Esta coluna vai se autodestruir em 2.376 toques, com espaços. Pois é, depois de um ano no jornal Destak toda terça-feira, é hora de dar tchau. Difícil é, diante de tantas possibilidades, decidir como fazer isso:
"Fui." A apresentadora Xuxa mandou essa, anunciando sua saída do Twitter. Ainda completou: "vcs não merecem falar comigo nem com meu anjo". Ela se aborreceu quando puseram reparo em um erro ortográfico de Sasha – a baixinha da rainha escreveu "cena" com "s".
"Vai pela sombra." Um dos adeuses mais intrigantes, especialmente quando pronunciado à noite.
"Juízo, hein?" Mais que uma despedida, é uma advertência: olha lá, não vai fazer bobagem. Deve ter sido mais ou menos isso que os doze auditores da Receita Federal queriam dizer para o ministro Guido Mantega, quando pediram demissão em solidariedade à Lina Vieira e contra as pressões políticas na fiscalização.
"Vai com Deus." Redundância. Afinal, Deus não seria onipresente?
"Boa sorte." A versão laica do "vai com Deus". Se Deus é um delírio, resta apelar ao acaso.
"PT Saudações." Usado no final de telegramas e pela senadora Marina Silva, que deixou o Partido dos Trabalhadores. Aloizio Mercadante até tentou fazer a mesma coisa, renunciando à liderança do partido – mas o presidente Lula não deixou, na-na-ni-na-não.
"Volte sempre." Um "tchau" que, no fundo, quer virar um "oi". Você ainda nem saiu da loja, e o vendedor já antecipa sua próxima visita. Aliás, suas próximas visitas. Ele não quer apenas que você volte, quer que volte sempre. Sempre que tiver dinheiro, claro.
"Desculpa qualquer coisa." Expressão incrivelmente irritante. Como assim "qualquer coisa"? Do que exatamente está falando? Quer dizer então que não era brincadeira?!
"Obrigado eu." É o superlativo de "de nada".
"Te ligo sem falta." Clássico daqueles encontros casuais, no meio da rua, com aquele conhecido que você não via há anos – se é que dá para chamar de conhecido alguém que teve três filhos sem que você soubesse. É a maneira de um dizer que gosta do outro, embora não o suficiente para realmente telefonar.
"(.)" O estilo Belchior, que vai embora sem palavras, sem aviso.
Antes que alguém vá me procurar no Uruguai, queria saudar o povo e pedir passagem. Muitíssimo obrigado aos leitores e ao jornal Destak. Bom, como dizem os profetas de praça pública, o fim está próximo. Opa, chegou. A gente se lê na Trip e na Tpm – e, claro, aqui nesta CoLuna.
































