Outro dia eu cheguei em casa, todo orgulhoso com meu Bilhete Único. Mostrei pra minha mulher que, exagerando um pouco, falou que eu parecia um parisiense ou um novaiorquino. Ok, foi exagero, mas eu até que fiquei satisfeito. Agora, eu sou um commuter, como dizem por aí. O fato é que eu realmente resolvi ficar sem carro em São Paulo desde o meio do ano passado, quando vendi um dos 2 carros da casa (o meu) e resolvi me virar com bicicletas, táxis e metrôs. Não tinha pensado em Ônibus ainda.
A bicicleta ainda não deu muito certo na cidade. Final de semana até dá, porque vc não vai pro trabalho: é só para passeio. Mas não dá ainda, sendo diretor de uma empresa, pra chegar todo esbaforido na editora. Mas eu tentei, e ainda vou insistir em alguma solução, nem que seja pegar uma carona com a minha mulher na parte de subida (hahahaha), com a bicicleta no bagageiro.
Eu estava usando mais Taxi. É caro. É cômodo também. E se eu fizesse as contas, pra mim estava saindo mais barato do que manter um carro, com seus impostos, estacionamentos, combustíveis, multas e financiamentos. Não que seja uma questão de economia na ponta do lápis, a questão era mais moral: um carro a menos (mas continua sendo um carro). Aprendi algumas coisas com o táxi. Uma delas é como ir da origem até o destino sem precisar conversar com o motorista. Não que eu seja anti-social. Mas tem dia que não dá.
Depois foi o metrô. Tem uma estação perto de casa, e uma mais ou menos perto daqui da editora, mas são linhas diferentes e pouco conectadas. Resultado: uma volta olímpica pela cidade, que demora e tem muita baldeação. Não vale pra mim.
Aí, dia desses, deu aquele estalo. Não se trata de um estudo antropológico do tipo "publicitário resolve descobrir o transporte coletivo da cidade"; trata-se de uma solução real de deslocamento. Já usei muito ônibus, pro colégio, pra faculdade, pra todo lado. Era ainda no tempo do "passe". Carteirinha de passe. Passe escolar, passe isso, passe aquilo que pra mim, na época, só servia pra facilitar o troco. Muito melhor agora, que eu tenho o meu parisiense bilhete único. Uma solução que eu achei muito boa, prática e civilizada. Fazia tempo que eu não pegava um busão, e fiquei impressionado com a melhora no serviço, com o conforto dos carros. Também fiquei impressionado com os motoristas: continuam a mesma coisa, ignorando as 500 pessoas no banco de trás. Mas tá valendo. Pra mim tá valendo, sim. Um serviço barato e eficiente, que me pega a duas quadras de casa e me entrega a duas quadras do trabalho.
Me lembrei, então, dos tempos de faculdade. Também andava um trecho curto, de Pinheiros até o Mackenzie. Mas dava pra ver melhor a cidade, as pessoas. E agora está sendo a mesma coisa. As conversas das pessoas comuns. A tal deselegância discreta de nossas meninas. O verdadeiro street style paulistano, que faz a fortuna das marcas mais populares de surfware. Dá pra ver a cidade limpa direito, de um ângulo um pouco mais alto. Dá a sensação de que tem menos trânsito, também. E continua desconfortável quando chove. (Comprei um guarda-chuva - o primeiro que eu compro na vida, pode acreditar). E descobri, finalmente, pra que serve um playlist no ipod.

































