro sonho lúcido se deu com Dr. Albert Hofmann, vejam vocês, o inventor do LSD que pairou sobre Basel no Fórum Psicodélico descrito abaixo. Tivemos uma longa e tranqüila conversa onde ele me explicou que é muito, mas muito difícil se tornar um químico hábil o suficiente para produzir psicodélicos, que o que importa na vida é lucidez e que ele lamenta muito não ter tempo para uma entrevista formal, mesmo no meu sonho. Aos 102 sente-se realmente velho para isso. No final de nosso papo, pedi uma foto com ele. Mas Dr. Hofmann foi encolhendo, encolhedo até se tornar um bebê. Desisti do clique, certo de que ele sumiria como um zigoto.
- O banho na piscina natural, ontem de tarde, com Stephen Laberge. Nossa primeira entrevista, de uma série que farei por aqui com o cartunesco teórico mor dos sonhos. Boiando em águas vulcânicas do Havaí, gastamos uma horinha falando de como a psicologia até os anos 60 era fechada, como suas experiências pessoais com psicodélicos abriram o caminho para o estudo dos sonhos e de como ele ainda tem um longo caminho para percorrer em "acordar" pessoas. Para ele e seus assistentes, o que interessa em sonhar lúcido é trazer lucidez para a vida acordada.
Laberge flutua no mundo "real" do surrealista Havaí
Logo mando o relato breve e muitas fotos bacanas da semana passada, quando gastei uns dias no North Shore da ilha de Oahu, sapeando o que fazem surfistas e locais no paraíso do surf quando a temporada de ondas passou. Waimea, Pipeline, Sunset Beach, Pupukea... Para cima e para baixo entre big riders, japoneses com medo dágua, viciados em ICE e brasileiros que se viram como podem para não abandonar as ondas perfeitas na frente de casa. Uma sensação muito estranha ao descobrir que o éden pode ser deveras infernal quando não se está, digamos, lúcido.
Nos próximos dias mando um vídeo com Laberge e as lindas falésias vulcânicas dessa região. Agora tenho que ir. Luciana, uma inglesa peculiar, trouxe um Pet Scan cerebral. Mapeamento 3D das ondas da mente. Vou tirar um cochilo com a touca na cabeça. Veremos como andam meus nerônios na reta final da viagem mais viagem da minha vida. É tudo gravado, diga-se. Postarei aqui.
Bons sonhos,
BTN
Postado em 06.04.2008 | 00:07 | Bruno Torturra Nogueira
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Enquanto pelejo duramente comigo mesmo para terminar a reportagem do Forum Mundial Psicodélico, apreciem esse maravilhoso vídeo feito pelo exército inglês nos anos 50.
Sob o efeito de doses altas de LSD, e sem a menor noção do que os esperavam, duas tropas tentaram exercícios militares em um matagal.
O resultado? Give peace a chaaaaance.
Abaixo, uma das coisas mais charmosas dos últimos 50 anos. Uma moça deveras bem diagramada tenta explicar a um repórter sóbrio o que ela está sentindo depois de um ácido dos bons tempos. Aqueles em que as três letrinhas eram legalizadas.
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Postado em 03.04.2008 | 14:37 | Bruno Torturra Nogueira

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Teaser, my friends. É de teaser que vive esse blog, hoje noto. O ouro mesmo vai para a Trip de maio, com a cobertura completa das matérias subcitadas.
Acima, um vídeo que fiz nos dias que precederam o Wrestlemania, o über-evento da luta livre americana. A final em si não pude filmar ou fotografar. Cabreiros que só eles, os organizadores vetaram minhas câmeras. E tentaram me confinar em uma salinha no lugar mais longe do ringue. Em vão... Meia hora, muita insistência e algum caô em cima de seguranças desinformados, cheguei na beira da não-pancadaria. 70.000 pessoas delirando com sopapos no ar e golpes tão falsos que fariam os Trapalhões parecerem samurais autênticos.
Agora, cerejinha no topo das fezes: amarrei meu burro na cabeceira do ringue, bem ao lado de Macaulay Culkin. Sim, o ex-criança do Esqueceram de Mim. Lembro de Lee Perry no Fórum Psicodélico na Suíça e dou eco à pergunta: O que você está fazendo aqui?
- Eu adoro luta livre..., simplifica o macho-chô.
Provas? As tenho. Em uma câmera descartável que consegui da merchandising do Wrestlemania. Assim que revelar, postarei.
Na Trip de maio, aguardai: entrevistas com os melhores lutadores de mentira do mundo; a comovente cerimônia de homenagem aos wrestlers do passado, quando Ric Flair, uma suposta lenda viva, discursou por duas horas sobre suas conquistas roteirizadas; a grande final; as cadeiras de rodas voluntárias; toneladas de frango frito; fogos que caíram sobre 40 azarados e os grandes triunfantes, os campeões mundiais da fuleiragem.
Basta
Hasta
B.