Postado em 14.04.2009 | 12:45 | André Felipe

Outro dia eu cheguei em casa, todo orgulhoso com meu Bilhete Único. Mostrei pra minha mulher que, exagerando um pouco, falou que eu parecia um parisiense ou um novaiorquino. Ok, foi exagero, mas eu até que fiquei satisfeito. Agora, eu sou um commuter, como dizem por aí. O fato é que eu realmente resolvi ficar sem carro em São Paulo desde o meio do ano passado, quando vendi um dos 2 carros da casa (o meu) e resolvi me virar com bicicletas, táxis e metrôs. Não tinha pensado em Ônibus ainda.
A bicicleta ainda não deu muito certo na cidade. Final de semana até dá, porque vc não vai pro trabalho: é só para passeio. Mas não dá ainda, sendo diretor de uma empresa, pra chegar todo esbaforido na editora. Mas eu tentei, e ainda vou insistir em alguma solução, nem que seja pegar uma carona com a minha mulher na parte de subida (hahahaha), com a bicicleta no bagageiro.
Eu estava usando mais Taxi. É caro. É cômodo também. E se eu fizesse as contas, pra mim estava saindo mais barato do que manter um carro, com seus impostos, estacionamentos, combustíveis, multas e financiamentos. Não que seja uma questão de economia na ponta do lápis, a questão era mais moral: um carro a menos (mas continua sendo um carro). Aprendi algumas coisas com o táxi. Uma delas é como ir da origem até o destino sem precisar conversar com o motorista. Não que eu seja anti-social. Mas tem dia que não dá.
Depois foi o metrô. Tem uma estação perto de casa, e uma mais ou menos perto daqui da editora, mas são linhas diferentes e pouco conectadas. Resultado: uma volta olímpica pela cidade, que demora e tem muita baldeação. Não vale pra mim.
Aí, dia desses, deu aquele estalo. Não se trata de um estudo antropológico do tipo "publicitário resolve descobrir o transporte coletivo da cidade"; trata-se de uma solução real de deslocamento. Já usei muito ônibus, pro colégio, pra faculdade, pra todo lado. Era ainda no tempo do "passe". Carteirinha de passe. Passe escolar, passe isso, passe aquilo que pra mim, na época, só servia pra facilitar o troco. Muito melhor agora, que eu tenho o meu parisiense bilhete único. Uma solução que eu achei muito boa, prática e civilizada. Fazia tempo que eu não pegava um busão, e fiquei impressionado com a melhora no serviço, com o conforto dos carros. Também fiquei impressionado com os motoristas: continuam a mesma coisa, ignorando as 500 pessoas no banco de trás. Mas tá valendo. Pra mim tá valendo, sim. Um serviço barato e eficiente, que me pega a duas quadras de casa e me entrega a duas quadras do trabalho.
Me lembrei, então, dos tempos de faculdade. Também andava um trecho curto, de Pinheiros até o Mackenzie. Mas dava pra ver melhor a cidade, as pessoas. E agora está sendo a mesma coisa. As conversas das pessoas comuns. A tal deselegância discreta de nossas meninas. O verdadeiro street style paulistano, que faz a fortuna das marcas mais populares de surfware. Dá pra ver a cidade limpa direito, de um ângulo um pouco mais alto. Dá a sensação de que tem menos trânsito, também. E continua desconfortável quando chove. (Comprei um guarda-chuva - o primeiro que eu compro na vida, pode acreditar). E descobri, finalmente, pra que serve um playlist no ipod.
Postado em 09.06.2008 | 17:12 | André Felipe
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Lembra que eu falei aqui dos Coworkings? Pois então, pra entender melhor dá uma olhada aqui no Link do Estadão de hoje. E lembra que eu falei que o negócio do skate está comendo pelas bordas? Poisé. Não é pouca coisa. O site da Mother London, considerada pelo mercado como a agência mais moderna e antenada do mundo, é uma session (depois de um introduçãozinha bem chata).
Postado em 20.05.2008 | 14:12 | André Felipe

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Na minha época de faculdade, Arquitetura e Urbanismo no Mackenzie, havia dois points que me atraíam particularmente. Um era o Bar Central, aka Waldemar, que além de ter o café expresso mais forte do mundo, preparado com a sutileza de uma morsa por um barista chamado "Baiano", era o local que reunia, vamos dizer assim, os enfants terribles da faculdade. Alí se tramava, entre milhares de planos e idealizações, coisas como "a verdade sobre Oscar Niemeyer" ou movimentos como o "Neo-racionalismo paulistano". Era a parte romântica da história, molecada de nem 20 anos. Mas não por acaso, o pessoal do - extinto há anos - Bar Central, hoje, forma um belo time de profissionais, unidos pelo genuíno instinto do empreendedorismo.
E o outro era um salão no segundo andar (ou era no primeiro?), com grande mesas, pra uso comum. Quem precisava terminar um projeto, começar um trabalho, estudar, ou seja lá o que for acabava nesse salão, com uma janela enorme, com vista para a entrada do Campus. Um lugar fantástico. Pessoas que talvez não se conhecessem, a faculdade tinha bastante gente, trabalhando alí, juntas. De alguma forma, era um troca de experiência. Todos alí poderiam escolher uma sala vazia, tinha sempre alguma, ou poderiam ir pra casa pra trabalhar em paz, mas não. Acabavam todos no salão do primeiro andar (ou segundo, sinceramente eu não lembro mais).
Pois eu acho que o tal do salão e o Bar Central, juntos, hoje em dia teriam um nome. Coworking. Sim, Coworking, um conceito que está surgindo nas grandes metrópoles do mundo na mesma toada do surgimento das redes wireless públicas e dos profissionais que não precisam mais passar o tempo todo sentado no escritório. Sacou? Um Coworking, então, é um espaço público, na maior parte dos casos cafés, usado por profissionais que não querem trabalhar em casa mas querem se sentir dentro de um ambiente de trabalho.
Eu mesmo já escrevi muitos posts (muitos mesmo), já criei campanhas, projetos, e tudo mais, a partir de um café nos Jardins. Junto com um grupo que se formou a partir de conexões realizadas a partir da rede wi-fi do próprio café, já tramamos planos incríveis de dominar a internet, inventamos o termo blogolândia, ajudamos a trazer o universo dos blogs de moda, design e comunicação brasileiros para um plano bem maior e mais importante. Isso junto com pessoas que, em suas diferentes mesas e áreas de atuação, também se nutriam da mesma internet (gráts), dos mesmos cafés (pagos) e da mesma energia criativa que esses lugares, de alguma forma, reúnem.
Não conhece ou não frequenta nenhum Coworking Spot?
Então tá aqui um guia pra vc, criada pelo meu amigo MZ, Coworker notório, que aliás foi quem me falou pela primeira vez dessa história. E vai lá, talvez a gente acabe trabalhando junto!