


O Icelandic Phallological Museum. Caríssimos leitores o local conta com um acervo de mais de 180 pirocas de quase todas as espécies de mamíferos, terrestres e marítimos da fauna islandesa e mundial. A coleção dispõe de 52 exemplares de 15 tipos de baleias. O colecionador e diretor da FALOTECA, Mister Sigurdur Hjartarson nos conduziu pelo reduto e apresentou os seus preferidos.
O tiozinho veio com um papinho "bem loko" dizendo que já tem três pênis de macho prometidos para sua coleção, no pós-morte. As doações estão comprovadas através de cartas escritas pelo próprio punho dos doadores em potencial. E com um olhar de Hannibal Lexter lançou que está procurando novos voluntários. Tiozinho esquisitão né? Dá uma olhada na foto.


Por falar em Eskimo, como a maioria dos nativos do Ártico é chamada, o significado da palavra na linguagem Athapaskan é "comedores de carne crua". Dar um rolê pelo vilarejo é uma experiência única. Os Eskimos adultos ficam na miudinha e quem se aproxima como em qualquer parte do planeta são as crianças. Elas se divertem com a turistada desesperada com a quantidade de pernilongos e mosquitos que grudam no pescoço e pela face. A sorte para a maioria é que na recepção do único hotel vendem-se mosquiteiros para a cabeça. No ultimo censo de Kulusuk foram detectados 356 habitantes Inuits e 4 estrangeiros. O que impressiona é a quantidade de cachorros presos na frente de suas respectivas casas. São os famosos cachorros eskimos que fazem corridas de trenós em equipes e atravessam longas jornadas pelo interior da Groenlândia. A raça é conhecida como Malamute. Conversando com um treinador Inuit de Malamutes ele nos disse que esses cães suportam até 300 quilômetros diários em travessias. Os cães evitam as irregularidades dos terrenos e parecem saber sempre onde se encontram. Como autênticos cães de caça, eles perseguem o rastro dos ursos polares, caribus e raposas. Gostaria de deixar claro, como esse dia radioso e brilhante na Groenlândia, que essa raça não é o Huskie-siberiano branco-acinzentado que observamos pelos parques e ruas das grandes metrópoles brasileiras.
Os malamutes dessa região possuem uma pelagem marrom-creme, têm longos e duros cabelos e uma espessa manta lanosa que os isolam do frio. São grandes companheiros. Sempre no grupo existe o líder da matilha, que garante sua liderança à base de dentadas. Gostaria de saber se existem criadores no Brasil. Por incrível que pareça eles estão perdendo terreno para os veículos adaptados a neve. Seria o fim de uma grande tradição.
Arthur Veríssimo, direto da Islândia


Na pequena Kulusuk, na parte leste da Groenlândia, para quem gosta da luz solar os dias no verão são de 24 horas. Essa região na Groenlândia é coberta por maravilhosos cenários, fiordes exuberantes. Para os amantes da natureza que gostam de caminhar o local é o shangri-lá.
A viagem de Reykjavik, capital da Islândia, até o aeroporto de Kulusuk foi realizada em duas horas cravadas. Estou em estado de êxtase diante de tanta maravilha. Tudo é espetacular. O estado selvagem da natureza encontra-se na sua quintessência. O vilarejo de Kulusuk está encravado na borda de uma montanha e com dezenas de casinhas coloridas. O estilo de vida dos Inuits, um dos ancestrais grupos habitantes do Ártico, continua como se estivéssemos a séculos no passado. Acompanhei uma performance de um caçador de focas em seu Kaiaque, que mais parece uma embarcação de guerra, cheia de traquitanas bélicas. Vocês sabiam que o famoso casaco-protetor de chuva Anurak foi criado pelos Inuits. O casaquinho descolado com capuz que você desfila pelas ruas, e praias do Brasil nos dias chuvosos, foi criado pelas incansáveis esposas dos Eskimos, com a pele e gordura das focas.
Arthur Veríssimo, direto da Islândia


Reykjavik é considerada por viajantes rodados e calejados como a cidade mais segura e antenada do planeta. Com pouco mais de 140 mil habitantes Reykjavick possui opções detonantes de restaurantes, shows, baladas, museus e passeios que muita metrópole de milhões de habitantes nunca sonhou em ter. O jornalista e reverendo Fábio Massari descreve cirurgicamente em seu livro Rumo à estação Islândia o mapa da mina da cena do rock e seus derivados , a balada fortissima da terra da Björk.
Sou vegetariano desde o século passado e existem três restaurantes com comida organica deliciosa na parte central da cidade. Alias, aqui comida e orgânico são sinsinônimos, uma vez que o país proibe o uso de fertilizantes químicos. O Anaesto Grosum é sem sombra de dúvidas um dos melhores do mundo com acepipes e guloseimas apetitosas. Uma das maravilhas na Islândia é como eles lidam com a energia e se encontram a anos luz de distância do restante do planeta. Nas casas, quitandas e banheiros públicos a água ja vem fervendo das fontes termais. Na capital, carros rodam a base de hidrogênio e ônibus de metano.
Hoje é uma data histórica na ilha. Os termômetros bateram o record de 27 graus centigrados . O último recorde registrado na ilha data de 1930, com raros 24 graus para um dos lugares mais frios da Terra.
O povo islandes é o mais sintonizado a respeito do aquecimento global, elevação dos oceanos e novas fontes de energia. A Islandia pretende atingir em breve a marca de primeiro país completamente verde do mundo.
Existe lava por toda a parte, cobertas de turfa e vegetação rasteira. A ilha detém um total de 22 vulcões ativos além da terceira maior calota de gelo do planeta perdendo apenas para a Groelândia e Antartica. Ontem fui conhecer a majestosa geleira de VATNAJOKULL que ocupa 12 por cento da ilha. Naveguei pela lagoa de Jokulsarlon onde imensos icebergs azulados cobertos de poeira vulcanica negra compoem o cenário onde muitas cenas de películas foram filmadas. Entre os filmes, Lara Croft - Tomb Raider e dois James Bond. E por sorte tive direito a um extra com um balett de focas selvagens que a tempo nao eram avistadas no local.
Toda a energia geo-térmica que é gerada na Islândia vem do fato da ilha estar localizada entre as placas tectônicas da América e Eurasia, com um fluxo intenso de lava correndo no subsolo.
Na volta do passeio eram 8 da noite e fui dar um mergulho em uma piscina pública.
O sol continuava fervendo.
DE REYKJAVICK ARTHUR (MAGNUSON) VERÍSSIMO.

