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Começo de mês é uma maravilha, porque os títulos novos vão chegando. Tudo bem que eu tenho observado que as revistas de fora possuem um ritmo mais agressivo: as edições de maio já aparecem aqui em abril, bem antes que a maioria dos títulos nacionais. Então essa sexta têm bastante coisa, e o final de semana promete.
Primeiro: chegou a Monocle, que eu na verdade assino, mas já está nas bancas (nas boas, só pra relembrar). A reportagem de capa é sobre um bairro hype de Beirute, coisa que a gente nunca imagina. A grande sacada, o grande diferencial editorial da Monocle é descobrir o que há de melhor em termos de cidades ao redor do mundo. Acho que o tema da Monocle, no fim, são as cidades. E pra gente não ficar aqui com complexo de inferioridade, saibam que a Monocle tem discretos planos de estabelecer uma sucursal no Brasil, eu tava desconfiado que seria em São Paulo (não é de hoje que o pessoal da Wallpaper, que foi decisiva pra criação da Monocle, têm uma certa predileção pelo bairro de Higienópolis). Acontece que agora minha desconfiança mudou um pouco: a Monocle desse mês traça um perfil muito legal de Florianópolis, com todos aqueles features que já conhecemos (qualidade de vida, "lindas praias", e uma recente vocação para abrigar empresas de tecnologia).
A I.D. (não confundir com a legendária i-D, to Terry Jones, que aliás tá com a Mariah Carey na capa) desse mês está sensacional. É uma revista ligada ao mundo do design, mas sem aquele histerismo vetorial que vemos por aí. É uma revista que olha o design, em suas mais variadas vertentes, sob uma ótica mais profissional sem perder o charme que o assunto sugere. A edição de maio se auto-denomina "Our 4th Annual Design + Business Issue", e a reportagem de capa é sensacional: fala sobre Chris Hacker, o cara que está na frente de todo o design da Johnson & Johnson, e suas impressões sobre como transformar os produtos da empresa, como bandaids e kits de primeiros socorros, em produtos desejáveis. Sensacional. E ainda fala sobre a carreira solo de Scott Wilson (Nike, Motorola, 3Com etc.) e o novo diretor da Loewy, fundada há trocentos anos por Raymond Loewy - talvez a maior lenda do design mundial.
Entre as revista mais modernas que eu conheço, que normalmente vêm da Alemanha ou de países nórdicos como Suécia e Finlândia, a mais elegante é francesa. A Palais de Tokyo é a revista oficial da galeria em Paris que leva o mesmo nome, e são editadas seguindo o projeto de curadoria da galeria, com uma direção de arte simples, precisa e ao mesmo tempo ousada e provocativa. Na verdade, é uma revista até complexa, difiícil de ler, aquela coisa de crítica de arte. Mas não faz mal, eu olho as figuras. Hahahahaha. A que eu comprei não é a última, a de maio, que ainda não chegou, vou ficar de olho.
A última dessa sexta é uma surpresa agradável. Coisa de 1 ano atrás eu estive envolvido, ainda que indiretamente, com a criação da revista FW>>MAG (pelo menos o nome fui eu que sugeri), editada pela Luminosidade, a mesma empresa que criou e que administra o SPFW. Pra falar a verdade, sempre achei a revista meio pesadona, muita coisa, muito texto, muita foto, mas enfim, não chegava a ser uma revista que eu não gostasse: era uma revista que não me empolgava. Pois muito bem. A edição nº 8, que está agora nas bancas e que dedica suas páginas à cidade de Berlin, está realmente muito boa, mais dinâmica, interessante, com um ritmo mais fluido e instigante. Tanto a direção de arte quanto a editorial deram uma guinada na direção da legibilidade, sem perder no entanto o punch, sem precisar abrir mão de nada. Estão de parabéns, tomara que seja um caminho daqui pra frente.
Agora deixa eu ler minhas revistas.




Desculpa o post curto, mas eu PRECISO voltar lá pra ver o resto.


Se vc é depressivo, melancólico ou tem o estômago fraco, sugiro que evite o Museu das Revistas Mortas, organizado pelo Magazine Death Pool.

