Por falar em Eskimo, como a maioria dos nativos do Ártico é chamada, o significado da palavra na linguagem Athapaskan é "comedores de carne crua". Dar um rolê pelo vilarejo é uma experiência única. Os Eskimos adultos ficam na miudinha e quem se aproxima como em qualquer parte do planeta são as crianças. Elas se divertem com a turistada desesperada com a quantidade de pernilongos e mosquitos que grudam no pescoço e pela face. A sorte para a maioria é que na recepção do único hotel vendem-se mosquiteiros para a cabeça. No ultimo censo de Kulusuk foram detectados 356 habitantes Inuits e 4 estrangeiros. O que impressiona é a quantidade de cachorros presos na frente de suas respectivas casas. São os famosos cachorros eskimos que fazem corridas de trenós em equipes e atravessam longas jornadas pelo interior da Groenlândia. A raça é conhecida como Malamute. Conversando com um treinador Inuit de Malamutes ele nos disse que esses cães suportam até 300 quilômetros diários em travessias. Os cães evitam as irregularidades dos terrenos e parecem saber sempre onde se encontram. Como autênticos cães de caça, eles perseguem o rastro dos ursos polares, caribus e raposas. Gostaria de deixar claro, como esse dia radioso e brilhante na Groenlândia, que essa raça não é o Huskie-siberiano branco-acinzentado que observamos pelos parques e ruas das grandes metrópoles brasileiras.
Os malamutes dessa região possuem uma pelagem marrom-creme, têm longos e duros cabelos e uma espessa manta lanosa que os isolam do frio. São grandes companheiros. Sempre no grupo existe o líder da matilha, que garante sua liderança à base de dentadas. Gostaria de saber se existem criadores no Brasil. Por incrível que pareça eles estão perdendo terreno para os veículos adaptados a neve. Seria o fim de uma grande tradição.
Arthur Veríssimo, direto da Islândia

































