Revista Trip

 
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Postado em 05.05.2009 | 13:32 | André Felipe
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Kind of Blue

Kind of Blue

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Esse é um post em homenagem ao legendário disco. E também à minha modesta coleção. Esse disco eu comprei por 50 dólares quando eu tinha uns 17, 18 anos. Era caro, mas era a chance. Em um tijolinho de jornal, vi o anúncio: um colecionador estava desmontando sua coleção, vendendo pra quem quisesse, depois de tentar vender a coleção fechada para museus ou colecionadores sérios (e abonados). Era uma lojinha na Arthur de Azevedo, aqui perto da Henrique Schaumann, onde hoje acho que é uma pizzaria. Até outro dia eu lembrava claramente do nome da loja, mas hoje me deu um branco.

No dia em que eu corri lá (morava perto, na Oscar Freire), tinha eu e mais dois caras: eu com uma graninha no bolso, e os outros dois vindos naquele dia dos Estados Unidos para "fecharem" suas coleções. Eu dei sorte, porque certamente esse disco já fazia parte das coleções dos caras - assim como deve fazer parte de qualquer coleção séria. Foi o primeiro vinil de jazz que eu comprei. E depois vieram outros, mas esse é o que, pra mim, vale mais. Fica, hoje, junto com Maiden Voyage (Herbie Hancock), Giant Steps e My Favourite Things (John Coltrane), The Sidewinder (Lee Morgan) e Out to Lunch (Eric Dolphy), todos originais da época, em uma prateleira VIP.

E seria justamente o que eu cataria às pressas em caso de incêndio.

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Postado em 04.05.2009 | 19:56 | André Felipe
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BobDylan.com

BobDylan.com

 

 

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Não vamos confundir uma coisa com a outra. Bob Dylan está lançando agora seu novo disco, Together Through Life, com todo aquele estardalhaço que só as majors ainda permitem: muita grana pra produção, divulgação etc. Mas não é disso que eu estou falando: eu acho, aqui, que o velhão pode ser old school, mas sabe se reinventar. Claro que ele não deve ter dado muito palpite, mas quando perguntaram pra ele se ele topava fazer um site legal, ele deve ter dito "yes, my friend" e deixou o pessoal trabalhar. E não é de hoje. Em 2007 eu já tinha ficado impressionado com esse site aqui - recebi uma mensagem linda e tudo, pena que eu não sei onde guardei - e hoje, de novo, fiquei impressionado como o Bob Dylan (ou a marca Bob Dylan, kid), está bem representado na rede. Tem o site oficial dele, com lojinha e tudo, tem uma loja dedicada a ele na Amazon (nunca tinha visto uma dessas), e é uma bela lição de como podemos juntar o velho e o novo usando a internet. Sem nóias nem pudores, com conteúdo e com qualidade e sem questionamentos metafísicos. Por que as respostas, kid, estão voando por aí.

Tags: Bob Dylan
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Postado em 22.09.2008 | 15:14 | André Felipe
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Crate Digging é um termo usado por DJs e colecionadores de discos para designar o trabalho de checar as lojas de discos. Só quem vive ou viveu essa experiência sabe o quanto a coisa pode tomar proporções esquizofrênicas. Aceite então a sugestão do artista gráfico (e colecionador) Stefan Glerum: Crate Digging, Don't Do It. end-up-alone.jpg
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Postado em 04.09.2008 | 22:06 | André Felipe
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[kml_flashembed movie="http://www.youtube.com/v/fY_FI9J1poQ" width="425" height="350" wmode="transparent" /] And get out of here. (Vi esse vídeo umas 20 vezes hoje).
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Postado em 22.04.2008 | 19:24 | André Felipe
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Desde que eu comprei meu primeiro iPod, coisa de três anos atrás (poisé), a grande encrenca tem sido organizar as músicas no iTunes. Como categorizar as faixas, os discos, os playlists? Smiths seria "rock" ou "pop"? E jazz? O QUE É Jazz?, lembrando que, segundo Louis Armstrong, -"se vc tá perguntando não vai adiantar eu responder". Pois eu, que sempre levei essa máxima a sério, estive em sérios em apuros. Eu acho que essa é uma das angústias modernas. Tem gente que com certeza não dá muito bola, tasca tudo lá, ouve as mais recentes e acabou, tudo bem. Mas isso não é pra mim, kid. Eu estou acostumado com as minhas capas de discos, o que me permite, inclusive, ver o que eu vou ouvir. E venho lutando, revisando, reformando, renomeando categorias e playlists - e ainda com um feature extra, o ranking de estrelinhas, que, pra facillitar, comigo têm sido ou tudo ou nada. Acontece que tudo isso se acalmou. O primeiro passo foi trocar o meu iPod de trocentos gigas por um daqueles que grudam no bolso da calça. Menos espaço permite uma seleção mais criteriosa do que vc vai enfiar no aparelinho. E o segundo passo, talvez mais importante, foi ouvir a faixa Cool Out, de Leroy Hutson, um unsung hero da soul music americana nos anos 70 e 80. A primeira vez que eu ouvi essa faixa foi numa coletânea baixada na Dancetracks Digital, tava na cara que era coisa meio antigona, mas não dava pra ter certeza. E aí a faixa complicou de vez o meu projeto de organização de músicas, porque eu comecei a ver que havia mais músicas nos meus playlists que também estavam nesse limbo dos genres. Resultado? Cool Out virou uma categoria no meu iTunes e a minha vida ficou mais fácil. O que era Soul Music virou Cool Out. Marvin Gaye, Bill Withers, Stevie Wonder foram os primeiros. Trio Mocotó é o que? Samba? Samba Rock ou Samba Jazz? Cool Out. João Donato? Cool Out, não importa a fase. Meirelles e os Copa 5? Também. No fim, tudo aquilo que tem no mínimo a mesma concentração de hemoglobina da minha faixa mais tocada. Amy Winehouse, Beastie Boys, Snoop Dogg, Sergio Mendes, Norah Jones, Herbie Hancock, Medeski, Martin & Wood, Os Ipanemas, Bill Evans, Lalo Schifrin, Jorge Ben (ainda sem o "jor"), Marcos Valle e etc, tudo reunido e misturado em torno do grande denominador comum: Música da boa.
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Postado em 16.04.2008 | 11:04 | André Felipe
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supertramp-breakfast-in-america-album-cover.jpg Muito do que eu ouço hoje em dia eu já ouvia na infância, na casa dos meus pais, em discos comprados na finada Hi-Fi. Ok, não se ouvia muito jazz, mas George Benson, Bill Evans, Dave Brubeck, Ramsey Lewis, coisas do gênero, vc encontrava por lá. E eu ouvia mesmo, gravava e regravava fitas K7 e as ouvia depois no meu walkman (!). E um dos LPs que mais tocava, repetia, quase até rasgar o vinil, era o álbum Breakfast in America, do Supertramp (que aliás, só agora, eu entendi a capa). Pois muito bem. Quase 30 anos depois (o disco é de 79), depois de um Breakfast in São Paulo meio melancólico, nesse dia feio de hoje, eis que toca no rádio do Táxi a faixa que eu mais gostava, e que fazia tempo que eu não ouvia. Goodbye Stranger. Uma obra de arte musical que, nos tempos de infância, eu apreciava pela "quantidade de música", pelos rompantes do vocalista, pelo lindo contraste entre os momentos de serenidade e de intensidade dos arranjos. Mas não entendia bulhufas da letra em inglês. Hoje deu pra entender. Então, kid, essa é pra vc. Cheguei aqui na Trip, procurei a letra da música na internet, descobri o óbvio - a letra também é muito bonita - e aí está. Tipo adolescente fazendo blog. It was an early morning yesterday I was up before the dawn And I really have enjoyed my stay But I must be moving on Like a king without a castle Like a queen without a throne I'm an early morning lover And I must be moving on Now I believe in what you say Is the undisputed truth But I have to have things my own way To keep me in my youth Like a ship without an anchor Like a slave without a chain Just the thought of those sweet ladies Sends a shiver through my veins And I will go on shining Shining like brand new I'll never look behind me My troubles will be few Goodbye stranger It's been nice Hope you find your Paradice Tried to see your Point of view Hope your dreams will All come true Goodbye Mary, Goodbye Jane Will we ever Meet again? Feel no sorrow Feel no shame Come tomorrow Feel no pain
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Postado em 15.04.2008 | 11:27 | André Felipe
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playlist.jpg Lá estava eu, com a Carol (na época produtora do meu estúdio na Vila Madalena) e o Guga no Doce de Laura, coisa de 5 anos atrás, quando tocou o telefone. Era o Mário Bové, que, em tom de mensagem secreta, disparou: Vem pra cá. Eu estava perto, a Marché Discos ficava alí na Mateus Grou, quase com a Cardeal, e fui correndo, a pé mesmo. Entrei (depois de bater, conforme avisava o papelzinho) e quase tropecei no engradado que ele estava segurando pra mim. Foi uma espécie de inside information, que poderia ter disparado o preço dos LPs se a informação vazasse. Não era muita coisa. Uns 20 ou 30 Blue Notes, Impulses e Atlantics originais e em excelente estado. Ele olhou pra minha cara e falou - Não te disse que é só esperar? Nem precisa dizer que, depois de 2 cheques, aqueles 20 ou 30 discos foram direto para a minha modesta coleção. Mário Bové (que o colecionador Jorge Cravo, autor do livro "O caçador das bolachas perdidas", considera o maior entendedor de música brasileira do mercado) sempre foi meu maior fornecedor (fornecedor é ótimo), sabia do que eu gostava e separava pra mim. Na verdade, sabia o que todos os seus clientes gostavam, e separava pra todo mundo também. Charles Gavin, na sua mesopotâmica missão de reeditar todos as pérolas da música brasileira era cliente habitual, assim como Ed Motta, que eu acho que não comprava nada mas ia lá dizer que havia achado em L.A. (pronuncia-se "É-Lei") um disco raro do Cid Moreira produzido pelo Quincy Jones, ou que havia "descoberto" os Mizell Brothers em um sebo nos arredores de Detroit ("Dí-tróit"). Os sábados na Marché eram verdadeiros programas folclóricos, aquela mentiraiada, conversa fiada, aqueles senhores se desafiando mutuamente com seus conhecimentos sobre a bossa-nova. Mário costumava dizer que sábado era muito puxado, que chegava em casa destruído, mas que era "o dia". E foi num sábado desses que eu achei uma vaga na frente da Marché, o que é uma raridade, e entrei. Na porta não tinha mais o papelzinho, entrei e estranhei a ausência da Mércia (esposa do Mário, gerentona da lojinha) atrás do balcãozinho limpando discos. Olhei em volta e achei tudo muito organizado, limpo, e meu deu aquela sensação ruim. Um garoto veio me atender, perguntei do Mário. - "Seu Mário não trabalha mais aqui, vendeu a loja." - Hã? - "É, um sebo, um pessoal da Moóca, comprou a loja" HÃ? Como eu não tinha o hábito de frequentar os sebos do centro da cidade, me restava o Eric Discos, que, folclórico também, serviu de cenário para o filme Durval Discos, mas andava, e ainda anda, muito ruim. Resultado: passei a comprar discos no eBay (que, vou te falar, é muito bom e confiável), mas isso é outra história. Pois tudo isso foi pra dizer que eu descobri, lendo a Revista da Folha desse domingo, que "Seu" Mário e "Dona" Mércia estão reestabelecidos numa barraca da feirinha da Benedito, no mesmo sábado de sempre. Seu Mário deve continuar terminando os dias cansado, todo quebrado, mas ainda deve estar achando que esse é o dia. Os nostálgicos conhecedores da bossa-nova continuam por lá testando forças, e o Ed Motta volta-e-meia aparece pra contar de suas últimas descobertas em algum sebo de New York City ("ciri ", no caso). Sábado que vem a gente se vê por lá.
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Postado em 11.04.2008 | 11:29 | André Felipe
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